terça-feira, 31 de maio de 2011
Clint Eastwood e o sinonimo da macheza contemporânea
Clint Eastwood. O homem. Clint faz 81 anos hoje e coleciona sucessos em praticamente tudo que se meteu a fazer na carreira de ator e diretor. Filmes intensos, personagens marcantes. O homem sem nome da minha adorada trilogia do dólar, o fugitivo de Alcatraz, o sorumbático de Gran Torino. Quem viu cada um desses filmes sabe porque Clint merece uns goles e um post em homenagem ao seu 81º aniversário.
É um sinal dos tempos que as mulheres hoje suspirem muito mais por Brad Pitt e George Clooney do que por um tipo como Eastwood. O cinema, e nossa sociedade, não produzem mais tipos adoráveis como Steve McQueen, John Wayne e Humphrey Bogart, são o triunvirato da masculinidade. Há momentos na vida em que você precisa parar e considerar o que o faz diferente desses sujeitos e porque você não pode ser como eles. Se fossem quatro, eu escalaria James Coburn nessa trementa patota. Sean Connery também merece a lista.
Alguns dos filmes de Clint são obrigatórios. Mas se não estiver com disposição de ver todos, se atenha à Trilogia do Dólar, que o fez, nos anos 1960 de jovem desconhecido, a galã e grande nome do cinema.
Eastwood é de uma macheza contundente só por ter aceito fazer filmes de faroeste no período de maior decadência do gênero, com um italiano desconhecido (Sérgio Leone) e no meio da Sicília - nada de desertos e poeira texana num filme sobre o oeste distante dos EUA. Os três filmes, "Por um Punhado de Dólares", "Por uns Dólares a Mais" e "Três Homens e Um Conflito" (também conhecido como "O Mau, o Bom e o Feio") lhe dariam a pecha de durão e marcariam muito o gênero no seu ocaso.
Mas foi vivendo o policial Harry Callahan, ou Dirty Callahan em "Perseguidor Implacável" (e na longa série de filmes que seguiram o sucesso do primeiro), que marcaria sua carreira como o sujeito que passa testosterona no pão mofado com a peixeira enferrujada. As sequências são tão boas como o primeiro, mas eu honestamente acho que poderiam ter parado no terceiro título.
Clint também tornou-se um diretor de extrema qualidade. Do alto de sua macheza conseguiu realizar o filme preferido da mulherada, "As Pontes de Madison" - ele deve ter feito isso só para mostrar quão machão é. E vem emplacando uma série bastante sólida de bons filmes e de sucesso de crítica e bilheteria: Sobre Meninos e Lobos, Menina de Ouro, a dobradinha A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jiwa, Invictus, Gran Torino.
Parabéns, Clint. Longa vida ao maior depositário vivo da testosterona, do último bastião da macheza cool do cinema.
às 15:54 0 comentários Marcadores: Cinema
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Rádio: Wander Wildner - Bocomocamaleão
Um dia eu vou ter um bar e ele vai se chamar Soriano. A não ser que ele fique na vizinhança de um cemitério. Neste caso, o nome será Pé na Cova:
às 21:50 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Projetos
Sem saber exatamente por quê, estou montando meu segundo livro e produzindo um disco. Projetos, acho que é isso que significa: coisas às quais você se mete a fazer porque as acha legais e divertidas.
às 16:03 1 comentários Marcadores: Memórias
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Rádio: Willard Grant Conspiracy - The River in The Pines
Dei-me conta de que este blogue está muito científico ultimamente. Hora de voltar às subjetividades que um dia derrubaram minhas veredas do mundo cartesiano das engenharias e me deixaram à deriva num oceano de palavras, emoções, compreensão e conceitos mais vagos que a frieza dos cálculos.
às 14:25 0 comentários Marcadores: Memórias, Rádio blogue
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Custo/benefício
Se for verdade que um deus, qualquer que seja a divindade antropomórfica a qual você vote fidelidade, tenha criado todo este universo podemos concluir que lhe falta maior noção da escala das coisas e que ele não etende porcaria nenhuma de custo/benefício. Isso sim, senhores, é um ser inteligente:
às 14:26 0 comentários Marcadores: Cosmo por ele mesmo
terça-feira, 10 de maio de 2011
Rádio: Roberto Carlos - Outra Vez
Rapaz, como essa música me derrubava nos meus bons e nem tão saudosos tempos de fossa, daquelas de criar bicho e alimentar todas as minhas velhas prevensões contra relacionamentos:
às 15:23 1 comentários Marcadores: Rádio blogue
Táquions
Eu, arbitrariamente, escolhi a estrela de neutrons como a coisa mais bizarra do universo, ou ao menos a que mais me fascina e desperta curiosidade. Mas poderia ter escolhido os táquions. Ou, na verdade, não. Não há indícios de que existam, e nem mesmo de que não existam. Até aqui, ao contrário das estrelas de neutrons, táquions são construções ideológicas que fermentaram na vibração das cordas das teorias mais recentes sobre a natureza do universo e suas origens. É um recurso para explicar coisas que não se entende, mais ou menos na mesma proporção que, um dia, calhou se dizer que o trovão era a expressão da irritação de algum deus.
Mas, caso existam, táquions são incrívelmente bizarros. Seriam partículas que viajam com velocidade maior que a da luz. Pois é. Diria alguém que, não pode, nada vai mais rápido que a luz. Na verdade, nada acelera para além da luz. De repente, pode ser, uma partícula viaja mais rápido que a luz porque essa é a sua natureza, porque ela já se formou assim e contra isso nem Einstein pode nada.
