Trechos da letra dessa canção estão entre as coisas mais verdadeiras que já se disse nesse mundo.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Rádio: Johnny Cash - Four Strong Winds
às 21:34 1 comentários Marcadores: Rádio blogue
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Teoria social dos desmafagadores
Há um grito calado,
um suspiro afogado.
Num dia inventado,
um pouco de mim revisitado.
E nada está onde devia estar.
Rádio: Radiohead - No Surprises
Sem surpresas. Porque, no fim das contas, fazer a coisa certa às vezes é pior do que não fazer nada. E não fazer nada também é ruim, então, sem surpresas.
às 18:46 1 comentários Marcadores: Rádio blogue
Tudo outra vez
A essa hora meu avô está numa mesa de cirurgia. Eu achei que não experimentaria essa sensação na vida outra vez. Mais um engano.
às 15:42 1 comentários Marcadores: Momento tuíter
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Burrice devia doer
Mas na verdade o que eu venho me perguntando há um bom tempo, meu caro, é por quê? Por que burrice não dói, meu Deus? Por quê?
sábado, 24 de outubro de 2009
Haja...
3:15 da manhã. Rodoviária. Segunda-feira. Wireless há de me salvar.
às 19:10 1 comentários Marcadores: Momento tuíter
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Vida em São Paulo
Ontem eu testemunhei meu primeiro assassinato em São Paulo. E é verdade. O sujeito estava sentado na mesa em frente a minha, saiu e foi rumo à morte. E eu ouvi tudo.
Infelizmente.
às 10:57 1 comentários Marcadores: Memórias
Intervalo
Muitas horas de ônibus pela frente, muita coisa a ser dita, outro tanto pra ser escrita. Mas vamos deixando pra depois. Postergai, meus irmãos, postergai!
às 08:46 0 comentários Marcadores: Memórias, Momento tuíter
Classificados
Jovem de seus 24 anos procura: exorcistas e caça-fantasmas, para trabalho de limpeza e depuração de resíduos de caráter ectoplasmático. Trabalho sujo. E duro. Para os raros, diria Herman Hesse, só para os raros. Paga-se bem. Pergunta-se pouco. Vive-se muito. Dá-se alegrias. Paga-se em dia(s). E com versos. Mas sem rimas, os versos vão hoje pela hora da morte, porque aí vai a crise, e ela, como tudo que se apelida com artigo feminino, não perdoa ninguém. Flutuações que, contudo, tendem a esmorecer. Especula-se muito nessa outra bolsa, e os índices nos remetem a isso, a bonanças. Ressaca. Não moral. Ainda. Procura-se, todavia, profissionais da área do exorcismo. Ou caça-fantasmas. Xamãs. Pajés. Nenhum preconceito por parte de quem já encarou todas as filosofias, pai de todas as respostas, respondeu a todas cofiando o bigode e dando risada. Sujeito de convicções profundas, dúvidas pueris, sabedoria de botequim e sagacidade de bêbado. Paga bem. Aforismos e poesia, é tudo que me convém.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Pra estrada
Londrina amanhã à noite. Ponta Grossa na segunda. Irati, enfim, na terça.
São Paulo em breve.
Cigano.
às 16:53 1 comentários Marcadores: Momento tuíter
Rádio: Erasmo Carlos - A guitarra é uma mulher
O Tremendão pede desculpas, mas diz que a guitarra é uma mulher. E quem sou eu pra discordar, ainda que as considere umas bigornas, ou rolos compressores disfarçados em harmoniosas formas. Ou Power Rangers.
às 15:25 1 comentários Marcadores: Rádio blogue
Viva o Tremendão
Grata surpresa foi ontem ouvir o novo álbum do Erasmo Carlos. Pois é, o Tremendão. Ao contrário de Roberto Carlos que, passada a sua grande fase nos anos 1970, começou a gravar músicas para gordinhas solitárias que assistem novelas, Erasmo evoluiu. Eu só conhecia os álbuns inovadores e ousados dos anos 1970, como "Carlos, Erasmo" e "Banda dos Contentes". E agora, quando menos esperava, quando achava que o Tremendão era passado, que não criaria nada mais de novo e interessante, o distinto parceiro do Rei lança "Rock n' Roll". O índice Tertuliano de qualidade em bens culturais recomenda aos caros sete leitores que ouçam o disco. É excelente.
Vale a pena, como poucas coisas ultimamente têm valido.
às 12:42 0 comentários Marcadores: Atualidades, Cultura, Entretenimento
Rádio: Wander Wildner - Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo
Grande Wander, que desdentado ou não, sabe das coisas.
às 12:00 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Eu fui escoteiro sim, e daí?
Bad trip de adolescência e, não mais que de repente, eis que estava eu, fardado como escoteiro, e logo depois, como chefe de tropa. Da tropa Leão. Eu era o fodão da tropa Leão que, no grupo de escoteiros da minha cidade, era a mais nova. Isso explica porque pegaram o novato mais rodado do momento, eu, para chefe daquela bagaça. A tropa Leão dos escoteiros está para a organização do escotismo, na minha cidade e naquele momento, assim como o exército mexicano está para a Segunda Guerra: foram lá, tomaram parte em momentos importantes, mas não fizeram porra nenhuma que quaisquer outros não tivessem feito. Lembrei disso numa conversa de MSN ontem, onde uma recém conhecida dizia que sua mãe não a deixara ser escoteira quando criança, e isso me fez lembrar que ninguém me impediu nessa sandice e pensei "rapaz, isso rende um bom post pro blogue". Ecce text.
O fato de ser a tropa mais nova significava que éramos uma constelação de novatos sem noção. Os caras não sabiam armar barracas, se orientar com a bússola, fazer os nós mirabolantes e que, por algum motivo, não esqueci até hoje e que impressionavam a minha primeira namorada. O sujeito que tomava conta da ata da tropa, onde se registrava todas as nossas atividades, escrevia mal, a letra era ilegível - e naquele tempo, 1996, computadores não eram um eletrodoméstico. E as atas eram um trabalho bastante ingrato, que eu odiava e que tinha sido minha função na tropa em que eu adentrara nos escoteiros, que tinha nome de árvore, Ipê, Pinheiro ou Bracatinga, eu não me lembro. Eu sabia um pouco mais que meus comandados, e isso me fazia o fodão da tropa, mas mesmo assim, quando tinha que competir com as outras três da cidade a gente fazia feio. Naquela época eu ainda me debatia contra aquilo que mais tarde vim a saber ser meu destino. Naquela época eu achava que se eu me esforçasse muito não estaria entre os losers. Foi muito depois desse período que me caiu a ficha. E como era difícil ter consciência disso naquele tempo, eu me frustrava. Sério, a gente era ruim. Doía de ver. Eu, como de costume, desde muito cedo estava sempre no lado que perde.
Lembro que entrei para os escoteiros por uma série de motivos. Eu achava legal, e para uma criança é mesmo: acampar, aprender a conviver em grupo, a disciplina que tem um quê de organização militar é interessante, porque está nas mãos de crianças. Você aprende coisas legais como usar bússolas, desenhar mapas, mensurar distâncias pelo tempo despendido na caminhada e de bater os olhos. Seguir e delegar ordens. Andar no meio da mata no escuro, sem luz nenhuma e sem cair. A pescar sem vara. A comer as coisas que existem nas matas, larvas nojentas inclusive. Armar barraca...
