Depois dos blogs, dos vídeos na internet, dos conceitos wiki e tantas outras revoluções, em São Francisco nos EUA um site elaborou um novo sistema de produção de conteúdo. Se você é usuário e quer que um determinado conteúdo esteja disponível na rede, que ainda não tenha sido elaborado, pode sugerir para o site Spot.us: o assunto vai à votação, e caso seja escolhido, a financiamento. Quando as doações atingirem o valor estipulado, o jornalista que se candidatou para fazer a matéria recebe o dinheiro e entrega o material. Se alguma empresa comprar o conteúdo, o usuário é reembolsado.
A idéia do site é que a cobertura oferecida pelas grandes corporações – e que às vezes deixa de fora algumas coisas – tenha esse contraponto. Mas e a possibilidade de que grandes empresas queiram usar o espaço para fazer propaganda? Segundo a equipe do site, as votações do conteúdo impediriam esse tipo de situação.
E aí, será que isso vai pegar?
De qualquer forma, sugestões de pauta podem ser encaminhadas. Juro que analisarei com carinho cada uma delas!
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Spot Us - a nova revolução?
às 11:13 0 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia, Tecnologia
Rumos para centrar e cadê a bússola?
Decisões difíceis para se tomar na aurora de um novo ano não são exatamente aquilo que eu gostaria de fazer no princípio de 2009. Sobretudo por serem difíceis, complexas e extremamente antagonicas, elas simplesmente me deixam sem saber o que fazer. Mas há uma lição duramente aprendida por mim nos momentos de desnorteamento, ei-la: "calma, cara".
Olha aí, se alguém tiver alguma pista sobre o que devo fazer, meus queridos, a hora é essa.
às 01:04 0 comentários Marcadores: Memórias
sábado, 27 de dezembro de 2008
On the road
Dia de pegar a estrada!
E de sonhar também. Planejar é arriscado.
E de, pela terceira vez no mês, ficar na intemperança de umas 8 horas na rodoviária de Ponta Grossa. Das 2 da manhã até o infinito. É, amigo.
às 13:27 0 comentários Marcadores: Memórias
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
"Quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar..."
Eu andava mesmo precisando de vitórias, depois de viver um ano cheio delas, de uma constante descoberta e felicidade, cheguei a um fim bem desgraçado deste 2008. Vim encontrá-las, as vitórias, logo aqui, em São Paulo, cidade que eu renego. É uma dura rotina que terei de criar, e muitas coisas para abrir mão em 2009. O que não importa muito quando o tudo que se perde, perde-se à revelia. E o negócio é vir logo, com o coração aberto, carregando no peito todos os sonhos do mundo. Ao menos os que sobraram.
E amanhã seja, talvez, só mais um dia 23, como hoje será ainda 22 por trinta minutos. Dos muitos 23 que virão pela frente, esse será o primeiro. Que seja, também, o último, afinal de contas.
Como diria a canção, "tô me guardando pra quando o carnaval chegar", que será em Montevidéu, no caso, na velha máxima "amad con maestría, bebed con alegria que de esto se trata la vida", aprendida há três anos em Buenos Aires, na minha outra vida. Se Deus quiser os dias uruguaios serão bancados por uma revista obscura ou um jornal insuspeito da metrópole - e se não for, haverá boas companhias, que é o que importa. E o resto é, por maioria de votos, resto.
Por essas e outras, corre 2008. Corre, vai, vai embora. Saia daqui, baixe a cabeça, ponha o rabo entre as pernas e suma-se! É o que desejo do fundo do coração de gelo mais derretido e combalido do universo.
E venha, rápido, 2009; te espero de braços abertos. De coração vacinado, de alma limpa e de espírito remoçado. E das lágrimas, só para não dizer que não falei da flor, que as engulam o presente e o passado.
às 23:25 1 comentários Marcadores: Atualidades, Memórias
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Feliz ano novo
Começar o novo ano com um tratamento médico. Por que não?
Viva!!!
às 20:51 0 comentários Marcadores: Memórias
- Dois
"... até que ela perguntou se ele não tinha nada para lhe dizer, e ele lhe respondeu que ainda não era a altura, que tivesse um pouco mais de paciência. Ela disse que esperaria todo o tempo que fosse peciso, que a conversa que tinham tido no carro, a seguir àquele jantar, quando ele confessou que tinha mentido, fora como uma porta que se abrira por um instante para logo tornar a fechar-se, mas ao menos ela tinha ficado a saber que aquilo que os separava era apenas uma porta, e não um muro. Ele não respondeu, limitou-se a acenar que sim com a cabeça, enquanto pensava que o pior de todos os muros é uma porta de que nunca se teve a chave, e ele não sabia onde a encontrar, nem sabia sequer se tal chave existia. Então, como ele não falava, ela disse, É tarde, vou-me embora, e ele disse, Não vás ainda, Tenho de ir, minha mãe está à espera, Desculpa. Ela levantou-se, ele também, olharam um para o outro, beijaram-se na face como tinham feito à chegada, Então, adeus, disse ela, Então adeus, disse ele, telefona-me quando estiveres em casa, Sim, olharam-se uma vez mais, depois ela agarrou-lhe na mão com que ele lhe ia tocar o ombro em despedida e, docemente, como se guiasse uma criança, levou-o para o quarto..."
José Saramago, O Homem Duplicado.
