sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Rádio: Elvis Presley - Trying to Get You

Nada melhor para embalar a nostalgia do que Elvis Presley na sua melhor forma:

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Rádio: Willard Grant Conspiracy - The Suffering Song

Esta nem de longe é minha canção preferida da banda/grupo/coletivo capitaneado por Robert Fisher, e conhecido como Willard Grant Conspiracy. Mas pelo fato de o YouTube não dispor de uma biblioteca muito repleta, resignado, recomendo esta para o deleite de vós:

Dignidade

Como vão as coisas?

Sobrevivendo, meu querido... tô usando medicação para refrear a calvície, cara minha dignidade se esvai nas gotas que esparramo pelas portentosas entradas da minha já nem tão vasta cabeleira.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A hora de ter um hobbie

Eu nunca tive um hobbie e jamais parei para pensar nisso como uma contingência, algo que precisasse ser resolvido. Por outro lado, sempre conservei à minha volta traços e interesses difusos que, sob determinadas condições, poderiam resultar em hobbies: sempre gostei de cavalgar em regiões ermas, considero que o violino produz o que mais perto podemos chegar do som da alma e adoraria sair velejando o mundo sem destino e pressa alguma.

Cada uma dessas afeições poderia converter-se em hobbies. O que, aliás, seria algo interessante de observar numa criatura tão indolente como eu. Nunca tive nenhum deles, seriam coisas para o futuro distante, quem sabe no ocaso da vida, onde me sobre tempo e espírito, eu me veja capaz de dedicar essas duas porções de mim na conservação de um hábito prazeiroso, que nós damos o nome de hobbie, seja praticando o violino, aprendendo a velejar, ou mantendo um sítio ou chácara, com árvores, campinas e animais. E internet.

Hoje eu não posso dizer que adquiri um hobbie, mas posso, ao menos eleger um novo e sério candidato para o posto - e isso muito antes dos anos de outono da minha vida. Falo de cosmologia, olhar para o céu noturno e contemplar a magnificência do cosmo que nos cerca. Mais que um hobbie, suponho que descobri uma vocação, tardia, de astrônomo, físico, cosmólogo, enfim, áreas que se debruçam a compreender e esmiuçar o universo que nos cerca.

Como primeiro passo na instituição desse lazer, declaro que tentarei construir um pequeno telescópio. Não é assim uma meta tão ousada, há explicações na internet sobre como fazê-lo e, diabos, Galileu foi capaz de sozinho construir um sem internet e espelhos perfeitamente planos no século XVI, com o qual quase acabou incinerado pela piedosa e iluminada Igreja Católica, para quem o homem veio do barro, a Terra é plana e sustentada por colunas e onde Deus teria criado o Sol depois das plantas. Enfim. Na verdade, a atividade de construção do telescópio demanda de miolos, eu os tenho, interesse, não me falta, dedicação, estamos por nos encontrar, e alguma verba para custeio dos instrumentos, que as há ainda nas burras. Na pior das hipóteses eu desisto e me conformo com as fotos do Hubble.

Rádio: Johnny Cash - Ain't No Grave

O novo disco póstumo do homem de preto, festejado por mim quando anunciado em dezembro para esta semana que marca o aniversário de Cash, vazou. Em decorrência disso pode ser baixado na internet, coisa que fiz, e portanto posso afiançar-vos, caros leitores, que Cash continua supremamente bom em combinar voz, violão, arranjos pertinentes e alguma sobriedade nas composições. Destaques para "Ain't No Grave", a faixa que batiza a compilação, e "For The Good Times", que eu ainda acho melhor com Elvis Presley - mas aí são estilos diferentes e a de Cash não fica a dever em nada a do Rei.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Regime

Adotei uma dieta rigorosa
cortei as carnes
aboli o alcool
dei fim a vida gulosa,
disse não ao açucar.
Vivi de alface.
Cortei o que nem comecei.


Em uma semana perdi 7 dias.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Poesia Quântica

A poesia é minha nova ciência
é a fronteira quântica das minhas palavras
a poesia é apoesia na medida da minha consciência
é o sentimento derivado das minhas estrofes escravas.

Não contem para o Boris

Nas estripulias que estão na ordem do dia, afinal, é carnaval, encontrei essa fotografia:


Dilma Rousseff, séria candidata a presidência, dançando com um gari na Sapucaí na noite de ontem, í. Se Boris Casoy ver isso, uma das primeiras personagens da República dançando com um dos "representantes da escala mais baixa do trabalho", nas palavras do terrorista de direita e reacionário ex-caçador de comunistas, provavelmente cometerá um haraquiri - quanto í - o que estará bem longe de desagradar as massas e ser uma grande perda, afinal de contas.