Além disso tudo, no caminho de casa, saindo do clube onde eu iniciava minha carreira de nadador, passava pelo parque onde os escoteiros tinham sede e se reuniam semanalmente aos sábados para suas atividades. Lembro que os via com as fardas, com as divisas costuradas e isso me chamava atenção. Resolvi, pois, que era hora de ser escoteiro. É bastante triste admitir isso, em face da largamente narrada preferência feminina em dados contextos por homens fardados, mas grande parte da minha decisão de ser escoteiro nasceu de admirar, aliás, admirar não, e sim, ver, ver é bem melhor que admirar, os garotos fardados praticando suas atividades.
Apesar de todo o glamur, minha carreira de escoteiro acabou sendo curta. Encheu o saco porque, longe de sermos um grupo grande, não tínhamos muitas atividades. E era entediante ter que se reunir para comemorar aniversários, cantar o hino nacional, hastear a bandeira - aprendi e me tornei um exímio dobrador de bandeira nacional, que, saibam, é uma arte difícil e que dispõe de todo um procedimento específico que não pode ser quebrado, sob pena de que o infrator... bem... se você embrulhar a bandeira toda e enfiar na cueca, limpar o rabo com ela, usar como saco para ir na feira, ou como trouxa para limpar o óleo que pinga do carter do seu fuscão 69 nada vai acontecer com você. Mas em teoria devia, porque o aterrorizante olhar do barrigudo que coordenava os escoteiros na minha cidade, o fodão de todos é chamado de líder sênior, o que equivale a um general-de-campo, ou a um marechal, dependendo da cultura militar seguida, consternava-me. E lembro que ainda naquela época eu pensava se ele tinha vida, mulher, filhos, se morava com os pais, ou tinha sido criado pela avó, se havia uma vida problemática por trás daquela proeminente e rotunda barriga, rematada pelos olhos castanhos fuzilantes que supervisionavam o cerimonial de hasteamento, dobragem da bandeira e execução do Hino Nacional, olhar que indicava que a menor dobrada errada, ou friso no pendão verde e amarelo, seria paga com a vida. Por isso eu era bom de dobrar bandeira. Morria de medo daquele gordo.
O escotismo me encheu o saco porque o dinamismo que eu esperava dos escoteiros eu não encontrei. E acabei largando mão. Acho que muito disso foi contribuição também do belo punhado de desastrados, incompetentes, inexperientes, nerds e imberbes sujeitos que compunham minha tropa e que cabia a mim coordenar - e cujos nomes eu não lembro de nenhum. É aquela coisa, ir para a guerra na juventude pode sempre ser dramático, mas sempre será uma oportunidade de fazer grandes coisas e amadurecer. Não há nada bonito numa guerra, mas na vida individual de quem vai parar nelas, sim. O companheirismo, o sacrifício por causas ignóbeis. Nunca é uma vida sem eventos e episódios marcantes. Agora, ir para a guerra com posto de comando entre seus iguais, sabendo que eles farão tudo errado e a culpa será sua é algo bastante desagradável.
E eu era uma criança. Desistir de coisas é uma especialidade de criança, embora tenha gente que nunca abandone essa competência e a leve às raias de arte na idade adulta. Quando nascemos, e tenho certeza que já escrevi isso aqui neste blogue, nascemos plenos de potencial. Na maternidade, todos ali são gênios, artistas, prêmios Nobel, grandes atletas. Mas isso não porque não sabemos o que seremos quando maiores, mas sim porque, e isso é inegável, somos criaturas pequenas, que choram, gritam e defecam, mas que a despeito disso, ou justamente por isso, somos todos só potencial. Conforme vamos crescendo, vamos desistindo de coisas e nos agarramos com o que sobra. Eu desisti de ser piloto de Fórmula 1, da natação, de ser padre, do escotismo, da engenharia, da minha banda, por exemplo. E extra-oficialmente, vai saber, talvez de tocar saxofone, de ser um astronauta, de descobrir a cura do câncer, de inventar o teletransporte ou a máquina do tempo. E há pela frente uma infinidade de coisas para desistir, como um grande amor, amizades, escolhas profissionais, ter ou não filhos, casar ou não, etc. Conclusão que abre espaço aqui para uma tentativa de prosa-poética-filosófica: viver é desistir de coisas.
Desisti de ser escoteiro porque queria aventuras. Não me deram aventuras. Me deram responsabilidades que, e hoje sou capaz de analisar isso, 13 anos depois, foram maiores que meus ombros mirrados e esguios, e este foi o cerne da minha deserção. Eu não queria mandar em ninguém, eu queria acampar, conhecer coisas novas, me divertir, ter um legítimo canivete suíço e saber usar cada uma de suas mil e uma utilidades. Uma pena, porque no fundo eu gostava de ser escoteiro. Era divertido, e eu não me envergonhava por dizer que era um. Há todo um preconceito contra o escotismo e a noção de que ele faz lavagem cerebral nas crianças, que ele passa rudimentos de disciplina militar para quem ainda não desistiu o suficiente na vida para precisar se enquadrar numa hierarquia. Nada disso. Ser escoteiro é legal. A única coisa que me dava ataques galopantes de vergonha pública era quando em desfiles de datas como 7 de setembro, ou em eventos públicos, íamos lá fardados e, alinhados, executávamos a Palma Escoteira, que é uma salva de palmas ritmada e serve como saudação. Bizarramente, o ritmo era ensinado com um "abacaxi-xi-xi, abacaxi, abacaxi, abaca-xi-xi-xi". Ou coisa parecida. E eu achava ridículo a não mais poder. Me dava engulho. Tinha a sensação de que todo mundo olhava para a gente sorrindo e batendo palmas com ritmo e diziam: "porra, mas que ridículo".
Se um dia tiver filhos e eles quiserem ser escoteiros, vou gostar que sejam. Espero de coração que até lá o escotismo esteja entre nós, decepcionando crianças, servindo de escola a bons princípios e pleno na sua cruzada rumo ao lugar nenhum. Sim, porque ele não leva a nada, mais ou menos como Greenpeace, os vegetarianos ou os políticos. Embora conheça a história do escotismo, isso eu assumo, nunca entendi muito bem pra que serve. Mas que é legal, é. Ou era.
às 12:44 1 comentários Marcadores: Memórias
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Ah, a gente de batina
É claro que a Igreja subiria nas tamancas. O livro de Saramago, "Caim", inevitávelmente nos levaria a isso. Que absurdo, diz a gente de batina, é um sujeito chamar atenção para o fato de que a Bíblia, que molda tradições, procedimentos e grande parte do que chamamos hoje de comportamento padrão das pessoas, está carregada de absurdos, mortes, crueldade e um Deus insuportávelmente humano, demasiado humano. É ridículo: os religiosos basicamente culpam Saramago pelo fato de que Caim, que matou Abel, o fez em virtude de um deus de caráter dúbio.
O melhor de tudo, depois do festival de truculência verbal produzido às largas pelo alto clero português, foi a resposta de Saramago, que diz que não está lá muito preocupado com o que seus leitores cristãos pensarão do seu novo romance, "Caim", e de si, Saramago, por criticar a religião que seguem. "Cristãos não leem a Bíblia", diz o sábio lusitano.
