Uma notícia menor chamou-me a atenção. Foi como o cheiro que norteia o rumo do sabujo. A nota refere-se ao anúncio de que o deputado Patrick Kennedy, filho do senador Ted Kennedy morto em agosto de 2009, resolveu retirar-se da vida pública, não se candidatando nas eleições parlamentares que se avizinham, e não dará, portanto, continuidade à marcante família Kennedy, que nos últimos 60 anos esteve visceralmente envolvida com os rumos dos EUA e, por força disso, naturalmente, com os do próprio mundo.
Os Kennedy foram do senado a presidência, com John Fitzgerald Kennedy, que acabou assassinado em praça pública. Tiveram personagens menos conhecidas também, mas de marcante relevância na história, como o Procurador Geral Robert Francis Kennedy, irmão do presidente JFK e que teve destacado papel na consolidação dos direitos civis nas refregas e escaramuças que animaram os anos 1960, e que foi assassinado em 1968 depois de ter vencido as prévias californianas. Marcadamente liberais e democratas - sem levar aqui o termo liberal pelo mau conceito que lhe anda muito em voga - os Kennedy são um tanto quanto icônicos no que tange a política norte-americana e o Partido Democrata. É difícil considerar até que ponto os Kennedy deixarão saudade, porque não vivo nos EUA e me faltam informações para tanto. O homem é corruptível, todos nós sabemos. Quiçá as famílias. E nem mesmo posso dizer se um dia voltarão, porque embora saima de cena agora, a centelha de, na melhor definição
que existe de política, "fazer cagada e contar sorrindo aos outros como
isso é gostoso" deve estar impregnada na cepa de genes que se
distribuem pelos Kennedy, e não seria difícil vê-los voltar.
Mas o que surpreende é que a dinastia acaba, ao menos por hora, tendo durado 60 anos. Em paralelo, a lamentar-se que no caso brasileiro, Sarney e sua jagunçada se desdobram pela política brasileira há uns bem lamentáveis 70 anos. Cada um, enfim, tem a democracia e, mãe dos contrasensos, a dinastia que merece.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Dinastias e democracias
às 13:48 Marcadores: Atualidades, Política

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