Sê, doravante,
pescador de homens (e vinhos), não mais de peixes.
Hoje pela tarde, profundamente entediado, fui pescar com um primo. Dez minutos, um peixe (só podia ser um), que a julgar pela tensão que causou na vara, era de promissor catandura, escapou-me.
Cinco minutos depois deu-se o mesmo. Confesso que fiquei um pouco chateado. Outros poucos minutos, deu-se novamente o assalto. E dessa vez ele, só podia tratar-se do mesmo pândego, rompeu a linha.
Extremamente emputecido, chutei o banquinho no tanque, peguei a vara e arremessei como um dardo ao outro lado do pequeno lago e, com toda a solenidade necessária, desfiz a braguilha e mijei portentosamente n'água. Fiz tudo isso com uma consciência incrível.
Depois da cena de indignação, voltei, resignado, para o carro, ouvi música, li e fiquei desfiando comentários pouco agradáveis e muito misantrópicos à boa arte da pesca que, pelo que pude ver, não foram muito bem quistos pela enorme sociedade que, no local, dedicava-se precisamente à ela.
Quase no final da aventura, meu primo sugeriu que fosse resgatar o banco nas profundezas de uns 40 centímetros do tanque. Pedi licença para declarar que o primeiro inútil que viesse me aborrecer com essa sugestão não só conheceria o destino do banquinho como, provavelmente, seria remetido em processo similar para fazer companhia ao dito assento eternamente. Salientei ainda que detestaria causar bulha num lugar tão arcade, mas se fosse o caso providenciaria para que os peixes tirassem a desforra de seus predadores com um corpo para digerir no lago.
Me deixaram em paz e, desconfio, não convidam mais para pescar.
E assim são os meus finais de semana aqui, embruteço-me, eis tudo. Sobretudo sem uma garrafa de vinho para conversar, clarear as idéias e o mijo.
