segunda-feira, 20 de julho de 2009

Quarenta anos de Lua

Não serviu pra muita coisa. É essa a conclusão do aniversário do pouso do homem na Lua. Fazem, hoje, 40 anos. Eu, como todo garoto, fui obcecado por astronômia durante um bom tempo, lia muito sobre naves, voos, aventuras. Lembro de quando lançaram o filme Apollo 13, assistindo em casa com meu pai, intrigado com as dúvidas que tinha sobre um voo até à Lua que minha curiosidade natural ainda não tinha sido capaz de resolver.

Em 2007 tivemos outro aniversário simbólico e de jaez semelhante: tratava-se aí do cinquentenário do lançamento do Sputnik. A bola de metal que fazia bip-bip-bip e o fato de esse bip-bip-bip poder ser escutado aqui na Terra deu o ensejo para que se desenvolvessem as mais variadas artes no sentido de comunicação, massiva ou não, do ser humano, rompendo distâncias, as infindáveis vagas dos oceanos, os ares, enfim. Tudo pra descobrir, que no fim das contas, o verdadeiro problema de comunicação ainda é o face a face, téte-a-téte.

O Sputnik, na pior das hipóteses, abriu o espaço (ahn? Ahn?) para a onda de inovações que hoje permite que você leia este texto num computador em qualquer lugar do mundo. A chegada do homem à Lua não. Foram lá, trouxeram pedregulhos, fincaram bandeiras e a Lua continua branca, inóspita, desabitada, praticamente imóvel, a bastar apenas para inspirar poetas e bêbados de ocasião. Alguém poderia citar os intermináveis avanços advindos da era espacial. Pois é, mas eles viriam com ou sem viagem para a Lua. Então, são mais culpa do Sputnik.

Mas o aniversário é da Apollo 11, não do Sputnik. Embora eu ache que não dá pra falar num sem falar noutro. O Sputnik foi o princípio (ou os V-2 do Wernher Von Braun?), depois dele o homem orbitou à Lua, o homem pisou lá, criaram os ônibus espaciais, eles explodiram e ninguém mais voltou pra Lua porque lá, irremediavelmente, não tem porra nenhuma.

A conquista da Lua não nos fez mais pacíficos, mais evoluídos, não nos ensinou muita coisa, infelizmente. Porque a história é bonita. É uma epopeia paralela àquela de Colombo, que disse que a Terra era redonda, e quem pensava o contrário não estava com nada. O que há de grande nessa história é, como sempre, o lado humano. A história de vida de Edwin Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na Lua, que entrou em depressão por ter sido o segundo. O medo, enfim, o desconhecido.

Quarenta anos. Eu lembro de 1999, quando foram 30 anos, das publicações especiais. Superinteressante e Veja tinham reportagens anotando a efeméride. E eu, não mais criança, ainda colecionando dados na mente sobre aquilo que considerei naquele tempo, a maior aventura humana entre todas.

Cresci e parei com bobagens. E com definições unilaterais.

A gente cresce, fica um pouco mais esperto em umas coisas. Noutras, fica mais bobo. Mas de uma maneira geral, perde completamente a inocência.

Nota: bacana este site. Nele reconstroem em tempo real toda a missão. Você pode acompanhar passo a passo, com vídeos, fotos e gravações originais toda a viagem. Aliás, o site é excelente, merece uma olhada.

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