segunda-feira, 28 de junho de 2010

Rádio: Tim Maia - Rational Culture

"We're gonna rule the world, don't you know, don't you know"...



Tim Maia!

É clima de Copa do Mundo, amigo!

É corrido, tenso, puxado e em alguns momentos cruel. Mas trabalhar numa Copa do Mundo é muito legal.

Só é ruim quando meu Uruguai está em campo e eu trabalhando.

domingo, 27 de junho de 2010

Rumo ao tri!

Eu teria centenas de linhas, um livro, uma enciclopédia, uma nova literatura para escrever só para explicar porque torço para o Uruguai e porque meu coração pulsa um sangue celeste. Mas não vem ao caso. Porque há imagens que desobrigam as palavras.


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pero que los hay, hay

Hay veces que... bom, deixa pra lá.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

De butuca

Enquanto o Brasil se debruça a gorjear e repetir à exaustão "cala a boca galvão", descendo aos tropeções a escada da linguagem rumo ao grunhido, o senado decide em favor próprio nababesco aumento de 18% nos já para lá de poupudos vencimentos que lhe granjearam a falta de descência que remonta às mais antigas legislaturas, no mesmo tempo em que morre Saramago deixando a Literatura de luto, em que ninguém sabe muito bem o que fazer com toneladas de petróleo ondulando nas águas do mar e, só para acentuar o luto na Literatura, Geysi Arruda comete um atentado encadernado que torna, na infeliz data de hoje, público, e que uns tem a audácia desmedida de, sem escusas, chamar de livro.

Não há mais 4

Com Saramago aprendi;

- que vivo num mundo de cegos
- num mundo de pessoas sem lucidez
- que pessoas não tem nome
- que algumas conhecem todos os nomes
- que a morte não gosta de ser morte
- que a história não tem tempo
- o mundo não tem fronteiras
- ilhas flutuam
- cegos enxergam
- amores acontecem
- e pessoas morrem

Não há mais 3

A literatura nos tempos de internet passou anos ensaiando o solene primeiro passo rumo à cegueira. Agora, demos o passo firme na escuridão iluminada pela imortalidade serena de Saramago.

Não há mais 2

Saramago morreu. Eis tudo. O corpo entregou-se, o espírito derivou no sonho e as palavras não virão mais. Restará a memória, restarão os livros, as páginas marcadas na mente, a saudade. Mas hoje, livros e memória, importam somenos. A dor e o desgosto não adormecerão tão cedo e, no fim, não há mais Saramago.

Não há mais

Morreu José Saramago. Tudo se cala, a palavra não flui mais, todos os adjetivos empalidecem, o verbo não flexiona, a voz não exprime, o pensamento empalidece. Porque havia José Saramago, e deixou de haver. Já não há mais.

No fundo de tudo que há para se calar sobre a lamentável notícia, me vem no fundo do peito uma frase que abria um livro e dizia, solene e impactante, que "no dia seguinte, ninguém morreu".

Eu digo que, doravante, à luz da perda irreparável, no dia seguinte, ninguém viveu.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Escaravelhos de quitina

Observava eu um besouro inadvertido. Deslocado no tempo - é inverno - e no espaço - é São Paulo - rastejava com seus três pares de patas quitinosas, arriscando uma caminhada muito inútil para quem sabe voar - mal - mas sabe. Besouros, o sabe toda gente, podem ser também chamados de escaravelhos. Escaravelho é uma palavra bonita. Escaravelho de Ouro é o nome de um livro de Edgar Alan Poe que eu li, mas não lembro nem de como começa, nem do que se trata - se de escaravelhos em si ou de presumidos - e muito menos recordo-me como se acabam as portentosas linhas do Machado de Assis dos norte-americanos.

Besouros, ou escaravelhos, conforme eu mais ou menos disse, são criaturas que não deviam voar. Aerodinâmicamente seus corpos rotundos seriam proibitivos para qualquer evolução no ar e sua relação de peso/força é claramente alta, o que deveria segurá-los ao chão e evitar que voassem às cabeçadas por aí. Besouros não foram feitos para voar, mas voam. Besouros não sabem nada de aerodinamica, força, torque, peso - e por isso voam às apalpadelas.

Escaravelhos, ou besouros, são criaturas irrelevantes às quais votei insuperável pavor nos meus cinco anos de idade. Me apavorava a imperícia - que sempre superou em larga escala a capacidade dos bichos em fazer mal - com que voavam aos tropicões. Meu pavor era que me caísse um nos cabelos. Ou na boca.

Toda essa fixação sobre os distintos artrópodos negros, que voam sem que devessem voar, veio não apenas de ter topado com um. Ocorre que li algo de Ivan Lessa dando conta de que os bichos, na África do Sul, atraem-se por 1,5 kg - nada menos, nada mais - de bosta de elefante. O que me deixou deveras curioso. Afinal, bosta?

