Mark Lanegan teve o bom senso de lançar um novo disco solo. E, depois de dois anos, voltará ao Brasil com um show em São Paulo, dia 14 de abril. Não tenho outro recurso a não ser ir.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Rádio: Mark Lanegan - Deep Black Vanishing Train
às 13:31 0 comentários Marcadores: Cultura, Memórias, Rádio blogue
domingo, 22 de janeiro de 2012
Lógica
Então Deus encheu-se da razão, criou aí um tal de mundo plano apoiado no lombo de uma tartaruga. Não satisfeito, tomou nas mãos uma porção de terra da qual fez um sujeito, o primeiro deles, a quem se deu o nome de Adão. De uma das costelas de Adão, moldou o melhor que pôde uma mulher, também a primeira de todas, que se chamava Eva.
Adão e Eva gararam dois filhos. Os primeiros da história que, em dada altura desta história, deixam a companhia dos pais e firmam residência em vilas separadas. Onde encontram esposas.
às 12:54 0 comentários Marcadores: Evangelhos
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Desmotivacional do amor
Nunca subjugue seus impulsos amorosos. Viver com o fardo do arrependimento de uma aventura é ainda mais saboroso que resistir ao peso dos anos amargados pelo remorso da ação não tomada, da palavra não dita, do email não enviado.
Nunca cale o amor no fundo de si. Faça com que frutifique, ainda que em lágrimas suas. O amor é o que nos move, resgata o que há de bom em nós, dignifica nossas existências, torna o humano ainda mais humano. O amor, as lágrimas do amor, sublimam o que há de mais belo no homem. Não se acanhe de chorar por amor de alguém.
Mas se possível, tome providências para que as lágrimas sejam delas, aquelas vadias.
às 13:30 1 comentários Marcadores: Cosmo por ele mesmo, Desmotivacional, Memórias
domingo, 8 de janeiro de 2012
Se e somente se
Anotem aí: quando, e se, eu morrer, gostaria de ser sepultado com a companhia de um osso de elefante, ou qualquer animal realmente grande. Talvez mesmo uma baleia. Minha intenção é confundir toda uma futura geração de arqueólogos.
às 13:15 2 comentários Marcadores: Memórias
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Bowerick Wowbagger
Wowbagger, o Infinitamente Prolongado, é um alienígena que, por conta de um acidente em uma experiência científica que envolvia dois elastiquinhos de borracha e um acelerador de partículas, acabou condenado ao dom da imortalidade. Aborrecendo-se enormemente com o tédio de uma existência sem fim plausível, ele resolveu dedicar sua existência a insultar todas as criaturas do universo em ordem alfabética.
O que é, sabidamente, um tremendo de um bom uso da imortalidade.
às 05:38 0 comentários Marcadores: Guia do Mochileiro das Galáxias
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Clube da Luta é um filme bem menos bom do que você imagina
Eu nunca tinha assistido à Clube da Luta. Não por qualquer motivo outro que não fosse falta de tempo, de ocasião ou mesmo interesse. Mas remediei o lapso nesta madrugada e, enfim, vi o cultuado longa de David Fincher, lançado em 1999, estrondoso fracasso de bilheteria, mas um válido sucesso comercial na era do DVD em diante, quando acabou tornando-se um ítem cult para muita gente de minha geração.
De maneira alguma dá para dizer que Clube da Luta seja um filme ruim. Não é. Visualmente agressivo, é difícil encontrar uma composição fotográfica tão ácida ainda em filmes contemporâneos. Brad Pitt e Edward Norton constroem uma relação muito fluída em todo o filme e... é isso.
Não considero, como muitos, que Clube da Luta seja o filme de uma geração. Suas evocações filosóficas, tão cantadas em verso e prosa ao longo dos anos, são de conhecimento mineral. Pedregulhos com algum dissernimento a cada chutadela que levam pelas sarjetas são capazes de relacionar impulsos e niilismo em um mesmo axioma e presumir que grande parte do desastre a que se dá o nome de civilização está nas implicações do modo pela qual as sociedades se organizam.
