terça-feira, 29 de novembro de 2011

Design inteligente

Fanáticos religiosos importunam a todos com a sua concepção de que o nosso universo é fruto da criação inspirada e precisa de alguma divindade. Inclusive têm a pachorra de classificar a criação como "design inteligente". Discordo.

Por exemplo, dos oito planetas que conhecemos, sete não podem suster a vida humana. Para além disso, a esmagadora maioria do universo é hostil à vida: em lugares assim você morreria instantaneamente por fatores físicos, como calor, frio, pressão e radiação. E, mesmo assim, em geral, os religiosos gostam de dizer que a "precisa sintonia das forças que desenham nosso universo é prova de existência de deus".

Além disso, estrelas estouram em supernovas e se você estiver na mira da ejeção de radiação gama, você será torrado. Nossa galáxia está em rota de colisão com Andromeda, galáxia vizinha. O universo, devido as leis da termodinâmica, está em vias de se resfriar até que tudo seja frio e escuro (isso se desontarmos outras possibilidades teóricas igualmente catastróficas).

Isso apenas no universo.

Centrando o foco na Terra, você precisa encarar o fato de que o design inteligente desenhou um planeta que oferece apenas 2/3 de sua superfície para os humanos habitarem. Para além disso, o planeta é assolado por fenômenos naturais e apresenta um eixo demasiadamente inclinado.

Prova da inadequação deste planeta à vida está o fato de que aproximadamente 90% das criaturas que um dia viveram no planeta estão extintas. Além de tudo, este planeta levou 3.5 bilhões de anos para criar vida multicelular. Estima-se que a Terra tenha 4.6 bilhões de anos. Não é, portanto, um projeto que esbanja eficiência.

E isso tratando superficialmente do nosso planeta.

Há, claro, nós, humanos. O triunfo da criação. Religiosos costumam vibrar ao reconhecer a genialidade e o verdadeiro assombro de engenharia e complexidade que permite o olho humano funcionar. Mas, alguém aí enxerga em infra-vermelho? Em ultra-violeta? Raio-X?

Todos estes termos significam espectros de luz que nos são invisíveis, mas que existem. São tão luz como a que emana da tela de seu computador agora. A rigor, enxergamos uma parcela vergonhosamente exígua do espectro de luz e somos, proporcionalmente, tão cegos quanto um morcego, levando em conta a quantidade de luz que nos escapa.

Além disso, precisamos nos alimentar com enorme frequência. Um jacaré, por exemplo, come um coelho por mês e sobrevive sem precisar se alimentar novamente. Uma criatura que precisa de cinco refeições por dia é eficiente? É fruto de um design inteligente?

Comemos, respiramos e falamos por um único buraco. Esta falha de engenharia garante que uma considerável quantia de nós engasgue e morra todos os anos. Golfinhos, por exemplo, possuem uma via para cada atividade: alimentação, respiração e comunicação.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O horror, o horror

Na noite de ontem em São Paulo. Um motorista foi vítima de um mal súbito e, em decorrência, o ônibus desgovernado que conduzia atingiu três veículos, três motos e um rapaz. Ele foi linchado até a morte por uma turma que estava em uma festa próxima ao local do acidente. Ninguém foi preso e desconfio que, procurando bem, em alguma rede social você vai encontrar algum protozoário vibrando por ter participado do massacre.

É este o admirável mundo velho em que vivemos.

Desistir é viver

Há uns dias eu disse a colegas de trabalho que viver e crescer é desistir das coisas. Que numa maternidade você encontra gênios em potencial. A rigor, cada bebê pode ser o próximo grande físico que dará respostas a origem de tudo, o biólogo que esclarecerá a origem da vida, o músico que irá significar um novo paradigma na música, na mesma medida em que Mozart fez. Mas que por uma série de razões e contingências, todos vamos desistindo na vida, abrimos mão de uma porção de coisas em que temos um verdadeiro talento, sequer descobrimos outros tantos e nos acostumamos com a vida mais ou menos lobotizada, a existência mais ou menos ordenada que a maioria das pessoas leva. Desistimos e nos agarramos naquilo que sobra.

Pode não ser a visão mais afirmativa da vida possível, mas quem disse que a vida precisa ser afirmativa? O bastante fato de você estar lendo este texto já é em si uma ridicularia estatística. O raciocínio foi recebido com riso, fui chamado de pessimista. Passaram uns dias, e a provocação frutificou nos incautos, que hoje dão razão a esta percepção que, a rigor, não acredito que seja minha. Devo tê-la visto, lido por aí.

E mesmo que seja fruto verdadeiro das minhas ponderações e observações, recuso-me a reclamar a paternidade do insight. Acredito que é senso comum estender nosso inúmeros fracassos, o longo processo de tentativa e erro, mais erro que tentativa em alguns casos, que acaba nos transformando naquilo que somos.

