domingo, 16 de agosto de 2015

AssimFaliu Zaratustra

Não foi sem alguma dose de comoção que descobri que o meu primeiro blogue, iniciado em 2004, está fora do ar. O motivo é que a Globo.com, detentora do serviço blogger no Brasil, o tirou do ar, em conjunto com todos os demais que usavam essa plataforma, no último dia 30 de junho. A Globo.com poderia ter feito um esforço um pouco maior para divulgar o encerramento do Blogger brasileiro, talvez eu tivesse feito alguma coisa.

Embora todos nós, caros oito leitores, saibamos que eu não faria rigorosamente nada.

Assim Faliu, no fim das contas, a primeira versão desse blogue.

Eu devia ter ficado mais irritado, mas não fiquei.

Um pouco aborrecido, sim, porque embora eu morresse de vergonha de boa parte dos textos que mofavam naquele acervo, eles eram parte de mim. O bocó de 20 anos, que sonhava em escrever, achava que trocar engenharia por jornalismo não era má ideia, tinha impressão de entender alguma coisa de Nietszche, e que, no fundo, tinha todos os sonhos do mundo dentro do peito.

É bem provável que seja possível resgatar aqueles mal ajambrados textos de algum desses sites que armazenam vestígios das priscas eras da internet. Desde que eu migrei para o Blogspot, parei de atualizar o Blogger, o que significa que, caso o meu blogue esteja em cache em algum lugar, é bem possível que o conteúdo todo ainda exista em algum servidor qualquer.

Conteúdo é um termo muito digno, muito honrado, muito bonito para qualificar aquelas bobagens.

Era 2006. Terceiro ano de faculdade. E eu era um idiota. E hoje continuo sendo, porque é bem provável que eu nunca me dê ao trabalho de procurar pelo meu velho blogue do blogger até o ponto em que mesmo esses sites de arqueologia digital não terão mais razão alguma para guardá-lo. Aí eu descobrirei isso incidentalmente e, embora me irrite um pouco e provavelmente venha aqui reclamar, ficará por isso mesmo.

"... there is nothing here worth saving", diz a canção que estou ouvindo.

No fundo, há certas coisas que ficam melhores esquecidas, mofando no passado. Tomem nota desse judicioso veredito, porque quem vos fala é um sujeito conhecido por viver, sozinho, feito um bocó, de, no escuro, regar as flores mortas do passado.

E de encher as últimas frases dos seus textos de vírgulas, num claro expediente desesperado de, no fim das contas, tentar, ainda que inutilmente, dar algum peso, algum estilo e, vá lá, profundidade às nulidades idiotas que diz.

sábado, 1 de agosto de 2015

Rádio blogue: Michael Penn - Walter Reed

Mais uma ótima trilha sonora para quem fica aqui, como eu, sobranceiro, cismando, cheio de desconfianças a regar as flores mortas do passado.

Prestando contas

Meus queridos filhos. É preciso, antes de tudo, se desculpar. Esse mal ajambrado, envelhecido e carcomido blogue teve inspiração na necessidade de deixar algo para que vocês me conheçam melhor.

Mas eu tenho falhado, como tudo na vida, aliás, em deixar aqui um registro das minhas aflições. Das novidades, das derrotas, das alegrias, do que eu fui, estou sendo e no que vou me tornando, inadvertidamente. Eu peço desculpa pela fraqueza, mas é preciso dizer, meus queridos, que entre a larga biblioteca dos grandes defeitos do pai de vocês um dos mais bem descritos, em prosa e verso, e até em registro multimídia, há de ser essa atávica capacidade de se auto-sabotar e de desistir de tudo.

Hoje eu tenho 30 anos de vida e muito pouco para contar.

E dos muitos medos para confessar há o maior de todos, que no fim das contas, meus queridos filhos, vocês nunca cheguem a ser. Nunca existam, nunca passem de mais um projeto idealizado e nunca posto em prática.