Modo este que, no filme, se vê reduzido ao consumismo e o círculo de coisas ruins que o orbitam o modus operandi do ato de consumir, como a publicidade, o marketing, a economia, a falsidade da autoridade e a hipocrisia das ideias de posse, governo, de estabilishment. Não há, evidentemente, erro em criticar uma sociedade que se define a partir da data de lançamento do próximo iPhone ou de quais lojas abrirão pelas madrugadas prestando o inefável favor de conceder o mimo tecnológico, por módicos milhares de reais, aos madrugadores.
A questão não é a que se presta a crítica, a questão é o contorno e o discurso que, insisto, estavam bastante desgastados à época do filme. Críticas à sociedade do consumo conviveram em paralelo com o amadurecimento dessa sociedade de consumo a partir do momento que a primeiro pistão à vapor suspirou os estertores da Revolução Industrial. Neste sentido, Clube da Luta é um tremendo mais do mesmo que só encontra eco em mentes onde o repertório de indignação é muito vazio. Em cabeças assim, tem espaço vasto e fértil para se arraigar a ideia de símbolo que o filme acabou granjeando com o tempo.
Para tentar alcançar novidade, o filme exalta a ideia central do livro que lhe deu origem. Os tais clubes de luta que serviriam como válvula de escape e embriões para uma consciência libertária do mundo e do homem na sua relação com a sociedade. A ideia é saborosamente amadurecida no livro de Chuck Palahniuk, mas bem mal e porcamente tecida no filme. Em nenhum momento a relação entre causa e efeito do Clube da Luta dentro da realidade contra a qual o filme discursa fica evidente.
É sensível também a ausência na versão do cinema desta história da tensão sexual que existe entre o narrador sem nome e seu alter-ego. No livro, as duas personagens esgrimem em uma bem marcada dança de atração e fuga. O livro é exemplar (não por acaso Chuck Palahniuk jamais chegou perto de tamanho sucesso em um livro) e qualquer tentativa de transformá-lo em outra mídia teria, e terá sempre, dificuldades enormes.
Clube da Luta não é, portanto, nenhuma novidade em qualquer uma das suas matizes. Nem mesmo o arco final da história, que desfecha a narrativa num confronto final entre narrador e alter-ego revela qualquer ineditismo numa solução para lá de gasta na arte de contar histórias. A surpresa funciona, mas peca pela falta de ineditismo e soa como um tremendo e aborrecido "mais do mesmo".
Com isso tudo digo que Clube da Luta é um filme ruim? De maneira nenhuma. Mas é bem menos bom do que se presume que seja.
Ao meu gosto, se fosse para embandeirar um filme como relicário de minha geração, adotaria sem a menor sombra de dúvida outro título, da mesma época. O Grande Lebowski, dos irmãos Cohen. Não menciono V de Vingança, de 2005, que soa no mesmo diapasão de Clube da Luta por pura honestidade em torno do conceito de geração.
às 12:03 3 comentários Marcadores: Cinema, Cultura
domingo, 25 de dezembro de 2011
Natal
Eu admiro profundamente a obra de Sérgio Leone. Diversos posts neste blog referem-se a estima que tenho pelos seus filmes magistrais.
Gosto muito de "Quando Explode a Vingança". Não chega a ser o mais celebrado filme do italiano. Mas eu gosto. Me apaixono pelo roteiro, que fala tão delicadamente de amizade, da improvável amizade que surge entre um bandoleiro mexicano e um revolucionário irlandês.
Adoro a presença de James Coburn no filme. A postura do personagem lembra demais meu pai. O filme em si é exatamente o tipo que prenderia meu pai por horas.
"Quando Explode a Vingança" pode não ser o clássico último do cinema, mas as cenas finais me fazem chorar, me leva a recuperar o luto adormecido, a saudade imorredoura que tenho de meu pai.
Hoje é natal. Acho que foi no primeiro natal em que meu pai faltou que a data perdeu o sentido. Escrevo isso correndo, sem me ater a detalhes, de lágrimas nos olhos, com a certeza de que o texto está ruim.
Está ruim, ainda que sincero, porque Sérgio Leone cutuca lá no fundo aquilo pouco que temos conosco e que define o que somos.
