Vá para o Tibet.
Monte em um camelo.
Leia a bíblia.
Pinte seus sapatos de azul.
Deixe a barba crescer.
Dê a volta ao mundo numa canoa de papel.
Assina The Saturday Evening Post.
Mastigue apenas com o lado esquerdo da boca.
Case-se com uma perneta e se barbeie com uma navalha.
E entalhe seu nome no braço dela.
Escove os dentes com gasolina.
Durma o dia inteiro e suba em árvores à noite.
Seja um monge e beba chumbo grosso e cerveja.
Mantenha sua cabeça dentro d’água e toque violino.
Faça uma dança do ventre diante de velas cor-de-rosa.
Mate seu cachorro.
Concorra à prefeitura.
Viva num barril.
Rompa sua cabeça com uma machadinha.
Plante tulipas sob a chuva.
Mas não escreva poesia.
Charles Bukowski
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Conselho amigável para muitos jovens
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
É impossível legislar contra idiotas
Vivemos num mundo onde idiotas acendem fogos de artifício dentro de uma boate lotada e onde retardados, que comparecem a jogos de futebol achando que estão descendo na Normandia, disparam sinalizadores navais contra a cabeça de jovens de 14 anos.
É, amigo.
às 18:03 0 comentários Marcadores: Atualidades
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Rádio: Oswaldo Montenegro - A Lista
É quase uma sinfônia para o ocaso, uma daquelas letras que nos lembram do que a gente é, do que foi e onde vai parar. "Quantos defeitos sanados com o tempo eram o melhor que havia em você?". No meu caso, uma porção deles.
"Quantas pessoas você amava, hoje acredita que amam você?".
"Faça uma lista dos sonhos que tinha, quantos desistiu de sonhar?".
Em certo sentido, é um pouco do golpe de realidade que Douglas Adams escreveu com fina ironia em seus livros, ou o choque psicológico da leitura da penserosa e caudalosa prosa que nos deixou Hermann Hesse, aquele pequeno canhão germânico, quase uma outra big bertha, o verborrágico e econômico escritor alemão, que nos despia com suas ideias, nos desarmava com suas histórias, e nos pavimentava com as conclusões de suas narrativas, constantemente a nos recordar do desespero de causa em que a vida vai virando a cada dia em que você acorda só para se lembrar da inexorável derrota dos sonhos, das esperanças, do descaminho.
Ponto, parágrafo. Hermann Hesse é um escritor inoxidável. Seus escritos vão continuar a estragar a vida da humanidade mesmo daqui 46 milênios.
Em relação à música, é uma boa música essa do Oswaldinho. O ruim é que ele só é boa porque a vida é ruim.
às 16:06 0 comentários Marcadores: Memórias, Rádio blogue
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Rádio: Elvis Presley - Snowbird
Fazia tempo que não me embrenhava entre o vasto repertório de Elvis Presley. Resgatei, dessa feita, uma canção que, antes, não me dizia nada. Snowbird é, agora, uma daquelas que dizem tudo. É sempre um prazer, Elvis.
"And if I could you know, that I would fly away with you".
às 18:03 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Rádio - Fleetwood Mac - The Chain
Sempre que essa canção do histórico álbum Rumours chega aos 2:50 lembro da Fórmula 1. Quem é entendido, vai saber bem por quê:
às 16:28 0 comentários Marcadores: Fórmula 1, Rádio blogue
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Gaiola das loucas
Quando, em 2005, a igreja decidiu por Bento 16, quando podiam ter escolhido um negro, um asiático, um latino-americano, mas foram de alemão conservador da Juventude Hitlerista, eu cheguei à conclusão de que a igreja havia descoberto que tinha fiéis demais, e que devia perder, pelo menos, a metade.
Agora, depois de ter readmitido bispos que negam o holocausto, de ter abrigado debaixo das saias padres pedófilos e ter dito uma tonelada de besteiras desde que assumiu o último trono absolutista do mundo, com o espocar constante de escândalos de corrupções que fazem corar as mais sanguinárias ratazanas de altar, Bento entrega os betes e abre espaço para a igreja promover outro reacionário a um posto que poderia muito bem ganhar a divisa de Poder, Corrupção e Mentiras.
A queda de Bento 16 é só mais um sintoma da falência da ideia da religião no mundo. Mais que isso, é sintoma da doença crônica da qual padece a santa sé, milenar burocracia planetária que, incapaz de se reinventar, se descobriu impedida de dirimir suas divergências internas pelas veias democráticas. Afinal de contas, armar a guarda suíça e sair por aí matando adversários, cardeais e arcebispos não é mais um recurso entre o arsenal deles, escondidos nas vastas saias de sua santidade. E, ainda que o fosse, já não sufocam os problemas, antes, os aumentam.
