Assistindo nessa mesma noite ao Jornal da Globo, sem a petulante Ana Paula Padrão, a quem considero um poço de arrogância, vi uma notícia bem curiosa, referindo a circunstância porque passa a nossa desditosa fronteira com o Paraguai.
Ocorre que numa tentativa de revidar aos fiscais brasileiros, que de um tempo pra cá resolveram dignificar os seus soldos com as mais variadas maneiras de fiscalização, os paraguaios mandaram a marinha ocupar a ponte.
Ao menos a sua metade, como é de se supor, se viessem a ocupar a nossa metade estaria configurada aí uma invasão de territórios, e ainda que sem más tenções, seria motivo suficiente para se declarar guerra ao estado vizinho, enviar uma embaixada com ilustres diplomatas (coisa curiosa, generais, almirantes, brigadeiros e diplomatas sempre têm nomes pomposos, não há nesses cargos nenhum José da Silva, embora José da Silva não seja exatamente um nome, mas uma instituição nacional), eu dizia, com ilustres diplomatas, que não tendo o que fazer, precisariam ocupar o tempo, ao presidente vizinho, declarando que nós brasileiros ansiamos por manter as mais afetuosas, cordiais e excelentes relações com nossos vizinhos e hermanos, entretanto, se não chegássemos a um bom entendimento sobre essa invasão, nos veríamos na triste contingência de invadir-lhe o território e arrancar-lhe os olhos.
Ora, o Paraguai, pelo que consta aos meus surrados conhecimentos geográficos, constituí-se de uma porção de terra cercada por argentinos, bolivianos, chilenos e brasileiros, de sorte que não lhes resta qualquer tiquinho de mar para que pudessem avorar-se de ter uma marinha. É uma nação interior, portanto.
Ainda que houvesse a necessidade de patrulhar o rio Paraná e o rio da Prata, bem como as suas eventuais adjacências, creio que seria menos ostensivo e mais digno delegar semelhantes funções a um exército, por exemplo. Será que eles esperam um ataque marinho, aliás, um ataque fluvial ou até mesmo lacustre? Deve ser a mania de grandeza de quem muito pequeno é porque um dia quis justamente o que hoje não possui, acesso ao mar.
Que o diga Solano Lopes.
Hum, quem sou eu para sugerir alguma coisa na organização militar do Paraguai?