Ver os filmes de Sérgio Leone me faz, de alguma forma, mais humano.
às 17:58 0 comentários Marcadores: Cultura
Discordiano e desmotivacional
Segundo a astronomia, há um relevante lapso de tempo a se considerar quando observamos uma estrela. O que nos chega é a luz que elas emitiram há tantos e tantos anos. São fótons há muito expelidos que nos tocam em nossa retina. O lapso que vale para os astrônomos, vale também para os mais distraídos e sonhadores quando fazem um desejo para uma delas.
Em geral, elas estão a centenas de milhares de anos de distância. Então, é preciso considerar, que ao fazer um desejo a uma estrela ela já pode estar morta.
Assim como todos os seus sonhos.
às 15:41 0 comentários Marcadores: Cosmo por ele mesmo, Desmotivacional, Memórias
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Idade
Já foi dito que crescer na adolescência é torcer com fervor para que a vida adulta chegue. E que envelhecer é morrer de saudade da indolência da juventude.
às 14:18 0 comentários Marcadores: Memórias
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Caminhando contra o vento
Caminhava pelas sombras com passos incertos e olhava, aturdido, para o que o cercava. Eram letras, palavras, parágrafos. Correndo entre os escolhos que vinham a si feitos de frases, armou-se de um ponto de exclamação ! Uniu na sua extremidade uma interrogação ? Fez uma conjunção dos sinais gráficos, tornou-os um gancho, e assim armado, defendeu-se das torrentes em forma de orações, verbos, substantivos e o que mais for.
Armado, ia colhendo as palavras que vinham a si, como que carregadas pelo sopro de um vento forte. Colocava-as nos bolsos conforme surgiam, elas não pesavam, não tinham dimensão, mas eram. Ainda assim, as palavras logo lotaram suas burras. Transbordaram por todos os lados e sem o menor esforço.
Passou a derrubá-las pelo caminho, deixou-as caídas ao chão e não se importou. Colhia novas palavras a cada novo passo, a cada novo sopro do vento. Começou a colocá-las na mochila que, só agora, dava-se por si de acompanhá-lo. Encheu todos os compartimentos de verbetes. Quando deu por si, carregava nas costas três volumes de Guerra e Paz, um livro de poesias e um pequeno jornal.
às 18:01 0 comentários Marcadores: Memórias
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Revisitando o Guia
O Guia do Mochileiro das Galáxias é o alfarrábio que encerra todo o conhecimento disponível no cosmos. Isso significa que há nele tudo que passou, se passa e ainda se passará no universo.
Há no Guia um tópico dedicado ao porre alcoólico. Cito:
"Vá fundo. E boa sorte".
às 04:28 0 comentários Marcadores: Guia do Mochileiro das Galáxias
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Princípios
Princípios estão aí para serem derrubados. Não pensei sempre assim. Acreditei, lá atrás, que amarrar crenças a conceitos e valores absolutamente incontroláveis era necessário para encaminhar as duras, desgastantes e aborrecidas escaladas da vida rumo ao amadurecimento.
Hoje, na verdade, muito dado à bobagem, já admiti que princípios são mutáveis. Chega uma altura na vida em que tudo que o cerca lhe questiona sobre suas crenças e valores. Este momento, que pode suceder da adolescência à terceira idade, divide as criaturas em dois tipos: os que entendem que seus princípios estão sendo questionados e, como resposta se abraçam perdidamente a eles, e outros, mais raros, nos quais timbro muito em me incluir, que em situações deste gênero entendem que a vida, os amigos, as circunstâncias não estão questionando os princípios em si, estão questionando se eles realmente são seus.
Foi assim que relativizei muita coisa na vida. A lista é longa, vai de política aos porres, passa por religiões e figuras que me foram insuportáveis, e passa também pelo amor e a capacidade de trair.
Ah sim, esqueci de dizer que a catarse, porque foi uma, estragou inapelavelmente meu interesse por literatura e desmontou violentamente meu futuro promissor enquanto muito bem estabelecido engenheiro naval/mecânico. E a gente aprende a se abraçar naquilo que sobra.
às 21:57 0 comentários Marcadores: Memórias


