A única coisa realmente triste nos protestos de São Paulo é que vai passar. Simples, vai voltar tudo ao normal. Ano que vem tem aumento na passagem, quem foi preso pelos esbirros do estado por carregar vinagre vai se acomodar novamente. A polícia vai voltar a descer a borrachada impunemente nas convenientes vielas das periferias sem câmeras e os verdadeiros culpados por tantos e tantos anos de violências, das mais miúdas às mais graúdas, continuarão sossegadamente embastilhados em Higienópolis, nos Jardins, em Alphaville, no Morumbi, acordando toda miserável manhã para caminhar pelas calçadas das douradas comunidades em que vivem, alheios aos cidadãos que tomam 4, 5 conduções para ir ao trabalho ao filho da puta do preço de 3,20 dilmas. Porque aqueles entre eles que não têm a seu serviço um choffer, dispõe de um SUV desses bem escroto na garagem. Hoje, porque daqui um ano é mais.
O mais triste no episódio não é a cobertura imbeciloide e fascista da mídia, o despreparo do estado, a desconexão do governo com os anseios de seus cidadãos. Nada disso, porque isso acompanha a sociedade desde que o primeiro canalha descobriu que era muito divertido brincar de eleições. O primeiro oligarca imprimiu a primeira manchete e assim por diante. O triste, mesmo, é que vai voltar tudo ao normal.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Triste
às 16:53 0 comentários Marcadores: Atualidades, Política
Estupidez
Na quadra em que vivemos aceitamos com certa naturalidade que os esbirros do estado enquadrem nos rigores, e que rigores, da lei aqueles que carregam consigo qualquer porção de vinagre, o vinho que deu errado na Idade Média, e que parece ter encontrado utilidades que já vão além do condimento que tempera saladas, sendo, mais recentemente, desestímulo aos olhos de quem briga pelo que é justo verter lágrimas.
E é bom não morar em São Paulo. Eu descobri que a vida em São Paulo sem dinheiro é uma vida estúpida. Agora, estão aí os aguazis do estado para mostrar que qualquer variável de vida na pauliceia é, sim, completamente estúpida.
às 16:42 0 comentários Marcadores: Atualidades, Política
quinta-feira, 13 de junho de 2013
24 Horas de Nurburgring
Durante muito tempo eu encarei a caixinha do Gran Turismo, ali, na sala, meio esquecida. GT5 tem vários problemas, mas ainda assim, é o Gran Turismo 5. Curisamente, de todos eles, de longe, é o que menos eu joguei.
Nesses meses de olhares trocados entre o game e eu, sempre pensava em terminar os endurance events, que eu sempre adorei fazer nas já pré-históricas versões antigas. Em Gran Turismo 5, por exemplo, temos duas provas de 24 horas - sim, 24 horas de corrida - e uma de 1000 quilômetros, além de alguns eventos de menor extensão, como 500 milhas, 2 ou 3 horas disso e daquilo. Se você tem GT5 e acha um exagero qualquer uma dessas corridas, saiba que você não merece o jogo. Gran Turismo é uma série feita por Jeremys Clarksons para Jeremy Clarksons. Ah, não sabe quem é Jeremy? Pare de ler o blog e descubra.
Eu adoro corridas e a perspectiva de correr as 24 Horas de Le Mans no jogo sempre me interessou. A questão é que para chegar lá, precisava desbloquear vários níveis, carros e elementos que, na adolescência, seriam muito bacanas de perseguir. E eu fui deixando o GT5 de lado.
Mas agora voltei. Embuído da determinação necessária, já disputei, e venci, as 24 Horas de Nurbürgring. Atravessei o inferno verde, logrei faturar a vitória a bordo do Audi R8 LMS. Gostei tanto da experiência que pretendo correr de novo, dessa vez de BMW M3 ou Nissan GT-R.
Isso dá uma ideia de Nurburgring no GT5:
O que mais me intrigava é a ideia de correr a noite. Qual seria a sensação? A imagens das 24 Horas de Le Mans quando os pilotos cruzam a Mulsanne noite à fora são fantásticas, mas qual seria a sensação no jogo?
Eu não corri a prova de Le Mans, ainda. Mas disputei Nurburgring e suas 24 horas de corrida no inferno verde. Média de um pit-stop a cada duas voltas, em virtude da extensão assustadora da pista de 23 km.