às 10:32 0 comentários Marcadores: Cultura, Memórias
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Dia de ir ao médico
Vocês não sabem o quanto eu detesto ir ao médico. Estraga o dia todo com aquela espera e tudo mais.
Um bom presente para um médico: relógio!
às 13:37 0 comentários Marcadores: Atualidades, Memórias
domingo, 14 de dezembro de 2008
Tu o disseste
Não tem jeito. Nunca me dou por vencido. Afinal, não seria "A Máquina do Tempo" um filme muito melhor se o protagonista não desistisse? Se ele seguisse meu exemplo?
É, eu sempre te reencontro.
às 11:23 1 comentários Marcadores: Memórias
sábado, 13 de dezembro de 2008
Mordaça
"Tantas coisas a serem ditas. Tantas coisas para perguntar. Tanto o que sentir e viver e eu aqui, me sentindo amordaçado".
Queria conhecer mais de poesia. Traduz a gente tão bem às vezes.
às 00:15 0 comentários Marcadores: Memórias
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Templates II
Eu falei que iria mudar o template desse blog. E vou. Mas é que sozinho dá uma preguiça e, de mais a mais, eu não sou tão criativo como seria se tivesse ajuda das pessoas certas.
às 13:22 0 comentários Marcadores: Memórias
Respira fundo e tenha fé
Amigos com problemas graves, eu com problema também. Mas que semaninha, viu!?
às 00:33 0 comentários Marcadores: Memórias
Templates
Template cansou. Logo um template novo, mais clean. É só eu ter tempo, coragem e inspiração.
às 00:22 0 comentários Marcadores: Memórias
domingo, 7 de dezembro de 2008
Auto-ajuda e final feliz
Uma vez, devem fazer já uns 6 anos ou mais, um colega me perguntou (a verdade é que à época ele era meu melhor amigo, mas os rumos diferentes que nos levaram acabaram por nos afastar, não o vejo fazem uns 3 anos, e isso é triste): cara, eu nunca namorei. E agora tô namorando e não sei se gosto mesmo dela, como que eu faço?
Eu não lembro direito o que, do alto de toda a experiência afetiva que nunca tive, eu disse - embora uma anotação aqui e ali tenha em si o sentido aproximado. Contudo, sei resumir o sentido daquilo que hoje, tanto tempo depois, se torna tão verdadeiro:
Primeiro que isso só você pode descobrir e saber, ninguém vai dizer para você isso, não tem jeito. É pesar o que vale e não vale à pena, o que você vê no amanhã e no presente, se ela tá nesses momentos todos. E depois isso tem muito a ver com vencer a insegurança e fazer escolhas. E escolher é arcar com responsabilidades, saber se você acredita naquilo tudo que você faz, e isso é mais geral, eu falo de tudo. Uma vez alguém me disse que fazer escolhas e enfrentar as responsabilidades é o que nos faz de adolescentes a homens, a adultos.
Ah sim, até onde sei, casaram-se ano passado.
às 15:07 4 comentários Marcadores: Memórias
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Churchill
As pessoas que me conhecem um pouco sabem do interesse muito curioso que eu voto pela Segunda Guerra Mundial. Ao longo do tempo, por este interesse ser motivado por uma cepa de genes muito teimosos e insaciáveis, o foco foi abrindo.
Dos múltiplos assuntos que permeiam a Segunda Guerra – e aquele que pretende conhecer dela algo de razoável sabe que são, de fato, muitos – foram surgindo outros temas. As personagens, precisei conhecer a biografia delas. Passamos para o contexto do mundo, na cultura, no esporte, enfim, eu nunca parei.
Estou no momento relendo “Sangue, Suor e Lágrimas”. É um compêndio que agrega os mais brilhantes – e devastadores – discursos de Winston Churchill (um ícone para mim – não tenho ídolos). Para aqueles menos versados na história do conflito que quase azedou definitivamente com a vida do homem na Terra, é mais ou menos o seguinte:
Nos anos imediatamente anteriores à conflagração da guerra, em 1° de setembro de 1939, por diversas vezes, Churchill alertou o governo de Sua Majestade quanto às intenções nazistas e o estado precário das defesas inglesas num eventual conflito. Churchill, em que pese o fato de que ao ler toda a sua obra percebemos que era sim defensor da paz, só a via possível naquele momento numa maciça e irrestrita campanha de reaparelhamento do material bélico inglês. Ele estava certo.
Os discursos são excepcionais, ótimos, fantásticos. Brilhantes. Churchill é uma figura impressionante.
às 22:23 1 comentários Marcadores: Cultura, História
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Espírito Olímpico
O Barão de Coubertin, que tinha horror à idéia de mulheres nas Olímpiadas, deve estar chacoalhando seu coração, sepultado nas ruínas de Olímpia na Grécia.
Luta livre é foda.
às 09:39 2 comentários Marcadores: Atualidades
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Publicidade de qualidade você não vê por aqui
Quando eu assisto comerciais na tv, normalmente, me assalta um zelo comunicacional impressionante. Eu me irrito profundamente com um comercial que diz que "brahmeiro não esquece de onde veio". Mas que porra é um "brahmeiro"? A propaganda não devia vender a cerveja? Se eu beber Sol sou um "soleiro"? Por acaso o rótulo da garrafa acompanha o consumidor agora? E se eu comprar a Brahma só quando esta vai para promoção, deixo de ser brahmeiro? Brahmeiro também subentende adoração ao deus Brahma? Por que falar do estilo de vida do Zeca Pagodinho? Alguém aí quer ser como o Zeca?