E... ele tem razão. É a verdade, não leem, não leram e não lerão, disso, olhem o contrasenso, dou testemunho, conforme recomendam os distintos Evangelhos. Entre os cristãos, quem lê a Bíblia é exceção, não regra e devia ser o inverso. Os cristãos normalmente não leem o livro que molda sua maneira de ver o mundo. Contentam-se com enxertos, com a interpretação romantizada e desviada de terceiros, com os trechos convenientemente selecionados nas missas e em outros sacramentos.
Longe de mim querer polemizar essas bagatelas. Gente besta e rasteira sempre houve e sempre haverá. Na Igreja, na academia, na literatura, na esquina. E a gente não pode fazer nada em relação a isso, a não ser lamentar enormemente as ideias curtas dos religiosos e rematar o post reforçando aquilo que Saramago e tanta gente lúcida, sem ser atéia, já sabe: como diz uma frase feita retirada da Bíblia, que eu que não sou exemplo de cristão li, e que nos lembra que: "os cães ladram, e a caravana passa".
às 20:03 2 comentários Marcadores: Atualidades, Cultura
Rádio: Elbow - Station Approach
Na verdade eu queria postar "Not a Job" do Elbow, mas o YouTube não permite embutir os vídeos desta canção, de modo que optei por esta outra que, a bem da verdade, não fica devendo nada para a outra.
Enjoy:
às 13:44 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
Amores e saudades
Eu dormia meus sonos mais intranquilos
colhia nas sístoles dos meus sonhos as diástoles das minhas realidades.
Sonhos de papel, onde eu escrevia minhas alegrias com fel.
Da indizível perfeição trago comigo metade de um coração,
de onde tiro que te levaria hoje mesmo, sem medo
e sem demora.
Longe, ao infinito onde não existe mais amor,
nem pessoas,
nem memórias.
E lá, no nada pleno das nossas veredas, faríamos brotar verdades.
Amores, saudades.
Quem salvará nossos filhos?
Você viu o menino de dois anos com o QI maior que o do Einstein?
Vi. Matem, detenham-no enquanto é tempo.
às 10:16 0 comentários Marcadores: MSN
domingo, 18 de outubro de 2009
Ainda sem rima
Pensei num haikai
mas não encontrei um
escrevi versos aleatórios
não fechei a métrica,
desisti do haikai,
caí nos versos
que são uma
escadinha.
Arrebatando mentes e corações
Ontem eu andei 7,8 quilômetros, a levar-se fé nas artes do Google Earth em mensurar distâncias. Fui andar pelo centro antigo, terminei no Mercado Municipal para comer o melhor sanduíche de mortadela de todos os tempos e que custou-me oito dinheiros. Mas bem gastos. O mercadão é um lugar que realmente merece a caminhada.
Além do pão, comi no Mercadão algo que não ingeria há 16 anos. Framboesa. Na verdade essa fora a primeira, e até ontem única, vez que eu comera framboesa. Lembro do episódio: tínhamos, meu pai e eu, ido a São Luís do Purunã, onde um tio possui um sítio. Chegamos muito cedo à casa da propriedade e não tinha ninguém lá. Para distrair o pandulho, dar o que fazer ao estômago e calar suas inclemências, atacamos um modesto canteiro de framboesas. A dar-se fé nas minhas inatacáveis memórias, comíamos as frutas com tamanha devoção que me lembro de engoli-las com as narinas. E desde então nunca mais tinha comido framboesa.
Caminhando andei por ruas nunca dantes caminhadas. Passei pela esquina da Ipiranga com a São João, cantada na canção "Sampa", de Caetano Veloso e que em função desses versos ficou conhecida como a "esquina da MPB". Tentei tirar foto das placas que marcam o encontro das duas avenidas, mas meu celular me avacalhou as fotografias. Fica para próxima. Como era de se esperar, é ali perto, acabei indo parar na Santa Ifigênia, cotei preços de um hd novo que ando precisando. Vi um cooler para placa de vídeo também. E acompanhava o aparelho uma vendedora que não me sai do pensamento. E que cooler, meus amigos, e que cooler!
Gosto de andar pelo centro velho de São Paulo. Me surpreendo fácil com fachadas antigas, arquitetura eclética ou art-decó. Me lamento por prédios mal cuidados e espaços altamente degradados da região. Eu gosto da sensação de respirar história, e se tiverem com sorte e eu com paciência, ou vice-versa, tecerei ainda algumas linhas sobre minha visão de edifícios clássicos, como o Edifício Martinelli.
Enfim, e ia eu desandando da caminhada matinal, quando preciso me distrair e pensar saio caminhando sem rumo pela pauliceia - não há limites para a minha capacidade de me apoquentar - quando topei com um ônibus. Não nego. Bati os olhos e me assustei, achei que tinha virado testemunha de uma fatalidade.
Isso sim é publicidade de verdade. Pra ficar melhor eu colocaria um "Caralho, atravesse na faixa, porra".
às 16:33 1 comentários Marcadores: Cultura, Memórias
Aham, ele é o fodão
Daí hoje, assim pela manhã, eu conversava com alguém no MSN. Alguém de Deus, que piamente acredita que a instituição Igreja é saudável e imaculada. Enfim. Nenhuma ideia que é absoluta me apraz. Tudo é relativo, Igreja, religiosos, obscurantistas, inquisidores, e pedófilos, inclusive.
Aí, lá pelas tantas, eu disse qualquer coisa como "ser absurdo supor que um homem seja infalível e que sua liderança sobre os fiéis e sobre os rumos da Igreja não possam ser contestadas, que se forem o contestador é defenestrado, enquanto o bispo que faz apologia ao nazismo e nega o Holocausto é perdoado...".
A pessoa diz: "mas o papa é a pessoa mais próxima de Deus que existe!".
Hum, e quem disse isso?
O papa!
Pois é.
às 16:05 1 comentários Marcadores: MSN
Dureza? tome Dreher
É impressionante. Por princípios e uma série de bons motivos, normalmente, não torço para esportistas brasileiros. Aí quando eu torço o cara é tão zoado quanto eu, e perde.
O bom nisso é que me sinto representado. Há um pouco de mim num Rubens Barrichello.
às 15:35 0 comentários Marcadores: Fórmula 1, Memórias
sábado, 17 de outubro de 2009
Rádio: Wander Wildner - Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro
Está provado que, sim, Wander Wildner é um sujeito que sabe das coisas.
às 03:02 1 comentários Marcadores: Rádio blogue
Volta
E eu, quem diria, estou com saudades do Paraná. Não é propriamente um desafio sentir saudades de casa num lugar como São Paulo.
Preparando, pois, o regresso.
às 02:53 0 comentários Marcadores: Momento tuíter
Discutindo com o orkut
"Sorte de hoje: o pessimismo nunca venceu nenhuma batalha".
Claro que não. O pessimismo nunca disputou uma, sabia que ia perder.
