Nestas minhas intermitentes, e talvez bastante desprovidas de sentido, braçadas neste outro Atlântico que é a internet, vez ou outra, tropeço, ou antes, dou com a quilha nalgum recife que, se por um lado põe a pique minha embarcação feita de gigabytes, como diria Gilberto Gil, me dá o ensejo de vislumbrar ilhas, paraísos de interesse e de gratificantes descobertas em ilhas desertas e insondáveis, em mares nunca dantes navegados pelos meus gigabytes.
O que é muito saudável. Afinal, sejamos francos, a internet, como um dia definiu Homer Simpson se especializou em tornar-se uma rede internacional de pornografia. Não estranhem. Nada contra. Ou pelo menos não muito. Quem quer sacanagem, acha. Devia ser assim, mas não é. Tem muita mulher nua e muita mulher pelada na internet, e não é sempre que as procuramos, afinal.
Mas isso cansa. Combina com os hormônios em ebulição da adolescência e por mais que ainda hoje seja um prazer vê-las, admirá-las e tudo o mais, a verdade é que há uma certa saturação. É o mal da fartura, faz tudo ficar comum, réles e sem graça. Nos meus tempos, olha a nostalgia, comprar revista adulta escondido dava cadeia. Ou se não dava, parecia que dava. Me sentia um agente soviético contrabandeando informações do ocidente nos bons tempos da guerra fria. Hoje o sujeito tem tudo à mão, não há a menor graça ver pornografia nos doidos, e doídos, tempos que correm.
Daí a ser satisfatório que entre tempestades, bonanças e braçadas no mar internético você possa tropeçar com sites que se prestem a algo mais do que exibir partes escusas da anatômia feminina (até na home do UOL tem mulher em poses libidinosas). É o caso deste blogue aqui. Eleito a partir de hoje e para todo o sempre como o melhor blogue por mim já visitado. Trata-se de um blogue que posta e indexa tudo que vale à pena, e o que não vale, em relação ao cinema. Está tudo lá, ótimos filmes da idade de ouro, de prata, de bronze, de zircônio e de plástico da sétima arte. Um barato. Tem até "Cegos, Surdos e Loucos".
Adoro esse tipo de possibilidade da internet. Me permite incentivar minhas agridoçuras em relação à vida e ao passado. O homem, saibam, é um ser nostálgico. Baixei hoje, por exemplo, "O Incrível Exército de Brancaleone", que é uma excelente comédia rodada no paleozóico - provavelmente é "paleozoico" agora - ano de 1966.
Ao "Incrível Exército de Brancaleone" longa vida! Às mulheres que desfilam suas vergonhas e orgulhos pelo oceano de bobagens da internet vida não tão longa assim. Porque o tempo passa. Ele, aliás, não faz outra coisa. Precisamos, por supuesto, de novas caras e novas bundas, ainda que torçamos o nariz para a enorme oferta atual dos artigos em questão. No mais, se há quem se preste a ser objeto, por que serei eu a dizer algo contra?
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Muita mulher pelada
às 14:43 Marcadores: Cinema, Cultura, Entretenimento, Memórias

1 comentários:
Há oásis nesse deserto, ou, ops, ilhas para náufragos nesse mar. A não ser para aqueles que caem com um avião. Enfim...
Vou aproveitar a dica. ;)
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