Alberto Ascari foi o segundo campeão mundial de Fórmula 1 (venceu em 1952 e 1953). O italiano era propositalmente malvado com o filho e a história é mais uma reminiscência do tempo em que corridas eram perigosas e o sexo era seguro.
Ele dizia que não queria que o garoto sentisse sua falta quando, inevitavelmente, viesse a morrer nas pistas.
Ascari morreu num teste privado da Ferrari, em Monza, em 1955.
domingo, 5 de abril de 2015
Paternidade
às 02:46 0 comentários Marcadores: Fórmula 1, História
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Grid dos sonhos. Fonéticamente
Eu sou um apaixonado por automobilismo e venho, recentemente, me instruindo sobre os anos que antecederam a Fórmula 1 e as escaramuças travadas em rodovias e nos incipientes circuitos europeus da época sob o nome de Campeoanto Europeu de Pilotos.
Além da inerente loucura de correr com carros daqueles a velocidades superiores aos 250 por hora, a época foi pródiga nos mais imponentes nomes de pilotos de corridas. Algo que se explica, em grande parte, pelo fato de que, na época, corridas eram coisa de aristocratas, dos "gentleman drivers". Fosse eu um locutor, gostaria de narrar o grid imaginário que segue:
Tazio Nuvolari
Manfred Von Brauchitsch (lê-se "brauquitch)
Bernd Rosemeyer
Rudolf Caracciola
Raymond Sommer
Hermann Paul Müeller
Toulo de Graffenried
Georg Meier
Maurice Trintignant
Jean-Pierre Beltoise (anos 1970, lê-se "beltoáse")
Jack Brabham
Wolfgang Von Trips
Graham Hill
às 01:52 0 comentários Marcadores: Fórmula 1
domingo, 4 de maio de 2014
Senna
Eu, sinceramente, achava que nunca mais iria redigir alguma linha sobre Ayrton Senna. Mas os últimos dias foram pródigos em me lançar, ainda outra vez, aos tempos de menino, ao que pude acompanhar da carreira do tricampeão, do que ele significou por tanto tempo, dias que me lembram do sujeito que hoje sou, profundamente marcado pela paixão por carros e corridas, que nasceu em 1990/1991. Num tempo em que Ayrton Senna, um tipo de força da natureza, dobrava o destino e o mundo à sua vontade. E vencia.
Vinha ensaiando esse texto nos últimos dias, mas o que me incentivou de verdade a escrevê-lo foi um depoimento, de Emerson Fittipaldi, que li dias atrás. Em inglês, ele diz, sobre Senna, "penso nele todos os dias e sinto muito a sua falta". A declaração me pegou desprevenido, porque eu lembro de Senna com grande frequência. Não como a divindade, mas como o gênio que era de um esporte que eu aprendi a amar com reverência.
A percepção de que Senna era, e é, muito mais do que um piloto já me incomodou, assim como incomoda a muita gente, notavelmente fãs mais sisudos da F1 e jornalistas tarimbados, que esperneiam contra o endeusamento, as proporções sobre humanas a que os fãs, não só brasileiros, fazem questão de excelsar uma criatura que, na verdade, era apenas um homem.
Compreendo essa reação. Eu mesmo comungo da ideia de que fazer de Senna um herói, mito, santo, messias, o que mais couber entre esses absolutos, é despi-lo da sua fascinante personalidade, da riqueza do sujeito capaz de dar milhões para ajudar a quem precisa da mesma forma que era capaz de bater, de propósito, para embolsar um campeonato de F1. Senna é ainda mais fascinante como personagem quando observado à luz de seus defeitos e falhas. É o campeão, o melhor de todos os tempos, o cara que arrisca o pescoço pra socorrer o Erik Comas, mas veta um companheiro de equipe porque não queria ver as atenções do time divididas. Senna é humano, contraditório, problemático, genial e escroto, humilde e exagerado. Senna é uma manifestação da natureza.
Mas sem embarcar nas tortuosas linhas dessa filosofia de boteco e do entendimento do fenômeno de mídia que transforma um tremendo atleta em profeta, tenho mesmo é que recordar. Senna influenciou profundamente a minha geração e a comoção nacional por conta de sua morte, em 1994 e agora, 20 anos depois, dão a dimensão disso.
Eu lembro que era absolutamente natural ter a F1 no convívio diário. Meu pai via os Grande Prêmios, era um fã dos brasileiros na categoria, tendo começado a acompanhar corridas nos tempos de Fittipaldi. Minha primeira recordação de F1 se passa em 1988/89: estávamos na casa de um tio, em Porto Amazonas, e passava uma corrida na TV. Meu pai assistia com meu tio e discutiam as possibilidades de Senna na prova e eu lembro, perfeitamente, do carro costurando algumas curvas que me lembram Hockenheim.
Em casa, era com meu pai que eu dividia o sofá para ver as corridas. Lembro que, ao fim delas, ele já estava ocupado com a churrasqueira. E lembro também que era meio raro eu acordar para ver as corridas. Eu gostava muito de dormir e Senna era eterno. Sempre existiria outro GP.
No fim das contas, descobri, com oito anos de diferença, que nenhum dos dois viveria para sempre.