às 02:51 1 comentários Marcadores: MSN
O dia em que cresci
Nada destruia mais uma boa reputação do que uma lista de 10 mais. Na verdade, poucos na minha escola sobreviviam a uma listagem dessas. Era sob todos os aspectos aterrorizante a ideia de que todas as garotas que você tentava impressionar exaustivamente poderiam se reunir e, juntas, construírem um rol de características que variavam do mais bonito ao mais feio, do mais charmoso ao mais chato, do mais inteligente ao mais burro, tudo isso, numa listagem que correria os corredores da escola, que se estamparia nas faces dos rankeados (ranqueados?), destruindo reputações, imagens, estereótipos. E construindo outras reputações, outras imagens, outros estereótipos.
O que é flagrante na incapacidade individual e coletiva que temos de nos confrontar com mudanças que nos são impostas. Sobretudo com mundanças naquilo que dizem/pensam de você. Não há nada mais preocupante, sobretudo na lógica de tráfico de influências na qual se fundamenta todo o funcionamento da sociedade escolar, do que descobrir que o que pensam de você não condiz em nada com aquilo que você é. Ou quer que os outros achem que é, o que vem a dar na mesma. Durante boa parte da juventude e princípio da vida adulta não somos pessoas. Somos rótulos. Andamos em bando para que sejamos rotulados. Na verdade, a imaturidade das nossas inconstâncias e pequenas covardias é ridícula. O grande problema é que nessa fase da vida você é aquilo que os outros dizem que é. Ou, corrigindo, o problema é que você acredita que é aquilo que os outros escolhem, decidem que você é.
Mas o fato é que somos todos idiotas, uns mais outros menos, por apoquentar-se tanto com o que pensam e dizem de nós. Só que hoje, depois de crescido, é fácil dizer isso. Difícil era encarar o limiar da loucura nos dias que antecediam a divulgação da tal lista. Era um processo de balão de ensaio extremamente elaborado: poucas semanas antes vazavam deliberadamente o boato que determinada facção elaboraria seu ranking anual. A partir daí todos nós que éramos rótulos ficávamos vazios em busca de informações, saber quais eram as tendências, as cotações. A quem caberia, enfim, o posto de O Indigitado.
Eu não tenho uma lembrança muito firme de todos os rankings que encarei - lembro, isso sim, da tensão envolvida na época em que eles surgiam. O que denota o que todos que me leem já mais ou menos sabem: eu não fazia muito sucesso. Lembro, contudo, esparsamente de alguns. Num deles me classificaram como "o mais engraçado", epíteto este que nunca entendi em virtude do fato de que minhas gracinhas estavam na época muito a frente da vã filosofia do colegial, de modo que poucas eram as ocasiões que arrancava risos. Considerei, não nego, durante um bom tempo que o "engraçado" se referisse, então, não a rir com ele, mas a rir dele. Desnecessário é dizer que a hipótese foi convenientemente varrida para debaixo do tapete da sala onde guardo minhas apoteoses invertidas: as mais espetaculares derrotas e fracassos de Tertuliano.
Mas, via de regra, e mantendo aqui a lisura, integridade e idoneidade que sempre marcam os meus relatos autobiográficos, é que eu conquistava o título de "o mais inteligente". Na época, feio, tímido e esdrúxulo me contentava enormemente com a graça concedida. É aquela coisa de se convencer que, afinal, nem todos podem ser escolhidos como o mais bonito, então é melhor ser o inteligente - sem ser cdf, que era, naqueles tempos um tipo de nerd, só que com outro nome - do que ser o feio. E eu nunca fui o feio, mas isso classifico que não foi bondade ou necessariamente a profusão de corações abalados pelos meus predicados visuais. Foi, tenho certeza, por minoria de votos que nunca ganhei, indisputávelmente, a pecha de o mais feio.
Recordo também da maneira madura, crescida, civilizada com que nós, os indigitados do ranking feminino, reagíamos. Invariavelmente nos reuníamos, e dotados de todo senso crítico, constituíamos nosso escrutínio e nossos rankings. Normalmente um que rebatia o feminino nas mesmas categorias e outro com preocupações todas nossas, a saber: pernas mais torneadas, nádegas mais polpudas, seios mais bonitos (categoria esta que detinha, na época em que brotam nas meninas os seios, o distinto e respeitoso nome de "garota peitinho", mantivemos a tradição, por mais que no ensino médio, em face a generosa proporção em que alguns seios cresceram, não fizesse mais sentido o "peitinho"), corpo mais belo no conjunto da obra, a dupla explosiva "feia-de-rosto-bonita-de-corpo e feia-de-corpo-e-bonita-de-rosto". Existiam mais categorias de análogo jaez que em honra a dignidade jornalística e a minha pinta de bom moço tensiono manter ocultas.
Mas a coisa realmente bizarra desse complexo de pavão, projetar uma coisa que não se é apenas para impressionar os outros, preferencialmente as garotas, é que eu não lembro muito bem das listas. Nem de quem colhia nela os melhores rótulos. Eu não sou capaz de mencionar cinco garotas que eu tentava impressionar para, ano após ano, galgar postos mais dignos na sociedade do colégio. Assim como não faço a menor ideia de quem tenha sido escolhida o melhor par de seios no triênio que compôs meu ensino médio. Ou em quem votei para melhores pernas. Eu lembro turvamente da mais gostosa do colégio e algumas burrices que fiz em virtude disso e que renderão outros "O dia em que cresci", mas essa lembrança eu tenho pelas burrices e pela gostosa, não pelos rankings. Eu esqueci de tudo. Das listas, das meninas e dos caras que eu invejava.
E só hoje, ainda tímido, feio e esdrúxulo me dou conta de como perdi tempo tentando impressionar aquelas vadias, que sob condições normais de temperatura e pressão jamais olhariam pra minha cara, quiçá dariam. De como me senti pequeno ao não ser o fodão da escola e não poder fazer nada sobre isso. De quanto eu poderia ter aproveitado mais a vida naqueles tempos se não me preocupasse com essas coisas. Talvez a garota mal cotada que eu não prestava atenção fosse uma pessoa incrível. Tudo são escolhas.
E sabe o que é mais ridículo? Diariamente tropeço com gente que ainda faz o mesmo. Com gente que se incomoda verdadeiramente com o que a miopia coletiva enxerga. E o pior de tudo, eu também, vez ou outra, tento impressionar alguém.
Só que eu tenho em mim todas as contradições do mundo. E ninguém me desarma: eu tenho sempre a desculpa de ser cínico. E, venho observando ao longo dos anos, o cinismo, longe de ser defeito, ultimamente é virtude.
às 02:06 0 comentários Marcadores: O dia em que cresci
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Ah, nostagia que me tens de regresso
O homem é um ser eminentemente nostálgico. Pegue aí o exemplo meu que, ao passar por determinada estação de metrô na manhã de hoje, descobri por entre a multidão uma silhueta já conhecida, ou assim eu julguei, e desandei a nostalgiar, se me permitem o neologismo, em pleno desassossego, as intensas e inoxidáveis lembranças que já somam longos seis meses.
A nostalgia é importante, porra.