Me aborrecem enormemente a série de comerciais do Bradesco sobre as olímpiadas com aquela fanfarra aguda por trás - num arremedo de "Carruagens de Fogo" misturado com o Hino Olímpico. Não dizem nada. Você assiste esperando que algo aconteça na porcaria do comercial, mas nada. Ficam os atletas competindo, a música idiota no fundo e... nada!
Mais engraçado ainda é eles terem usado o Thiago Pereira nas peças, que ganhou duzentas medalhas no Pan - oh meu Deus, que grande atleta, diz a Globo e todo mundo, que perigo para o Phelps - e foi para as olímpiadas fracassar miseravelmente em todas as provas que participou. Do outro lado, o tal Cielo que foi lá e, tal como Julio César, ao matar meia Ásia, pôde dizer: "vini, vidi, vinci" (vim, vi e venci).
Mas voltando às publicidades, é notório que coisas realmente legais e bem sacadas sejam de fora. Muitos comerciais da Quilmes (cerveja argentina) são apaixonantes. Os da Audi, da Honda na Europa são fantásticos.
Como exemplo do que eu tô falando, assista este comercial da Honda da Grã-Bretanha:
às 18:11 0 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Por Una Cabeza, não Por Un Corazón
Descobrir que o tango "Por Una Cabeza", de Carlos Gardel, se refere a história de uma corrida de cavalos perdida no final e não a uma formidável e medonha desdita amorosa é, doravante, a maior decepção de toda a minha vida.
Pra quem não lembra, o tango mencionado compõe a trilha sonora do filme "Perfume de Mulher" (Scent of a Woman, 1992), com Al Pacino.
Ouça:
Perfume de Mulher - Por una Cabeza
às 16:45 1 comentários Marcadores: Cinema, Cultura, Memórias
quarta-feira, 23 de julho de 2008
E vamos falar do...
Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio -- maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matumbo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, marafonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas.
Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, mercedes, motorista, mãos... Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meiágua, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Notas de saudade - Lego
Eu passei anos da minha vida brincando com Lego. Eu fazia coisas impressionantes para quem dispunha de apenas um conjunto Lego Pirata, consistia no navio, piratas e marujos, e toda a sorte de equipamentos dedicados à arte de navegar e um conjunto mais robusto em peças de Lego genérico, que tinha peças para tudo e para nada.
Lembro de quando ele surgiu na minha vida. Um guri vizinho, tinha um conjunto policial. Fiquei alucinado pela maravilha de poder fazer meu próprio brinquedo e apurrinhei meus pais para ter um. Assim como hoje, era um brinquedo caro e presente apenas em lojas grandes e em cidades grandes. Só fomos encontrar em Curitiba, na loja da Mesbla, que não existe mais. Lembro de quando compramos e de que, pelo movimento na loja, me perdi do meu pai. Eu pensava, com espantosa calma, a vida de menino de rua que levaria dali em diante, e é direito de vocês duvidar, sem chorar. Acho que não tinha atinado para a dimensão do problema. Eu tinha apenas 9 anos e já era temerário. Meu pai, este sim, ciente do tamanho do problema, onde já se viu, perto do Natal, ir à capital, 150 km, e perder um guri... Enfim, ele me achou. Nunca vou esquecer o agarrão no braço direito e o olhar sério. Pelo seu temperamento, é possível que tenha brigado comigo, mas isso, algum neurônio moribundo já sepultou.
Quanto ao Lego, não sei precisar em números, mas talvez chegassem a 300 pecinhas, e eu sempre sonhei em ter ainda mais, mais e mais - mas nunca tive (aqueles conjuntos eletrônicos, onde é possível fazer robôs foram sonho de consumo. Eu daria um rim por eles, dez anos de vida por um). Com o que tinha fazia carros de Fórmula 1, naves espaciais, submarinos (jamais consegui fazer um que durasse muito tempo sem molhar o interior, pela razão da mecânica da água enquanto fluido, miséria física-química que só fui conhecer muito tempo depois), fazia também casas, clínicas, fiz um arco-e-flecha pequeno - que quase foi-me expropriado pela sanha intolerante de freiras apavoradas da escola, adaptei uma vez um motor de carrinho de fricção - daqueles de corda - e fiz um dragster que não sabia andar reto. Fiz aviões que espatifava no quintal para resgatar os sobreviventes, e os mortos, com meus Comandos em Ação. Construi um mundo naqueles bloquinhos plásticos e devo boa parte de minhas brincadeiras, e até da minha cognição atual, ao que o Lego me proporcionou.
Com o tempo cresci. É o mal da criança, ela cresce. E crescendo cumpria passar adiante o brinquedo. Meu irmão caçula apropriou-se. Ele nunca chegou a dominar algumas "técnicas", provavelmente por ter tido muito pouco tempo para aprendê-las: intercalar as camadas de peças para que as coisas fiquem mais sólidas (príncipio presente na edificação de qualquer alvenaria moderna, onde se faz a amarração dos tijolos) ou primar por alguns preceitos estéticos com as cores. Vai ver ele tinha um gosto mais bossa-nova e eu nunca soube.
