É engraçado, e um pouco triste, assistir "Reds", de 1981. De um lado, o jornalismo nos bons tempos imediatamente anteriores à ditadura do "lead", da torpeza da objetividade que se vende como lei de ouro, e que não passa de brilho fulgaz de pirita a enganar os tolos, o jornalista e o jornalismo em estado de arte, militantes da transformação social do mundo. A vida de um ícone do jornalismo literário, o autor de "Dez dias que abalaram o mundo", John Reed. E também o florescer da Revolução Russa, a tomada do poder pela maioria de fato, a queda das oligarquias num primeiro momento, a chegada do tempo em que, acreditava-se, as rédeas dos destinos da humanidade seriam de todos, e que a igualdade seria um bem comum.
E de outro lado, o debacle inerente de todas essas coisas. O reconhecimento de que a União Soviética foi um imenso fracasso moral, social, político e principalmente humano. A convicção de que o jornalismo morre a cada manchete mal resolvida, a cada lapso, digamos assim, de golpismo, de truculência e de decadência luzídia.
Luzídia, sim, para nos lembrar que nem tudo que reluz é, de fato, ouro.
Bom filme. Bom filme.
sábado, 30 de outubro de 2010
Os Reds de Reed
às 18:09 0 comentários Marcadores: Cinema, Cultura, Entretenimento, História, Mídia, Política
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
O rúgbi brasileiro assombra o mundo
Publicidade bem feita não é exatamente coisa que se veja todos os dias, portanto, nada mais justo que indicar três peças absolutamente geniais:
Mais um:
E outro:
às 17:24 1 comentários Marcadores: Atualidades, Entretenimento
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
O Inferno de Dante nos joysticks do mundo
Inferno de Dante é um clássico da literatura e compõe uma parte de uma obra maior, chamada de Divina Comédia, escrita por Dante Alighieri nos tempos do Renascimento. É um clássico que trata em verso da criação desse espaço conhecido como inferno, daí o nome, sob um viés épico e teológico.
Tornou-se o poema e a descrição do inferno um símbolo cultural, um ícone. Provavelmente a noção de inferno que as pessoas possuem no geral é muito mais atribuída ao poema de Alighieri do que a descrição presente nos textos bíblicos que, aliás, sobre o assunto se debruçam em redundâncias e contradições. Por certo que Dante trouxe a imagem do calvário que condensou em suas rimas dos versículos bíblicos, mas é inegável que as tintas renascentistas e as penadas suaves da poesia fizeram muito melhor serviço no que tange a condensação do inferno enquanto ícone na cabeça da cristandade ocidental do que a Bíblia.
De tal forma o Inferno de Dante transcende seus limites de época que virou símbolo. Inferno de Dante foi filmado em película, apresentado nos palcos, cantado em música, virou quadro nas mãos de vários pintores (Salvador Dalí, Rubens, Botticelli para ficar em alguns que pintaram o inferno segundo suas interpretações de Dante). De tal sorte a obra de Alighieri cresceu em si que se expandiu nos diversos campos culturais e virou signo. Muita gente diz "o inferno de Dante" para se referir ao inferno numa perspectiva ainda mais cruel que a normal e muitas vezes não têm a real noção do que é a obra. Muita gente acredita que "Inferno de Dante" seja uma pintura e não um poema renascentista, por exemplo, dada a caracterização desse termo como um inferno cheio de dor e sofrimento, e como se sabe, as pessoas tendem a ter mais facilidade a associar ações com imagens, daí a impresão, em muito auxiliada pelos diversos quadros com este nome de pintores famosos, de que Inferno de Dante seja uma pintura.
Sob todos os aspectos, portanto, o Inferno de Dante é um exemplo muito bem acabado de um bem cultural universal. Resistiu ao tempo, influenciou sociedades e culturas ao tornar-se uma noção, um conceito, de inferno; transitou por diversas manifestações culturais e está presente ainda hoje. Um exemplo disso é o surgimento da versão de "Inferno de Dante" enquanto jogo eletrônico. A Eletronic Arts, uma das maiores produtoras do ramo em todo o mundo, resolveu produzir um jogo baseado no poema renascentista, que tem lançamento previsto para fevereiro em diversas plataformas (Play Station 3, X-box 360 e há chance de que usuários de PC's possam descer aos infernos de concepção florentina).