às 22:48 0 comentários Marcadores: Memórias
Minhas novas bandas
Uma das passagens mais non sense e desgraçadas da minha vida, sem dúvida, foi a história da minha banda. Pois é. No tempo em que eu era adolescente carente de rótulos, cheio de ídolos. Quando eu morava, e até certo ponto, vivia, no interior do Paraná. Éramos especialistas em causar engulhos e levamos a inépcia, falta de talendo, pinto-murchice e burrice de adolescentes a um novo patamar. Além de feios, burros e péssimos músicos. Nunca estudei a fundo a questão, mas acho que meu período nerd anti-social foi uma reação traumática aos eventos que cercaram o nascimento, o auge e a dissolução dos Parabrisas do Fracasso. Você nunca é a mesma pessoa depois de causar silêncio constrangedor em umas mil pessoas. E da sua escola. E da sua idade.
Tudo isso para dizer que todo garoto sonha em ser como os Beatles e os Rolling Stones. É mais ou menos assim, se você é jovem, é garoto e não teve uma banda, você ainda terá. Mesmo que não seja uma de verdade, você provavelmete ouvirá a sua banda preferida e vai se imaginar no palco, arrasando e conquistando corações. Todo garoto merece o estrelato. É bem verdade que se tivesse Guitar Hero ou Rock Band naqueles doidos e doídos tempos eu não teria me lançado no vortex de absurdos, traumas e vergonhas que marcou minha trajetória nos palcos. Embora eu tenha tido em algum porre reminiscente a ideia de criar, com meus amigos, uma nova banda: "Três Homens e um Valcir", mas eles não embarcaram na onda e, ao contrário do que dizia John Lennon, o sonhos morreu, e morreu por aqui.
De certa forma eu pude, recentemente, matar um pouco da vontade de ter a minha banda. Eu conheço, a ponto de beber com os caras, uma banda jovem, que sabe tocar, tem letras legais e curte Belchior, rockabilly e Elvis Presley. Cara, eu morei com os caras por umas semanas, eu morei com uma banda! É o Nevilton (no site deles você pode curtir um pouco do som), nome de remédio e de vocalista. Eu não sou da banda, por sorte deles, mas sinto como se eles fosse um pouco minha banda. É um pouco do Parabrisas do Fracasso, fazendo um pouco de sucesso.
E nada mais justo que recomendar uma boa canção dos distintos:
às 01:58 2 comentários Marcadores: Cultura, Memórias, Rádio blogue
Primeiro passo de uma antologia jamais compilada
E eu faria um verso.
Um poema,
dois livros,
todas as antologias,
Reescreveria os canônes
levaria a arte escrita à beleza extrema
criaria uma nova filologia,
Tudo, tudo, tudo outra vez,
e mais outra
só para me lembrar
ainda que por um instante:
o que era mesmo que eu ia escrever aqui?
Moby que me perdoe
Dos meus sete leitores, aqueles que são mais contumazes, devem ter percebido que mudei o banner do blogue. A imagem é inspirada nisso aqui, a capa do novo álbum do Moby, "Wait for Me", que, afiança assim a internet, foi desenhada de punho pelo próprio músico.
De qualquer forma, fiz variações para o desenho:
Anoitece no desenho:
E ainda temos o banner antigo:
É bom variar um pouco, certo?
às 00:59 0 comentários Marcadores: Photoshop stuff
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Jogos são legais
Normalmente as pessoas tendem a não enxergar, ou a ver com preconceitos, a indústria dos games. Ninguém tende a levar muito a sério algo que nasceu como brinquedo e que foi crescendo ao longo das décadas e hoje, além de ser uma indústria milionária mais lucrativa que o cinema, tem enveredado no ramo da criação de produtos e desenvolvimento de conteúdo cada vez mais complexos e bem elaborados.
Hoje jogos simulam mais do que corridas de carro, estratégia em jogos onde você brinca de deus, morte e destruição em games de tiro. Vai muito além. Há, por exemplo, muito mais crítica social e inteligência no último GTA do que na grande parte dos nossos jornais.
Não é minha intenção, entretanto, fazer uma profissão de fé no sentido do real valor inexplorado dos jogos eletrônicos, que ainda perturbam a ideia de educadores e psicólogos retrógrados, que tendem a explicar o vazio existêncial de um adolescente violento e problemático por meio de influência dos jogos.
É aquela velha história: se a minha geração tivesse sido influenciada por jogos como Pac-man, estaríamos todos correndo em salas escuras, ouvindo músicas repetitivas e engolindo pílulas. É, eu sei, há quem faça exatamente isso em raves, dirá alguém. Aí eu contradigo, porque eu joguei também Super Mario e não me lembro de sair por aí pulando em cima de tartarugas, engolindo cogumelos e desafiando a gravidades em abismos medonhos.
Jogos não são mais negativos que, por exemplo, assistir o Pânico. Ou uma novela.
E tudo isso porque lia eu sobre novidades em matéria de games. Preciso renovar o estoque, logo lançam o Modern Warfare 2, eu mal comecei o Batman e o Need for Speed Shift tem tudo para me tomar tempo demais. Aí encontrei esse vídeo abaixo, da Scientific American, que explica a evolução da aplicação dos conceitos físicos nos jogos:
às 18:58 1 comentários Marcadores: Atualidades, Entretenimento, Mídia, Tecnologia
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Rádio: Joan Baez - Forever Young
Ok, os puritanos dirão que a canção é de Bob Dylan e que é praticamente um sacrilégio mencionar qualquer música dele na voz de outra pessoa. Direi eu, cético impedernido, que não é bem assim. Não há nada que essa mulher, Joan, gravou que tenha ficado ruim. A voz dela é suave como aquele olhar doce que colhemos, quando temos sorte, no despertar da mulher amada.
Eu casaria com Joan Baez.
Ouvir canções assim fazem-me bem à alma. Me pacificam. E desejo, deste lado de cá, de todo o coração, o mesmo a quem me lê por aí, do lado de lá.
Apaziguado, vou agora dormir pensando na sensação doce que a voz de Joan me envoca. O diapasão da voz dela me soa na alma.
às 04:06 1 comentários Marcadores: Memórias, Rádio blogue
domingo, 11 de outubro de 2009
Assim temos um hino
Não sei vocês, caros sete leitores, mas eu, assim que bato os olhos para o banner deste meu blogue penso logo numa trilha sonora triunfal. Orquestras retumbando em uníssono sons de um hino que honre a dignidade da imagem que rotula este espaço e que é visivelmente inspirada nos posters soviéticos, que aliás configuram uma forma de arte muito bonita, em que pese abandonada, e que sempre me interessou largamente. Fosse eu mais talentoso, corrigindo, fosse eu talentoso de alguma sorte nos traços à mão com naquim, daria eu mesmo continuidade a essa arte que já vai esquecida, como de resto vai tudo que um dia compôs a grande URSS.
E discussões de ordem político-ideológica à parte, o fim da União Soviética deixou o mundo um lugar muito sem graça. Vejam aí o caso do Frederick Forsyth, que depois que desmoronaram com o Muro de Berlim não escreveu um romance que preste. Antes a gente tinha do que temer, partidos a tomar. Ou você era um porco capitalista ou um comunista impedernido na juventude. Você abraçava "O Capital" para se colocar nas fileiras vermelhas que riscariam do mapa a injustiça social. Eu sempre fui meio deslocado no tempo e fiz isso, escolhendo no caso um marxismo meio acanhado, tomando partido quando eles já não estavam mais por aí, sensibilizando corações e se alimentando de sonhos jovens. Embora tenha escolhido uma das doutrinas, nunca li "O Capital" inteiro. Hoje, do alto de meus 24 anos de sonho, de sangue e de América do Sul, venho a público admitir que, não, jamais li o livro de Marx, embora tenha caminhado com o mesmo debaixo do braço, qual um pastor daquelas seitas cristãs que nos perseguem. Aos 24 anos a gente perde a vergonha de admitir certas coisas.