Eu sinto falta do meu irmão. Do meu Lego também. E daquele doce tempo de criança, onde em meia hora eu era campeão do Grand Prix Sala-quarto e podia ir à Lua com meu próprio foguete.
Artigo sobre Lego na Wikipedia:
Aqui
P.S.: Dei uma rápida olhada no Google atrás de imagens para ilustrar esse post e me declaro abismado com algumas reproduções feitas em Lego. Dêem uma olhada lá.
Ah, este post ficará sem imagem até eu instalar o Photoshop no computador recém formatado.
às 20:11 2 comentários Marcadores: Memórias
domingo, 22 de junho de 2008
Milly Lacombe - de doer os ovos
Chamar-me-ão (adoro mesóclise) de chauvinista, preconceituoso, machista impedernido e comedor de criancinhas. Pouco me importa. Mas a verdade é que deviam prender o irresponsável que contratou Milly Lacombe para comentar as partidas da Euro Copa pela tv Record.
Lacombe é abaixo da crítica. E sublinhe-se que crítica, dentro do aspecto "comentaristas de futebol", que é um universo assolado por ex-jogadores muitas vezes ignorantes e jornalistas idem, que crêem-se piamente doutores sobre um esporte simples (consiste em 22 sujeitos interessados que uma única bola não lhes vaze a meta, e por vezes muito mais em que esta mesma bola vaze a do adversário), dizia, sublinhe-se que crítica neste mundinho vem a ser algo extremamente raso.
O rol de comentáristas de tv aberta, composto por um Sérgio Noronha, deslumbrado por falar na Globo, sonolento e redundante em tudo que diz e, sobretudo, defensor escancarado dos falimentares clubes cariocas (só comenta jogos destes, o que nos faz pensar que desconhece o futebol que se joga fora do Rio, tendo, em 2005, dito que "o melhor futebol da Europa é jogado por brasileiros", uma burrice incrível). Composto por Neto, Caio e outros, que dizem aquilo que o torcedor é capaz de perceber por si só. Exceções honrosas: Falcão, quando não se embala no ufanismo de Galvão Bueno, e Mauro Betting.
Lacombe tenta dignificar sua qualidade de comentarista com bordões inócuos e repetitivos. Alguns, idiotas. Para Milly Lacombe, nesta Euro Copa, todos jogaram bem, mesmo os eliminados. Todos tinham o toque sulamericano, embora sejam europeus e visivelmente algumas seleções se debatam sem capacidade de jogar um futebol mais gingado.
Fosse apenas falar o óbvio ululante, Lacombe seria suportável. Se ela fosse do tipo que diz, após uma equipe abrir o marcador: "agora o adversário terá de correr atrás para empatar", e redundâncias do tipo, não comprometeria. Mas Lacombe prefere dizer, ao primeiro gol italiano, que "A França precisa de uma virada no placar psicológico" (no jogo França e Itália, onde os franceses jogaram praticamente todo o jogo com um a menos). What's porra is this? Virada no placar psicológico? Ou seja, para ganhar a partida e a classificação, na visão da iluminada comentarista, à França bastaria pensar: "Ok galera. Tá 2 a 1 pra gente! Vamo que vamo!"
Sua insistência em formar bordões é do tipo de situação que dá vergonha alheia. Quando o jogador se destaca, ele é o centro de gravidade do time. Por que ela não diz, "principal jogador"? Num jogo decisivo da primeira fase, ela soltou "que este é um jogo com requintes de crueldade de um mata-mata". A frase, dita uma vez, não amola. Mas repetida buzilhões de vezes irrita.
Outro exemplo foi a partida entre Rússia e Holanda. "É o confronto da criatura com a nave-mãe", ou asneira similar. Não dá pra dizer, "é o jogo entre o passe de qualidade tradicional na Holanda e uma Rússia que vem melhorando técnicamente". Ainda neste jogo, "A entrada de um garoto (Van Persie, acho) na Holanda é BIPOLAR. Pode dar muito certo ou dar muito errado''. Reação do meu irmão: "Puta merda, bipolar não. Ah não, vou sair daqui depois dessa, vai pra merda. Porra, que merda é essa, quem botou mulher pra comentar?''
No jogo de hoje, Espanha e Itália, ao início da prorrogação, "Nesse final de jogo, vale muito a emoção, a raça, a experiência, preparo físico, enfim, todas essas subjetividades". Como assim, "subjetividades"? É praticamente o que compõe um time de futebol, só faltou ela incluir na lista de subjetividades técnica e talento. Raça, emoção, preparo físico e experiência não são subjetividades, são elementos que compõe times, especialmente seleções e mais ainda as vitoriosas.
Além destes, e acreditem, muitos, mas muitos outros exemplos, Milly parece acreditar com toda a fé que as nações têm algum determinismo relacionado com o futebol. Holandeses serão sempre rápidos, ofensivos e criativos. Italianos fortes e competitivos. Alemães taticamente perfeitos. O que denota um estilo wikipedia de comentar e abre espaço para pérolas (outras) como: "É caracteristica desse time, os jogadores turcos já nascem com DNA defensivo''. DNA? De onde ela tirou isso?
