Quando me espevito com alguma curiosidade, vou a fundo, perco sono e tempo, mas não descanso até ter descoberto tudo que me interessa. Foi assim com o Programa Apollo uns anos atrás, com a Segunda Guerra Mundial, com a trajetória de Churchill e com a derrocada das aristocracias européias por advento da Revolução Francesa. Sou um sujeito muito curioso. Muito curioso.
E eis que "D'gajão Mata Para Vingar", filme estilo western-spaghetti de José Mojica Marins, bateu-me à porta meio inusitadamente. O filme foi rodado em Porto Amazonas, no interior do Paraná, que é um lugarejo de história muito rica - que me valeu o ensejo de um livro-reportagem - cidade pequena, onde o tempo parece ter se esquecido de passar, e que possui um passado impressionante, presente melancólico e futuro sombrio. E onde eu nasci.
Fui mordido pela ânsia da curiosidade, e que tinha um bicho específico, sempre mencionado nos romances de capa e espada de Alexandre Dumas que fiz questão de esquecer, justamente agora que me cabia muito bem citá-lo eu. O fato é que a curiosidade me tocou e que já fiz meus progressos na pesquisa.
A curiosidade, depois de exaustivas e sucessivas googladas, me levou a saber que D'gajão é o terceiro filme de uma triologia, composta de "A Sina do Aventureiro", de 1958 e que ainda não logrei exito em descobrir onde foi rodado, seguida por "O Diabo de Vila Velha", este de 1965, e que filmou-se em Ponta Grossa, aproveitando o cenário oferecido pelas escarpas de arenito do Parque Estadual de Vila Velha. "D'gajão Mata Para Vingar" é o terceiro filme, filmado em 1972, a exemplo do que é "Três Homens em Conflito" para a trilogia do dólar, de Sérgio Leone, que é, aliás, o diretor e filmes, que cunharam o gênero de western-spaghetti, em razão de serem bang-bangs rodados na Sicília italiana durante os anos 1960, ainda que contassem com atores e produção norte-americana. Clint Eastwood apareceu nessa trilogia, que vos recomendo. Ennio Morricone também, aliás (ouça aqui a trilha que marcou "Três Homens em Conflito").
E se eu soubesse disso há uns anos, talvez, fizesse outro livro, com a mesma Porto Amazonas de fundo. Mas em lugar de me debruçar sobre a história da cidade, centraria o foco nessa produção esquecida do cinema nacional.

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