Mas o que conta, antes da digressão - eu não sei escrever se não for por elipses - era falar da trilha sonora que vem para compôr - tem acento ainda? - com o banner a cara, a face, a marca deste blogue que visa a dominação global, tendendo a garantir a irrestrita distribuição de macarrão com queijo para todos aqueles que quiserem. Temos um banner, um nome, até um slogan escrito em alfabeto cirílico, que ninguém, a não ser eu, consegue ler e, enfim, agora, temos aí uma canção. A escolhida não é nenhuma obra desconhecida. Ao contrário. Contudo, deixo a cargo da curiosidade de cada um descobrir de quê se trata.
Para ouvir, basta clicar no play:
às 15:40 1 comentários Marcadores: Atualidades, Cultura, História, Memórias, Política, Tecnologia
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Technicolor
Houve um tempo em que eu gostava de dias cinzas. Aí veio um tempo em que eu, mais que preferi-los, via neles cores que os outros não viam, porque não os olhava, então, com olhos como toda gente.
Hoje me tiraram a capacidade de discernir esse matiz diferente do céu acinzentado. Eu era um daltônico, em certo sentido, mas não porque confundia cores. Acontecia que eu as via onde ninguém mais podia enxergá-las. Eu olhava o dia cinza por meio de sístoles e diástoles, e não por piscadelas. Hoje, que pena, pra mim o dia cinza é tão aborrecido como o é para todo mundo.
Eu sou, então, um sujeito comum, que como todos, desdiz os dias em que o azul do céu esquece de pairar e onde o Sol descansa na privacidade indecifrável das nuvens.
Eu via, que ironia, arco-íris em dias plúmbeos. Hoje me conformo com o cinza, que é, como se sabe e como referenda larga literatura, em prosa e verso, a cor da tristeza.
às 21:17 1 comentários Marcadores: Memórias
Rádio: Wander Wildner - Mantra das Possibilidades
Eu queria, mas eu não consigo...
Wander Wildner também é um sujeito que sabe das coisas.
às 18:33 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
Esse tempo que não passou
Eu olho para suas fotos
e vejo que o tempo não passou
o coração não é um relógio,
e o amor não é um sonho que fracassou.
Eu vou esperar a saudade apagar em mim o desejo.
Eu vou perseguir o dia em que você for só lembranças
até que, com a calma do fim, eu esqueça a luz dos teus olhos
a doçura dos teus beijos,
as lágrimas que me verteram as desesperanças...
Vou te deixar nos meus descaminhos
Não vou mais existir em você, serei o poema esquecido...
o verso que perdeu som, que não teve rima.
Serei como o botão ressequido
o amor que não floresceu.
Eu viverei em busca do dia derradeiro,
aquele em que tudo que foi se perdeu,
vou viver na busca da última palavra...
da desmemória do teu sorriso trigueiro
vou caminhar até o dia em que tudo o mais for passado
e que o futuro me sorria na penumbra,
me abrace como você outrora
e me acolha sem demora,
a dizer que, enfim, meu amor acabou,
e que pena, porque se o amor morreu,
foi por falta do poeta, que expirou.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
MSN
Vamo lá cara, você pode, segundo as estatísticas, conhecer a mulher da sua vida lá!
Mais um motivo para ficar vegetando em casa, cara.
às 18:08 2 comentários Marcadores: MSN
terça-feira, 6 de outubro de 2009
É assim
E é a vida assim, tão bonitinha.
É claro que é.
Assim tão ela, tão bobinha
qual uma menina, brincando com as rosas em botão,
a diferença é que a menina sabe
lidar com os sonhos e até onde eles vão.
Não consegui encontrar um título pra esse aqui
Poesias para combater a calvície
frilas para combater o desemprego
músicas para combater o desassossego,
literatura para vencer o desapego.
Versos para dobrar o destino.
Canções para desdizer o desatino
palavras escritas para dar a tudo um sentido.
Trabalho para esquecer o que estimo.
Jogos de palavras para encontrar o rumo.
Estradas para seguir, um dia eu sumo!
correndo, suando, pela boca espumo.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Jornada de um serendipitoso - versão São Paulo
Uma caminhada pela Avenida Paulista, saindo da Consolação, altura da esquina com a Rua Augusta e subindo, ou descendo, aquela que é a via mais simbólica de toda a cidade que encerra em seu seio mais de 10 milhões de almas é algo que sempre me impressiona.
Não saberia dizer a que devo a sensação. Diversos são os fatores que concorrem para isso. Sou apenas um rapaz latino americano, vindo do interior, sem parentes importantes. É evidente, portanto, que uma caminhada no centro financeiro daquele que é o país mais importante do continente, na cidade que é a terceira maior do mundo, acabe sempre me impressionando. O volume de pessoas, de carros. Os sons, o cheiro.
A Avenida Paulista passa despercebida para quem é paulistano de origem ou reside aqui há muito tempo. Não é meu caso. O fausto dos prédios que emolduram a rua, criando a sensação de um corredor polonês de perder de vista dá uma sensação de tamanho muito maior do que sugerem os pouco mais de 2 quilômetros do percurso. As vias largas e quadruplicadas, sempre com um fluxo interminável de automóveis confere uma noção de que não caminhamos simplesmente numa rua importante. Tem-se, de alguma forma, a ideia de que ali pulsa uma artéria.
Começando o percurso, em frente ao banco Safra, temos já o primeiro episódio do passeio. Os bancos estão em greve. E há uma aglomeração de engravatados neste ponto da avenida que renderia uma foto muito interessante. Gente de gravata na rua. E aos montes. O perfil do grevista é sempre o de camisetas com frases feitas, gritos de ordem e ideias malfeitas. Provavelmente, dado o caráter sócio-economico do Brasil, somos o único país onde grevistas podem fazer greve de terno e gravata.
A avenida Paulista sempre esteve ligada a dois traços fundamentais da história de São Paulo enquanto cidade e estado. Poder e dinheiro. A avenida nasceu na esteira das grandes somas que os barões do café conseguiam explorando o fruto do cafeeiro. As principais mansões cafeeiras foram construídas ali. Restam poucas, duas, na verdade. Carecendo de mais cuidados, como tudo que é antigo em São Paulo, elas contam nas suas fachadas corroídas e garatujas desgastadas pelo tempo e descaso, o tempo em que na avenida desfilavam coches, cavalos e gente sem pressa.
Um ponto interessante a respeito das mansões da Paulista é a história daquela que foi erguida pela família Matarazzo. O Conde Francisco Matarazzo é um marco na história brasileira porque imigrou da Itália e veio fazer fortuna aqui, tornando-se um dos principais industriais latino-americanos do seu tempo. Foi na Avenida Paulista que a família ergueu um palacete que, sozinho, ocupava uma quadra. Cogitou-se tombar a mansão histórica como patrimônio cultural em 1989. Pressões imobiliárias de grande proporções, contudo, deitaram o sonho e a História abaixo: em 1996 a mansão foi demolida, dando espaço a um estacionamento pavimentado, que existe até hoje. Restam os muros originais com alguns detalhes preservados praticamente ao acaso.