Venho falando há um tempo sobre o surgimento de jogos com perspectivas muito avançadas no aspecto técnico e discursivo. Histórias elaboradas, mecânicas e discursos muito mais evoluídos que o Super Mario que nos acostumamos a vincular como imagem de jogo eletrônico, ou as aventuras em 4 cores no Atari. A adaptação da obra de Dante para os jogos é um sinal disso. A criação da história do jogo, por exemplo, ficou a cargo do roteirista Will Rokos, indicado ao Oscar em 2002 pelo roteiro de "A Última Ceia".
Todo o referencial original do texto de Alighieri está lá. Os Nove Círculos do Inferno, a aventura do cavaleiro Dante que deve descer às profundezas do reino do anjo caído para enfrentar o próprio Lúcifer com vistas a recuperar a sua amada Beatrice. No caminho deverá enfrentar medos, fantasmas, mosntros, bizarrices, medo, terror, o próprio inferno em si, a revelação de histórias e crimes de família que estavam esquecidos. E é esta a história da primeira parte de A Divina Comédia (o livro divide-se em: Inferno, Purgatório e Paraíso).
Pensemos nas possibilidades. Eu não li Inferno de Dante (o único clássico renascentista que tive colhões para encarar e luzes para compreender foi "Decamerão" de Boccaccio), mas fiquei conhecendo inúmeros detalhes da história em virtude de conhecer o game. E pensemos nas multidões que irão jogá-lo, quanta informação será transmitida e de alguma forma ensinada pelo jogo? Alighieri, se tivesse como conhecer a dimensão que sua obra tomou com o passar dos séculos, sem dúvida, ficaria orgulhoso.
E, enfim, jogar também é cultura.
às 10:34 0 comentários Marcadores: Atualidades, Cultura, Entretenimento, Tecnologia
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
The Saboteur: genial
Há muito que sustento perante o desdém de muita gente que a indústria dos jogos eletrônicos já beira, e em alguns casos ultrapassa às largas, os ditames do que é arte. Os jogos progridem anualmente a uma velocidade assombrosa, e isso explica porque o entretenimento digital é uma indústria que lucra mais que a do cinema e mais que a automobilística também. Hoje, em vários títulos no mercado, a experiência de jogar é a de viver um filme. Interagir com um roteiro.
É o caso do game The Saboteur, que para ficar nos paralelos perante a Sétima Arte, é, por sua vez, o remake de um título famoso nos anos 1980 para o Atari. A previsão de lançamento do jogo é para este mês, disponível para Play Station 3, Xbox 360 e computador, no jogo você encarna um irlandês que mora em Paris. Tudo se passa num ambiente de filme noire, nos anos 1940, em plena Segunda Guerra Mundial. Você precisa vingar-se dos nazistas, ajudando ações da Resistência Francesa.
Mas onde está a arte, pergunta você, ó leitor incauto e apressado. A arte vai além do roteiro bem elaborado, da possibilidade de interagir com toda a Paris de 70 anos atrás. A arte está no espetáculo visual do jogo, que começa preto e branco e conforme o jogador for avançando na história e experimentando emoções, torna-se colorido (conforme você pode ver no vídeo abaixo). É, pelas prévias disponíveis na internet, visualmente falando, um conceito lindo e que foi visto, conforme a sociedade cinéfila de leitores que me acompanham devem lembrar, no filme Sin City.
Prévia do game:
Além disso, escolheram Nina Simone, com "Feeling Good" para a trilha sonora (opa, mais uma semelhança com o cinema: trilha sonora envolvente). Só não vicio já no jogo porque o lançamento oficial ainda não aconteceu, e de mais a mais, meu notebook tem recursos muito modestos para enfrentar tamanho refinamento técnico e gráfico.
Trailer oficial:
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Viva o Tremendão
Grata surpresa foi ontem ouvir o novo álbum do Erasmo Carlos. Pois é, o Tremendão. Ao contrário de Roberto Carlos que, passada a sua grande fase nos anos 1970, começou a gravar músicas para gordinhas solitárias que assistem novelas, Erasmo evoluiu. Eu só conhecia os álbuns inovadores e ousados dos anos 1970, como "Carlos, Erasmo" e "Banda dos Contentes". E agora, quando menos esperava, quando achava que o Tremendão era passado, que não criaria nada mais de novo e interessante, o distinto parceiro do Rei lança "Rock n' Roll". O índice Tertuliano de qualidade em bens culturais recomenda aos caros sete leitores que ouçam o disco. É excelente.