Quando comecei a acompanhar corridas, de verdade, em 1991, Senna media forças contra a Williams de Nigel Mansell. Embora longe do brilho das batalhas contra Prost, os duelos dos dois iluminavam a minha pulsante imaginação de criança. Eu lembro que, na escola, tomava os balanços com os colegas. Eu era o Senna. Ao lado, no balanço azul, ia Prost ou Mansell. Mais tarde, em 1992, nossos GPs ganharam a participação de um alemãozinho que começava, um certo Chumaquer, como escrevíamos. Nossos GPs duravam um recreio e, honestamente, não sei como medíamos vitoriosos e derrotados. Sei, contudo, que eu me esforçava para fazer a balança ir mais alto e mais longe do que as outras. Eu era Senna, tinha toda aquela vontade de vencer por trás, e eu ia mais alto por causa disso.
Para as crianças da época, Senna era essa tradução de vontade. Ele era o herói. Era o Jaspion de verdade. O cara que vencia corridas com carros que pareciam naves espaciais, que era tão forte, capaz e que nada se colocava no seu caminho. Era talento, determinação, invencibilidade em tais níveis que o cara parecia mesmo capaz de salvar o mundo, de ser herói só porque era bem sucedido num dos esportes mais mesquinhos do planeta. Senna e suas vitórias despertaram em mim a vontade de virar piloto. Lembro de ter sofrido muito quando percebi que o sonho era impossível.
Em relação a todos aqueles garotos, eu acabei diferente. A esmagadora maioria era fã de Senna, não de corridas, não da Fórmula 1. Com a morte, todos debandaram. Corridas deixaram de ser assunto nos recreios e ninguém estava interessado a assumir os cockpits nos balanços com nomes tão distantes, como Hill, Coulthard, Barrichello, Herbert, Verstappen. Eu, que adorava Ayrton Senna e chorei copiosamente pela sua morte, não. Eu gostava muito de Fórmula 1, tinha uma curiosidade insuportável sobre a história do esporte, curiosidade que só foi possível saciar com a chegada da internet. Foi Senna que me levou a gostar de F1, o que me levou a me interessar por carros, tecnologia e outras manifestações do esporte a motor.
Eu sou apaixonado por velocidade. A ideia de ir além do limite, de percorrer distâncias em lapsos de tempo, de controle e de fusão com a máquina, são incrivelmente sedutoras. Eu tenho certeza que teria dado um excelente piloto.
Nada à sombra de Ayrton Senna, que não pode ser explicado e medido apenas pelo talento. Senna, como eu me acostumei a vê-lo, dentro de um carro, era uma força da natureza. Imparável, inexorável e invencível.
às 06:39 0 comentários Marcadores: Fórmula 1, Memórias, O dia em que cresci
sexta-feira, 22 de março de 2013
It just sounds like power 2
Eu não gosto da Ferrari. Mas esse é o ronco de motor mais bonito de todos os tempos. É lírico. É como Pavarotti acordando de bom humor para cantar Nessun Dorma. É imortal como Caruso.
às 16:17 0 comentários Marcadores: Fórmula 1
quinta-feira, 21 de março de 2013
Música
"It just sounds like power".
E não poderia faltar o motor mais musical de todos os tempos:
às 15:08 0 comentários Marcadores: Fórmula 1
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Rádio - Fleetwood Mac - The Chain
Sempre que essa canção do histórico álbum Rumours chega aos 2:50 lembro da Fórmula 1. Quem é entendido, vai saber bem por quê:
às 16:28 0 comentários Marcadores: Fórmula 1, Rádio blogue
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Automobilismo é o meu esporte
Provavelmente, um dos assuntos que mais discuti na vida foi: "o automobilismo é ou não esporte?". Os mais obtusos, que dizem que não é, fiam-se na tortuosa linha de raciocínio de que o carro faz maior parte do trabalho e, portanto, não é esporte, porque não se mede capacidade física do piloto, mas sim, recurso técnico do automóvel que dirige.
Raciocínio rasteiro. Primeiro porque não é exclusividade do automobilismo usar um aparato tecnológico. Quem desce de bobsled faz a mesma coisa. Nadadores com aqueles maiôs nadam mais rápido que os que não dispõem do recurso. Skatistas dependem do melhor skate. Ciclistas tiram partido da bicicleta moldada em fibra de carbono. O mesmo para quem rema, desce corredeiras e assim por diante.
Segundo que o carro, até aqui, independende se kart, fórmula, stock, turismo ou protótipo, não se move sozinho. É preciso uma porção de sangue e carne razoavelmente doida dentro deles para que se movam, disputem freadas, passem uns pelos outros, encarem curvas cegas, retas alucinantes e assim por diante. Digam o que disserem, mas para encarar uma corrida, vá lá, de Fórmula 1, é preciso: espírito de competição, força de vontade, perícia, talento, sorte e resistência. Todas qualidades encontráveis em qualquer esporte.
Terceiro. O automobilismo exige do piloto e do time por trás dele. Pilotos de Fórmula 1, para ficar no referencial comum, encaram curvas que os submetem a forças de 4, 5 vezes à gravidade. Pode parecer distante, confinados que estamos aos nossos modestos 10 m/s² de todos os dias, mas basta dizer que uma pessoa sem preparo, submetida a acelerações desses calibres, pode simplesmente desmaiar. Calcule aí o tamanho da besteira se um sujeito sem preparo para o esporte se enfiasse num carro e desmaiasse, a uns bons 200 por hora, na saída de todas as curvas.