Lembro do episódio do derrubamento da mansão há 13 anos. De ler nos jornais. Nunca, mesmo naquele tempo, imaginaria que pisaria nas calçadas já naquele tempo largas que apareciam nas fotografias, e mesmo lembrar da história que fez com que aquele terreno fosse um estacionamento. Eu não conheço tão particularmente a história de outros tantos edifícios da avenida e que, dado as instituições que abrigam e a arquitetura arrojada de alguns deles, bem que mereciam o esforço.
Recentemente o terreno foi vendido a construtoras que anunciam que irão ali erguer qualquer arranhaceu, ou arranhacéu, dependendo do conpêndio ortográfico que mais lhe aprouva, distinto leitor. O terreno foi negociado por 125 milhões de reais e dá uma noção de porque, afinal, a mansão cedeu passo a um estacionamento há 13 anos.
Mas muito antes de alcançar o lugar onde um dia se concentrava o poder financeiro e político do maior industrial do país numa época dourada, vale resgatar o fio deste texto. Foi dito que a Paulista sempre esteve vinculada ao poder político e economico. A diferença é que antes este poder advinha da economia real, da bolsa do café, que ficava em Santos e regulava o preço das sacas que corriam o mundo. Hoje o dinheiro e o poder ainda estão na Avenida Paulista, a questão é que os dividendos veem hoje das ações, das especulações, das estripulias financeiras levadas a cabo por operadores de mercado. Em outra porção, há também muito do setor de serviços sediado no corredor da Avenida.
Reflexo do poder financeiro é a quantidade de bancos na Avenida. Há o edifício do Banco Safra. Há três agências do Bradesco, três do Banco Itaú. Duas do HSBC, três do Banco do Brasil, duas da Caixa Economica Federal, duas do Unibanco, duas agências do Santander. O Banco de La Nación Argentina possui sua sede brasileira na Paulista, assim como o Citibank possui dois edifícios, um em cada lado da Avenida. Além disso há sedes de serviços especiais dos bancos, como o Itaú Personalitée, que aproveita o espaço de uma das antigas mansões, o Itaú cultural e outras iniciativas semelhantes de bancos que tais. Tudo isso em pouco mais de 2 quilômetros de rua.
Há shoppings na Avenida Paulista. Dois deles praticamente um em frente ao outro, contando com salas de cinema, cafés, lojas. A Avenida Paulista é impressionante porque é uma cidade dentro de outra. Dentro dela, ou no seu entorno, adotando um raio de duas quadras em qualquer direção, é possível encontrar tudo que uma cidade possui. De hospitais a hotéis.
Seguindo o passeio, desviando do oceano de gente, como se fossem escolhos, recifes deste outro Atlântico, vamos vencendo as vagas e chegamos a outro banco, onde duas pessoas discutem se a greve, enfim, tem mérito e qual é este. Não muito depois, às portas da estação Trianon-Masp da linha 2, verde, do metrô, há 6 músicos tocando saxofone. Do outro lado da rua, um menino sofre com as inclemências de um sol à pino tentando vender guarda-chuvas. A menor ameaça de policiais, ele desaparece. Comércio informal em áreas privilegiadas da cidade é perseguido ostensivamente. Na 25 de Março, viva as hipocrisias, corre solto.
Outro ponto físico interessante da Paulista é a sua dimensão subterrânea e aérea. Pelos subsolo correm os trilhos da linha verde, com as estações Consolação, Trianon-Masp e Brigadeiro. Nos horários de pico descarregam e carregam trabalhadores de todas as graduações em turbas compactas e difusas. No metrô o almofadinha engravatado e o zelador do edifício mais importante convivem confinados nos esguios vagões das composições elétricas.
Outra dimensão que não pode ser esquecida é a aérea. São Paulo dispõe, por força do trânsito caótico, a segunda maior frota de helicópteros do mundo, ficando atrás apenas das equipagens que atendem Nova Iorque. CEO's descem e sobem ignorando as inclemências do trânsito, as calçadas, durante todo o dia. É como se a Avenida fosse mais que uma rua, via, que uma condensadora de dinheiro e poder. É como se fosse o destino, a referência. Os helicópteros vem e saem o dia todo, incessantemente. Alguns metros abaixo do asfalto os trens se revezam nos dois sentidos das linhas a cada 90 segundos, carregando no bojo pessoas e mais pessoas. Acima, no nível das calçadas, além dos transeuntes e dos carros pela rua, uma onda interminável, quase como uma fila, de ônibus descem e sobem incessantemente as ruas.
Um marco bastante conhecido da avenida é o MASP. O Museu de Arte de São Paulo, que atrai exposições importantes o ano todo. Que no espaço sob a área principal do prédio, chamado de vão-livre, pessoas que consomem e convivem com a arte. Manifestantes, agitadores políticos, militantes de movimentos sociais, gente, gente, gente. O vão-livre é um ponto de encontro de todo esse pessoal.
Exatamente do outro lado da avenida existe o Parque Trianon. Um pequeno espaço de área verde dedicado pelas senhoras das adjascências para a prática de caminhadas. Dada a alta concentração de renda dos bairros que são divididos pela Paulista, Jardins e Boa Vista, considera-se que são vizinhas da Avenida e devem ter testemunhado boa porção de sua história. É, também, nesta altura que acontece a chegada da Corrida de São Silvestre, realizada sempre na tarde do último dia do ano.
Passado o museu me deparei com algo que, provavelmente, dá sentido a todo este texto. Me senti o serendipitoso Gay Talese. Me deparei com um pequeno contigente de funcionários da prefeitura, armados de cinzéis com cabos compridos raspando o pavimento das calçadas para remover chicletes cospidos em tempos imemoriais por ali. Nunca tinha visto nada assim. Aproveitei a parada, fui até uma das muitas bancas de revistas que abundam em todo o percurso, e comprei um suco.
Continua (revisões e enxertos a serem feitos)...
às 14:51 1 comentários Marcadores: Cultura, Memórias
Mas... já?
E eu que considerava que "Caim" novo romance de Saramago, só estaria disponível em meados do próximo ano. Bobagem. Antes de novembro terei em mãos o volume. Tudo porque o lusitano, há muito chocado com a eventual finitude de sua vida, com o arco inevitável da mortandade que se lhe assoma qual sombra numa esquina obscura, acelerou a produção do volume.
Eu que me sentia acabrunhado pelo anti-climax do abandono de blogue por parte de Saramago agora, digo, teje perdoado, mestre. Se é que agravo houve. Só, por favor, não vai morrer, José.
às 13:29 0 comentários Marcadores: Atualidades, Cultura, Memórias
Parando...
E chega de publicar tanta poesia por enquanto, porque a vida é muito mais que versos e covardia.
às 11:46 0 comentários Marcadores: Memórias
domingo, 4 de outubro de 2009
Aforismos - Juízo
Para retomar a seção que andava meio esquecida aqui no blogue, um curto e grosso:
"O bom senso só vem depois de esgotadas todas as outras alternativas".
às 13:21 0 comentários Marcadores: Aforismos
Rádio: Solomon Burke - None of us are free
Blues para esquecer da vida.
