sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Top 5 das comunicações entre equipes e pilotos da F1

É o chamado "team radio" da F1, que em observância ao meu carinho pela digna e bela língua portuguesa precisei traduzir no título enorme que apelida este post. Fosse literal, "team radio", em libérrima tradução, é rádio do time, e ninguém entenderia porcaria nenhuma, como provavelmente não entenderá de todo jeito, primeiro porque na F1 fala-se inglês, segundo porque rádios amadores chiam, depois porque não dá para ser claro e eloquente com um capacete amordaçando o sujeito a 300 por hora, no caso, evidentemente, dos pilotos. Os engenheiros são incompreensíveis por inveja.

Tropecei nessa seleção de momentos e, levando em consideração que fazem já duas eras glaciais que não falo de Fórmula 1 a título de espantar metade de meus 7 leitores, resolvi que vinha bem a calhar a postagem. Provavelmente estes não são os cinco melhores flagras do rádio na F1, mas são aqueles que podemos perscrutar, então nos conformemos. Segue abaixo o vídeo e, posteriormente, uma breve explicação de cada fala e momento, assim todos podem entender a piada. Ou não.



1- Jean Todt e Rubens Barrichello: o francês narigudo vestido de vermelho é o Todt, que na época, 2001, era diretor esportivo da equipe Ferrari, e recentemente, foi eleito presidente da Federação Internacional do Automóvel, a FIA, que tem sede em Paris, na "Place de la Concorde", de tão amarga lembrança para as aristocracias europeias, e que a competência jornalística brasileira adora chamar de "Federação Internacional do Automobilismo", embora não seja o caso, posto que a instituição cuida de tudo que anda sobre 4 rodas, desde segurança em rodovias a normas de redução de emissão de poluentes, e não apenas o campeonato mundial de F1. Diz ele, Todt, na gravação: "deixe Michael (Schumacher) ultrapassar, pelo campeonato, Rubens. Naquele momento da corrida, há uma volta do fim, Barrichello estava em segundo lugar e Schumacher era o terceiro, a troca de posições foi feita. Um ano depois, no mesmo circuito, outra troca aconteceu. Só que nesta segunda ocasião ninguém gravou a conversa e Barrichello abriu mão de uma vitória, coisa não muito bonita e defensável.

2- Felipe Massa e Rob Smedley: a piada é que no GP da Malásia desse ano caiu um aguaceiro sem precedentes, tão forte que a corrida foi interrompida e declarada finalizada em face a água que caía torrencialmente e que impossibilitava que os carros singrassem o asfalto, porque antes disso, deslizavam na lâmina d'água, e acabavam melancolicamente atolados nos gramados ou nas cada vez mais raras caixas de brita, o que, certamente, é bastante desagradável, porque fosse esse o destino de todos os competidores e assim não haveria corrida do mesmo jeito. Na incerteza de a corrida recomeçar ou não, Massa pede energicamente pelo rádio viseiras claras, transparentes, porque com as que estava não enxergava nada. O engenheiro responde "Felipe, baby, stay cool...": "Felipe, bebê, fica calmo... relaxa".

3- Juan Pablo Montoya: durante o Grande Prêmio da Bélgica de 2002 Montoya suou para ultrapassar Raikkonen e desabafou dizendo "fuck you, Raikkonen, what a funcking idiot". O que, presumo, dispensa tradução. E que para manter ilibada a imagem deste espaço não tenho escolha, senão omitir que, em libérrima tradução, o colombiano invocado disse "foda-se, Raikkonen, seu idiota de merda".

4- Mark Webber tem a marca de ser o piloto que mais disputou provas até vencer a primeira. E isso explica a gritaria. Há uma vertende que sustenta que a emoção do australiano ao cruzar em primeiro a chegada do GP da Alemanha desse ano foi tanta que esta lhe teria causado engulhos e que são esses os ruídos que ouvimos em meio a gritaria. Ninguém se pronunciou positivamente sobre o caso, de modo que considerem isso, até segunda ordem, como boato.

5- Jarno Trulli: no GP da Turquia de 2008 o engenheiro da Toyota diz a Trulli que ele estava três segundos atrás de Coulthard e pelo menos mais um atrás de Rosberg, e que precisava, portanto, andar mais para tentar alcançá-los. Jarno Trulli responde "don't worry, I'm pushing like a hell", o que, mais uma vez em libérrima tradução, equivale a "não esquenta, estou acelerando pra cacete". Não é tão engraçado fora de contexto, mas num mundinho tão asséptico, de declarações ensaiadas e pessoas lobotizadas como a Fórmula 1, acaba sendo algo tão non-sense que rende o esturpor do engenheiro.

1 comentários:

Junior Bellé disse...

O Montoya era demaais!