Vale a pena, como poucas coisas ultimamente têm valido.
às 12:42 0 comentários Marcadores: Atualidades, Cultura, Entretenimento
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Jogos são legais
Normalmente as pessoas tendem a não enxergar, ou a ver com preconceitos, a indústria dos games. Ninguém tende a levar muito a sério algo que nasceu como brinquedo e que foi crescendo ao longo das décadas e hoje, além de ser uma indústria milionária mais lucrativa que o cinema, tem enveredado no ramo da criação de produtos e desenvolvimento de conteúdo cada vez mais complexos e bem elaborados.
Hoje jogos simulam mais do que corridas de carro, estratégia em jogos onde você brinca de deus, morte e destruição em games de tiro. Vai muito além. Há, por exemplo, muito mais crítica social e inteligência no último GTA do que na grande parte dos nossos jornais.
Não é minha intenção, entretanto, fazer uma profissão de fé no sentido do real valor inexplorado dos jogos eletrônicos, que ainda perturbam a ideia de educadores e psicólogos retrógrados, que tendem a explicar o vazio existêncial de um adolescente violento e problemático por meio de influência dos jogos.
É aquela velha história: se a minha geração tivesse sido influenciada por jogos como Pac-man, estaríamos todos correndo em salas escuras, ouvindo músicas repetitivas e engolindo pílulas. É, eu sei, há quem faça exatamente isso em raves, dirá alguém. Aí eu contradigo, porque eu joguei também Super Mario e não me lembro de sair por aí pulando em cima de tartarugas, engolindo cogumelos e desafiando a gravidades em abismos medonhos.
Jogos não são mais negativos que, por exemplo, assistir o Pânico. Ou uma novela.
E tudo isso porque lia eu sobre novidades em matéria de games. Preciso renovar o estoque, logo lançam o Modern Warfare 2, eu mal comecei o Batman e o Need for Speed Shift tem tudo para me tomar tempo demais. Aí encontrei esse vídeo abaixo, da Scientific American, que explica a evolução da aplicação dos conceitos físicos nos jogos:
às 18:58 1 comentários Marcadores: Atualidades, Entretenimento, Mídia, Tecnologia
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
James Dean não morreu!
A morte, sabemos todos, dá-se com uma inarredável certeza das nossas existências. Não se pode evitar morrer. Mais dia, menos dia, abate-se sobre todos nós qualquer sorte de evento abrupto que nos encerra a existência. Não há filosofia que drible isso.
E pelo caráter inevitável da morte, pela sua capacidade de tocar a todos, independentemente de origens, posses, dignidades, ocasiões e tudo o mais, ocorre que algumas mortes são únicas. Poucos foram os sujeitos que "sobreviveram" a uma morte como James Dean, a morte de Dean interrompeu sua vida, mas não sua história. No mesmo rol dá para incluir Elvis Presley, talvez Michael Jackson, dependendo de como sua obra por gerida e o interesse público reagir à sua morte.
Dean era um jovem dos anos 1950, talentoso ator, galã. A pinta rock n' roll do rapaz encantava as mocinhas de então. Dean tinha um carisma especial e que foi potencializado em virtude da maneira como morreu, a juventude, a inconsequência, a rebeldia de toda uma época de grande poxa em virtude da geração estagnada pelo vazio do pós-guerra, que semeou a liberação cultural, que abriu portas para as revoluções comportamentais da década seguinte. James Dean é como um ícone desse processo. Ele e sua "atitude" são simbólicos em todo esse contexto.
Só que ele morreu. E de acidente. E correndo bizarra e inconsequentemente numa rodovia em direção a uma... corrida. Num carro esportivo. No caso, um Porsche. James Dean morreu e o fez com estilo. No auge, em plena juventude, fazendo sucesso e de Porsche. Bebia e fumava, era o heroi daquela Juventude Transviada, filme mais conhecido do ator e tão icônico quanto ele, Dean, foi e ainda é. E já falei bastante de James Dean e esse filme aqui, há 4 anos.
