São tempos melindrosos para um sujeito usar calças e honrar os bagos. Sim. Vivemos numa era desgraçada, de moral fácil e de politicamente correto. E hoje é aniversário de uma bem acabada antítese de tudo isso, um cidadão que é um símbolo, um tipo de último dos moicanos da macheza perdida.
Clint Eastwood. O homem. Clint faz 81 anos hoje e coleciona sucessos em praticamente tudo que se meteu a fazer na carreira de ator e diretor. Filmes intensos, personagens marcantes. O homem sem nome da minha adorada trilogia do dólar, o fugitivo de Alcatraz, o sorumbático de Gran Torino. Quem viu cada um desses filmes sabe porque Clint merece uns goles e um post em homenagem ao seu 81º aniversário.
É um sinal dos tempos que as mulheres hoje suspirem muito mais por Brad Pitt e George Clooney do que por um tipo como Eastwood. O cinema, e nossa sociedade, não produzem mais tipos adoráveis como Steve McQueen, John Wayne e Humphrey Bogart, são o triunvirato da masculinidade. Há momentos na vida em que você precisa parar e considerar o que o faz diferente desses sujeitos e porque você não pode ser como eles. Se fossem quatro, eu escalaria James Coburn nessa trementa patota. Sean Connery também merece a lista.
Alguns dos filmes de Clint são obrigatórios. Mas se não estiver com disposição de ver todos, se atenha à Trilogia do Dólar, que o fez, nos anos 1960 de jovem desconhecido, a galã e grande nome do cinema.
Eastwood é de uma macheza contundente só por ter aceito fazer filmes de faroeste no período de maior decadência do gênero, com um italiano desconhecido (Sérgio Leone) e no meio da Sicília - nada de desertos e poeira texana num filme sobre o oeste distante dos EUA. Os três filmes, "Por um Punhado de Dólares", "Por uns Dólares a Mais" e "Três Homens e Um Conflito" (também conhecido como "O Mau, o Bom e o Feio") lhe dariam a pecha de durão e marcariam muito o gênero no seu ocaso.
Mas foi vivendo o policial Harry Callahan, ou Dirty Callahan em "Perseguidor Implacável" (e na longa série de filmes que seguiram o sucesso do primeiro), que marcaria sua carreira como o sujeito que passa testosterona no pão mofado com a peixeira enferrujada. As sequências são tão boas como o primeiro, mas eu honestamente acho que poderiam ter parado no terceiro título.
Clint também tornou-se um diretor de extrema qualidade. Do alto de sua macheza conseguiu realizar o filme preferido da mulherada, "As Pontes de Madison" - ele deve ter feito isso só para mostrar quão machão é. E vem emplacando uma série bastante sólida de bons filmes e de sucesso de crítica e bilheteria: Sobre Meninos e Lobos, Menina de Ouro, a dobradinha A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jiwa, Invictus, Gran Torino.
Parabéns, Clint. Longa vida ao maior depositário vivo da testosterona, do último bastião da macheza cool do cinema.


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