Ontem eu andei 7,8 quilômetros, a levar-se fé nas artes do Google Earth em mensurar distâncias. Fui andar pelo centro antigo, terminei no Mercado Municipal para comer o melhor sanduíche de mortadela de todos os tempos e que custou-me oito dinheiros. Mas bem gastos. O mercadão é um lugar que realmente merece a caminhada.
Além do pão, comi no Mercadão algo que não ingeria há 16 anos. Framboesa. Na verdade essa fora a primeira, e até ontem única, vez que eu comera framboesa. Lembro do episódio: tínhamos, meu pai e eu, ido a São Luís do Purunã, onde um tio possui um sítio. Chegamos muito cedo à casa da propriedade e não tinha ninguém lá. Para distrair o pandulho, dar o que fazer ao estômago e calar suas inclemências, atacamos um modesto canteiro de framboesas. A dar-se fé nas minhas inatacáveis memórias, comíamos as frutas com tamanha devoção que me lembro de engoli-las com as narinas. E desde então nunca mais tinha comido framboesa.
Caminhando andei por ruas nunca dantes caminhadas. Passei pela esquina da Ipiranga com a São João, cantada na canção "Sampa", de Caetano Veloso e que em função desses versos ficou conhecida como a "esquina da MPB". Tentei tirar foto das placas que marcam o encontro das duas avenidas, mas meu celular me avacalhou as fotografias. Fica para próxima. Como era de se esperar, é ali perto, acabei indo parar na Santa Ifigênia, cotei preços de um hd novo que ando precisando. Vi um cooler para placa de vídeo também. E acompanhava o aparelho uma vendedora que não me sai do pensamento. E que cooler, meus amigos, e que cooler!
Gosto de andar pelo centro velho de São Paulo. Me surpreendo fácil com fachadas antigas, arquitetura eclética ou art-decó. Me lamento por prédios mal cuidados e espaços altamente degradados da região. Eu gosto da sensação de respirar história, e se tiverem com sorte e eu com paciência, ou vice-versa, tecerei ainda algumas linhas sobre minha visão de edifícios clássicos, como o Edifício Martinelli.
Enfim, e ia eu desandando da caminhada matinal, quando preciso me distrair e pensar saio caminhando sem rumo pela pauliceia - não há limites para a minha capacidade de me apoquentar - quando topei com um ônibus. Não nego. Bati os olhos e me assustei, achei que tinha virado testemunha de uma fatalidade.
Isso sim é publicidade de verdade. Pra ficar melhor eu colocaria um "Caralho, atravesse na faixa, porra".


1 comentários:
Ah, essa vendedora....
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