terça-feira, 28 de junho de 2011

-4,5° - tô gostando, tô gostando

Acordei a emocionantes -4,5º hoje e persisti na incapacidade de promover o bom uso dos 5 megapixels do meu celular e trazer, para a posteridade, as memórias de mais uma manhã de inverno e do doce orvalho que nos agride a pele, esfola as narinas e encolhe, na metade masculina do gênero humano, as extremidades.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sotaque do sul

Faz um frio de todos os diabos. Embora alguma divergência tenha sido constatada nos diferentes serviços metereológicos e nos termometros da casa e do carro, em uma média mais ou menos arbitrária e razoável, pode-se dizer que hoje batemos uma oscilação que compreende todas as temperaturas possíveis na faixa que vai do enrijecedor -1º C e chega aos folgados e tropicais 13,5º C.

Eu sentia saudade do frio. Mais ou menos como tudo na vida, fui sempre exceção nas preferências climáticas: sempre me encantou o céu de chumbo, o frio da noite, o desespero do despertar em meio ao vapor que sai da boca e do nariz. Frio é minha praia porque sou encalorado demais. Frio a ponto de frustrar minha honesta intenção de fotografar a geada de respeito que fez hoje: não quis sair de casa para encarar as artes que o gelo proporcionou no jardim.

E frio se experimenta com gosto aqui, na porção sul do Brasil. Sem querer desqualificar o frio mais incisivo que se acomete tanto quanto mais meridional for o parâmetro, mas frio gostoso é o daqui. Ando meio sulista. É por ter voltado pra casa, onde faz frio, não tem trânsito em qualquer hora do dia e todos os destinos e sonhos estão mais ou menos ao alcance das minhas pernas.

sábado, 18 de junho de 2011

Liberdade de marcha à ré

Hoje acontece em 40 cidades por todo o país a, dizem, Marcha da Liberdade. Liberdade lá com eles, porque enquanto isso, enquanto endireitam-se as filas pelas ruas e avenidas pela legalização guela abaixo do consumo de drogas, no senado e na câmara abrem-se as pernas do país para a organização da Copa e das Olimpíadas.

Mas, claro, protestar contra isso dá preguiça. Precisa pensar, ter argumentos que não sejam calcados no hedonismo de uma geração descompromissada - que apatia é virtude. E no mais, envolvimento político em causas de real interesse público não dá barato.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Alta quilometragem

Nesta semana eu fiz já uns 950 quilômetros entre idas e vindas para Curitiba. E estou adorando. Eu devia ser caminhoneiro ou piloto de endurance.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

De volta

Há uma frase em um dos meus filmes preferidos, Apocalipse Now, do personagem de Marlon Brando, acho, que diz "eu adoro o cheiro de napalm pela manhã".

Eu não senti napalm na manhã de hoje, a do meu regresso. Mas rasguei a estrada de vidro aberto, e em vigorosos haustos, tomei do ar dos Campos Gerais, que se não cheira a napalm, ao menos, me dá a mesma sensação que teria Marlon no filme.

Rapaz, é bom estar de volta. 

terça-feira, 14 de junho de 2011

São Paulo, 2011

Hora de ir embora. Pra voltar um dia, talvez. O fato é que o futuro pega na mão da gente e leva-nos por caminhos onde nem sempre a nossa escolha e a nossa vontade podem diante das circunstâncias. Eu vim, vi e venci. Nos meus parâmetros, claro, porque se vitória fosse o que realizei por aqui é provável que não fosse embora. Mas, de fato, cheguei desempregado e sai editor de um site enorme. É, digam o que disserem, mas foi um retumbante triunfo.

Mas como eu disse, o futuro vem e pega na mão da gente. Ele tolhe as veredas e quando você vê, caminhou e tudo à sua volta mudou. São Paulo, até segunda ordem, há de ser página virada na minha vida. E agora toca a morar em Curitiba. Em algum momento do passado, lá onde estavam os sonhos e disparates da infância, eu me imaginava morando em Curitiba que, do alto do meu provinciano mundinho, era uma expressão de vida cosmopolita. Hoje, mais que isso, é a realidade do futuro imediato, dos sonhos adiados e da vida preguiçosa que, sem eu perceber, já conta 26 anos.

E o que dói o coração é deixar para trás os amigos, dos bons, que cultivei na Paulicéia. É pena que não caibam todos no bolso ou que simplesmente não tenham o mesmo apreço que eu tenho pela vida pacata na capital paranaense, mas isso é papo para outra lamúria. Adeus, São Paulo. Hasta pronto, camaradas.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Soy Celeste

"O Uruguai teve muitos grandes jogadores em sua história. Muitos craques como Scarone, Rocha e Schiaffino, mas sempre gostei daqueles que mostravam caráter e temperamento. Como Obdulio e tantos outros. Gosto de ser chamado de caudilho. Tem de ser como nos anos 30, quando em dez anos ganhamos 4 finais contra a Argentina, inclusive a primeira Copa. Nós ganhamos 4 finais e eles ganharam 10 amistosos. O que interessa mais? Futebol se joga com caráter. Eu sou assim"(Lugano, Diego - livro Tricolor Celeste)