às 00:37 1 comentários Marcadores: Rádio blogue
sábado, 3 de outubro de 2009
Aforismos - Mulher
"É no coração das mulheres que se reúnem todas as contradições".
Voltaire.
às 14:14 0 comentários Marcadores: Aforismos
OlimPiadas do Rio
Menos de 24 horas depois da escolha do Rio como sede dos jogos de 2016 e já começou a baixaria. Lendo na Folha, o plano de transportes que havia sido criado para o Pan de 2007, e que não foi implementado, embora tenha sobrado dinheiro para as furadeiras superfaturadas, e que seria, enfim, diminuído para as Olimpíadas, não será totalmente utilizado.
Em resumo: vamos melhorar o fluxo de transporte no Rio de Janeiro, mas apenas nas regiões vinculadas a realização de eventos olimpícos. Áreas menos privilegiadas, e onde moram grande parte da população carioca, serão convenientemente esquecidas.
Um caso famoso de investimentos olimpícos contribuindo para a repaginação de uma cidade toda, para a reciclagem urbanística, foram os jogos em Barcelona em 1992. Aproveitaram as Olimpíadas para dar um jeito numa cidade que era classificada como "feia e caótica". Aqui, que é Brasil, ninguém fala nada de favelas. E transporte público e de massa só sai do papel para os jogos de 2016 para atender os mais favorecidos. Que normalmente possuem carros. E moram na região central.
E isso é só o começo.
às 09:42 0 comentários Marcadores: Atualidades, Política
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Olimpíadas no Rio - quem é sério, é contra
E o COI escolheu o Rio de Janeiro. Sobrevida para Nuzman e outros câncers da política esportiva do Brasil. Um país onde apenas 12% das escolas dispõem de quadras poliesportivas e um Pan-americano é superfaturado em 400%, com as furadeiras mais caras do universo, vai, enfim, sediar, para contemplar o ego devastador de Nuzman e a sanha dinheirista de alguns safados, uma edição das Olimpíadas.
Outra coisa que enoja enormemente é o oba-oba. As Organizações Globo vão encampar escrotamente o evento. Não haverá espaço para críticas, para relativização e discussão da organização, agora inevitável, dessa megalomania discabível num país onde ainda morre-se de fome. Como não houve, e não há, uma linha, uma matéria de folego na rede Globo explorando o manacial quase que inesgotável de absurdos que permeiam a vida pública do câncer chamado Carlos Arthur Nuzman e da organização dos ridículos jogos Pan-americanos de 2007. Para refrescar a memória, teve jogos de softbol cancelados porque a arena de jogo virou o lodaçal, além de torcida carioca fazendo escândalo em esportes onde o silêncio e concentração são preponderantes.
Nesses momentos eu não entendo porque as pessoas ficam chocadas com fraudes, dopping, escândalos no esporte de alto desempenho. Virou negócio. E dos mais sujos. Se o que norteasse a escolha do COI fosse a decência, a lógica e a racionalidade, os jogos de 2016 passariam muito longe do Rio de Janeiro.
Olimpíadas é para quem tem política esportiva, e não o contrário. Os jogos coroam um trabalho de décadas, não fomentam um de poucos anos para preparação de atletas que não existem hoje e, tenham certeza, inexistirão amanhã.
Absurdo.
E eu perco a fé na humanidade.
às 14:10 2 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
James Dean não morreu!
A morte, sabemos todos, dá-se com uma inarredável certeza das nossas existências. Não se pode evitar morrer. Mais dia, menos dia, abate-se sobre todos nós qualquer sorte de evento abrupto que nos encerra a existência. Não há filosofia que drible isso.
E pelo caráter inevitável da morte, pela sua capacidade de tocar a todos, independentemente de origens, posses, dignidades, ocasiões e tudo o mais, ocorre que algumas mortes são únicas. Poucos foram os sujeitos que "sobreviveram" a uma morte como James Dean, a morte de Dean interrompeu sua vida, mas não sua história. No mesmo rol dá para incluir Elvis Presley, talvez Michael Jackson, dependendo de como sua obra por gerida e o interesse público reagir à sua morte.
Dean era um jovem dos anos 1950, talentoso ator, galã. A pinta rock n' roll do rapaz encantava as mocinhas de então. Dean tinha um carisma especial e que foi potencializado em virtude da maneira como morreu, a juventude, a inconsequência, a rebeldia de toda uma época de grande poxa em virtude da geração estagnada pelo vazio do pós-guerra, que semeou a liberação cultural, que abriu portas para as revoluções comportamentais da década seguinte. James Dean é como um ícone desse processo. Ele e sua "atitude" são simbólicos em todo esse contexto.
Só que ele morreu. E de acidente. E correndo bizarra e inconsequentemente numa rodovia em direção a uma... corrida. Num carro esportivo. No caso, um Porsche. James Dean morreu e o fez com estilo. No auge, em plena juventude, fazendo sucesso e de Porsche. Bebia e fumava, era o heroi daquela Juventude Transviada, filme mais conhecido do ator e tão icônico quanto ele, Dean, foi e ainda é. E já falei bastante de James Dean e esse filme aqui, há 4 anos.
Tropecei hoje numa propaganda de um fundo de investimentos norte-americano. A ideia da peça publicitária é imaginar como teria sido a vida de James se não tivesse morrido no acidente. Os filmes que teria feito, o seu carisma sendo usado em prol de causas humanitárias e sociais, os Oscar que teria vencido (o ator foi indicado postumamente em 1956 por "Assim Caminha a Humanidade"). Achei muito interessante a associação de Dean, que era um aficcionado por velocidade e automóveis, com o filme "As 24 Horas de Le Mans", rodado em 1970, com Steve McQueen, outro ícone. Melhor filme de corridas de todos os tempos, aliás. Voltando ao comercial, trata-se de uma excelente ideia, e que faz pensar: se não fosse o acidente, a morte, Dean teria se alinhado junto de sujeitos como Marlon Brando e Steve McQueen? Sua fama teria sido a de mais um ator normal, sem o glamour da morte inconsequente e abrupta? Ou o destino dele era mesmo a iconoplastia de toda uma época?
às 21:48 0 comentários Marcadores: Atualidades, Cinema, Cultura, Entretenimento
Duetos
"... Nos disseram que essa bossa de jornalismo é meio assim, que essa coisa de web não tá pra peixe, mas mesmo com carradas de razões para enfiar o rabo por entre as pernas e desistir, seguimos com todas as teimosias do mundo no peito, matando cachorro a gritos e sonhos a pontapés".
E dizem que escrever é um ato eminentemente solitário. Tal como um outro praticado nas escusas profundidades da intimidade individual e que no caso masculino contrapõe dedos e certas proeminências túrgidas escusas da anatomia. Bobagem. É tudo uma questão de qualidade da parceria, afinal de contas. Tanto pra atividade da escrita como para outra, que me furto de mencionar aqui em virtude da impoluta consciência da minha audiência, que sabe de ante-mão, ilustrada que é, que me refiro a masturbação.
E que é, afinal, a escrita se não uma masturbação de neurônios e uma ejaculação de palavras e sinapses?
às 18:30 0 comentários Marcadores: Cultura, Memórias




