terça-feira, 27 de novembro de 2007

Pra lembrar FHC

Tá por fora? Clica aqui!

Em resumo, FH foi dizer que Lula faz mal uso do idioma português. O que para alguns, não é meu caso, é preconceito de classe. Até acho que seria preconceito se Lula soubesse de fato usar o idioma. Mas há algumas metáforas e outras frases que doem no ouvido, e só colam porque Lula tem toneladas de carisma a mais que FHC.

Agora, a coisa mais curiosa desta estulta e inapreensível crítica política, extremamente abalizada e contundente é que, ao criticar Lula pela maneira com que este se dá com a língua portuguesa, FHC errou dizendo "melhor preparado" em lugar de "mais bem preparado".

O que hoje vem bem a calhar: o país galga a inédita honra de fazer parte do grupo de nações de alto desenvolvimento humano - é claro, isso são apenas índices estatísticos que, por exemplo, não contam que um estádio caiu domingo, matou gente, que os oligopólios de mídia não atacam a CBF por conta do sinistro. Os índices também não contam que uma juíza e um delegado enjaularam uma menina com duas dezenas de homens. Por isso que estatísticas só estão aí para ser relativizadas, a não ser que você seja um certo professor meu que não enxerga muito mais que elas, as estatísticas.

Mas eu dizia, hoje o Brasil é parte das nações mais privilegiadas do planeta, embora ainda esteja atrás da Argentina. E é aquela coisa, não caiu mais nenhum avião, o Brasil não quebrou e a Venezuela não invadiu o nordeste, encontraram uma cavalar reserva de petróleo por aí. Só resta mesmo a esse povinho sair por aí arrotando preconceito e erudição contra quem não a possui, como se isso fosse crítica num país onde a média de leitura anual é de um livro por cabeça.

Vai criar porco, FH.

sábado, 24 de novembro de 2007

De vento em popa

Maré de sorte inédita, algumas novidades excelentes, uma melancolia pelo que dará saudade amanhã e a saudade enorme daqueles que não estão aqui para ser parte deste auspicioso futuro.

Nada mal para quem sempre achou a vida um troço muito chato.

sábado, 17 de novembro de 2007

Internet Explorer vs Mozilla Firefox

Internet Explorer é um navegador ultrapassado na versão que tenho, a 6.0. E na versão 7.0 é uma má sucedida cópia do Firefox, que é o que uso.

Este post é um comparativo entre os dois. No Internet Explorer este blogue fica feio de doer, além de ser mais lento, no Firefox, ao menos aqui, fica de visual mais leve e abre mais rápido, compare:

INTERNET EXPLORER:
















MOZILLA FIREFOX



quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Hino da alma

Se "Nessun Dorma" (Que Ninguém Durma) de Puccini é um hino da alma, esses caras devem ser os anjos:





Eu vou sentir falta do gorducho bonachão da ponta. Se achar que vale à pena, veja o outro vídeo, só com Pavarotti, e perceba o controle que ele tem das notas só variando a abertura da boca, além de extender ao máximo os últimos momentos dessa aria.




E depois vem alguém dizer que o Potts é melhor. É o fim da rosca.

(CONTO) O Restaurante dos Velhos, dos Moribundos e dos Sumidos

Era de uma maneira incerta, vacilante, insegura com que progredia a passos nada lestos aquele pobre velho. Caminhava com a dificuldade ordinária dos humanos que já fazem parte da terceira idade e que se deparam com os seus momentos derradeiros de vida, nesse que é, dizem, o outono dela, da vida: o limiar da morte. Diante de tamanho peso nas costas, de todos anos que viveu e que, não diga, são muitos, aquele senhor, que vendo-o pintado por estas letras, nos parece tão carente, frágil e digno de pena, caminha.

Digno de sentimentos nobres, como a ternura que nos inspiram, de formas e intensidades absolutamente diversas, a criança, o ancião e a amante, ele ia avançando contra a impactante indiferença da massa de pessoas que por ele passam. Mas não são más e insensíveis esses que aqui e ali rumam para o caminho oposto. Talvez por não dividirem conosco esse ponto de vista, entendem que aquele velho é só mais um, e aonde vai ele, donde vem, ora, não nos apraz disso fazer caso.

