quarta-feira, 1 de julho de 2009

Ídolos

Não neguem, vocês têm os seus. Não a coisa meio infantil, do fã inconsequente que torna-se xiita por conta de um objeto de admiração. Mas aquela empatia por pessoas que foram capazes de fazer coisas que você gostaria de fazer. Ou nem isso, fizeram muito bem feito coisas que julgamos importantes, e daí às admiramos.

E eu tenho uma muito extensa lista de figuras dessa categoria. Poderia classificá-las em ordem pelo ramo de atividade em que se destacaram, alfabéticamente a partir da primeira letra dos seus nomes. Ou sobrenomes, como fazem as boas livrarias em relação a autores. Poderia listá-los num rol que obedeça uma ordem cronológica. Ou ainda usar como critério o quanto minha admiração por essas figuras é grande, o que é abslutamente mensurável. Admiro, por exemplo, muito o Johnny Cash. E admiro também Ennio Morricone, mas é uma admiraçãozinha, assim, assim, meio arrependida.

Eu comecei cedo no ramo. A partir do momento em que me encantei pela TV, muito cedo, naquele tempo video-game era mais restrito que hoje, era o Batman. Passavam incansávelmente aquela série dos anos 60, o ator que fazia o papel do morcego era o Adam West, com aquela barriguinha e tudo mais. E tinha aquele Robin meio afeminado. Saibam, ó incautos, que a piadinha em relação às opções sexuais da dupla dinâmica, que vem a ser constituída de Batman e Robin, vieram de alguns episódios dessa série, mal e porcamente dublados no Brasil, o que abriu espaço para toda a sorte de maus (é assim?) entendidos vinculados com a reputação dos herois. Até onde se sabe, quadrinho nenhum deu margem às conotações infelizes que o espírito debochado do brasileiro inferiu. Lembro que ganhei um vinil - é, eu tive vinis! - com a trilha sonora do filme de 1989 (dirigido pelo Tim Burton e com o Michael Keaton - onde diabos eles estavam com a cabeça).

Mas todo esse digressivo parágrafo só para dizer que meu primeiro ídolo foi o Batman. Só que isso meio que se perdeu com o tempo, parei de achá-lo legal depois dos X-men - embora ainda admire o conflito interno da mente de um cara que, a rigor, não tem muito de diferente dos sociopatas que combate nanquins à fora.

Aí veio Ayrton Senna e Raí, na mesma época. Zetti. E depois, Elvis Presley, a quem ainda devoto um grande carinho. Comecei a ouvi-lo no período nerd-antisocial da minha adolescência, ele era meu único companheiro. Ouvia Elvis e tinha vergonha, porque odiava com todas as forças do meu ser Legião Urbana. Foram tempos difíceis. Meu time era uma piada, eu não ouvia o que as pessoas ouviam, ouvia um cara morto, identificado como coisa de velho, não suportava Malhação e não tinha assunto com as meninas. Não sei como sobrevivi. Aliás, até sei. Mas não quero falar sobre isso.

E depois a literatura me apresentou uma enorme quantidade de pessoas brilhantes. E não falo só de autores, falo também de personagens, como Athos, o Professor Anronax, Arne Sakknussen, Róbinson Crusoé, e tantos outros. Alguns serviram - serviram - de modelo nos complicados tempos de adolescência, onde você busca criar uma imagem de si que imagina que os demais ficarão encantados em conhecer e normalmente não ficam, acabam te enxergando como um babaca excentrico. Enfim.

Na Fórmula 1 adquiri também inúmeros ídolos. Fernando Alonso, Kimi Raikkonen (até trair o movimento, ir para a Ferrari e parar de encher a cara). E alguns que não vi correr, como Jack Brabham (campeão na década de 1960), Bruce McLaren, Jean-Pierre Beltoise e Nelson Piquet.

E é meio assustadora essa dependência em admirar pessoas. E olhando esse texto, nem citei um monte de gente. Dá uma sensação de nanismo enorme, como somos pequenos, precisamos projetar imagem de pessoas que jamais conheceremos, admirá-las, reconhecer seu talento em fazer coisas que achamos interessantes e não conseguimos. O homem é uma criatura eminentemente frágil.

E eu tinha uma ideia ótima sobre um texto sobre Steve Mcqueen, sobre o filme "As 24 Horas de Le Mans" que pude assistir dia desses e foi tudo em vão, porque não sou capaz de lembrar qual era a ideia, o tema e o assunto. Amanhã escrevo sobre Mcqueen, porque ele vale à pena umas boas penadas.

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