Tropecei hoje numa propaganda de um fundo de investimentos norte-americano. A ideia da peça publicitária é imaginar como teria sido a vida de James se não tivesse morrido no acidente. Os filmes que teria feito, o seu carisma sendo usado em prol de causas humanitárias e sociais, os Oscar que teria vencido (o ator foi indicado postumamente em 1956 por "Assim Caminha a Humanidade"). Achei muito interessante a associação de Dean, que era um aficcionado por velocidade e automóveis, com o filme "As 24 Horas de Le Mans", rodado em 1970, com Steve McQueen, outro ícone. Melhor filme de corridas de todos os tempos, aliás. Voltando ao comercial, trata-se de uma excelente ideia, e que faz pensar: se não fosse o acidente, a morte, Dean teria se alinhado junto de sujeitos como Marlon Brando e Steve McQueen? Sua fama teria sido a de mais um ator normal, sem o glamour da morte inconsequente e abrupta? Ou o destino dele era mesmo a iconoplastia de toda uma época?
às 21:48 0 comentários Marcadores: Atualidades, Cinema, Cultura, Entretenimento
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Digita rápido, é? Sei...
Eis aí um teste para aqueles que, como eu, digitam alucinadamente rápido - ou pensam assim. Para ter acesso ao teste, clique no meu resultado ali. E que frise-se que é um resultado aleatório, já fui bem melhor. Esse ali foi apenas para gerar o código HTML, afinal. Uma vez no site, basta digitar a palavra, dar enter ou espaço e partir para a outra. Quando o tempo esgotar você terá a resposta e saberá o quão rápido digita:
40 palavras
Speed test
às 23:34 0 comentários Marcadores: Entretenimento, Tecnologia
sábado, 5 de setembro de 2009
Lavagem cerebral
Agora preciso lavar meu cérebro.
às 10:50 0 comentários Marcadores: Atualidades, Cinema, Cultura, Entretenimento
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Mentiras
Estava eu hoje assistindo um episódio de House e o próprio diz em dado momento:
"Mentiras são como crianças: inconvenientes, mas o futuro depende delas..."
e
"Se você fala com Deus, você é religioso. Se Deus fala com você, você é psicótico".
às 14:47 0 comentários Marcadores: Cultura, Entretenimento
terça-feira, 14 de julho de 2009
Meu primeiro bootleg
Conforme já lhes contei, estive no primeiro dia deste mês de julho no show de Mark Lanegan em São Paulo. Eu e, muita gente por lá, gravamos o show. Como a experiência de ouvir o sujeito numa apresentação de caráter tão intimista e acústica foi simplesmente incrível, resolvi me aventurar e produzir um bootleg do show.
Ponto, parágrafo. Bootleg é o nome que se dá a gravações extra-oficiais, de shows, apresentações, passagem de som e até de entrevistas - que fãs lançam, com ou sem interesses comerciais. Eu não os tenho, fiz o bootleg e está disponível para downloads aqui.
E ficou bacana. Extrai os audios de vídeos do show disponíveis no YouTube, além de alguns que gravei com meus camaradas, e editei os mp3 em um programa que lembra muito o Garage Band da Apple, o Acustica Mixcraft (é bizarramente fácil criar músicas nesse coisinho, vicia).
A imagem acima é a capa, que também fiz, do bootleg, primeiro e até aqui único, de "An Evening With Mark Lanegan & Greg Dulli", com músicas do Afghan Whigs, Screaming Trees, Twilight Singers e The Gutter Twins, além da carreira solo de Lanegan.
E esse é meu primeiro passo na carreira de produtor musical.
Ouça uma das faixas:
às 18:52 0 comentários Marcadores: Cultura, Entretenimento, Tecnologia
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Não precisa, mesmo, de diploma pra fazer isso
Eu voto um desprezo carnal extremamente violento e inconsolável, a ponto de dar com a cabeça nas paredes quando me deparo com o pássaro azul a gorjear. É asco ao twitter, tuíter, ou gorjar, conforme já tive o ensejo de demonstrar. E, por inconsolável, evidentemente, continuo eu muito feliz, sozinho é verdade, mas feliz em não fazer parte dessa grande bobagem.