Os táquions existiriam, então, num tempo próprio imaginário. Dada a particularidade de fluirem mais velozes que a própria luz, se você encarasse um em sua direção, não o veria. Só depois que ele passasse, você veria duas imagens indo em direções opostas: uma delas o rastro da trajetória percorrida pela partícula, algo como o "rastro de luz deixado pelo caminho", e de outro o rastro deixado pelo avanço inexorável de algo que pode viajar na velocidade do instante. É um Efeito Doppler anabolizado.
Caso existissem, fossem mensuráveis e controláveis, eventualmente, táquions poderiam significar avanços avassaladores na atual tecnologia. Computadores que trabalhariam quanticamente à velocidades superiores à da luz romperiam absolutamente todos os paradigmas científicos construídos em séculos, se não mesmo milênios de humanidade, em questão de horas. A rigor, um computador de táquions poderia processar coisas no passado, mais ou menos no sentido de que você poderia usar os táquions para mandar mensagens para trás na linha do tempo: praticamente, conversando com você mesmo no passado.
O tempo, então, não existe nos táquions. Experimentos da física quântica indicam que os táquions existem (e frise-se que indícios não são evidências). Se existem e carregam informações, era de se esperar que cá conosco tivessemos recados do futuro? Talvez já o tenhamos. Ou, mais provavelmente, os táquions viajam com velocidade maior que a luz, mas não a informação. Ou ainda, anda a informação no mesmo compasso, mas quando por aqui chegam, não aparecem, são indefectíveis, informação e táquions. E talvez, ora, que bom que o sejam. Não há muito proveito em se saber demais do próprio futuro, sobretudo nós, quando o melhor que fazemos é esquecer-nos do passado.
Se táquions existem, viajam assim, correm a todo o canto precedendo causas e efeitos. Cofio os bigodes e, cá comigo, pondero que se existem os táquions nestes termos, ora, pra quê Big Bang?
às 13:53 1 comentários Marcadores: Cosmo por ele mesmo
segunda-feira, 9 de maio de 2011
9 de maio, o Dia da Vitória
Em honra à História, que rimbombem os acordes triunfantes da marcha "The Red Army is the Strongest", na voz do Red Army Choir, que narra as tragédias do soldado e fala, também, do odioso camarada Stálin:
às 12:40 0 comentários Marcadores: História
sexta-feira, 6 de maio de 2011
E Einstein tinha razão
É preciso tempo porque, embora, sim, tenha-se comprovado que a Terra distorce o espaço-tempo a seu redor a ponto de criar um vórtice nas suas imediações, por outro, esperava-se que a sonda fosse capaz de medições com 0,01% de margem de erro (para se ter uma ideia, a sonda foi capaz de medir desvios de pentelhésimos de arco: a escala foi de milhares de miliarcosegundos (um miliarcosegundo é a largura de um fio de cabelo humano visto de uma distância de 16 km). Na verdade, verificou-se que o número ficou mil vezes acima deste 0,01%. Nada que comprometa o experimento, mas aproxima muito seus resultados de tudo aquilo que já se tinha mensurado através de equipamentos muito mais simples e baratos.
Na coletiva que anunciou os resultados do experimento, Clifford Will declarou que "este é um resultado épico. Um dia isto será escrito nos livros como um dos experimentos clássicos na história da física". O experimento, independente do mérito de seus dados colhidos nestes anos, é um absoluto triunfo de engenharia e de simplicidade: a ideia foi mandar ao espaço giroscopios - a grosso modo, esferas perfeitas que giram livres num recipiente de vácuo com hélio superfluido - e apontá-los para uma estrela. Se Einstein estivesse errado, os giroscópios não oscilariam e manteriam-se eternamente apontados para a estrela de referência. Se, por outro lado, estivesse correto, a distorção espacial causada pela Terra perturbaria o movimento das esferas dos giroscópios.
O problema é escala e margem de erros. As esferas foram anunciadas como as quatro esferas mais perfeitas um dia produzidas pelo homem. E são. Fossem elas ampliadas até o diâmetro da Terra e teriam, no máximo, escarpas de 3 metros de altura. São virtualmente perfeitas. Mas mesmo esse grau de refinamento não foi suficiente.
Pode mesmo ser verdade. A exemplo de Eddington que, inglês, se embrenhou nas matas africanas em plena Primeira Guerra Mundial, para efetuar medições da órbita de Mercúrio e que vieram a comprovar os primeiros grandes saltos de Einstein, que de resto, era alemão, vivia ainda na Alemanha, adversária dos ingleses em campos de batalha. O trabalho de Eddington provou que Newton, inglês, estava errado. Era ruim para a propaganda de guerra que o maior físico de todos os tempos estivesse errado e tivesse que ceder passo, justamente, para um alemão.
O tempo passou, Einstein tinha razão em muitas coisas - são os princípios que descobriu que fazem, por exemplo, o GPS de seu automóvel preciso. Pode ser que este experimento abra veredas novas no avanço para se descobrir o que é a gravidade, o espaço e o tempo nisso tudo, a exemplo de Eddington e Einstein no princípio do século passado. Mas isso só o tempo vai nos dizer.
às 13:46 0 comentários Marcadores: Atualidades, Cosmo por ele mesmo, História, Tecnologia



