Chamar-me-ão (adoro mesóclise) de chauvinista, preconceituoso, machista impedernido e comedor de criancinhas. Pouco me importa. Mas a verdade é que deviam prender o irresponsável que contratou Milly Lacombe para comentar as partidas da Euro Copa pela tv Record.
Lacombe é abaixo da crítica. E sublinhe-se que crítica, dentro do aspecto "comentaristas de futebol", que é um universo assolado por ex-jogadores muitas vezes ignorantes e jornalistas idem, que crêem-se piamente doutores sobre um esporte simples (consiste em 22 sujeitos interessados que uma única bola não lhes vaze a meta, e por vezes muito mais em que esta mesma bola vaze a do adversário), dizia, sublinhe-se que crítica neste mundinho vem a ser algo extremamente raso.
O rol de comentáristas de tv aberta, composto por um Sérgio Noronha, deslumbrado por falar na Globo, sonolento e redundante em tudo que diz e, sobretudo, defensor escancarado dos falimentares clubes cariocas (só comenta jogos destes, o que nos faz pensar que desconhece o futebol que se joga fora do Rio, tendo, em 2005, dito que "o melhor futebol da Europa é jogado por brasileiros", uma burrice incrível). Composto por Neto, Caio e outros, que dizem aquilo que o torcedor é capaz de perceber por si só. Exceções honrosas: Falcão, quando não se embala no ufanismo de Galvão Bueno, e Mauro Betting.
Lacombe tenta dignificar sua qualidade de comentarista com bordões inócuos e repetitivos. Alguns, idiotas. Para Milly Lacombe, nesta Euro Copa, todos jogaram bem, mesmo os eliminados. Todos tinham o toque sulamericano, embora sejam europeus e visivelmente algumas seleções se debatam sem capacidade de jogar um futebol mais gingado.
Fosse apenas falar o óbvio ululante, Lacombe seria suportável. Se ela fosse do tipo que diz, após uma equipe abrir o marcador: "agora o adversário terá de correr atrás para empatar", e redundâncias do tipo, não comprometeria. Mas Lacombe prefere dizer, ao primeiro gol italiano, que "A França precisa de uma virada no placar psicológico" (no jogo França e Itália, onde os franceses jogaram praticamente todo o jogo com um a menos). What's porra is this? Virada no placar psicológico? Ou seja, para ganhar a partida e a classificação, na visão da iluminada comentarista, à França bastaria pensar: "Ok galera. Tá 2 a 1 pra gente! Vamo que vamo!"
Sua insistência em formar bordões é do tipo de situação que dá vergonha alheia. Quando o jogador se destaca, ele é o centro de gravidade do time. Por que ela não diz, "principal jogador"? Num jogo decisivo da primeira fase, ela soltou "que este é um jogo com requintes de crueldade de um mata-mata". A frase, dita uma vez, não amola. Mas repetida buzilhões de vezes irrita.
Outro exemplo foi a partida entre Rússia e Holanda. "É o confronto da criatura com a nave-mãe", ou asneira similar. Não dá pra dizer, "é o jogo entre o passe de qualidade tradicional na Holanda e uma Rússia que vem melhorando técnicamente". Ainda neste jogo, "A entrada de um garoto (Van Persie, acho) na Holanda é BIPOLAR. Pode dar muito certo ou dar muito errado''. Reação do meu irmão: "Puta merda, bipolar não. Ah não, vou sair daqui depois dessa, vai pra merda. Porra, que merda é essa, quem botou mulher pra comentar?''
No jogo de hoje, Espanha e Itália, ao início da prorrogação, "Nesse final de jogo, vale muito a emoção, a raça, a experiência, preparo físico, enfim, todas essas subjetividades". Como assim, "subjetividades"? É praticamente o que compõe um time de futebol, só faltou ela incluir na lista de subjetividades técnica e talento. Raça, emoção, preparo físico e experiência não são subjetividades, são elementos que compõe times, especialmente seleções e mais ainda as vitoriosas.
Além destes, e acreditem, muitos, mas muitos outros exemplos, Milly parece acreditar com toda a fé que as nações têm algum determinismo relacionado com o futebol. Holandeses serão sempre rápidos, ofensivos e criativos. Italianos fortes e competitivos. Alemães taticamente perfeitos. O que denota um estilo wikipedia de comentar e abre espaço para pérolas (outras) como: "É caracteristica desse time, os jogadores turcos já nascem com DNA defensivo''. DNA? De onde ela tirou isso?
A função dela é dizer como o jogo está. Se possível, perceber algo que o torcedor não consegue, porque é justamente isso, torcedor. Mas ela tenta embelezar, empolgar, com termos exóticos e bonitos só irritando quem assiste, que não está afim de ouvir "centro de gravidade" quando poderia ouvir, "camisa 10". Que não está afim de ouvir "zona de conforto", "expôr a jugular" e uma das mais doloridas: "A prorrogação abre um novo portal na dimensão futebol".
Milly Lacombe, vai ver novela, vai.
domingo, 22 de junho de 2008
Milly Lacombe - de doer os ovos
às 19:06 Marcadores: Atualidades, Mídia

2 comentários:
essas frases de efeito dela são um saco, perfeito cara seu post, estava procurando alguem que tbm tenha notado as asneiras que ela fala.
"armadilha psicologica"
"o que diferencia o remedio do veneno é a dosagem"
" a chuva iria favorecer a russia"
o Torres tava perdendo um gol atras do outro, o tecnico tira acertadamente o jogador, e ela critica o tecnico! ve se pode!
Ok, não a conheço e o texto está bem justificado. Mas a frase final soou machista.
Beijos.
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