domingo, 22 de junho de 2008

Milly Lacombe - de doer os ovos

Chamar-me-ão (adoro mesóclise) de chauvinista, preconceituoso, machista impedernido e comedor de criancinhas. Pouco me importa. Mas a verdade é que deviam prender o irresponsável que contratou Milly Lacombe para comentar as partidas da Euro Copa pela tv Record.

Lacombe é abaixo da crítica. E sublinhe-se que crítica, dentro do aspecto "comentaristas de futebol", que é um universo assolado por ex-jogadores muitas vezes ignorantes e jornalistas idem, que crêem-se piamente doutores sobre um esporte simples (consiste em 22 sujeitos interessados que uma única bola não lhes vaze a meta, e por vezes muito mais em que esta mesma bola vaze a do adversário), dizia, sublinhe-se que crítica neste mundinho vem a ser algo extremamente raso.

O rol de comentáristas de tv aberta, composto por um Sérgio Noronha, deslumbrado por falar na Globo, sonolento e redundante em tudo que diz e, sobretudo, defensor escancarado dos falimentares clubes cariocas (só comenta jogos destes, o que nos faz pensar que desconhece o futebol que se joga fora do Rio, tendo, em 2005, dito que "o melhor futebol da Europa é jogado por brasileiros", uma burrice incrível). Composto por Neto, Caio e outros, que dizem aquilo que o torcedor é capaz de perceber por si só. Exceções honrosas: Falcão, quando não se embala no ufanismo de Galvão Bueno, e Mauro Betting.

Lacombe tenta dignificar sua qualidade de comentarista com bordões inócuos e repetitivos. Alguns, idiotas. Para Milly Lacombe, nesta Euro Copa, todos jogaram bem, mesmo os eliminados. Todos tinham o toque sulamericano, embora sejam europeus e visivelmente algumas seleções se debatam sem capacidade de jogar um futebol mais gingado.

Fosse apenas falar o óbvio ululante, Lacombe seria suportável. Se ela fosse do tipo que diz, após uma equipe abrir o marcador: "agora o adversário terá de correr atrás para empatar", e redundâncias do tipo, não comprometeria. Mas Lacombe prefere dizer, ao primeiro gol italiano, que "A França precisa de uma virada no placar psicológico" (no jogo França e Itália, onde os franceses jogaram praticamente todo o jogo com um a menos). What's porra is this? Virada no placar psicológico? Ou seja, para ganhar a partida e a classificação, na visão da iluminada comentarista, à França bastaria pensar: "Ok galera. Tá 2 a 1 pra gente! Vamo que vamo!"

Sua insistência em formar bordões é do tipo de situação que dá vergonha alheia. Quando o jogador se destaca, ele é o centro de gravidade do time. Por que ela não diz, "principal jogador"? Num jogo decisivo da primeira fase, ela soltou "que este é um jogo com requintes de crueldade de um mata-mata". A frase, dita uma vez, não amola. Mas repetida buzilhões de vezes irrita.

Outro exemplo foi a partida entre Rússia e Holanda. "É o confronto da criatura com a nave-mãe", ou asneira similar. Não dá pra dizer, "é o jogo entre o passe de qualidade tradicional na Holanda e uma Rússia que vem melhorando técnicamente". Ainda neste jogo, "A entrada de um garoto (Van Persie, acho) na Holanda é BIPOLAR. Pode dar muito certo ou dar muito errado''. Reação do meu irmão: "Puta merda, bipolar não. Ah não, vou sair daqui depois dessa, vai pra merda. Porra, que merda é essa, quem botou mulher pra comentar?''

No jogo de hoje, Espanha e Itália, ao início da prorrogação, "Nesse final de jogo, vale muito a emoção, a raça, a experiência, preparo físico, enfim, todas essas subjetividades". Como assim, "subjetividades"? É praticamente o que compõe um time de futebol, só faltou ela incluir na lista de subjetividades técnica e talento. Raça, emoção, preparo físico e experiência não são subjetividades, são elementos que compõe times, especialmente seleções e mais ainda as vitoriosas.

Além destes, e acreditem, muitos, mas muitos outros exemplos, Milly parece acreditar com toda a fé que as nações têm algum determinismo relacionado com o futebol. Holandeses serão sempre rápidos, ofensivos e criativos. Italianos fortes e competitivos. Alemães taticamente perfeitos. O que denota um estilo wikipedia de comentar e abre espaço para pérolas (outras) como: "É caracteristica desse time, os jogadores turcos já nascem com DNA defensivo''. DNA? De onde ela tirou isso?

A função dela é dizer como o jogo está. Se possível, perceber algo que o torcedor não consegue, porque é justamente isso, torcedor. Mas ela tenta embelezar, empolgar, com termos exóticos e bonitos só irritando quem assiste, que não está afim de ouvir "centro de gravidade" quando poderia ouvir, "camisa 10". Que não está afim de ouvir "zona de conforto", "expôr a jugular" e uma das mais doloridas: "A prorrogação abre um novo portal na dimensão futebol".

Milly Lacombe, vai ver novela, vai.

2 comentários:

Anônimo disse...

essas frases de efeito dela são um saco, perfeito cara seu post, estava procurando alguem que tbm tenha notado as asneiras que ela fala.

"armadilha psicologica"

"o que diferencia o remedio do veneno é a dosagem"

" a chuva iria favorecer a russia"

o Torres tava perdendo um gol atras do outro, o tecnico tira acertadamente o jogador, e ela critica o tecnico! ve se pode!

N.C. disse...

Ok, não a conheço e o texto está bem justificado. Mas a frase final soou machista.

Beijos.