A função dela é dizer como o jogo está. Se possível, perceber algo que o torcedor não consegue, porque é justamente isso, torcedor. Mas ela tenta embelezar, empolgar, com termos exóticos e bonitos só irritando quem assiste, que não está afim de ouvir "centro de gravidade" quando poderia ouvir, "camisa 10". Que não está afim de ouvir "zona de conforto", "expôr a jugular" e uma das mais doloridas: "A prorrogação abre um novo portal na dimensão futebol".
Milly Lacombe, vai ver novela, vai.
às 19:06 2 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia
terça-feira, 17 de junho de 2008
Frefox 3
Hoje foi lançado oficialmente a nova versão da rapozinha que, nas minhas primeiras impressões, está sensacional.
A nova versão me chama atenção por:
- absoluta convergência com os plugins já instalados.
- muito mais rápido.
- mais bonito.
Não conhece ainda? Aqui você descobre bons motivos para migrar para o Mozilla Firefox.
(Não. Este post não é uma propaganda. Seria inútil se o fosse. O Firefox é um software livre, e por definição, gratuito. Se agrada tanto é porque é mesmo muito bom)
às 17:45 2 comentários Marcadores: Atualidades, Tecnologia
domingo, 15 de junho de 2008
Cidadãos de bem a solta, cuidado!
O cidadão de bem, pagador de impostos e cumpridor de seus deveres votou "não" no referendo. Porque ele tem o direito à auto-defesa, pensou. Então comprou uma arma.
Mas o cidadão de bem se estressa com as vicissitudes da vida moderna, como acontece de ordinário com todos nós, e resolve se auto-defender da esposa, do cachorro, do vizinho, do motorista que o ultrapassou e do caixa do banco que lhe cobrou uma taxa desconhecida.
Medo. Muito medo.
sábado, 14 de junho de 2008
O homem que viveu 10 vezes enquanto todos nos esforçamos para viver uma
Dumas foi o sujeito que inventou alguns modos de produção – e de reprodução até – da cultura. Foi com ele que os folhetins se popularizaram, tornando-se “hits culturais”, numa época em que a desprezada reprodutividade técnica de Adorno ainda era quimera da mente criativa de um Julio Verne – por sinal contemporâneo e amigo de Dumas. Tanto é assim que ao escrever e verificar o sucesso de Os Três Mosqueteiros, teria dito: “descobri minha mina de ouro”. A constatação explica o surgimento de continuações com as personagens envelhecidas (Vinte Anos Depois e O Visconde de Bragelone - obra raríssima no Brasil, onde consta, num capítulo, a histório do Homem da Máscara de Ferro), a exemplo do que o cinema faz hoje para encher as burras. Cinema, aliás, que bebeu muito da sabedoria deste Dumas, pai. Suas obras serviram de embasamento para mais de 200 filmes em toda a história, o que aponta no quão certeiro foi este francês descendente de nobres e de negros haitianos ao compor suas histórias. É verdade que elas não vão no âmago das questões humanas como as agudas obras de Victor Hugo e Balzac, conterrâneos e contemporâneos de Alexandre pai, mas também é verdadeiro que Dumas escreveu para entreter. Seja em suas peças, seja em seus folhetins, a idéia era distrair, agradar, fazer rir. Em suma, contar histórias. Victor Hugo se declarou uma vez invejoso de Dumas. A popularidade e o carisma que queria alcançar pelo seu incontestável talento era concedida em generosas doses pela gente do mundo inteiro a Alexandre. Victor Hugo aconselhou Dumas a escrever para eternizar-se. Dumas ouviu, mas preferiu escrever para ganhar dinheiro. A escolha não fez de Dumas père o mais célebre dos escritores franceses, mas certamente o fez o mais lido. Os folhetins que Dumas inundou com suas aventuras e romances históricos provocaram vendas estratosféricas nos jornais em que iam publicados e trouxeram ao autor rendas igualmente astronômicas que este gastou impiedosamente, terminando a vida em 1871, em casa de seu filho, Alexandre Dumas, cognominado para afastar confusões desnecessárias, fils, com apenas um punhado de francos que, ao contar, verificou que constituíam a mesma quantia com a qual ele se aventurara em Paris mais de meio século antes. Dumas diz ao filho, “ora, ninguém pode me acusar de esbanjar dinheiro, eis que ao limiar da morte me vejo com precisamente a mesma quantia de 50 anos atrás, não lucrei, é verdade, mas também não dei prejuízo”. Além da admirável capacidade de contrair dívidas, Dumas pai tinha a de fermentar sonhos e de, em resumo, viver 10 vezes o que sofremos para viver uma. Sua vasta obra, 600 composições, entre artigos, peças e romances, somou 37 mil personagens. Números que sempre trouxeram à tona a questão de que: seria humanamente possível, em 50 anos, escrever tanto? Há quem diga que sim, entre eles Guy Endore, o biógrafo do primeiro parágrafo. E há quem diga, não. E há outros, que apoiando-se no meio termo, sustentam que o que Dumas fazia era racionalizar o tempo e seus recursos. Ele apenas se cercava de autores de menor expressão aos quais remunerava por pesquisas acerca das idéias que tinha. A estes, Dumas sempre chamou de colaboradores. É verdade que Dumas foi também acusado de plagio algumas vezes. E admitiu-as. Reconhecimento Dumas sempre sofreu um pouco por ser negro e escrever o que hoje diríamos literatura barata. Seria como comparar um Nobel como Saramago e um réles autor de novelas globais. Entretanto, estas questões não o impediram de ser um entusiasta da democracia num período onde a França não se decidia sobre monarquia, república, Bourbons e Bonapartes, duas classes de imbecis despóticos muito semelhantes. De qualquer forma, Dumas encontrou tempo para escrever um grande almanaque de cozinha, amar as mulheres mais cobiçadas do seu tempo, criar lendas, viver algumas, lutar pela unificação da Itália e trazer a “industrialização” para a cultura e, mais diretamente, para as letras. Dumas jamais foi parte da Academia Francesa de Letras, injustiça que seria reparada com a aceitação de seu filho anos mais tarde, também escritor.