Equipes de qualquer categoria, das grandes às pequenas, demandam talento, recursos e trabalham mirando algo que é o cerne de qualquer competição esportiva: o aperfeiçoamento. No automobilismo de ponta (Fórmula 1, NASCAR, Indy, Mundial de Rally, Mundial de Enduro) falamos de pentelhésimos de segundo. Do detalhe aerodinâmico, aquela fração a mais de pressão do turbo, o regime de trabalho do motor, que significa mais economia de combustível ou desempenho.
Automobilismo é um esporte, com suas particularidades, mas ainda assim, esporte. O carro e a equipe desempenham um papel muito grande na performance final, isso não se discute. Mas o que faz diferença, ainda, é o homem. Do contrário, qualquer Felipe Massa seria um Alonso. E nós sabemos que não é, porque em última análise, o diferencial entre um e outro, ainda é o talento. Ou para ficar num referêncial mais justo: Lewis Hamilton anda de McLaren, é campeão do mundo, e é um tipo de showman. Corrida com ele é espetacular. Ele não desiste nunca, divide freadas, corre com sangue no zóio. Jenson Button, também de McLaren, poupa o equipamento. Conduz com fineza e delicadeza a ponto de que seus pneus ficam conservados por mais tempo, o que o coloca em posição privilegiada na hora de definir uma estratégia para a corrida e, não raro, o deixa melhor calçado que todos os concorrentes naquele momento em que as corridas se decidem.
Neste último fim de semana não tivemos Fórmula 1, mas tivemos algo melhor. As 24 Horas de Le Mans. Uma corrida realizada há quase cem anos, em estradinhas vicinais do Le Sarthe, região da França, onde se dá o evento. Leva o nome de Le Mans porque Le Mans é a maior cidade das que envolvem o percurso de 13 km. É uma corrida que mistura quase 60 carros, entre protótipos avançadíssimos, como os e-tron da Audi, que venceram a corrida, e carros de turismo, como Porsches, Ferraris e Corvettes. Os e-tron são carros híbridos, com motores elétricos e a diesel, tração nas quatro rodas e tecnologia tão alta quanto os F1.
Quarto. Automobilismo move paixão. E esporte precisa ter paixão. Tudo na vida, aliás, precisa de paixão. Talvez um pouco mais que paixão, é algo intangível, que tem a ver com a nulidade de se buscar ser mais rápido que o outro, correr, correr, correr e não chegar a lugar algum. E mesmo assim, arriscar o pescoço tentando. Algo como Bruce McLaren definiu: "Fazer algo bem feito vale tanto a pena, que morrer tentando fazer melhor não pode ser loucura. A vida é medida por realizações, e não por anos" (e ele morreu numa pista). Automobilismo é a busca desenfreada e escamoteada da morte por aquele que, temerário, a desafia. Mas há muitas formas de compreender a paixão que as corridas movem em que se sensibiliza por um V8 gorgolejanto reta abaixo.
Mas poucas resumem tão bem o espírito desse esporte como as imagens abaixo. Aconteceram nesse fim de semana, nas 24 Horas de Le Mans. Na primeira delas, o Dumas, um dos pilotos do Audi #3, perde a frente em uma curva boba. Ali eram ainda 4, 5 horas de prova. Erro bobo. Outros poderiam ter desistido, outro tipo de competição, que não as 24 Horas, seria fim de prova. Para Dumas, não. Ele desce do carro, remove os escombros da parte dianteira, dirije até os boxes com um carro esbagaçado e uma das rodas dianteiras, das que definem o rumo, se equilibrando em braços de suspensão bastante avariados. O Audi #3 é reparado em uns 30 minutos, retorna à pista e encerra sua participação, no domingo, com um honeston quinto lugar na classificação geral.
E a outra, aí sim, mais simbólica. Motoyama conduzia o inovador DeltaWing da Nissan, quando foi defenestrado por Nakajima, que andava de Toyota. O regulamento de Le Mans permite que o piloto mexa no carro em caso de necessidade, mas proíbe qualquer auxílio externo de fiscais e mecânicos. Mecânicos só podem operar reparos nos carros quando eles chegam aos boxes.
Não era o caso. Por conta disso, o time mandou uma comitiva de mecânicos para perto de onde deu-se o sinistro. É comovente vê-los instruindo Motoyama por duas horas, embora o vídeo abaixo seja editado para poucos minutos. Motoyama tenta de tudo para fazer o carro voltar a funcionar, o que o permitiria guiá-lo aos boxes, onde reparos mais substanciais seriam feitos.
Motoyama não teve sucesso na empreitada e chorou copiosamente. Foi aplaudido pelo público. Vale o registro de que o DeltaWing não disputava a vitória geral e em sua categoria. Era mais ou menos um figurante. Mas as 24 Horas de Le Mans são tão enormes em termos de competição esportiva que o que realmente vale para a maioria é terminar a prova. Motoyama chorou porque o inovador carro da Nissan abandonara a prova, e não porque perdia um troféu.
às 15:13 4 comentários Marcadores: Fórmula 1
terça-feira, 29 de maio de 2012
O maior piloto de Fórmula 1 que você nunca viu
O Gran Turismo 5 resolveu chamar-me, por bem, "Cronômetro Humano".
