Não foi sem alguma dose de comoção que descobri que o meu primeiro blogue, iniciado em 2004, está fora do ar. O motivo é que a Globo.com, detentora do serviço blogger no Brasil, o tirou do ar, em conjunto com todos os demais que usavam essa plataforma, no último dia 30 de junho. A Globo.com poderia ter feito um esforço um pouco maior para divulgar o encerramento do Blogger brasileiro, talvez eu tivesse feito alguma coisa.
Embora todos nós, caros oito leitores, saibamos que eu não faria rigorosamente nada.
Assim Faliu, no fim das contas, a primeira versão desse blogue.
Eu devia ter ficado mais irritado, mas não fiquei.
Um pouco aborrecido, sim, porque embora eu morresse de vergonha de boa parte dos textos que mofavam naquele acervo, eles eram parte de mim. O bocó de 20 anos, que sonhava em escrever, achava que trocar engenharia por jornalismo não era má ideia, tinha impressão de entender alguma coisa de Nietszche, e que, no fundo, tinha todos os sonhos do mundo dentro do peito.
É bem provável que seja possível resgatar aqueles mal ajambrados textos de algum desses sites que armazenam vestígios das priscas eras da internet. Desde que eu migrei para o Blogspot, parei de atualizar o Blogger, o que significa que, caso o meu blogue esteja em cache em algum lugar, é bem possível que o conteúdo todo ainda exista em algum servidor qualquer.
Conteúdo é um termo muito digno, muito honrado, muito bonito para qualificar aquelas bobagens.
Era 2006. Terceiro ano de faculdade. E eu era um idiota. E hoje continuo sendo, porque é bem provável que eu nunca me dê ao trabalho de procurar pelo meu velho blogue do blogger até o ponto em que mesmo esses sites de arqueologia digital não terão mais razão alguma para guardá-lo. Aí eu descobrirei isso incidentalmente e, embora me irrite um pouco e provavelmente venha aqui reclamar, ficará por isso mesmo.
"... there is nothing here worth saving", diz a canção que estou ouvindo.
No fundo, há certas coisas que ficam melhores esquecidas, mofando no passado. Tomem nota desse judicioso veredito, porque quem vos fala é um sujeito conhecido por viver, sozinho, feito um bocó, de, no escuro, regar as flores mortas do passado.
E de encher as últimas frases dos seus textos de vírgulas, num claro expediente desesperado de, no fim das contas, tentar, ainda que inutilmente, dar algum peso, algum estilo e, vá lá, profundidade às nulidades idiotas que diz.
domingo, 16 de agosto de 2015
AssimFaliu Zaratustra
às 20:42 Marcadores: Memórias, Vida pregressa e blogue antigo

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