E dia desses, em uma das minhas correrias, tive um tempinho para ler a home do UOL e estava lá: Marcelo Tas e Luciano Huck discutem pelo twitter, tuíter, ou gorjear. Finalmente! A revolução da comunicação, em 140 caracteres, a agilidade do admirável mundo novo, enfim, chegou de fato: dois egos se chocam, e não falta quem queira testemunhar o episódio. Seguir, dizem os neófitos.
Aí fica difícil aceitar a justificativa dos aceclas, esses também seguidores, do microblogue. Dizem eles que o serviço traz uma inaudita agilidade - pra quê? - à difusão de informação. Neste caso "A informação", digna de espaço no portal mais visitado da internet brasileira, é o ego, o confronto de vaidades, que vemos todos os dias na internet. No orkut, em blogues, no MSN. As pessoas gritam "olhem pra mim!", vejam como sou legal. Mas como é no tuíter, a nova onda, aí vale primeira página.
Marcelo Tas e Huck se degladiaram, sempre em 140 caracteres, descaracterizando levemente o até então tido como imortal ditado que nos dizia que, cronológicamente, a pena, a caneta, ou vá lá, a palavra, fere mais que a espada. Tenho pra mim que dependendo do tamanho da lâmina, 140 caracteres já não chegam para ferir, como faz o aço frio quando bem manejado. Bateram-se os dois num duelo de palavras, um dizendo que o outro forjava seus estratosféricos números e estatíticas de seguidores, que onde é que já se viu, fazer uma coisa dessas, querer vender aos demais que se têm mais popularidade do que realmente possui.
O mundo está cheio de gente besta. E isso não é propriamente uma novidade. A história da burrice humana inunda capítulos e capítulos da história da civilização e é um processo, um eterno retorno, sempre em constante evolução. A peleja de Tas e Huck é só mais uma pequena vírgula.
O problema, o busílis, é que o mundo sempre esteve cheio de gente besta, mas normalmente inofensiva. E o twitter, tuíter, gorjear, veio a armar os bestas de 140 caracteres, reputações ignóbeis, audiência vasta e passiva, vazio e uma falsa sensação de informação. O muito é pouco, diz o poeta. E o eterno retorno, enfim, é religião.
E não para - para de parar, estragaram o idioma, como se sabe, o que somado com tantos sinais, só pode ser sinal do apocalipse que nos bate à porta - por aí. A crise entre as duas celebridades vira notícia, manchete. É o suprassumo da fofoca. Vai para a primeira página do site mais lido da internet no Brasil, nos informar que, sim, somos todos vaidosos, implicitamente, evidentemente. O foco é sempre o factual, não o absurdo: Marcelo Tas e Huck brigam via tuíter porque... porque... porque um diz ter mais seguidores que o outro, maduros que são.
Dois pavões se exibindo, enfim, é notícia. E ainda me perguntam por que eu, jornalista de canudo nas mãos, sou contra o diploma. Por falta de argumentos. E se for buscar, vou acabar tropeçando nessas situações, que me dão argumentos para ser totalmente contra. Como defender o diploma de jornalista para fazer uma bobagem dessas? Se o critério de notícia é esse, ora, qualquer um faz. Jornalista não precisa, mesmo, de diploma. Precisa de juízo, mas é um artigo em falta e que rareia mais a cata "tuítada" da internet.
A vida num mundo onde tanta gente se arma de tuíters não vale à pena ser vivida.
às 06:26 1 comentários Marcadores: Atualidades, Entretenimento, Mídia, Tecnologia
terça-feira, 16 de junho de 2009
Losers do mundo
Ok, admito. Eu nunca consegui gostar muito de corrida de moto. Das de motovelocidade e daquelas na lama, motocross. Embora reconheça que a sensação de andar de moto é incrível - vai pra 5 anos que não monto em uma, acho que não sei mais como dar a partida. Enfim, com toda essa história mal vivida em relação às motos, não tem jeito, tenho que postar algo sobre o episódio do último GP da Espanha de motovelocidade. Esse vídeo merece ser compartilhado.
Imagine que você está correndo de motocicleta e abre a última volta na ponta. Aí você termina a corrida e comemora, afinal, você venceu. Pois é. O problema é quando você descobre que errou na conta e a volta que julgava ser a última era, na verdade, a penúltima.