Fica mais uma vez confirmado que a Fórmula 1 perdeu um grande campeão.
Para quem não conhece, isso é GT 5:
às 19:21 0 comentários Marcadores: Fórmula 1, Games
sábado, 15 de maio de 2010
Subindo a Beau Rivage
Ok, vocês venceram. Depois que fui sugado pelas engrenagens bem azeitadas da roda que esmigalha sonhos juvenis e remunera mal da mídia prevalecida, não tive tempo e dedicação para este blogue, o que é uma desmedida injustiça com os caros sete leitores, cativados e conquistados a forceps nesses anos todos.
E não é agora, em pleno plantão, que vou desfazer o agravo. Vou postar, estou postando, é verdade, mas nada que vá arrancar suspiros, comova alguém, devolva o meu hamster que punha todos os dias para correr num cilindro e ficava admirado em ver suas evoluções sem sentido e objetivo.
O post, que merda, é uma ridicularia sobre Fórmula 1. Correm os bravo e habilidosos pilotos neste domingo pelas ruas ensolaradas do Mônaco. Mônaco, qualquer um sabe, é uma cidade onde carros se desdobram descendo suas ladeiras desde 1929. Tamanha tradição, claro, criou símbolos. E nada mais simbólico e charmoso que o nome das curvas do traçado monegasco:

Dá quase para recitar os nomes. Mônaco, para quem gosta de Fórmula 1, é uma poesia.
às 16:02 0 comentários Marcadores: Fórmula 1
sábado, 1 de maio de 2010
16
Hoje completa-se 16 anos que Ayrton Senna rebentou-se inapelavelmente em muro italiano. Não há muito o que dizer. Lembro que ele marcou minha vida, era um heroi. Hoje relativizado pela compreensão mais madura da sua trajetória e irrelevância. Mas eu gostava de Ayrton Senna. Chorei quando ele morreu e fiquei bastante comovido. Era como perder um amigo.
Senna não foi messias, heroi, não foi exemplo como muitos pintam, porque ele não era sempre íntegro dentro da pista. Era só um cara dando tudo que tinha para ser o melhor naquilo que fazia. E ele era. O que Senna foi, mesmo, é ser genial naquilo que fazia: guiar carros rápidos, ser o melhor piloto, quase imbatível, forte, talentoso. Senna era uma força da natureza.
Todo menino precisa de um cachorro, dizem algums. Todo menino precisa de um carrinho de rolimã, de um pai legal, aprender a empinar pipa, descobrir se gosta de pescar, se é bom em galgar as árvores. Todos precisam de amigos. Completar um álbum de figurinhas. Mas todo menino precisa de herois. Bem ou mal, Ayrton Senna foi o meu heroi por muito tempo, e aqui vão, do fundo do coração de quem vive a regar o jardim das flores mortas do passado, as melhores saudações e as maiores lembranças ao eterno campeão.
às 17:32 0 comentários Marcadores: Fórmula 1, Memórias
domingo, 28 de março de 2010
A musculação do Galvão
Ontem, na classificação do GP da Austrália, Felipe Massa levou uma coça de cronômetro daquelas de criar bicho do seu companheiro de equipe, Fernando Alonso. Foram 7 décimos, o que é muita coisa em carros iguais. Alonso larga em 3º, Massa é o 5º. Oficialmente, Massa culpou a temperatura ambiente, e em decorrência, a dos pneus, pelo desempenho tímido.
Galvão Bueno, constrangido pelo desempenho pífio do amigo, deu vazão ao seu ufanismo pastelão. As explicações para o desempenho raquítico de Massa vieram de tudo. De aquecimento de pneus, regulagem do carro, jogo de pneus, vento, sombra, um pássaro que passava pela reta. Tudo serve para explicar.
Menos especular que, talvez, Alonso seja muito mais rápido porque é muito melhor. Porque tem dois títulos mundiais, e o brasileiro nenhum. Porque tem o dobro de vitórias de Massa e uma carreira muito mais plena de êxitos. De todas as possibilidades que fizeram Felipe ser muito mais lento que Alonso, Galvão foi capaz de lembrar de todas, e mesmo de criar algumas. Mas simplesmente ignorou que, no fim das contas, pode ser que Alonso seja melhor.
A musculação retórica, o esforço discursivo para sustentar o pachequismo e o nacionalismo babaca extrapola as para lá de dilatadas margens do ridículo, quando o assunto é Galvão Bueno e patriotadas.
às 02:08 0 comentários Marcadores: Fórmula 1
quinta-feira, 11 de março de 2010
Já começou
Mas todas essas comparações virão com o tempo, no médio prazo e, na verdade, todas possibilidades são naturais e inescapáveis, sobretudo a Bruno - que se por um lado não tem culpa do sobrenome que tem, por outro, também se valeu dele para galgar mais rápido que todo mundo os degraus da hierarquia entre as categorias. O que é evitável é o ufanismo. Muita gente dirá que, agora sim, voltará a acordar cedo aos domingos, para testemunhar o início de carreira de Bruno Senna.
