Eu adoro política.
- Fico muito feliz em ver que o povo não é mais tão ingênuo. Conseguiu enxergar a profundidade de um calcanhar da Marina. O programa de governo de cristal, que não resiste às sacodidelas de campanha, que dirá aquelas dos Brasis e do mundo real.
- Muito contente que o discurso reacionário, embora repleto de representantes, unidos, não soma aí 2% nas pesquisas.
- Extremamente contente com o PSOL, finalmente, apresentar um nome viável.
- Muito feliz em ver que o tucanato empoado e plutocrata, que desmontou o país, caminha a passos céleres para a irrelevância do purgatório que já dá abrigo ao PFL.
- Contente em ver que as ideias neoliberais, o desmonte do estado, o entreguismo financista, ainda que ecoem em tanta cabeça de vento, não têm o respaldo da maioria. Oito anos de FHC foram, de fato, mais do que suficientes.
sábado, 4 de outubro de 2014
Notas
às 19:03 0 comentários Marcadores: Política
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Alergias
A vida
que vai e volta
traz um sorriso
que é de alegria
e vem sem escolta
é mais do que preciso
me dá agonia
e me revolta.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Rádio: The Walkabouts - Buffalo Ballet
Eu não sei exatamente por quê, mas um dia eu detestei The Walkabouts. Não mais. Nunca mais:
às 14:39 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Tentativa
Não vivi amores
me vi feito de dores
doí a vida
doei o sangue
e fiz do coração
as tuas cores.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Ela 1
Provavelmente, não há nada mais clichê do que começar postagens num blog com "estava eu revendo emails antigos, quando...". Mas era exatamente o que fazia.
Me deparei com uma longa missiva, desejo de feliz ano novo ao qual jamais respondi. Não lembro direito porque não respondi, mas acho que esse blogue não cumpriria jamais o seu papel de depositário da minha vida insignificante se eu não falasse sobre tudo (ainda que, há tempos, ande sonegando um pouco de tudo. Eu sou bosta). Em todo caso, vamos fazer de conta que porei tudo em dia e tomarei jeito e vamos falar hoje sobre ela.
Não vou dizer que ela É ela. É mais uma delas, das que passaram pela minha vida. Nunca trocamos um beijo. Esta personagem, em especial, alimentou sentimentos que eu ignorei a vida toda, me confessou anos depois o que sentia e me deixou confundido com os sinais desconexos que recebi por anos, as críticas, provocações e constrangimentos e com o fato, não muito confortável de se encarar, de que eu não tinha nada para dizer para aplacar a verdade, que é bem infeliz: fazê-la entender que ela não era correspondida.
Eu não sei administrar a minha vida em termos equilibrados. Daí se pode perceber as enormes dificuldades que eu teria de ter uma conversa adulta e direta sobre sentimentos de outra pessoa por mim e, em especial alguém com quem eu não estou emocionalmente investido. Tudo fica pior porque, aparentemente, os sentimentos não correspondidos dela são aparentemente enormes.
Aí veio o tal e-mail, com mais uma tonelada de confissões do gênero, temperadas pela passagem do tempo e pela carga emocional que se coloca quando se tenta, num gesto desesperado, estabelecer algum contato com um objeto de suas predileções. Sim. Objeto. Eu sou frio.
Antes, escrevi que não lembrava direito porque não tinha respondido o e-mail. Mas a verdade é que eu lembro sim. Alguém me avisou que ela tinha minhas senhas de e-mail. Eu lembro que fervi por dentro, mas para me poupar de discussões e desgastes do gênero, me calei.
Mas era uma pessoa legal. Diferente, interessante, com boas qualidades. Tinha enormes defeitos, nas minhas medidas, como uma obsessão para cuidar de bichos. Eu não tenho nada contra eles, apenas não os gosto comigo. Animais cansam. Acho que quem vota tanto carinho a criaturas tão imbecis, no sentido cognitivo da palavra, padece de algum grau elevado de imaturidade emocional. É fácil ter amor pelo que não vai te decepcionar nunca.
Não que eu queira ressuscitar aqui nossos velhos atritos e provocações. Não que eu queira responder o e-mail.
A gente não escolhe de quem gosta, nem de quem odeia, embora eu tenha grande facilidade para antipatizar com qualquer pessoa apenas porque sou assim. No fim das contas, eu sou um grande canalha. Alguém foi ao psicólogo por conta da minha incapacidade de perceber o que está ao meu redor e eu fui incapaz de dizer um "feliz ano novo".
Ela hoje segue a vida. Mudou bastante, pelo que eu sei, mas vai se encontrando. Ultimamente, tenho tido essa sensação, todo mundo está se encontrando. Menos eu.
Pode ser bem tarde, duvido bastante que ela venha a ler, mas lá vai, sem qualquer segunda tensão que não seja a resposta de uma saudação, um "feliz ano novo".