Aí você cruza a linha de chegada devagar demais, perde a posição, consequentemente a corrida, e faz papel de idiota para aproximadamente 300 milhões de pessoas em todo mundo, que é a audiência estimada de uma corrida da motovelocidade, segundo pude descobrir.
Com vocês o espanhol Julián Simon:
às 21:43 0 comentários Marcadores: Atualidades, Entretenimento, Fórmula 1
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Muita mulher pelada
Nestas minhas intermitentes, e talvez bastante desprovidas de sentido, braçadas neste outro Atlântico que é a internet, vez ou outra, tropeço, ou antes, dou com a quilha nalgum recife que, se por um lado põe a pique minha embarcação feita de gigabytes, como diria Gilberto Gil, me dá o ensejo de vislumbrar ilhas, paraísos de interesse e de gratificantes descobertas em ilhas desertas e insondáveis, em mares nunca dantes navegados pelos meus gigabytes.
O que é muito saudável. Afinal, sejamos francos, a internet, como um dia definiu Homer Simpson se especializou em tornar-se uma rede internacional de pornografia. Não estranhem. Nada contra. Ou pelo menos não muito. Quem quer sacanagem, acha. Devia ser assim, mas não é. Tem muita mulher nua e muita mulher pelada na internet, e não é sempre que as procuramos, afinal.
Mas isso cansa. Combina com os hormônios em ebulição da adolescência e por mais que ainda hoje seja um prazer vê-las, admirá-las e tudo o mais, a verdade é que há uma certa saturação. É o mal da fartura, faz tudo ficar comum, réles e sem graça. Nos meus tempos, olha a nostalgia, comprar revista adulta escondido dava cadeia. Ou se não dava, parecia que dava. Me sentia um agente soviético contrabandeando informações do ocidente nos bons tempos da guerra fria. Hoje o sujeito tem tudo à mão, não há a menor graça ver pornografia nos doidos, e doídos, tempos que correm.
Daí a ser satisfatório que entre tempestades, bonanças e braçadas no mar internético você possa tropeçar com sites que se prestem a algo mais do que exibir partes escusas da anatômia feminina (até na home do UOL tem mulher em poses libidinosas). É o caso deste blogue aqui. Eleito a partir de hoje e para todo o sempre como o melhor blogue por mim já visitado. Trata-se de um blogue que posta e indexa tudo que vale à pena, e o que não vale, em relação ao cinema. Está tudo lá, ótimos filmes da idade de ouro, de prata, de bronze, de zircônio e de plástico da sétima arte. Um barato. Tem até "Cegos, Surdos e Loucos".
Adoro esse tipo de possibilidade da internet. Me permite incentivar minhas agridoçuras em relação à vida e ao passado. O homem, saibam, é um ser nostálgico. Baixei hoje, por exemplo, "O Incrível Exército de Brancaleone", que é uma excelente comédia rodada no paleozóico - provavelmente é "paleozoico" agora - ano de 1966.
Ao "Incrível Exército de Brancaleone" longa vida! Às mulheres que desfilam suas vergonhas e orgulhos pelo oceano de bobagens da internet vida não tão longa assim. Porque o tempo passa. Ele, aliás, não faz outra coisa. Precisamos, por supuesto, de novas caras e novas bundas, ainda que torçamos o nariz para a enorme oferta atual dos artigos em questão. No mais, se há quem se preste a ser objeto, por que serei eu a dizer algo contra?
às 14:43 1 comentários Marcadores: Cinema, Cultura, Entretenimento, Memórias
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Woody Allen salvando os anos
Não lembro quem disse, mas "por pior que seja o ano, ele ao menos terá uma coisa boa: um filme do Woody Allen".
E é verdade.
Trailer de Whatever Works:
às 20:42 0 comentários Marcadores: Cultura, Entretenimento, Memórias
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Tudo o que precisamos fazer é...
Hugh Laurie é um ator sensacional. E esse vídeo um barato:
às 14:54 0 comentários Marcadores: Cinema, Cultura, Entretenimento
domingo, 26 de abril de 2009
Blogger, eu te adoro
Descobri que programar as postagens funciona. Você marca o horário que ela deve subir e tornar-se pública. Um barato. Posso viajar hoje pra São Paulo e ficar tranquilo, porque durante toda a noite, nos horários marcados, meus textos serão postados.
