Vou-me
dar
um
poema
ruim
e sem
tema
com
uma
palavra
por
verso
e
toneladas
de
confissões
de
que
esperto
faço
teorema
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Para não dizer que parei
Aforismos - Vida saudável
Em ordem absolutamente proporcional, tenho notado que tanto quanto mais eu fico saudável, maior vai me ficando o interesse por comida gordurosa, alcool e relacionamento sério. Todas coisas que fazem mal.
às 18:59 2 comentários Marcadores: Aforismos
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Não tem jeito
E, pensando no assunto agora, de fato, parece que Saramago morreu mesmo.
às 16:12 0 comentários Marcadores: Cultura, Memórias
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Plínio, o senhor bizarro
Que o vociferante octagenário, dado a delírios e arroubos de um tempo que desmoronou nos muros que segregavam as Alemanhas, se converta em voto de protesto de quem cansou, eu compreendo. Deboche é uma forma muito sagaz e meritória de protesto. É aquela que, no caso dos pleitos, chama ainda mais desgraças sobre a cabeça de todos em puro desespero de causa, patrocinado pelo fastio do vazio das ideias, a morte das ideologias e dos candidatos pasteurizados. De todo coração, é compreensível. Num mundo onde começa a chover bosta, pode-se sim de tudo.
O que não dá para entender é quem encontre mérito nos delírios ululantes do cidadão que, arvora para si, a glória de ser o campeão das esquerdas, único e pleno candidado capaz e competente de mudar qualquer coisa por aí que não esteja nos trilhos. Ou que se esteja no trilho das minorias muito bem ajambradas dessa terra ensolarada, tratar de descarilá-las.
Filho de barão do café, formado em Direito pela, sobretudo naqueles tempo, restrita Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Plínio é o candidato que brande o orgulho proletário, sem nunca tê-lo sido. É o cidadão que jura que difere-se dos outros, que tem pavor das doutrinas neoliberais, mas que foi secretário do Banco Interamericano de Desenvolvimento. É o sujeito de delírios socialistas extremos, o anti-burguês (vai hífen nisso?) por excelência, e que tem o maior patrimônio declarado entre todos os outros candidatos à presidência: 2,1 milhões de reais. É o que adora pregar na testa dos outros a pecha de capitalista e burguês, fazendo isso esgrimindo uma arrogância extremamente mordaz, como se fosse ele o árbitro que regula os rótulos de todos, esquecendo do seu telhado de vidro.
Plínio não se desfaz do seu quinhão da capitalismo - queremos crer, todos sacáveis e aplicáveis nas melhores casas do ramo - um contraste bastante curioso em face às espartanas convicções que advoga e à campanha que mobiliza. É o líder das esquerdas, o depositário de todas as tradições socialistas, devidamente incrustado na redoma milionária, sua humilde casa, donde observa o mundo e traça planos de todo poder aos proletários, que ele parece ter conhecido à mesma distância daqueles que, mais uma vez, faz questão de rotular. Plínio de Arruda Sampaio, roam-se seus sequazes, é tão burguês como José Serra. E não há o que dizer sobre isso.
Sou mais um proletário de fato de que um proletário wanna-be.
A mim as incongruências de análise e de proposição são, no máximo, furibundas. Plínio não pode nada não porque não será eleito. Não pode nada porque está no tempo e espaço errados, no contexto onde seus devaneios já não falam mais à ninguém. Não pode porque discursa para meia-dúzia de românticos, que suspiram ao lembrar da Cortina de Ferro e a quem Stalin não era tão mal sujeito assim. Àqueles que liberdade de imprensa e de expressão são conceitos diferentes - e ainda, assim passíveis de interpretação, conforme agradar. Plínio é candidato de uma gente facilmente conquistável com o deboche e a necessidade de rupturas, de quem canalisa energia demais achando que o mérito das coisas está no quão inovadoras e diferentes possam ser, sem necessariamente serem boas. Plínio é uma besta, joga para a torcida, conquista aí seu espaço e nisso, tiremos o chapéu, porque o ancião se mostra bastante competente.
Plínio, no fim das contas, é só um burguês que mora num apartamento de milionário, e que tem aplicação de 1,7 milhão de reais no Credit Suisse (banco suíço. A Suíça, como se sabe, é execrada por todos os socialistas que se prezem) e que virou político por falta de quê fazer. Foi chefe da Casa Civil de Carvalho Pinto, governador de São Paulo no começo da década de 1960, uma espécie de Alckmin ainda mais conservador. Plínio, com idas e vindas, pulou o muro, descambou para a esquerda ainda nos anos 1960 e nunca mais acordou. O mundo girou e hoje ele é candidato que caiu do céu em um partido irrisório, que apesar de toda a coqueluche no Twitter, sofre para somar 1% nas pesquisas.