às 11:01 0 comentários Marcadores: Memórias
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Rádio: Mark Lanegan - Sad Lover
Quisera eu ter a facilidade que tem Mark Lanegan para transitar entre canções pesadas, no limiar da vida, sorumbáticas e soturnas, feito o meu espírito, e canções explosivas, efusivas, alegres.
Fiquei muito animado com o título, "Sad Lover". Muito. Três segundos depois, decepção, lágrimas, rancor, ódio e veneno sendo destilado nesse meu coração de pedra.
Em uma nota para os biógrafos, olhando em retrospecto, devo ter sido feliz. Um dia. Foi nos tempos de faculdade, quando eu morava, e até certo ponto, vivia, em Ponta Grossa.
Essa é um teaser do novo disco. Eu não gostei. Mas eu gostei, porque é Mark Lanegan.
às 18:22 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Derrotados, perderemos
Derrota, talvez, seja levar 7 gols em semifinal de Copa do Mundo. Derrota, para uns, é ver o candidato do tucanato empoado e plutocrata, que desmontou o país, perder mais uma eleição. Derrota é, talvez, o baixo salário. Não ter para empatar as contas. É trabalhar no domingo. Derrota é, como tudo na vida, uma medida oscilante, varia conforme o referencial. Não é um conceito absoluto. Derrota, meus queridos, é aquilo que vai acontecer com você. Derrota é como o universo, um tudo e nada em constante expansão. Derrota é questão de tempo, você vai perder, em algum momento, é estatístico. E por ser mensurável, derrota é algo que se pode computar na vida das pessoas. Quantas vezes você vai perder, qual é a chance de você se dar bem, no geral. Mas isso vale para você. Você. Eu, não. Comigo, derrota não é a variável, é a constante. Eu perdi, eu perco, eu perderei. Em mim a derrota se fez verbo e destino.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
O Brasil não termina
Digam o que quiserem, mas realizar uma Copa do Mundo no país do futebol, diminuindo o interesse geral do público pelo esporte, é uma façanha que não tem paralelo na longa história das tremendas cagadas protagonizadas pelo nosso inacabável Brasil.
São por essas e outras que o Brasil nunca acaba.
às 18:08 0 comentários Marcadores: Aforismos
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Grid dos sonhos. Fonéticamente
Eu sou um apaixonado por automobilismo e venho, recentemente, me instruindo sobre os anos que antecederam a Fórmula 1 e as escaramuças travadas em rodovias e nos incipientes circuitos europeus da época sob o nome de Campeoanto Europeu de Pilotos.
Além da inerente loucura de correr com carros daqueles a velocidades superiores aos 250 por hora, a época foi pródiga nos mais imponentes nomes de pilotos de corridas. Algo que se explica, em grande parte, pelo fato de que, na época, corridas eram coisa de aristocratas, dos "gentleman drivers". Fosse eu um locutor, gostaria de narrar o grid imaginário que segue:
Tazio Nuvolari
Manfred Von Brauchitsch (lê-se "brauquitch)
Bernd Rosemeyer
Rudolf Caracciola
Raymond Sommer
Hermann Paul Müeller
Toulo de Graffenried
Georg Meier
Maurice Trintignant
Jean-Pierre Beltoise (anos 1970, lê-se "beltoáse")
Jack Brabham
Wolfgang Von Trips
Graham Hill
às 01:52 0 comentários Marcadores: Fórmula 1
terça-feira, 13 de maio de 2014
Desmotivacional da comunicação
Devemos medir sempre a grandeza do homem pelos sonhos que tem. Sonhar nos ajuda a aliviar as dores da existência e a trilhar o caminho de grandeza que define o destino de todos nós. Porque todos nós estamos destinados a ser grandes.
Com exceção dos babacas que tentam carreiras na comunicação. Esses estão todos condenados a uma vida de mediocridade acachapante.
às 15:28 0 comentários Marcadores: Desmotivacional
domingo, 4 de maio de 2014
Senna
Eu, sinceramente, achava que nunca mais iria redigir alguma linha sobre Ayrton Senna. Mas os últimos dias foram pródigos em me lançar, ainda outra vez, aos tempos de menino, ao que pude acompanhar da carreira do tricampeão, do que ele significou por tanto tempo, dias que me lembram do sujeito que hoje sou, profundamente marcado pela paixão por carros e corridas, que nasceu em 1990/1991. Num tempo em que Ayrton Senna, um tipo de força da natureza, dobrava o destino e o mundo à sua vontade. E vencia.
Vinha ensaiando esse texto nos últimos dias, mas o que me incentivou de verdade a escrevê-lo foi um depoimento, de Emerson Fittipaldi, que li dias atrás. Em inglês, ele diz, sobre Senna, "penso nele todos os dias e sinto muito a sua falta". A declaração me pegou desprevenido, porque eu lembro de Senna com grande frequência. Não como a divindade, mas como o gênio que era de um esporte que eu aprendi a amar com reverência.