Indiferente dessa situação por ser dela refém e não causador, prosseguia sua caminhada rumo ao fim da esquina. Chegará lá daqui a esbaforidos instantes – e esbaforidos, que se frise, não por sua velocidade, que está bem aquém dos padrões mais ligeiros da caminhada humana, mas sim pelo peso que suporta, aquele já sobredito dos anos. Mas dizíamos, ia à esquina, e está indo porque é um restaurante, restaurante esse freqüentado, assim como as praças da cidade e seus bancos, por uma mui seleta sociedade de outros velhos que lá vão não por não saberem cozinhar, e é bem sabido que os idosos dominam bem as artes da culinária, vão lá para se encontrarem, para que tenham o ensejo de sair de suas casas, andar um pouco e conversar outro tanto.

Vão lá para que se avistem e que digam, uns aos outros, “bem, cá estamos”, “e agora, que se faz por aqui?” “Bem, nada”.“Apenas nos entediamos?” “É. Nos entediamos. Aliás, entediemo-nos, meu caro, entediemo-nos à farta!” Consiste, indubitavelmente, à grande maioria dos velhos o tédio como maior ocupação, não sendo isso precisamente culpa deles, nem nossa, sequer algo digno de reproche aos que no tédio se refestelam, mas apenas e tão somente uma fatalidade do jeito humano de levar a vida.

Entretanto, nosso bravo dirigia-se a um restaurante. Muito embora ficasse ele, o restaurante, não nos arrabaldes, não nas cercanias, mas justamente no centro da cidade, que não é das pequenas, sabe-se lá porque melindre sócio-econômico não é freqüentado de costume por jovens, nem por empresários, nem por crianças, mas pelos velhinhos. É como um bastião inacessível que os idosos vieram levantar nesta terra, um ponto avançado no front, que parece dizer, desafiando a nós outros com nossas poucas idades e vãs pretensões de sabermos viver; “aqui estamos, nós que velhos somos e que vós desdenhais. Aqui estamos nós velhos bem debaixo de suas barbas e daqui não sairemos”.

É natural que restaurantes tenham o vezo de buscar nas mais diferentes culturas motivos para gerarem apelo ao apetite dos comensais – como se pudesse haver apelo maior que a fome – há os que se bordam de verde, branco e vermelho, escolhendo nomes italianos para dizerem veladamente aos nossos estômagos: cá temos a melhor massa. Outros que vestem-se de cores e alusões nipônicas para valorizar o bom preparo que sabem dar a peixes e demais frutos do mar. Não ficam atrás os que se pelam em parecer franceses, mexicanos e outros menos votados valores culturais da culinária.

Contudo, não se sabe se de uma maneira inteligente, ou muito idiota, nosso restaurante resolveu misturar um pouco de tudo que há de elogiável no mundo da culinária. Há bandeirinhas da França, outras da Itália, no cardápio sugere-se como prato do dia na terça-feira sushi – há até a possibilidade de se comer hambúrguer e batatas fritas, desde que apeteça ao freguês esperar por alguns minutos a confecção do lanche, só não encontramos nesse outro Atlas geográfico quaisquer referências a Inglaterra, o que é perfeitamente escusado: como se sabe, a maior capacidade dos ingleses na cozinha ainda é ferver água para o chá. Enfim, não conseguimos descobrir se assim é, o restaurante que tanto agrada aos apetites dos velhos, para tentar buscar novos clientes, agradando o maior número possível de preferências culturais, ou se assim é por desmedida ignorância do proprietário, quer resolveu abarcar tudo que lhe agradasse em matéria de bandeirinhas, cores, bonecos e pratos.