A frase é uma adaptação da original do escritor norte-americano Guy Endore, autor de alguns romances/biografias, se é que o termo existe, sobre grandes mentes da história humana. Entre estas obras, “O Rei de Paris”, que com fatos fictícios, outros verdadeiros e alguns, segundo o autor, revisitados, busca contar a vida cheia de graça, glória, alegria, cultura, história, inteligência e peculiaridade de Alexandre Dumas père, o dito Rei de Paris, na época em que esta descobria os boulevards, a cultura, a efervescência política que só foi sossegar depois da Segunda Guerra Mundial.
às 20:35 0 comentários Marcadores: Cultura
sexta-feira, 13 de junho de 2008
sábado, 3 de maio de 2008
Julgamento da História
A continuar assim, o Brasil conquistando impressionantes progressos de ordem política, economica (sobretudo!) e social, a História fará de FHC um Café Filho, um Carlos Luz perante Lula.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Igualdade, fraternidade e liberdade
O trio de "dades" compõem o ideal da Revolução Francesa. Qualquer colegial sabe disso. Ou ao menos deveria saber, afinal.
Ocorre que lendo aqui, descobri uma reflexão interessante envolvendo o ideário gaulês que mudou o mundo a partir do fim do século XVIII. Ao passo que os Estados Unidos adotou a "liberdade" como tema, foco, diretriz central de sua evolução, de sua história - no que são absolutamente escusados pelo contexto, posto que foi por aqueles dias de sans-cullotes em Paris que Washington, o George, não a cidade, desobedeceu ao jugo britânico. Era questão de comodidade abraçar-se ao recém nascido ideal de liberdade de Rosseau. E à França coube agarrar-se à noção de "igualdade" - também rebenta de altas doses de fosfato consumido por Rousseau - e nós, brasileiros, nos esquecemos de nos ater a um dos proclames.
Nos EUA, a liberdade é o bem primeiro, principal e consubstâncial do cidadão e do próprio país, daí a desculpa sempre clássica em qualquer intervenção de caráter militar "estamos assegurando a liberdade". Na França, a noção de igualdade embala um regime democrático que tende sempre ao equilíbrio legal das diversas classes, de onde se entende a grande questão dos franceses que são as reformas. Sarkozy ou qualquer outro dos próximos mandatários, se não quiser ver um país quebrado, terá de organizar a previdência e as leis trabalhistas - mas como mexer nisso sem esbarrar a "igualdade" que embasa a idéia de democracia do francês?
No Brasil, aproveitando os raramente navegados mares da fortuna e do bom momento economico e social, que por hora visitamos, muito mais importante e decisivo que discutir a morte da Izabella - que a rigor é característico do efeito manada no jornalismo e, no fim das contas, é uma tragédia de foro intímo para a família, e não uma catarse nacional - devíamos é nos preparar para abraçar outra idéia ainda não tão visitada em âmbito nacional da Revolução Francesa: a fraternidade.
Um Brasil fraterno, com, por hora, boas chances de futuro, seria sim um país do, e de, futuro.
às 21:54 0 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia, Política
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
E agora?
A Veja denunciou os cartões coorporativos de altos funcionários do governo federal na onda de criar mais uma crise, na esteira do "caosaereo". Errou na estratégia. Tivesse olhado para as cercanias, teria visto que Serra, no mesmo período, fez mais despesas, hum, voluntariosas. E FHC, quem diria, que tem dois carros cedidos pela União, um Chevrolet Ômega e um Fiat Marea, tendo direito, via cartão coorporativo, a detonar 2 mil reais/mês em gasolina. Como é sabido, o distinto ex-presidente anda muito de carro.
Além disso, o digníssimo ex-presidente tem dois seguranças pagos pelos cofres públicos. E mais, que recebem diárias de 28 a 30 mil reais.
Impeachment neles.
às 12:14 0 comentários Marcadores: Atualidades, Política
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Tropa de Elite - eu não estou sozinho
Não sou o único a dizer do Tropa de Elite, fascismo.
Vê aqui.
às 21:18 0 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia
Relativizar é preciso
Se eu pudesse enumerar minhas qualidades, admitindo aí que eu as tenha, uma das que não faltariam deste inusitado índex, certamente, seria a de relativizar tudo. Por supuesto. Um exemplo fresco agora, ou factual como gostam os jornalistas, é a eleição, ou ainda, a campanha das prévias norte-americanas. Parece fugir aos olhos de todos os nossos abalizados analistas e nossos críveis meios de comunicação que, o que mais conta e importa é que, vejam só, postulam à honra de disputar às eleições de novembro - da nação mais importante do planeta, frise-se - uma mulher e um negro.
Me pergunto em quantos milênios de civilização teremos de suportar para ver semelhante rompimento de paradigmas.