Galvão Bueno será um capítulo a parte, sem dúvidas. O nacionalismo doentio, que o faz, por exemplo, ignorar erros e deficiências técnicas de pilotos brasileiros, como que para defendê-los, provavelmente o fará um cruzado em busca do sucesso a todo custo do sobrinho daquele que é um "herói" em muito cunhado pelos seus gritos histeriônicos, pela infeliz "musiquinha do Senna" e pela necessidade meio boba, em muito abraçada por Ayrton que tinha uma vocação impressionante para protagonista, de se criar um messias, um redentor.
Musiquinha, aliás, que ganhou, já, uma versão para Bruno Senna. Curioso, porque o Tema da Vitória original só toca(va) em caso de vitória de piloto brasileiro, e marcou as 41 que Ayrton Senna somou de 1985 a 1993. E, sejamos sinceros, Bruno não deverá cruzar a linha de chegada em 1º lugar este ano. Considerando as possibilidades técnicas da equipe de Bruno, a estreante Hispania, eu mudo meu nome para Ana Maria Braga se Bruno Senna vencer uma corrida em 2010. Em face a realidade, contudo, já começou o oba-oba, como na transmissão dos treinos livres, onde narrador e comentarista desmanchavam-se em "como é emocionante ver um Senna de volta às pistas", e outras patacoadas e pieguices de análogo jaez. Se esse rapaz, por algum milagre e talento que por ventura tenha, pontua na estréia (precisa de, no mínimo, um 10° lugar entre os 24 que largam), preparem-se: será de dar engulhos. Será insuportável.
O idiota de tudo isso, e qualquer um com meia dúzia de neurônios em ordem percebe, é que não há heroísmo nenhum em vencer um campeonato, uma corrida de automóvel. Não há redenção nacional alguma quando um cara que só tem em comum contigo a nacionalidade vence. Sobretudo neste caso de Bruno Senna, onde a equipe é espanhola, o carro italiano, os pneus japoneses, e os engenheiros que fazem a coisa toda correr, multinacionais.
Bruno precisa, antes de tudo, de sabedoria para reagir às comparações e ao babaovismo de ocasião, da patriotada e do pachequismo militante da Globo. Do contrário, pode virar um Barrichello no pior sentido possível: alvo de chacota e de piadas intermináveis, que criam uma caricatura entre o Barrichello do mundo leigo no assunto e o Barrichello, inoxidável e competente piloto de Fórmula 1 há longevos 18 anos.
Mais que tudo, sorte, paciência e equilíbrio a Bruno Senna. Bom ou mal piloto, pouco importa, que ele não embarque nessas idiotices.
às 23:18 1 comentários Marcadores: Fórmula 1
É nóis na pista
Dentro de algumas horas, começa a temporada de 2010 da Fórmula. E já não era sem tempo. Que demora, que demora.
Em algum deslumbrante e deslumbrado emirado, neste caso o Bahrein, os carrinhos multicoloridos, delicados e extremamente rápidos inicarão a jornada das 18 etapas que compõem o campeonato nesta madrugada, nos treinos livres que espero lograr acompanhar via internet.
Para saudar a volta do esporte mais bobo e inútil de todos, uma peça publicitária genial. Das poucas coisas legais que vemos na publicidade nacional, esta sem dúvida merece destaque. Para promover o GP do Brasil, que terá lugar apenas em novembro em Interlagos, convidaram os pilotos a dizer "é nóis na pista":
às 20:08 1 comentários Marcadores: Fórmula 1
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Fórmula 1 - por isso eu curto
Provavelmente já postei esse vídeo antes. Não tem importância. Na falta de assunto, reeditemos. Reeditar é viver.
E o que conta é que o vídeo é ótimo. Comparando com as vinhetas do Hans Donner para as transmissões da Globo fico pensando, como é que ninguém por lá nunca pensou num material assim? Grandes momentos da F1 com uma trilha sonora apropriada e bem editada comunica muito mais que aquele "F1" correndo pela tela.
Não dá para ficar indiferente a um esporte desses.
às 14:17 0 comentários Marcadores: Fórmula 1
sábado, 9 de janeiro de 2010
Os robustos F1
Os carros da Fórmula 1, todo mundo sabe, são o auge da tecnologia em quatro rodas. Extremamente desenvolvidos para andar mais e mais rápido, os bólidos são produzidos em fibra de carbono, um material bastante caro que possui a particularidade de ser mais resistente que o aço, com a vantagem de ser bem mais leve. São a melhor definição de design privilegiando a forma e o uso. São bonitos porque são moldados, seguindo parâmetros do regulamento, da melhor forma possível para perfurar o ar.
Além disso, os motores v8 entregam mais de 800 cavalos de potência às rodas motrizes. Por comparação, a potência de um carro 1.0 gira em torno de 70 cavalos. Essas verdadeiras usinas de força são capazes de girar a 19.000 vezes por minuto, enquanto nossos carros raramente passam de 5.000 giros no uso cotidiano. A tecnologia embarcada que monitora cada segundo, cada força, cada reação, cada detalhe do carro, conhecida como telemetria, está a anos luz do que podemos conceber em termos de diagnóstico eletrônico das condições de nossos veículos mais modernos que disponham de centrais eletrônicas.
São veículos feitos para correr e andar a mais de 350 km/h, sendo capazes de resistir às forças resultantes de uma velocidade como esta, de gerar arrasto e pressão aerodinâmica a tal ponto que seriam capazes de andar de ponta cabeça, pelo teto de algum túnel. São carros robustos, porque a aparente fragilidade das asas é compensada pela rigidez extrema da célula de sobrevivência, onde fica o habitáculo do piloto, um conceito desenvolvido para que o carro todo se desmanche numa colisão grave - exceto o lugar onde o piloto se expreme (você pode ver isso acontecendo aqui). São máquinas impressionantes, os Fórmula 1.