Nosso bravo chega e toma lugar a mesa. Estranhamente ele tem a preferência de sentar sempre ao fundo, na última mesa, com os olhos voltados para a porta, como fazem os personagens das novelas de espionagem: sempre atentos para quem possa entrar no lugar. Não que ele seja agente secreto, é demasiado idoso para as peripécias cinematográficas que o cinema nos faz crer que se acometam nas vidas atribuladas desses espiões, não que ele tenha sido espião, o que escusaria o hábito há muito conquistado e, justamente por essa razão, difícil de se esquecer. Senta sempre nessas mesas de fundo por um instinto que não compreende porque jamais tentou entender, a ele consta apenas obedecer-lho. Senta-se lá e percebe o restaurante vazio. Pensar no que vai comer? Ora, é inútil. Conforme verificar-se-á em breve, o velho faz timbre em constar sempre o mesmo pedido ao garçom.

Entretanto, desta vez, para desdizer o troca-letras que conta esta anedota, pediu antes de tudo, para recompor-se da caminhada antes de deitar suas atenções à refeição, “um copo de água, sem gelo, por favor”. Pegou do copo e deitou o líquido de uma só vez garganta abaixo. Satisfeito, pediu, freguês conhecido dos últimos tempos que era, “o de sempre”, que consistia, no seu caso, numa sopa de legumes que, com algum esforço, se poderia encontrar boiando umas côdeas de carne.

Pouco esperou e chegou a sopa fumegante de vapores bem cheirosos à mesa. Comeu com a lentidão que nos caracterizou em parágrafo de antanho sua caminhada. Do tempo que levou comendo, pensou na vida, pensou na morte, raciocínios estes que tinha nos últimos tempos, por mais que se espere que os velhos só pensem nisso, saibam que este, pelo que parece, fugia a regra, havia se esquecido desses amuamentos. Coincidentemente eles haviam surgido desde que descobrira por indicação de amigos o restaurante, e por mais uma vez, e última, teve a conclusão de que apenas morremos um dia de cada vez. Nada mais.

Indicação que veio, e lembra-se perfeitamente, num dia de sol na praça. Qualquer coisa roncava em seu cérebro dizendo (o estômago?) que “estás com fome, seu bisbórrias. Trate de comer”, expondo aos demais o que há pouco lhe conferenciara a mente, ouviu dos colegas de ócio contemplativo que “meu caro, aqui perto há um restaurante ótimo”. “Comida boa que não sacrifica em demasia nossas surradas burras”, disse alguém. “E nem nossos intestinos”, rematou outro. “E mais, parece um exilo, aliás, asilo. Malditas palavras parecidas que por vezes me escapam... enfim, lá só vão velhos como nós, sem algazarra e música barulhenta”. Estranho. Pensando agora e remoendo essas memórias, dá-se que o velho enfim percebe o prodigioso fato de que todos os seus colegas daquele dia e dessas frases acima, abandonados pelas suas famílias e pela nossa sociedade não apareciam e não se sabia deles há tempos. “Sumidos”, murmurou por fim.

O velho nunca mais foi visto pelos seus.

Percebe-se que esse restaurante tinha qualquer coisa de especial, que era inaudito. Não apenas pela sua composição próxima a da ONU, ou naqueles tempos idos, Liga das Nações, com representações dos mais diversos países, não apenas por ser de ordinário freqüentado apenas pelos velhos da cidade e inspirá-los a pensar na existência e conquistar a capacidade de desenvolver aforismos, tampouco é inaudito por dar-me o ensejo desta história. Não, não é nada disso. Ele tinha consigo uma fascinação. Fascinação pelo mistério que encerrava no seu ambiente obscuro e aconchegante. De certa forma, todos, velhos, jovens, crianças, adultos, ricos e pobres, enfim, sabiam o que se passava ali.

Conta-se ainda hoje, e fazem já muitos anos que o restaurante, a exemplo do velho, sumiu, que naqueles pratos que misturavam do churrasco dos pampas ao molho tártaro das Europas, do sushi à mussarela derretida, enfim, tinham a incrível capacidade de fazer sumir os velhos que por lá almoçavam ou jantavam. Sumiam sem deixar rastros. Sumiam sem dor, sem tristeza e sem remorso. Sequer eram eles chorados pelas famílias, reclamados pelos vizinhos. A polícia, que já hoje nos falta por ter tantos bandidos para correr empós, nunca se soube de um caso sequer de sumiço desses velhos e precisamente por jamais conhecer qualquer um desses sumiços, jamais os investigou.