Mas isso é o que eu pergunto à mim. E sem resposta. A nossa estulta mídia se preocupa em responder é quantos votos pra cá, quantos pra lá. Quem perde, quem vence, quem tem chance.
O que, convenhamos, é o básico.
às 15:08 0 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia, Política
sábado, 9 de fevereiro de 2008
O PARAJORNALISMO DECADENTE DA FOLHA E COMPANHIA ILIMITADA
Do inoxidável Luiz Carlos Azenha, sempre quis chamar alguém assim, e seu viomundo.com.br:
O PARAJORNALISMO DECADENTE DA FOLHA E COMPANHIA ILIMITADA
WASHINGTON - Lá vamos nós, de novo, para a espetacularização da política. Com dinheiro público. Quantas tapiocas vai custar a brincadeira? Será que os partidos não podem se reunir e criar um mecanismo nacional para garantir a transparência de todos os gastos? Aí o dinheiro da CPI pode ser usado para montar o banco de dados com informações não sigilosas de todos os governos. Mas não, vão arrastar a tapioca para dar entrevista. Vão levar a mesa de bilhar reformada para uma perícia no Congresso, com transmissão ao vivo pela Globonews e Record News.
O governo Lula é tão culpado pela situação quanto a mídia partidarizada. Não só pelos eventuais "erros" ou fraudes. Mas por ter se engajado nesse jogo político tosco e, ao fazer isso, ter adotado a tática de dar um passo atrás para depois dar outro passo atrás. E outro. E mais outro. Chegamos a tal ponto que uma reportagem isenta do Jornal Nacional é celebrada com foguetório. Quando a Folha de S. Paulo faz o que nunca deveria ter deixado de fazer, com atraso, ou seja, dar tratamento igual para iguais, é uma festa. O pessoal da Barão de Limeira está furioso: descobriu que está perdendo o monopólio da opinião.
Não caiu a ficha, ainda, de que o Brasil atravessa um período extraordinário numa conjuntura internacional politicamente favorável. E de que projetos de longo prazo dão certo, sim, mesmo quando a maioria dos brasileiros ainda tem complexo de inferioridade. Getúlio Vargas morreu um pouquinho por ter tido coragem de criar a Petrobrás. Posso estar enganado, mas acho que foi o governo Geisel o primeiro a investir na tecnologia de poços profundos. Ou seja, foram mais de 50 anos até que a empresa tivesse capacidade de encontrar - e no futuro extrair - o petróleo do campo de Tupi.
Tirando a Rússia, abarrotada de petróleo, bem armada e com uma população educada, nenhum país tem as oportunidades que o Brasil tem agora. Com os Estados Unidos enterrados no Iraque e no Afeganistão, a América Latina está "sobrando" para a expansão comercial brasileira. Já que precisamos de confirmação externa, vamos ao que dizem a Economist, o Financial Times e o New York Times, grosso modo: terra+água+sol+recursos minerais+alguns setores de ponta na economia+embrapa+petróleo+gás+nenhuma guerra civil (a não ser na internet)+Amazônia. Tudo isso numa conjuntura de escassez de comida, água, energia e recursos naturais.
Como incorporar a Amazônia ao Brasil sem destruí-la? Como evitar que ela seja internacionalizada? Como se preparar para defendê-la? Até onde permitir o avanço da fronteira agrícola? Como criar um polo de biotecnologia? Como aumentar o acesso à internet? O Brasil deve retomar o programa nuclear? Como aumentar os salários dos professores? Qual é a autonomia que se deve dar aos diretores de escolas públicas? Como financiar o SUS, que o Brasil criou em 1988 e os Estados Unidos só vão criar em 2009, se um democrata for eleito?
Esses são os temas que eu gostaria de ver deputados e senadores debatendo, com transmissão ao vivo por emissoras de rádio e televisão. É pedir muito? Eu ajudo a pagar o salário deles e, como brasileiro, concedi através do Estado o direito de explorar o ar à Globo, à Record e à Jovem Pan. Eu até acho que esses debates estão acontecendo, em algum lugar, mas a gente nem fica sabendo.
A nossa mídia é tão atrasada que nem naqueles cadernos supostamente "especiais", que acompanham os jornais de domingo, os assuntos que mencionei acima aparecem. É mais barato traduzir calhaus que sairam no Le Monde e no New York Times. Assim como é mais barato gastar com comentaristas enfezados do que com reportagem.
às 17:54 0 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia, Política
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
O doce ar da marginal
Ele está a minha espera toda manhã quando embarco no trem. Invade minhas narinas ainda entorpecidas pelas poucas horas de sono sem a menor cerimônia. Sua fragrância inconfundível toma de assalto todo o espaço tangível, lembrando que essa é uma conurbação para lá de mal planejada e mal sucedida, e que é bem possível que eu venha a encerrar meus dias no planeta, assim como tudo que hora vejo e conheço vá também embora sem que o doce ar da Marginal Pinheiros tenha se esquecido sequer de uma manhã de vir brindar o novo dia.
às 08:47 0 comentários Marcadores: Memórias
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Reminiscências sobre literatura em meio ao caos
O que é mais escasso aqui em São Paulo é tempo. Ao menos pra mim e para o batalhão que encontro, todos os dias - carnaval inclusive - a dormitar pelos bancos do metrô, o fio condutor da ininterrupta sucessão dos acontecimentos que nos acostumamos a chamar de "tempo" é algo fugidio. Em São Paulo, àqueles menos abonados e que ainda precisam provar algo, tempo é artigo de luxo.