Plínio é só um chuvisco de risadas e de protesto vazio e inocente, caído do céu onde ele, ex-democrata-cristão, crê que habita um deus. Plínio só prova que nem tudo que cai do céu é anjo. Nesses doidos e doídos tempos que correm, tudo que das excelsas atitudes calha em descer, como tem se visto, é bosta.
às 17:05 1 comentários Marcadores: Atualidades, Política
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
O rúgbi brasileiro assombra o mundo
Publicidade bem feita não é exatamente coisa que se veja todos os dias, portanto, nada mais justo que indicar três peças absolutamente geniais:
Mais um:
E outro:
às 17:24 1 comentários Marcadores: Atualidades, Entretenimento
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Berlusconi, o conselheiro amoroso
Berlusconi, premiê italiano é uma figuraça. Um escroque de marca maior, um grandíssimo filho-da-puta, um bon vivant na política, dirão. E estarão todos certos. Berlusconi é uma canalha. Escroto, não há dúvidas, mas é um mafioso à moda antiga, daqueles que em bons filmes do gênero nos arrancam simpatias envergonhadas. E Berlusconi, com todos esses méritos e deméritos, se enraizou no poder pelos lados da Bota.
E hoje pinga no rss que o diguiníssimo chefe de governo italiano declarou que as jovens mulheres deveriam procurar homens ricos como ele, como via para se atingir à felicidade.
Se por lá estivesse, tascaria-lhe um tapinha nas costas e diria "elas já fazem isso, meu campeão".
às 14:00 2 comentários Marcadores: Atualidades, Política
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Sobrevivamos
Um cidadão estatelou-se do 39º andar em Nova Iorque. E sobreviveu. Ainda não se sabe se o sujeito caiu ou deixou-se de lá cair, embora a segunda hipótese demonstre-se bastante mais fiável, tendo-se em vista que o rapaz tomou o cuidado de registrar em seu perfil no Facebook que "minha vida acabou".
Salvo escoriações, colapso pulmonar, calcanhar esmigalhado e outras tristezas de menor monta, o rapaz sobreviveu e, até onde vão os informes, goza de estável condição em algum hospital da cidade da Maçã - apelido que nucna logrei entender de onde veio e que é a alcunha vinculada a Nova Iorque. Enfim.
O rapaz caiu 128 metros e esborrachou-se a não mais poder num Dodge Chaser - automóvel bonito que não teve a mesma sorte do projétil que lhe arrebentou os vidros traseiros e para o qual eu encontro cinismo que chegue para lamentar.
Seguramente o que salvou o rapaz, ou prolongou seu sofrimento na Terra, tudo uma questão de ponto de vista, foi o amortecimento que o veículo proporcionou, dado o ângulo da queda, o rapaz caiu nos vidros e acentos traseiros.
Mas no entender do proprietário do veículo, Guy McCormack, nada disso. A sobrevivência do cidadão é tudo uma conspiração divina, patrocinada pelo rosário que este carregava no automóvel. Um amontoado de contas de plástico dispostas em forma de cordão, pois, salva vidas. Claro que nem todas, só a de iluminados, ou escolhidos por esse deus assaz justo, a quem apraz condenar alguns portadores de rosário à morte, suícidas ou não, e outros portadores do mesmo dispositivo de segurança, não.
Nem passa pela cabeça de McCormack, por exemplo, que não são poucas as crianças que morrem de fome (muitas no mesmo momento do acidente), com ou sem rosário, e que àquelas que se apegaram em um, faltou a onisciência e a boa vontade do deus que investe de poder de vida e morte em pedaços de plástico, que fosse lá, milagrosamente, lhes dar sustância para suportar a vida.
Também escapa à mente que busca padrões em tudo, que busca sentido onde não há, compreender que, no fim, Thomas Magill, o acidentado, sobreviveu sim por milagre. Milagre físico, geométrico. Chances e probabilidades. Golpe de sorte.
às 17:01 1 comentários Marcadores: Atualidades, Evangelhos
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Rádio: Mark Lanegan - When Your Number Isn't Up
Eu estava lá.
às 18:01 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
Toda quarta-feira
Tô ouvindo o Hino do Uruguai. Pensando que devia ganhar na mega sena, para ter grana e escrever o livro que me brotou no espírito dias atrás. Grana para comprar meu veleiro, já batizado de Sputnik, e ir para o Uruguai, ter uma casa em Montevidéu perto da Rambla, ou em Punta del Este, de onde vou osbervar da janela o Sputnik sobraçar altaneiro no mar, à espera da minha próxima viagem.
às 17:59 1 comentários Marcadores: Memórias