Que as religiões, em geral, estão totalmente em descompasso com a realidade já se sabe. Mas o caso da igreja católica é mais grave: nesta última quadra, se abraçou sem medo num conservadorismo, na ideia da dimensão terrena e estritamente convencional daquilo que sua gente de batina resolveu decidir ser a palavra do tal deus e a orientação política e econômica conveniente para se chegar à terra prometida nos santos evangelhos. A derrocada tem data: a igreja perdeu-se em 2008, no exato momento em que o primeiro banco grande demais para cair se estatelou nos derivativos e na curiosa ideia de emprestar dinheiro que não existe para quem não tem como pagar.
O saldo das estripulias dos banqueiros foi uma crise social sem precedentes. Embastilhados na dourada vizinhança romana em que vivem, os burocratas do Vaticano divisam uma Europa contrita, empobrecida, quebrada e pronta para as convulsões sociais. Em meio à tudo isso, a igreja não tem nada a dizer para o seu, antes, enorme rebanho. Talvez tivesse se, em vez de usar Ratzinger como rolo compressor que pavimentou a amistosa ideia de Teologia da Libertação nos anos 1980, a tivesse promovido e entendido que os tais libertários queriam, no fim das contas, apenas falar aos mais pobres. Agora, à igreja, resta trocar de papa e orar. Rezar, como se sabe, é uma forma de tentar ajudar a resolver um problema sem fazer nada.
às 09:49 0 comentários Marcadores: Atualidades, Evangelhos, Política
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Clássico
Red Dead Redemption, já escrevi sobre neste blog, é uma das experiências de jogo mais completas, complexas, gratificantes e extremas disponíveis na atualidade. O jogo é um clássico instantâneo, é uma enorme, avassaladora, celebração de Ennio Morricone, Sérgio Leone, o pistoleiro sem nome, Clint Eastwood, os clássicos do gênero, a ideia de redenção, tão cara aos bons westerns, e que vai até no nome do jogo.
Abaixo, um vídeo que, acho, deviam ter mostrado para Tarantino antes de ele ir realizar "Django Livre". Tivesse visto ou, oxalá, jogado Red Dead Redemption, Tarantino teria mais recurso para não fazer cagada.
No vídeo, embora a edição seja de qualidade profissional, que você pode atestar nos cortes muito bons, digo que faltou um pouco do humor, do lado humano e carismático de Marston.
Mas isso não é problema. Para redimir a falha, pegue o seu videogame e bote para rodar Red Dead Redemption, clássico esmagador e testemunho daquilo de melhor que os games podem trazer para a sua vida. O game, que foi lançado em 2010 e me convenceu ainda mais da urgência de se adquirir um console, me fez entender melhor a paixão que meu pai tinha pelo gênero faroeste e me colocou, igualmente, interessado pelas obras-primas do estilo que, infelizmente, definha nas telonas há décadas.
Red Dead Redemption não é um jogo, é algo próximo a uma experiência, um tipo de jornada, de busca, de narrativa onipresente da vida de um sujeito, seus remorsos e sua necessidade de fazer acertos com seu passado, emendas com o seu presente e sonhos, que nem sempre se verificam possíveis, para o seu futuro.
Ultimamente, venho jogando muito Battlefield 3 porque, bem, todos os meus amigos e colegas de trabalho têm o jogo e costumam jogar juntos. É bem divertido. Mas não passa perto da adrenalina do duelo, de arrumar confusão no saloon, de assaltar diligências no multiplayer de Red Dead.
às 17:42 0 comentários Marcadores: Games
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Vem, Keira
Eu não posso mais ver filmes com a Keira Knightley.
às 01:14 0 comentários Marcadores: Memórias
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Rádio: Frank Sinatra - Something
Eu não sou muito de Beatles. Mas gosto bastante do George Harrison, que compôs, entre outras, Something. Há uma versão dessa canção com Elvis Presley, que adoro, e outra, com Sinatra. O velho Frank, o "the voice", gostava de dizer que Something é a mais bela canção de amor já escrita, sem precisar dizer, em nenhum instante, eu te amo.
Gosto especialmente do arranjo por volta de 2:20. Ali a voz de Sinatra irrompe para te lembrar porque ele era simplesmente conhecido como A Voz.
O lado bom de ouvir essas canções antigas, do tempo em que eu era romântico, por exemplo, é recordar o tipo de pateta manipulável que fui, e enxergar o que sobrou. Sobrou que, hoje, eu conservo músicas assim no repertório pela velha tendência de conservar as flores mortas do passado.
O lado ruim é constatar o desastre, o desbunde, a tragédia, a catástrofe em que a vida virou.
às 17:53 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
Rádio: Jimmy Durante - As Time Goes By
Devem existir 8 bilhões de versões da canção que ganhou a eternidade nas arengas de Humphrey Bogart em Casablanca. A grande frase da história do cinema foi, aliás, proferida em Casablanca por Bogart. Casablanca e Bogart são passaportes para a eternidade. Não se fazem mais filmes como Casablanca e homens como Bogart.
E nem canções como As Time Goes By. Meu futuro é, sombrio, cantarolar no juízo minha versão preferida, essa abaixo, enquanto sorvo meu último cálice de uísque na espera do último suspiro de uma vida dedicada a sei lá quantos anos de solidão:
às 16:40 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