Alguns demoravam para desaparecer coisa de meses. A outros bastava a primeira refeição para que jamais fossem vistos. Dessa história incrível há a teoria de que rejuvenesciam todos, daí a não serem vistos, posto que se, vistos fossem, não seriam reconhecidos – e donos de sua nova cara, novo corpo, iam viver, e viver plenamente, senhores que eram da experiência de anos de labuta, ah, saberiam bem como conduzir o fio da existência sem tropeçar nas mesmas mazelas, fariam, indubitavelmente, por progredir o jeito humano, aquele que mencionei como responsável pelo tédio nauseabundo que envolve a velhice – e talvez conseguissem encerrar com esse vício do tédio aos velhos e outros tantos que ainda nos amolam a vida dos jovens, dos velhos e mesmo delas, pobres, as crianças.

Mas nem tudo são flores, diz o poeta e a literatura preguiçosa que me proíbe de achar frase melhor, há outra teoria para o caso, teoria dos mais miseráveis, estes misantropos que põe defeito em tudo e não vêem sequer uma bondade na terra, sequer uma magia, diziam estes últimos que acontecia era de os velhos morrerem envenenados, e que o dono do restaurante era de uma modalidade de fascismo a quem ojerizava os velhos e por isso matava-os. E quanto aos corpos, nada mais simples, cozinhava-os. O que explica a multinacionalidade do restaurante, afinal, os velhos eram também das mais variadas origens e esta era uma maneira mórbida de honrá-los. Não sei.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Saudade de Pedra

Aí está. Eu diria que trata-se de um imperdível atentado contra o jornalismo, contra a literatura e, por que não, contra as minhas possibilidades de me formar este ano.

É uma grande reportagem com inúmeras liberalidades no que tange a escrita, relatando o período da navegação fluvial a vapor pelo rio Iguaçu no Paraná, sobretudo na perspectiva da cidade de Porto Amazonas, enfocando no declínio da atividade sob a ótica de seus protagonistas.

Resultado de um ano de pesquisa e escrita, eis aí meu livro:

Clique aqui!


Para efetuar o download você precisa clicar no link que lhe levará ao servidor onde o arquivo em pdf está armazenado - recomendo que você o abra em uma nova janela. Aparecerá o site mediafire.com. Basta esperar e clicar em "Click here to start download" e baixar o arquivo.

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P.s.: embora ainda não tenha colocado as insígnias nem no livro, nem aqui no blogue, todo o conteúdo está registrado em Creative Commons, ou seja, não há como se apropriarem. A este Tertuliano vocês não sacaneam!

sábado, 10 de novembro de 2007

Idiotices do dia-a-dia

Há uma enorme fauna de reacionários de cabelo em pé com o Chávez, que se arma. Se por um lado a razão história penda sempre para o fato de que, inegavelmente, após uma corrida armamentisa estoura um conflito, por outro lado, não sejam parvos, Chávez não ameaça a soberania brasileira. Queria eu ver ele, com 10 milhões de habitantes, ocupar o Brasil.

Mas o fenômeno tem de ser estudado com cuidado. O governo fala em adquirir um novo porta-aviões - embora a estratégia contemporânea diga que supremacia naval não garante mais ninguém - além da retomada dos investimentos maciços no submarino nuclear.

Estaríamos nós, daqui há poucos anos, em pé de guerra com os vizinhos?

Se for este o futuro, parem. Parem tudo. Desliguemos o mundo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Por que você veio até aqui? (Outubro)

Seguindo a tradição deste blogue, seguem aqui algumas tags (buscas) que renderam visitas no mês de outubro.