E posso dizer que o trecho noturno da pista - na minha corrida até choveu noite a dentro - foi impressionante. Depois que você memoriza as curvas e se acostuma com a ambientação, a corrida vira um experiência bem solitária. Cruzar as retas e curvas no meio da floresta, a 250, quase 300 por hora causou uma sensação que, honestamente, eu não esperava.
Foi uma sensação de curiosa. Eu não esperava, mas no cenário noturno, rendi mais, cansei menos na corrida e, algo inédito na minha relação com Nordschleife, finalmente, memorizei boa parte das curvas.
Se você tem Gran Turismo 5, levo em consideração que só se compra um GT se você gosta de carros e corridas, faça essas provas. É uma experiência única de jogo, corrida e competição que só um bom video-game pode garantir. E, agora, falta me preparar para as 24 Horas de Le Mans.
Na chuva e no escuro, é disso aqui para bem pior:
às 18:07 0 comentários Marcadores: Games
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Aforismos - Chorar
"Um dia desses, eu separo um tempinho e ponho em dia todos os choros que não tenho tido tempo de chorar".
Carlos Drummond de Andrade.
às 17:01 0 comentários Marcadores: Aforismos
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Não vá ler um livro
Bioshock Infinite vai muito longe na hora de extrapolar as capacidades de contar uma história, o storytelling perfeito, perseguido por bons roteiristas de cinema. A narrativa te desafia, quebra paradigmas, coloca a belle-epocque num cenário de ficção científica, reinventa a Madame Curie, faz sonhar com Paris, mistura física quântica com feiras mundiais, põe para flutuar uma cidade inteira nos céus norte-americanos de 1912. Bioshock Infinite inclui, nisso tudo, um pano de fundo sociológico, há os anarquistas, os tiranos, os falsos profetas que usam religiões ainda mais falsas para justificar sua vida de poder, corrupção e mentiras, para flutuar pelo imaginário coletivo, dizendo e desdizendo, governando destinos e fazendo parecer que o totalitarismo é uma benção, não uma maldição. Bioshock Infinite é extremamente complexo, tão complexo que a história, e seu desfecho maravilhosamente fora do comum, só farão sentido para quem entender a realidade como uma tímida manifestação física de múltiplas possibilidades e o tempo da forma como Einstein vislumbrou: uma dimensão.
E você aí, achando que videogame é coisa de crianças ou de quem não quer crescer. Bioshock, qualquer um dos três, aliás, é só mais um jogo para mostrar que isso, hoje, não faz o menor sentido.
E, como deve ter acontecido com boa parte dos outros marmanjos que jogaram, me fez me apaixonar por Elizabeth, a NPC mais interessante e simpática da história dos vídeo-games. Ela é um caso a parte em todo o jogo. Elizabeth me resgatou do meu habitual cinismo, especialmente em video-games: eu jogo atrás de defeitos, de riso, de diversão, de alienação da minha realidade. Em Bioshock Inifinite, mesmo sabendo que Elizabeth não precisa de ajuda durante as batalhas, me via constantemente preocupado: será que ela está bem?
Ponto, parágrafo. Logo vamos chegar, neste mesmo texto, ao ponto onde dou veredito sobre o game em termos de impressões e da sua capacidade de competir com outros grandes jogos que eu joguei. Independente do veredito, se segure na cadeira se já leu até aqui, já chegamos a ele, toca dizer que Bioshock Infinite me provocou como só Journey havia provocado.
Ao veredito: É o melhor jogo que eu já joguei na vida? Não. Nem perto disso, mas Bioshock Infinite, assim como os outros dois títulos antecessores, tem aquela marca, aquela coisa da experiência, do impacto, de deslumbramento. Bioshock Infinite pode não ser o meu maior game de todos os tempos, mas sem dúvida será um daqueles que eu vou lembrar para sempre.
Nunca vou esquecer o primeiro diálogo com Elizabeth e a chegada de Mister DeWitt a Columbia, a cidade flutuante. Nunca vou esquecer essa história tão intrincada, tão cheia de detalhe, de carinho de quem fez um jogo pensando em quem joga. Bioshock Infinite devia ser vendido com um aviso na caixa: "Advertência: os últimos 30 minutos da história desse game podem causar dor de cabeça, sangramentos no nariz e crise existencial".
Que venha um próximo Bioshock. Dessa vez sem os corvos, eu quase enfartei com os corvos.
às 00:32 0 comentários Marcadores: Cultura, Games, Memórias
domingo, 2 de junho de 2013
Arte
Senhoras e senhores, com vocês o Cinema Brasileiro:
às 01:05 0 comentários Marcadores: Cinema, Cultura