Evangelhos Segundo José Saramago

O bom português:

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Dinastias e democracias

Uma notícia menor chamou-me a atenção. Foi como o cheiro que norteia o rumo do sabujo. A nota refere-se ao anúncio de que o deputado Patrick Kennedy, filho do senador Ted Kennedy morto em agosto de 2009, resolveu retirar-se da vida pública, não se candidatando nas eleições parlamentares que se avizinham, e não dará, portanto, continuidade à marcante família Kennedy, que nos últimos 60 anos esteve visceralmente envolvida com os rumos dos EUA e, por força disso, naturalmente, com os do próprio mundo.

Os Kennedy foram do senado a presidência, com John Fitzgerald Kennedy, que acabou assassinado em praça pública. Tiveram personagens menos conhecidas também, mas de marcante relevância na história, como o Procurador Geral Robert Francis Kennedy, irmão do presidente JFK e que teve destacado papel na consolidação dos direitos civis nas refregas e escaramuças que animaram os anos 1960, e que foi assassinado em 1968 depois de ter vencido as prévias californianas. Marcadamente liberais e democratas - sem levar aqui o termo liberal pelo mau conceito que lhe anda muito em voga - os Kennedy são um tanto quanto icônicos no que tange a política norte-americana e o Partido Democrata. É difícil considerar até que ponto os Kennedy deixarão saudade, porque não vivo nos EUA e me faltam informações para tanto. O homem é corruptível, todos nós sabemos. Quiçá as famílias. E nem mesmo posso dizer se um dia voltarão, porque embora saima de cena agora, a centelha de, na melhor definição que existe de política, "fazer cagada e contar sorrindo aos outros como isso é gostoso" deve estar impregnada na cepa de genes que se distribuem pelos Kennedy, e não seria difícil vê-los voltar.

Mas o que surpreende é que a dinastia acaba, ao menos por hora, tendo durado 60 anos. Em paralelo, a lamentar-se que no caso brasileiro, Sarney e sua jagunçada se desdobram pela política brasileira há uns bem lamentáveis 70 anos. Cada um, enfim, tem a democracia e, mãe dos contrasensos, a dinastia que merece.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Intangibilidade de sábado

Inúmeras coisas são intangíveis na vida da gente. Nosso primeiro sorriso quando crianças, a primeira dor, a lembrança do primeiro amor e da última decepção. Coisas bonitas e profundas podem e, normalmente, são intangíveis, embora algumas delas tenham mais densidade que o próprio chumbo, o que dá pano para manga para deliciosas e incompreensíveis analogias com a física quântica, posto tamanho contraste como é o caso.

Embora a tentação de embarcar na seara da ciência restritiva ao entendimento da ignorância calada das multidões - eu incluso - resistirei galhardamente, porque não era esse o objetivo do breve texto que por aqui se desenrola, perdido como eu estava ainda há pouco lendo Laurence Sterne: nunca vi tanta palavra e ideia bonita junta, nunca me encontrei tão perdido lendo tanta coisa interessante ao mesmo tempo. Corria pra lá e pra cá entre conceitos, regressões e digressões, perdido, como fazia, aliás, no tempo em que jogava futebol. Corria desesperadamente atrás da bola sendo quase que sempre bastante mal sucedido em reavê-la do adversário ou conduzi-la, quando calhava de ela parar nos meus desastrados pés.

Dizia eu qualquer coisa sobre a porção de sentidos e memórias intangíveis que compõem a nossa vida. E antes da digressão, diria que dentre essas coisas marcadas pela tênue memória eletroquímica distribuídas nas sinapses do cérebro, ainda que densas como o chumbo que reveste coisas impenetráveis às estripulias atômicas, existem belas e más recordações. Bons e maus momentos, porque é da distribuição mais ou menos caótica desses dois inversos que perfazem, no fim das contas, o que definimos como vida.

Uma coisa ruim é, por exemplo, na morosidade do sábado pela tarde resolver ouvir música. Algo calmo, que combine com humores presentes e passados, e aspirações futuras. Algo que sintonize com o sol tímido lá de fora, que caminhe na toada do sábado que se desdobra vagarosamente logo ali fora. Você escolhe o que quer ouvir mediante essas calibragens. Digamos que seja Willard Grant Conspiracy.

