A morte, sabemos todos, dá-se com uma inarredável certeza das nossas existências. Não se pode evitar morrer. Mais dia, menos dia, abate-se sobre todos nós qualquer sorte de evento abrupto que nos encerra a existência. Não há filosofia que drible isso.
E pelo caráter inevitável da morte, pela sua capacidade de tocar a todos, independentemente de origens, posses, dignidades, ocasiões e tudo o mais, ocorre que algumas mortes são únicas. Poucos foram os sujeitos que "sobreviveram" a uma morte como James Dean, a morte de Dean interrompeu sua vida, mas não sua história. No mesmo rol dá para incluir Elvis Presley, talvez Michael Jackson, dependendo de como sua obra por gerida e o interesse público reagir à sua morte.
Dean era um jovem dos anos 1950, talentoso ator, galã. A pinta rock n' roll do rapaz encantava as mocinhas de então. Dean tinha um carisma especial e que foi potencializado em virtude da maneira como morreu, a juventude, a inconsequência, a rebeldia de toda uma época de grande poxa em virtude da geração estagnada pelo vazio do pós-guerra, que semeou a liberação cultural, que abriu portas para as revoluções comportamentais da década seguinte. James Dean é como um ícone desse processo. Ele e sua "atitude" são simbólicos em todo esse contexto.
Só que ele morreu. E de acidente. E correndo bizarra e inconsequentemente numa rodovia em direção a uma... corrida. Num carro esportivo. No caso, um Porsche. James Dean morreu e o fez com estilo. No auge, em plena juventude, fazendo sucesso e de Porsche. Bebia e fumava, era o heroi daquela Juventude Transviada, filme mais conhecido do ator e tão icônico quanto ele, Dean, foi e ainda é. E já falei bastante de James Dean e esse filme aqui, há 4 anos.
Tropecei hoje numa propaganda de um fundo de investimentos norte-americano. A ideia da peça publicitária é imaginar como teria sido a vida de James se não tivesse morrido no acidente. Os filmes que teria feito, o seu carisma sendo usado em prol de causas humanitárias e sociais, os Oscar que teria vencido (o ator foi indicado postumamente em 1956 por "Assim Caminha a Humanidade"). Achei muito interessante a associação de Dean, que era um aficcionado por velocidade e automóveis, com o filme "As 24 Horas de Le Mans", rodado em 1970, com Steve McQueen, outro ícone. Melhor filme de corridas de todos os tempos, aliás. Voltando ao comercial, trata-se de uma excelente ideia, e que faz pensar: se não fosse o acidente, a morte, Dean teria se alinhado junto de sujeitos como Marlon Brando e Steve McQueen? Sua fama teria sido a de mais um ator normal, sem o glamour da morte inconsequente e abrupta? Ou o destino dele era mesmo a iconoplastia de toda uma época?
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
James Dean não morreu!
às 21:48 Marcadores: Atualidades, Cinema, Cultura, Entretenimento

0 comentários:
Postar um comentário