quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Hai-kai nº 24 (sem métrica)

Que medo me bota
essa vida que se comporta
como se fosse agiota

76 anos de Sagan

Hoje, se vivo fosse, Carl Sagan celebraria 76 anos de vida.

Não poderia deixar de escrever algo sobre a efeméride, e para saudar sua memória, digo que foi uma honra e um prazer, na imensidão do espaço e do tempo, dividir com suas ideias e memória uma mesma época.

sábado, 6 de novembro de 2010

Versinhos nada originais

O legal de entender estrelas
enxergar os mistérios do universo
ver a beleza das nebulosas
admirar os buracos negros
divisar as escalas fabulosas 
é entender o que é ser parte do cosmo
compreender que o poeta
que olha ao céu a esmo
é mais uma forma do universo
conhecer a si mesmo.

Balela

Acontece que eu não sou alegre
tampouco digo que sou triste
nada disso existe
é tudo balela! 
o que apoquenta e vale a pena dizer
é que sou poeta.

Insignificancias

Acasos impossíveis.
eu sou um grão de areia
derramado na imensidão oceânica do deserto
o ar livre é meu desabrigo
não sou como os outros
cada grão é único
a diferença é que vai comigo
o coração bem aberto.

Eu sou um grão de areia
perdido na imensidão do universo
é tanta que aborrece e me faz triste
porque meus dias me fazem vergar
afinal, todo grão sonha
e o meu sonho
é me encontrar com o mar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Trovinhas nº1

Acho que é frescura mas nem comento...
Não passa por torneira sem antes lavar as mãos
Carne não pode ser vermelha, chocolate é talento
Não come sorvete e suspiro só se for de paixão.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dia

Lá vai na mesma toada
o desafio do meu dia
desvelando-se no arquivo morto de minhas vaidades
o florescer imorredouro das minhas saudades.
Vai, vai mesmo
o desafio de todo meu dia
é sobreviver, ainda que vergando
à resistência claudicante da minha rebeldia
porque eu sou um, e ainda assim, sou bando
Como uma multidão
atrás de legitimidade e de nova intriga
vemos derrota na glória e odor na nostalgia
resistimos, aquecemos o inverno
vamos na mesma toada, esquecendo do moderno
lutando contra todo meu poder de transformação
É o desafio do meu dia
congelamos no inferno 
Fazemos revolução 
vai, vai mesmo, vai
corra por todos os caminhos
grite, mande avisar
que eu vou, eu vou levantar
e comigo vão todos os sonhos do mundo
vão-se as flores mortas do passado
e renascem em mim as toadas vivas
e o sorriso obstinadoÉ hora das caminhadas maiores
por onde ando de braços dados com todas as cores
atrás de vitórias, sonhos, derrotas e dias melhores
e os desafios incríveis do meu dia apressado.

sábado, 30 de outubro de 2010

Os Reds de Reed

É engraçado, e um pouco triste, assistir "Reds", de 1981. De um lado, o jornalismo nos bons tempos imediatamente anteriores à ditadura do "lead", da torpeza da objetividade que se vende como lei de ouro, e que não passa de brilho fulgaz de pirita a enganar os tolos, o jornalista e o jornalismo em estado de arte, militantes da transformação social do mundo. A vida de um ícone do jornalismo literário, o autor de "Dez dias que abalaram o mundo", John Reed. E também o florescer da Revolução Russa, a tomada do poder pela maioria de fato, a queda das oligarquias num primeiro momento, a chegada do tempo em que, acreditava-se, as rédeas dos destinos da humanidade seriam de todos, e que a igualdade seria um bem comum.

E de outro lado, o debacle inerente de todas essas coisas. O reconhecimento de que a União Soviética foi um imenso fracasso moral, social, político e principalmente humano. A convicção de que o jornalismo morre a cada manchete mal resolvida, a cada lapso, digamos assim, de golpismo, de truculência e de decadência luzídia.

Luzídia, sim, para nos lembrar que nem tudo que reluz é, de fato, ouro.

Bom filme. Bom filme.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Banners!

É bom mudar as vezes, como já dizia o sábio e embriagado Vanucci: "é hora de mudar... ou mudar de vez":






quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Books on the table

For a fistful of mercy.
I woke up this morning
and believe in a brigth new day
with all my smiles glowing
while I walk to my dreams
to figure out how am I growing?

O poema é ruim. Vocês queriam o quê? Agora é hora de Poems to fight back the baldness. Or boldness, whatever.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Rádio: Ennio Morricone - Ecstasy of Gold

Palavras para quê?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Aforismos - Poetas

Trago esperança aos homens, não guardo nenhuma para mim mesmo.

Droit na vida

E quando eu nasci
um desses anjos de sombra,
veio e me disse:
tá aqui esse déizão,
vai na padaria,
me compra uma pinga,
cigarro da tabacaria,
e traz o resto em dadinho.

Arte

É a arte:

Como estragar um poema promissor nº 1

Entre as insustentáveis vagas
do oceano dos meus sonhos
onde uma gota é o todo,
onde a solidão corta como adagas,

eu vou me procurar entre os escolhos
que brotam à flor das águas
Nesse meu oceano de possibilidades
das minhas infinitas veredas
carrego meu caleidoscópio de saudades
onde estão a geometria da minha poesia
e a verdade em fé da minha heresia
que faz com que a realidade
seja só um desdobramento da minha vontade.

Bobajada feita para rimar e não fazer sentido

Vai tudo ao inverso.
Sobretudo o verso
que devia ter sido,
e que anda esquecido.
Tudo ao contrário
o céu é um calvário!

Conheço os teus dias

Eu fico aqui e vejo
meu amor longe,
de braços dados com o futuro.
Correndo pela vida, fugindo.
Deixando-me um dia obscuro,
onde tudo que reluzia vai sumindo...

Eu conheço teus dias
já estive neles escorrendo
fazendo de tudo coração
distorcendo a realidade
enquanto ia te morrendo
procurando nas tuas lágrimas
as minhas alegrias
e fazendo dos teus risos
o meu desalento.

Cresça!

... e são duas coisas muito diferentes, o estudar e o aprender... quem só estuda, decora, bitola-se, fica reduzindo perspectivas para encaixá-las nas suas formas reducionistas de ver o mundo... quem aprende, instiga, caminha, aprofunda-se e descobre quão maravilhoso pode alguém vir a ser depois da jornada do auto-conhecimento.

Aforismo - Das generalizações

Uma das frases mais recorrentes e interessantes do nosso conversar habitual é "não há regra sem exceção". Mas dizê-lo é, forçosamente, estabelecer a regra de que sempre haverá uma exceção para qualquer mandamento. Se é assim, o próprio "não há regra sem exceção" deve ter a sua, não? Mas o interessante é pensar o inverso*:

"Não há exceção sem regra" - Millôr Fernandes.

* Aliás, a capacidade de subverter ordens, como essa, e de dissociar ideias - não de associar - segundo o filósofo espanhol Ortega y Gasset em seu livro "Rebelião das Massas", é a verdadeira característica que distingue o ser mais bem acabado e mais inteligente que os demais. É, sei o mal estar que você está sentido, são poucos os capazes disso. Muito poucos.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Comemore quando pode

Não é nada, não é nada, mas isso aqui é uma pequena vitória pessoal.