  • "Paul Potts" - e correlatos. O inglês rendeu 16 acessos. E isso só atesta o poder midiático. Ele era um fenômeno já passado e, com a recente exposição que ganhou nos comerciais da SomLivre pelo lançamento do cd em plagas brasileiras, voltou à ordem do dia.
  • 2001 ouvir casamento zarathustra - eis aí a mais curiosa. Provavelmente alguém confundiu a peça de Richard Strauss com a Marcha Nupcial de sei lá eu quem.
  • bruxaria para conseguir emprego - o que só comprova a que ponto chegamos com essa crise social que não fustigou o pessoal do Cansei. A falta de emprego assola realmente o país. E a prova disso é que, potencialmente, sou um desempregado.
  • marcos historicos que aconteceram todos os anos desde 1962 ha 2007 - lamento ter frustrado este internauta que buscava algo próximo a uma enciclopédia.

No mais, o tema "reforma ortográfica" rendeu 26 visitas. Muitos também por aqui vieram guiados por curiosidades acerca do tema "queda da URSS", que esmiucei num post de antanho. Em números totais, pelo mês de outubro, o blogue teve 131 acessos mediante buscas em serviços de pesquisa da internet. Destas pesquisas, monopólio absoluto do Google, com 126 buscas. Yahoo em segundo, tendo oferecido 3 pesquisas. Uma foi via MSN.com e a restante pelo serviço de busca de imagens do Google.

sábado, 3 de novembro de 2007

Frases, literatura e um pouco de vida

Remexendo entre meus guardados, econtrei antigas anotações de frases específicas que me chamaram a atenção ao longo de anos e anos de leitura. Algumas ainda excelentes, por conseguirem me dizer algo, outras já de sentido turvo e esquecido, que não mais me fulguram na mente.

À elas:

“Bata em um cão e ele irá ganir, corte uma arvore e ela irá chorar, ofenda um homem, ele irá crescer.”

"... a morte, por si mesma, sozinha, sem qualquer ajuda externa, sempre matou muito menos que o homem."

''O que tem religião não é o que crê numa Escritura Sagrada, mas o que não precisa dela e seria, ele próprio capaz de fazê-la.''

"Nem a juventude sabe o que pode nem a velhice pode o que sabe."

"Sabes o nome que te deram, mas não sabes o nome que tens."

"Jesus: ninguém têm tantos pecados na vida que mereça morrer duas vezes." - esta, tenho certeza, é de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de mestre Saramago, na passagem onde Maria Madalena pede ao Cristo que este ressuscite Lázaro, ao que ele responde assim.

"As palavras proferidas pelo coração não têm língua que as articule. Retém-nas um nó na garganta e só nos olhos é que se pode ler."

"Mesmo que a rota da minha vida me leve a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo."

"Como sabeis, o crânio é uma caixa óssea que contém o cérebro, o qual vem a ser, por sua vez, conforme podemos apreciar neste mapa anatômico a cores naturais, nem mais nem menos que a parte superior da espinhal medula. Esta, que ao longo do dorso vinha de apertada, tendo encontrado espaço ali, desabrochou como flor de inteligência."

"Não dormiu bem, sonhou com uma nuvem de palavras que fugiam e se dispersavam enquanto ele as ia perseguindo com uma rede de caçar borboletas e lhes rogava Detenham-se, por favor, não se mexam, esperem aí por mim. Então, de repente, as palavras pararam e juntaram-se, amontoaram-se umas sobre as outras como um enxame de abelhas à espera de uma colmeia onde se deixassem cair, e ele, com uma exclamação de alegria, lançou a rede. Tinha apanhado um jornal."

"Mal informados sobre a natureza profunda da Morte, cujo outro nome é fatalidade, os jornais têm-se excedido em furiosos ataques conta ela, acusando-a de impiedosa, cruel, tirana, malvada, sanguinária, vampira, imperatriz do mal, drácula de saias, inimiga do gênero humano, desleal, assassina, traidora, serial killer, outra vez, e houve até um semanário, dos humorísticos, que, espremendo o mais que pôde o espírito sarcástico dos seus criativos, conseguiu chamar-lhe filha-da-puta."

"Em verdade, em verdade vos digo, não há limites para a malícia das mulheres, sobretudo as mais inocentes."