A percepção de que Senna era, e é, muito mais do que um piloto já me incomodou, assim como incomoda a muita gente, notavelmente fãs mais sisudos da F1 e jornalistas tarimbados, que esperneiam contra o endeusamento, as proporções sobre humanas a que os fãs, não só brasileiros, fazem questão de excelsar uma criatura que, na verdade, era apenas um homem.
Compreendo essa reação. Eu mesmo comungo da ideia de que fazer de Senna um herói, mito, santo, messias, o que mais couber entre esses absolutos, é despi-lo da sua fascinante personalidade, da riqueza do sujeito capaz de dar milhões para ajudar a quem precisa da mesma forma que era capaz de bater, de propósito, para embolsar um campeonato de F1. Senna é ainda mais fascinante como personagem quando observado à luz de seus defeitos e falhas. É o campeão, o melhor de todos os tempos, o cara que arrisca o pescoço pra socorrer o Erik Comas, mas veta um companheiro de equipe porque não queria ver as atenções do time divididas. Senna é humano, contraditório, problemático, genial e escroto, humilde e exagerado. Senna é uma manifestação da natureza.
Mas sem embarcar nas tortuosas linhas dessa filosofia de boteco e do entendimento do fenômeno de mídia que transforma um tremendo atleta em profeta, tenho mesmo é que recordar. Senna influenciou profundamente a minha geração e a comoção nacional por conta de sua morte, em 1994 e agora, 20 anos depois, dão a dimensão disso.
Eu lembro que era absolutamente natural ter a F1 no convívio diário. Meu pai via os Grande Prêmios, era um fã dos brasileiros na categoria, tendo começado a acompanhar corridas nos tempos de Fittipaldi. Minha primeira recordação de F1 se passa em 1988/89: estávamos na casa de um tio, em Porto Amazonas, e passava uma corrida na TV. Meu pai assistia com meu tio e discutiam as possibilidades de Senna na prova e eu lembro, perfeitamente, do carro costurando algumas curvas que me lembram Hockenheim.
Em casa, era com meu pai que eu dividia o sofá para ver as corridas. Lembro que, ao fim delas, ele já estava ocupado com a churrasqueira. E lembro também que era meio raro eu acordar para ver as corridas. Eu gostava muito de dormir e Senna era eterno. Sempre existiria outro GP.
No fim das contas, descobri, com oito anos de diferença, que nenhum dos dois viveria para sempre.
Quando comecei a acompanhar corridas, de verdade, em 1991, Senna media forças contra a Williams de Nigel Mansell. Embora longe do brilho das batalhas contra Prost, os duelos dos dois iluminavam a minha pulsante imaginação de criança. Eu lembro que, na escola, tomava os balanços com os colegas. Eu era o Senna. Ao lado, no balanço azul, ia Prost ou Mansell. Mais tarde, em 1992, nossos GPs ganharam a participação de um alemãozinho que começava, um certo Chumaquer, como escrevíamos. Nossos GPs duravam um recreio e, honestamente, não sei como medíamos vitoriosos e derrotados. Sei, contudo, que eu me esforçava para fazer a balança ir mais alto e mais longe do que as outras. Eu era Senna, tinha toda aquela vontade de vencer por trás, e eu ia mais alto por causa disso.
Para as crianças da época, Senna era essa tradução de vontade. Ele era o herói. Era o Jaspion de verdade. O cara que vencia corridas com carros que pareciam naves espaciais, que era tão forte, capaz e que nada se colocava no seu caminho. Era talento, determinação, invencibilidade em tais níveis que o cara parecia mesmo capaz de salvar o mundo, de ser herói só porque era bem sucedido num dos esportes mais mesquinhos do planeta. Senna e suas vitórias despertaram em mim a vontade de virar piloto. Lembro de ter sofrido muito quando percebi que o sonho era impossível.
Em relação a todos aqueles garotos, eu acabei diferente. A esmagadora maioria era fã de Senna, não de corridas, não da Fórmula 1. Com a morte, todos debandaram. Corridas deixaram de ser assunto nos recreios e ninguém estava interessado a assumir os cockpits nos balanços com nomes tão distantes, como Hill, Coulthard, Barrichello, Herbert, Verstappen. Eu, que adorava Ayrton Senna e chorei copiosamente pela sua morte, não. Eu gostava muito de Fórmula 1, tinha uma curiosidade insuportável sobre a história do esporte, curiosidade que só foi possível saciar com a chegada da internet. Foi Senna que me levou a gostar de F1, o que me levou a me interessar por carros, tecnologia e outras manifestações do esporte a motor.
Eu sou apaixonado por velocidade. A ideia de ir além do limite, de percorrer distâncias em lapsos de tempo, de controle e de fusão com a máquina, são incrivelmente sedutoras. Eu tenho certeza que teria dado um excelente piloto.
Nada à sombra de Ayrton Senna, que não pode ser explicado e medido apenas pelo talento. Senna, como eu me acostumei a vê-lo, dentro de um carro, era uma força da natureza. Imparável, inexorável e invencível.
às 06:39 0 comentários Marcadores: Fórmula 1, Memórias, O dia em que cresci