E para dar um testemunho da resistência, força, robustez e capacidade de suportar pressão encontrada nos monocoques utilizados pela F1, recomendo o vídeo abaixo, protagonizado por Gehrard Berger - uma espécie de Barrichello austríaco, foi o "Barrichello do Senna", o que desqualifica, portanto, tanta gente reclamar do Schumacher - e sua Benetton, que um dia além de fazer moletons e propagandas com o slogan "United collors of Benetton", resolveu produzir carros de Fórmula 1, e foi bem sucedida nisso:
"Oh, shit!"
às 11:59 0 comentários Marcadores: Fórmula 1
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Um cavalo... com chifres?
Eu dizia que no post abaixo não estava as mais engraçadas gravações do rádio da F1. E não estava errado:
às 21:19 0 comentários Marcadores: Fórmula 1
Top 5 das comunicações entre equipes e pilotos da F1
É o chamado "team radio" da F1, que em observância ao meu carinho pela digna e bela língua portuguesa precisei traduzir no título enorme que apelida este post. Fosse literal, "team radio", em libérrima tradução, é rádio do time, e ninguém entenderia porcaria nenhuma, como provavelmente não entenderá de todo jeito, primeiro porque na F1 fala-se inglês, segundo porque rádios amadores chiam, depois porque não dá para ser claro e eloquente com um capacete amordaçando o sujeito a 300 por hora, no caso, evidentemente, dos pilotos. Os engenheiros são incompreensíveis por inveja.
Tropecei nessa seleção de momentos e, levando em consideração que fazem já duas eras glaciais que não falo de Fórmula 1 a título de espantar metade de meus 7 leitores, resolvi que vinha bem a calhar a postagem. Provavelmente estes não são os cinco melhores flagras do rádio na F1, mas são aqueles que podemos perscrutar, então nos conformemos. Segue abaixo o vídeo e, posteriormente, uma breve explicação de cada fala e momento, assim todos podem entender a piada. Ou não.
1- Jean Todt e Rubens Barrichello: o francês narigudo vestido de vermelho é o Todt, que na época, 2001, era diretor esportivo da equipe Ferrari, e recentemente, foi eleito presidente da Federação Internacional do Automóvel, a FIA, que tem sede em Paris, na "Place de la Concorde", de tão amarga lembrança para as aristocracias europeias, e que a competência jornalística brasileira adora chamar de "Federação Internacional do Automobilismo", embora não seja o caso, posto que a instituição cuida de tudo que anda sobre 4 rodas, desde segurança em rodovias a normas de redução de emissão de poluentes, e não apenas o campeonato mundial de F1. Diz ele, Todt, na gravação: "deixe Michael (Schumacher) ultrapassar, pelo campeonato, Rubens. Naquele momento da corrida, há uma volta do fim, Barrichello estava em segundo lugar e Schumacher era o terceiro, a troca de posições foi feita. Um ano depois, no mesmo circuito, outra troca aconteceu. Só que nesta segunda ocasião ninguém gravou a conversa e Barrichello abriu mão de uma vitória, coisa não muito bonita e defensável.
2- Felipe Massa e Rob Smedley: a piada é que no GP da Malásia desse ano caiu um aguaceiro sem precedentes, tão forte que a corrida foi interrompida e declarada finalizada em face a água que caía torrencialmente e que impossibilitava que os carros singrassem o asfalto, porque antes disso, deslizavam na lâmina d'água, e acabavam melancolicamente atolados nos gramados ou nas cada vez mais raras caixas de brita, o que, certamente, é bastante desagradável, porque fosse esse o destino de todos os competidores e assim não haveria corrida do mesmo jeito. Na incerteza de a corrida recomeçar ou não, Massa pede energicamente pelo rádio viseiras claras, transparentes, porque com as que estava não enxergava nada. O engenheiro responde "Felipe, baby, stay cool...": "Felipe, bebê, fica calmo... relaxa".
3- Juan Pablo Montoya: durante o Grande Prêmio da Bélgica de 2002 Montoya suou para ultrapassar Raikkonen e desabafou dizendo "fuck you, Raikkonen, what a funcking idiot". O que, presumo, dispensa tradução. E que para manter ilibada a imagem deste espaço não tenho escolha, senão omitir que, em libérrima tradução, o colombiano invocado disse "foda-se, Raikkonen, seu idiota de merda".
4- Mark Webber tem a marca de ser o piloto que mais disputou provas até vencer a primeira. E isso explica a gritaria. Há uma vertende que sustenta que a emoção do australiano ao cruzar em primeiro a chegada do GP da Alemanha desse ano foi tanta que esta lhe teria causado engulhos e que são esses os ruídos que ouvimos em meio a gritaria. Ninguém se pronunciou positivamente sobre o caso, de modo que considerem isso, até segunda ordem, como boato.