Vai tudo bem. Até que - sempre tem um "até que" - seu vizinho, incrívelmente desligado da realidade que o cerca, tanto como de alguns padrões estéticos, resolve que não há trilha sonora melhor para o sábado sobejadamente descrito linhas atrás como sonoros, repetitivos, rasos e lamentáveis grandes e menores sucessos do pagode e do sertanejo universitário. E tudo no mais alto volume que o aparelho de som for capaz de defecar e regurgitar pela vizinhança. São dois dos maiores flagelos contemporâneos da humanidade, pagode e sertanejo, que vicejaram nesse mundo do intercâmbio fácil e comôdo de arquivos e de mídias cada vez mais convenientes, o que só nos prova que até mesmo avanços sensíveis da humanidade, como é o caso dos arquivos intercambiáveis, das mídias mais eficientes, têm em si algo de ruim, nada pode ser perfeito, não há o que dê jeito nesse marco regulador do universo. A vastidão quase que oceânica da internet, no fim das contas, veio trazer no bojo de suas vagas algo de ruim.

O que nos faz encerrar essa croniqueta com o agourento remate de que no meio de tanta coisa intangível e boa que nos faz humanos, há espaço para uma raiva descomunal, intangível e densa, que nos faz um pouco bestas.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Escatologias 2

Vou lamber gotas de bactericidas.
Jantar de equimose
Vou beber o pus das minhas feridas,
Vou coagular misérias
E gozar espermicidas.
Na sobremesa, cisticercose.
Vou defecar pelas orelhas,
enquanto trato da overdose.
Quero, no fim, exalar nuvens de bactérias
Me encontrar em meio ao lixo
chafurdando atrás da minha saudosa fimose.

Escatologias 1

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Escaramuças

Nada mais me importa desse coração latino.
De todo o poema, só resta desatino.
É hora de abrir a janela, desvendar o destino...
e sair caminhando nas nuvens em busca de um sonho peregrino.

* E de poemas melhores.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Rádio: Nevilton - Pressuposto

Eles são tudo que o rock nacional deveria e poderia ser. E são muito loucos e legais, além de bons camaradas. Possuem uma estranha fixação por conhaque. Por força de tantos e tamanhos atributos, lhes recomendo que baixem o EP do trio de Umuarama, homônimo a canção que ilustra este post e que pode ser encontrado aqui. Trio que chama-se Nevilton e que por hora caminha pelas ruas, canais e águas espraiadas da Paulicéia Desvairada, logo ali, entre a Augusta, esquina com Peixoto Gomide - encontro ainda não celebrado no cancioneiro nacional como o encontro da Ipiranga com a São João, mas é tudo questão de tempo. Ao ouvirem, meus caros, o extended play, que é, não diga, a expressão donde vem o EP, não deixem de prestar atenção em "O Morno", eleita irrevogávelmente a melhor canção do disco por este que vos bloga.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Haiti

O desastre que assola o Haiti, ou melhor, a acumulação deles, das mais diversas naturezas, político, humano, econômico, social, e agora sísmico e todas os seus desdobramentos que vão complicando ainda mais os desastres que o precediam, só nos comprova uma coisa:

"Miséria pouca é bobagem".

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Aforismos - Considerações inquietantes da natureza dos relacionamentos

O primeiro amor é o triunfo da imaginação sobre a inteligência, conforme nos diz H. L. Mencken, que sabia proverbialmente das coisas e seu maior defeito foi ter morrido cedo demais, antes que pudessemos todos nos embriagar das suas ponderações. E o segundo amor e os que mais você tiver o desazo de cometer são outras vitórias. São, em todos os casos e sem exceção conhecida e prevista, o triunfo da esperança sobre a experiência.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O pálido ponto azul

Ultimamente tenho assistido a série Cosmos, idealizada, apresentada e escrita por Carl Sagan. Os documentários nos colocam no devido lugar: nos dão noção da nossa insignificância perante o que nos cerca, nos trazem uma perspectiva impressionante de um mundo incidental, da vida por acaso químico, do espaço indiferente a nossa condição humana. Cosmos é ciência, é difusão do conhecimento, é filosofia e um pouco de poesia, porque Carl Sagan tinha uma veia para a palavra escrita que o fez, além de cientista de carreira para lá de produtiva, um autor respeitadíssimo e a qualidade do texto adaptado de sua obra está presente em cada episódio de Cosmos.

E o vídeo que segue, embalado por Mogwai, embora não conste em Cosmos, dá uma boa noção da série, do texto de Sagan e, para muito além disso, de nós mesmos:

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Vivendo num palíndromo

Palíndromos são palavras ou frases que podem ser lidas em qualquer sentido, tanto na leitura normal, esquerda para a direita, como o contrário, que ainda assim terão o mesmo sentido. Caso clássico de "Socorram-me! Subi no ônibus em Marrocos", que é o maior palíndromo da língua portuguesa.

E por que falar em palíndromos? Simples, meus caros, caso ainda não tenham percebido, hoje, vivemos em um: 01022010!

Sinistro.