Nunca notei nas fases de muitos besouros pelo chão da escola uma igual incidência de montículos de bosta esturricada de sol, ou fresca e tenra, recém saída das entranhas de algo - muito menos de algo grande, cinzento, adornado por enormes presas de marfim e complementado por uma tromba. Creio que, portanto, os bichos, ao menos aqui no Brasil, não se atraiam por qualquer quantia mais ou menos ordenada, esturricada ou não, de bosta. Besouros, aqui, servem para aparvalhar guris incautos e, com o passar dos anos e perda das graças, dar o que pensar quanto as possibilidades aeronauticas de seus nada esguios corpos.

Nunca tive o tamanho azar com besouros, de tê-los na boca - embora tenha caído-me algum no cabelo. Cresci um pouco e perdi o pavor. Fiquei, como mais ou menos tudo na vida, indiferente aos insetos. Com o tempo comecei a me dedicar a arte de catá-los no chão na época em que abundavam no pátio da escola, tendo sempre o cuidado de escolher aqueles vivos, e a correr com eles nas mãos atrás das meninas. Me divertia fazê-las gritar de pavor e jogá-los, os besouros, nas suas cabeças, onde se embrenhavam e se debatiam nas suas vastas e lisas cabeleiras.

Saudades de quando os besouros me eram úteis.

Aforismos - Apaixonar

Quando um homem domina todos os saberes, tem plena consciência de tudo que está acontecendo, ele seduz. Quando um homem não faz a menor ideia do que está acontecendo, ele se apaixona.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Teste de lógica nº1

A qualquer momento, ou nunca mais, um novo teste de lógica a desafiar a falta de lógica religiosa/bíblica:



segunda-feira, 7 de junho de 2010

Pressinta

Não é a mentira dita
a ofensa fria
e não é o que se entende
o mal de tudo é o que se pressente.
O mal de tudo é o abraço
é o calor que já não me acolhe no teu regaço
o mal de tudo é o que se sente
à mal da verdade, o bem de tudo
é que no fim das contas, 
sei que você mente.

domingo, 6 de junho de 2010

Rádio: Mark Lanegan - Last one in the world

Ingresso comprado para o maior show de todos os tempos em 24 de junho vindouro. Dane-se a Copa, dane-se o trabalho, vai ter que caber, porque é show do Marquinhos, que sabe das coisas:

sábado, 5 de junho de 2010

Fugindo da literatura e de suas emissárias

É um episódio menor na escala cosmológica da minha vida, mas voltava do cinema (conservo com muita galhardia o bom hábito de ir ao cinema sozinho) e tropecei numa dessas agitadoras culturais que abundam na região. Tratava-se de um coletivo de poesia, acho, coisa do gênero, e consistia sua agitação cultural dessa noite fria e nauseante sair perguntando para pessoas desacompanhadas uma frase de amor que tivessem ou dito, ou ouvido, em virtude de um projeto para o dia dos namorados do tal coletivo literário donde milita e onde entrega seu tempo livre. Há louco para tudo.

Alguma confluência astral deu-me vezo de respondê-la quando me abordou. De ordinário, não o faria, seguiria cismando sem dar satisfação a sanha literária de desconhecidos, perseguindo as sombras frias e me esgueirando nas garatujas que se insinuam nos muros e fachadas, me escondendo e escorrendo livre da gente sorridente que assola a região.

Mas dei atenção e respondi. "Qual a sua frase de amor, dita ou ouvida?" Não pestanejei muito, larguei um "mesmo quando estou contigo, sinto a sua falta". Algum efeito causei, porque diferente dos que tinham me precedido, à mim ela perguntou: "hum, mas você disse isso? Quando e a quem?". Fiz transparecer, esbocei, gritei pelas expressões e trejeitos minha intenção de ir embora sem dar resposta alguma. Mas, subitamente, ainda me detive, encarei a garota e disse: "minha querida, o segredo de toda literatura está em não dar todas as respostas".

Haja coração, amigo, é clima de Copa do Mundo!

Eu olho para este blogue, ele olha para mim. Eu rosno, ele resmunga. Somos alter-egos um do outro e nos damos mal pra cacete. Eu queria descrever um insight meio noire para um texto que tive em virtude de um reflexo meu atravessado numa vitrine da Frei Caneca - véspera de Parada Gay faz da rua mais gay de São Paulo, à noite, transforma nós, homens de todas as orientações, em gatos pardos - mas não vou conseguir porque já há muito que a senhora criatividade não reside aqui.

É, de resto, meu último fim de semana de folga até final da Copa do Mundo. Se antes de começar o torneio pouco eu escrevia, muito menos escreverei a partir dessa semana, agravo que só servirá para alimentar e inflar ainda mais as intermináveis rusgas que alimentamos nós dois, blogue e eu, alter-ego um do outro.

De resto, sigo eu aqui regando as flores mortas do passado, ajeitando a boina, enquanto amaldiçoo, como homem velho e ranzinza que sou, a água que teima em me embaçar os óculos...