5- Jarno Trulli: no GP da Turquia de 2008 o engenheiro da Toyota diz a Trulli que ele estava três segundos atrás de Coulthard e pelo menos mais um atrás de Rosberg, e que precisava, portanto, andar mais para tentar alcançá-los. Jarno Trulli responde "don't worry, I'm pushing like a hell", o que, mais uma vez em libérrima tradução, equivale a "não esquenta, estou acelerando pra cacete". Não é tão engraçado fora de contexto, mas num mundinho tão asséptico, de declarações ensaiadas e pessoas lobotizadas como a Fórmula 1, acaba sendo algo tão non-sense que rende o esturpor do engenheiro.
às 21:13 1 comentários Marcadores: Fórmula 1
domingo, 18 de outubro de 2009
Dureza? tome Dreher
É impressionante. Por princípios e uma série de bons motivos, normalmente, não torço para esportistas brasileiros. Aí quando eu torço o cara é tão zoado quanto eu, e perde.
O bom nisso é que me sinto representado. Há um pouco de mim num Rubens Barrichello.
às 15:35 0 comentários Marcadores: Fórmula 1, Memórias
domingo, 30 de agosto de 2009
Raikkonen: I don't care about It
Comecei a simpatizar com Raikkonen logo que o finlandês, depois de um excelente ano de estreia na Sauber em 2001, assumiu a vaga deixada por Mika Hakkinen na McLaren e, daí em diante, teve um desempenho cada vez mais forte e consistente, chegando a vices campeonatos em 2003 e 2005. Perdeu ambos para Schumacher e Alonso, respectivamente. E foi sentir o gosto do título mundial em 2007, no primeiro ano de Ferrari, numa recuperação sensacional depois que a dupla prateada fazer questão de perder o campeonato mundial de pilotos. O torneio de construtores a McLaren se encarregou de, sozinha, perdê-lo ao espionar a rival Ferrari.
Paralelamente à competência nas pistas o jeitão de Raikkonen "I don't care" foi se tornando uma marca especial do piloto. A ligação, digamos, mais liberal em relação a vodka também faz de Raikkonen uma criatura simpática, mais humana, nesse ambiente tão robotizado da F1 - lembra, em certa medida, clássicos jogadores do futebol brasileiro, que passavam a noite na balada e, noutro dia, tinham gás para entrar em campo e marcar gols e vencer campeonatos. Passível a vícios e a uma personalidade própria, única, assim é Raikkonen. E é por isso que simpatizo com o finlandês campeão mundial de 2007, ali você vê mais que um piloto excelente, você vê um "cara". Em resumo, Kimi é legal porque não é bitolado no politicamente correto. Ele não se considera um exemplo pras criancinhas do mundo, não se acha um heroi. Pelo contrário, é um cara normal que disputa a F1.
Neste sábado perguntaram a Kimi sobre seu futuro. E ele disse que não está muito preocupado com o assunto. Considerando que muito se fala que provavelmente ele será preterido pela Ferrari na temporada 2010 em favor de Fernando Alonso, não é o tipo de resposta que normalmente se ouve de um piloto de ponta preocupado em manter-se em carros competitivos. Kimi provavelmente terá uma vaga, e dificilmente uma ruim, no grid do ano que vem. Seu currículo e recente fase na Ferrari o gabaritam a isso. O interessante é que ele tenha essa consciência, ou ainda que não tenha, ser capaz de passar esse ar "tô nem aí". Fosse outro piloto, diria os bordões do costume nessas ocasiões: "estou focado na Ferrari", "tenho contrato com a Ferrari até o fim do ano que vem", ou "converso com algumas equipes e busco uma vaga competitiva para o próximo ano". Kimi não. Remata tudo num "I don't care about It".
Para quem não conhece o estilo relax do finlandês, aqui vai uma amostra em vídeo. Todo ano a Globo prepara papagaiadas incessantes no GP do Brasil. Em 2006, naquela que é, até o momento, a última corrida de Schumacher, chamaram Pelé para homenagear o alemão. Raikkonen não estava muito interessado:
Outro momento marcante de Kimi aconteceu na segunda etapa do campeonato deste ano, na Malásia. Caia, lá fora, o maior dos pés d'águas já vistos, um dilúvio. Enquanto todos se perguntavam sobre a continuidade da corrida, naquele momento com boas possibilidades de recomeçar, Raikkonen já estava de bermuda nos boxes com um picolé e uma coca-cola:
às 02:28 0 comentários Marcadores: Fórmula 1
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Nostalgia
E naqueles tempos eu me ocupava com computadores, deslumbres de programação nos ditos cujos (uma vez eu criei um editor de textos no Delphi. E fiz um novo Paint, mas por algum motivo meu Paint não salvava as imagens em jpg. E quando o fazia, elas não abriam em nenhum outro lugar no universo. Bizarro). Criei uma plataforma para lançamento de vírus de computadores, que batizei de CRULL99 não lembro por quê, cheguei a criar alguns vírus bem rústicos e inofensivos. Eu me divertia dando risada das pessoas que ficavam sobressaltadas com as mensagens que apareciam na tela, ou a bandeja do cd abrindo e fechando, sem mais, nem menos.
Como tudo daquela fase, excluindo a literatura, um dia encheu o saco. Parei de andar na contra-mão, também, nos rumos da tecnologia e me conformei com a condição de consumidor passivo das diversas estripulias informáticas e tecnológicas que se produz dia a dia. Deixei de tentar entender e me imaginar produzindo essas coisas. É mais divertido viver a vida.