E nesta escassez abandonei a leitura. Com muito custo logrei ainda concluir a leitura de "Cavaleiro Inexistente", nos poucos minutos que sobram, do italo-cubano, se é que podemos chamá-lo assim para garantir o trocadilho, Italo Calvino. O bom livro, vim a saber depois, é parte integrante da trilogia batizada "nossos antepassados", ou coisa que o valha. Embora triologia, os livros independem entre si e podem ser lidos separadamente. Compõem também o trio do pequeno compêndio: "O Visconde Partido ao Meio", que narra a história de um visconde que ao receber um canhoaço foi partido e que viu suas duas metades adquirirem personalidades absolutamente distintas e "O Barão nas Árvores", que conta por sua vez a anedota de um barão que resolveu ir viver no cimo de uma árvore. Ambos ainda não lidos. 
Mas o que conta é que "Cavaleiro Inexistente" teve um lado positivo: recuperou em mim as melhores disposições de espirito em relação a Calvino que vinham sensívelmente abaladas após a leitura de "Castelo dos Destinos Cruzados". A idéia, enquanto forma, é invejável: construir uma narrativa que se renove e que transcenda o ato de contar uma mesma história, ou ainda, uma vastidão delas num livro. E´, em essência a aplicação máxima daquilo que Calvino chamaria de "múltiplas possibilidades do narrável", contudo com um fim e um alcance muito inferior ao avassalador "Se um viajante numa noite de inverno", da mesma lavra. O "Castelo dos Destinos Cruzados" foi, à mim, uma leitura assaz aborrecida. Para que você conheça, de modo breve, era a idéia do livro histórias contadas pelas personagens mediante cartas de tarô. Estas cartas podiam ter inúmeras conotações e proporcionam intersecções nas histórias alheias.
Voltanto ao romance sobre o cavaleiro que tinha a inescapável faculdade de não existir, só se pode dizer que é a glória narrativa: criatividade, fluência, profundidade e irônia, todas elas, bem dispostas de maneira equilibrada e doce nas pouco mais de cem páginas do volume. Poderia ser melhor, talvez, se fosse mais extenso. Mas para isso teria de resolver, muito provavelmente, algumas das mais deliciosas questões sobre a personalidade de Agiulfo, o cavaleiro que não existia, e talvez ao fazê-lo acabasse por desmontar o encanto da história: a mordacidade de um mistério muito apropriado a uma história sensacional. Como tudo que é bom na vida, "Cavaleiro Inexistente" tem o tamanho certo. Nem mais, nem menos.
"As Benevolentes"
O livro tem um preciosismo insuperável - e invejável: pesquisar a fio e à exaustão a nomenclatura, os momentos, os contextos, as hierarquias para lá de herméticas e há muito esquecidas (fazem já mais de 60 anos!) do exército nazista, por mim, já merecia uns três Nobel. Fosse eu quem escrevesse a obra, faria uso da literatura preguiçosa, driblando todas essas minúcias por puro ócio. Sorte nossa que Jonathan Littell não é este Tertuliano. Fosse eu o francês e teria avacalhado com um promissor clássico: eu faria de "As Benevolentes", comparado já com "Guerra e Paz", mais um thriller a exemplo das centenas de Forsyth, Clancy, Ludlum e congêneres que abundam pelas estantes do mundo todo.
Ainda bem que eu sou eu, afinal. E se for para fazer um remoque à edição brasileira de "As Benevolentes", que seja o de estar muito mal resolvido o glossário e o sistema de notas remissivas para esclarecerem a enxurrada de termos técnicos que compõem a obra.
P.S.:
Não me leiam. Parem. Internet é a confluência das coisas, e um blogue incapaz de trazer fotos - fotos! - é mais um atestado de incompetência. Estou trabalhando nestas dificuldades técnicas nos meus 5 minutos livres nestes dias lépidos de, me parece, apenas 12 horas. Acredito que aqui a circunferência da Terra seja menor, daí os dias serem assim, tão rápidos.
às 09:40 0 comentários Marcadores: Cultura
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Amanhã? Que amanhã, meu caro?
Amanhãs existem na medida direta dos vossos sonhos. Sonhe e terás ali o seu amanhã. Contudo, nunca se esqueça, que na hora de fazer dele seu hoje, não será de sonho que precisará. Será da plena certeza de que o que é tangível na diferença do hoje e do amanhã, é o fato que ao surgir da aurora, o que era sonho, morre. E renasce na quimera abatida a pálida e túrgida realidade.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Paixões
Paixões, todas elas, da garota bonita ao escrever, no fundo existem para serem irrealizáveis enquanto isso que são, paixões. E, esta é a dimensão da paixão, sua impraticabilidade. A humana impraticabilidade de tudo que é bom e vale à pena fazer.
Viver é frustrar-se.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Quando Janeiro foi Abril
É muito estranho estar num prédio de 24 andares repleto de jornalistas.
Muito estranho.
P.S.: logo coloco fotos!
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Férias e tensão
São Paulo, caos, movimento, cansaço, saudade, oportunidades, tensão e crise.
E Curso Abril de Jornalismo no meio disso tudo.
às 17:55 0 comentários Marcadores: Memórias