Se eu tivesse tempo de conversar mais com eles sobre o assunto, teria exposto que embora bem pouco triunfal, a ideia do fracasso como agente modelador da nossa vida não é, em si, algo triste. Se somos uma ridicularia estatística que veio a respirar e viver, então, de alguma forma, somos um triunfo.

Explico: remontando geração atrás de geração, a ordem exata de eventos e circunstâncias que garantiu a linhagem da qual você descende, a exata seleção de cada porção de DNA das mulheres e homens que deram origem a cada ancestral seu, o fato também assustadoramente raro de um amontoado de carbono e água pensar, escrever e ler é, em si, um triunfo da estatística sobre a matemática fria. As possibilidades de que você exista são ridículas: fosse pela vontade matemática, você não estaria aqui.

Mas isso não exclui o fato de que, mesmo improváveis, passemos a vida de desistência em desistência. No caso de o seu coração ser fraco demais para enxergar uma vida sem deus, redenção da alma e a dureza das desistências que constroem o seu futuro, ora, olhe para a improbabilidade da vida, da consciência e do absurdo do viver.

A vida, o universo e tudo mais

Quando você ouvir falar de "teoria das cordas", membranas e coisas do gênero e não conseguir condensar uma imagem mental da abstração de 10 dimensões espaciais, de membranas tridimensionais que dão existência, se não mesmo sentido, às coisas, lembre dessa imagem. É mais ou menos isso, mas elevado a um nível de complexidade e beleza que estouram os neurônios no duro processo de imaginar a coisa toda.

Meu antigo exemplo era de hélices girando, que possuem em suas extremidades, outras hélices girando. Todas elas rotacionando juntas formariam um sólido bizarro que é a tradução de múltiplas dimensões como instâncias da realidade. É, eu sei, meu exemplo é uma merda.

sábado, 26 de novembro de 2011

Brother

É curioso. Meu irmão está na Alemanha e, só agora, quando ele está longe é que ele está mais perto. Saudade é bom.

Rumo à Marte

Hoje a NASA mandou para o espaço a MSL, Mars Science Laboratory. É uma complexa unidade que consiste em um jipe, e que vai ao planeta descobrir, afinal, o que há por lá.

Só isso já é um fato interessante. Mas o que é bem legal na história toda é o fato de que a MSL leva um pouco deste Tertuliano ao planeta vermelho. A NASA convidou pessoas do mundo inteiro a escreverem seus nomes em seu site. Estes nomes foram condensados em um microchip e ficarão no planeta vermelho até que alguém pise lá para buscá-los.

É, provavelmente, o único pedaço meu que extrapolará os limites deste planeta.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Aforismos - Desafios a Jesus

Jesus caminha por sobre as águas. Grandes bostas. Quero ver é nadar na terra.

sábado, 19 de novembro de 2011

Conspiracy

Alías, o que é mais belo no som de Willard Grant Conspiracy é a leveza e despretensão. É como se a "insustentável leveza do ser" bastasse para uma bem acabada descrição das canções que embalam sentimentos verdadeiros, se não mesmo pueris, na voz grave, marcada e ornada por violão, violino e um senso de sobriedade que é quase intangível.

Willard Grant Conspiracy não é uma banda, sequer é um único músico. É um coletivo de músicos que, ao longo dos anos, já foi vivido por muita gente boa. O único membro fixo é Fisher, que dá vida às canções. Fisher chega a dizer que "se você diz que toca no Willard Grant Conspiracy, você toca". Em inglês a frase soa melhor.

E é mais ou menos por aí. Willard provavelmente nunca desembarcará no boteco da esquina para que eu vá lá prestigiar o show. Desta forma, o melhor que posso, é me apropriar das canções, dar a elas os meus sentidos e dizer que, de uma maneira ou de outra, eu também toco no Willard Grant Conspiracy.

Como aliás, fazemos todos.

Rádio: Willard Grant Conspiracy - Another Lonely Night

Esta é provavelmente uma das canções mais lindas do sólido repertório de Robert Fisher e seu coletivo. Aliás, no que me diz respeito, é uma das mais belas de todos os tempos.

Another Lonely Night by Willard Grant Conspiracy on Grooveshark

Rádio: Willard Grant Conspiracy - From a Distant Shore

É bem difícil encontrar uma sintonia tão fina entre música, voz, som e visual:

"Give me hope, give me light, let the dawn follow the night, I still awake until nothing left to see"


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Rádio: Creedence Clearwater Revival - Fortunate Son

Direto do Call of Duty Black Ops para seus corações:

Fortunate Son by Creedence Clearwater Revival on Grooveshark