Naqueles idos era eu um feliz proprietário e usuário de um Play Station, o 1, da Sony, que revolucionou o mercado de games e consoles em 1995. Aliás, ainda sou proprietário do aparelho, o mesmo, que já conta 14 anos de serviços prestados à família - quando ganhei de Natal em 1995 era o terceiro da cidade. Eu era um heroi, o fodão, o cara do Play Station. Houve um evento social quando terminei o Resident Evil, muita gente para assistir o final - lembro que fiquei um pouco assustado, entretanto, quando ganhei o video-game. Porra, era com cd! E da Sony, esses caras fazem walk-man, não video-games! Achei que minha mãe comprou um meia-boca, coisa barata e ruim, nunca confessei isso até hoje. Naquela época, marca de video-game eram Sega e Nintendo. Entretanto, embora parte da família há tanto tempo, pelo que lembro, não é ligado há uns três anos. Preciso verificar e ver se ainda funciona...
Não considero meu interesse por jogos eletrônicos um resquício da minha adolescência nerd. Antes de ser adolescente, e nerd, eu já consumia jogos. De todos os tipos e variações. Mas sempre tive uma queda maior por jogos de tiro, preferencialmente ambientados na Segunda Guerra, e de corrida.
E agora há pouco, tropecei num marco da minha relação com jogos, música e automobilismo. Encontrei no YouTube a apresentação do Nascar 99. Nascar, para quem não sabe, é uma categoria de turismo dos EUA, uma coisa meio caipira, muito, mas muito, norte-americana. Turismo? Significa que correm com carros que, ao menos externamente, parecem com os seus pares de rua. Significa que não são "open-wheel" (as rodas não ficam expostas), como são os monopostos da F1, F-Indy e por aí a fora. Parece complexo, mas não é.
Eu conhecia, na época, há 10 anos atrás, apenas o que a TV aberta me permitia de corridas de automóvel, que na época consistiam em F1, CART e a IRL, que corria só em oval com aqueles carros escrotos de feiosos e inseguros. Sempre morria um cara por ano, ou se estropiava a valer em algum muro. Em 1999, aliás, na CART, morreram dois. O canadense Greg Moore nas 500 Milhas de Fontana, última prova do campeonato, tinha contrato assinado com a poderosa Penske no ano seguinte, que seria campeã com Gil de Ferran em 2001, e brigaria já em 2000 seriamente pelo campeonato. E Moore era um cara promissor. O outro que deixou a vida na CART naquele ano foi o uruguaio Gonzalo Rodrigues, provavelmente o único piloto uruguaio de todos os tempos. E o curioso é que, ainda assim, a IRL era umas 100 vezes mais perigosa que a CART que, não obstante, matou dois em 1999.
Mas da Nascar eu conhecia pouco. Um filme chamado "Dias de Trovão" (link para o filme completo, dublado, no YouTube) fora o primeiro contato com a categoria. Filme que, do alto dos meus 10 anos, eu achei o máximo. Ele traz uma temporada da Nascar, e tem Robert Duvall, Nicole Kidman e Tom Cruise. Mas, hoje, com a falta de graça que a gente adquire com o passar do tempo, tenho certeza de que o filme é, realmente, uma grandíssima porcaria.
Foi o jogo, Nascar 99, que me apresentou de maneira mais definitiva à Nascar e a George Thorogood. A Nascar não faz tanto parte de minha vida, mas eu acho simpática. Eu gosto muito de automóvel. E de corridas, então, gosto de Nascar. Meio que por osmose até.
Já Thorogood nunca mais saiu do som - nem os jogos, conforme citei. Depois George não saiu do(s) PC(s) com o mp3 que ainda florescia nas suaves ondulações da internet a 56k daqueles idos - cara, eu usei Napster, e a gente precisava baixar codec pra ouvir música em mp3. Aí vieram o disc-man, o celular que tocava música. O mp3 player. E hoje, o iPod. Um dos poucos caras que nunca saiu da minha vida com a música foi ele, George Thorogood & The Destroyers. E por isso, depois de 10 anos de estrada e de muitas idas e vindas embaladas no som do blues e do rock do George, só posso é agradecê-lo.
Tudo isso porque hoje, ao empacotar a mudança, encontrei, perdido, o cd do Nascar 99 e, me atacou furiosamente uma nostalgia de 10 anos atrás. Um "poxa", quanto tempo, quanta coisa mudou, quem eu achava que era, que seria, quem eu sou hoje, quem eu hoje sei que fui, o que eu era. Tudo que sou, hoje, se construiu também nas intermináveis corridas em Daytona, ou ouvindo "Get a Haircut" do Thorogood nos anos seguintes. Aí fui buscar no YouTube algum vídeo, porque fiquei com preguiça de instalar todo o vide-game para isso, para reviver o jogo. E, de mais a mais, se não procurasse no YouTube, esse post não seria. Porque não há a menor graça em falar tudo isso e não mostrar o jogo e a música, afinal de contas.
Eu perdi muitas, mas muitas, horas nesse jogo. E ganhei outras tantas ao ouvir o Thorogood.
Se também bateu aí alguma nostalgia, você pode baixar o jogo aqui e emulá-lo (exise emulá-lo?) no seu PC.
às 15:07 0 comentários Marcadores: Fórmula 1, Memórias




