Houve um tempo em que eu gostava de dias cinzas. Aí veio um tempo em que eu, mais que preferi-los, via neles cores que os outros não viam, porque não os olhava, então, com olhos como toda gente.
Hoje me tiraram a capacidade de discernir esse matiz diferente do céu acinzentado. Eu era um daltônico, em certo sentido, mas não porque confundia cores. Acontecia que eu as via onde ninguém mais podia enxergá-las. Eu olhava o dia cinza por meio de sístoles e diástoles, e não por piscadelas. Hoje, que pena, pra mim o dia cinza é tão aborrecido como o é para todo mundo.
Eu sou, então, um sujeito comum, que como todos, desdiz os dias em que o azul do céu esquece de pairar e onde o Sol descansa na privacidade indecifrável das nuvens.
Eu via, que ironia, arco-íris em dias plúmbeos. Hoje me conformo com o cinza, que é, como se sabe e como referenda larga literatura, em prosa e verso, a cor da tristeza.

1 comentários:
Prefiro dias ensolarados.
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