Evidente que seria ainda mais legal se fossem lidos. Mas eu já abri mão de muitas ambições, e a de ser lido tem sido uma delas, ultimamente.
às 11:07 2 comentários Marcadores: Entretenimento, Tecnologia
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Susan Boyle
Enquanto o vídeo não é removido daqui do Blogger você pode assistir aqui. Caso seja por conta dos direitos autorais, assista aqui!
Eu também sonhei um sonho.
E quem não sonhou?
às 14:59 0 comentários Marcadores: Cultura, Entretenimento, Mídia
quarta-feira, 25 de março de 2009
Radiocabeça, Cabeçaderádio, Radiohead
Eu fui no show da cultuada banda inglesa no fim de semana, em São Paulo. Radiohead é uma das minhas bandas preferidas há um bom tempo. O som introspectivo, a qualidade dos arranjos, a impressionante capacidade de se reinventar a cada álbum (eles fazem coisas completamente diferentes de disco pra disco), são algumas das boas razões para curtir o som da banda. Talvez em matéria de bandas só outras três disputem minha atenção na mesma intensidade: Sigur Rós, George Thorogood and The Destroyers e Placebo (e aqui só falo de bandas. Estou excluindo artistas solo). Radiohead é muito legal. Eles, por exemplo, acham legal você comprar o cd, ou as faixas pelo iTunes. Mas se você baixar as músicas de graça eles acham legal também. Foi assim que o último disco, o In Rainbows, foi lançado: pela internet. Você baixa ele todo gratuitamente e, se quiser, dá alguma quantia para a banda - quanto quiser.
Foi um bom evento, o show foi inesquecível: todo o último álbum foi tocado, além de alguns hits. No palco a presença de Tom Yorke, o vocalista, foi impecável. A brincadeira com as micro-câmeras projetando nos telões imagens distorcidas, que pareciam clipes, foi genial. O jogo de luzes com neon, mudando e vibrando conforme a música deu um toque ainda mais incrível ao ambiente, fazendo parecer que tudo, tudo mesmo, girava em torno da música.
Além disso estava na companhia de amigos queridos numa apresentação espetacular. Foram mais de 30 mil pessoas, chuva fina aqui e ali. Uma sensação de catarse há muito esperada, sobretudo ao ouvir "Last Flowers", "Fake Plastic Trees" e "Creep". De quebra o festival Just a Fest ainda tinha Los Hermanos - não gosto - e Kraftwerk, que é uma bobagem alemã sobre música eletrônica. Mas parece que são extremamente adorados por quem curte o "gênero". Eu achei uma merda.
Mas tinha ido lá pelo Radiohead. E saí ganhando.
Vídeos do Show:
* Ia postar uma foto com minha cara, ali, pertinho do palco. Mas não. Aí você veria minha face, caro leitor(a). E o que seria da gente se não mantivéssemos, por pouco que seja, uma pequena aura de mistério em tudo que por aqui fazemos, não é mesmo?
** E a bem da verdade é que não perde nada. Sou feio.
*** Postaria também minhas "footages". Fiz filmagens de algumas performances, sobretudo de "Karma Police" e "Idioteque". Mas ficou uma bosta, não dava pra filmar bem pulando.
às 17:55 1 comentários Marcadores: Cultura, Entretenimento, Memórias
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Pálido ponto azul
Como somos mediocremente pequenos perante a magnificência do universo todo em constante expansão. Somos insignificantes, pequenos como um átomo pode ser perante o Sol. Não há verdade nova nenhuma nesta constatação, mas é admirável como somos capazes de esquecermos disso. Como somos bons em crer que nossas subatômicas vidas e as demandas imbecis a que damos alguma importância, como se realmente tivessem, são verdadeiras cruzadas. E elas mesmo, as Cruzadas, não são nada perante o tudo. Enfim, somos muito pouco e absolutamente porcaria nenhuma perante a enormidade daquilo tudo que nos cerca e que nós, incapazes de compreender e de vislumbrar os limites desse tudo, nos contentamos em crer que, talvez, seja nada.
É sempre bom colocar tudo em perspectiva às vezes. Ver você e sua vida de fora, sob um outro ponto de vista, é sempre algo que nos ajuda a melhorar. O problema é que fazer isso não é assim tão fácil.
às 02:07 0 comentários Marcadores: Atualidades, Entretenimento, História, Memórias

