You crack me up:
quinta-feira, 31 de maio de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Reversos
Eu já vos aborreci com a história de que virei compositor dias atrás, quando um teaser foi veiculado com um dos meus poemas musicados, naquela oportunidade foi usado "Como estragar um poema promissor nº 1", musicado por FélixBravo.
As patacoadas que me coube dizer sobre o Reversos estão neste post original, onde explico que João Félix e Bernardo Bravo consertaram o poema que estraguei. A eles, agora, soma-se o talento de João Sobral, Beto Só e Jardim das Horas. A emoção é a mesma, até maior, mas iludem-se os caros oito leitores se acham que vou escrever tudo, novamente. É muito talento num só parágrafo e que, por acaso desse destino louco, acabou dando vida e se apropriando de maneira irresistível dos meus poemas lamentáveis.
E, hoje, volto ao assunto porque, enfim, foi divulgado todo o disco. Com todas as poesias, Lado A e Lado B. Eu sou autor de quatro delas, mas não canso de ouvir todo o disco. Há muita coisa bonita, muita criatividade, talento e boa vontade unidas neste projeto.
Fica o convite, ouça aqui.
terça-feira, 29 de maio de 2012
O maior piloto de Fórmula 1 que você nunca viu
O Gran Turismo 5 resolveu chamar-me, por bem, "Cronômetro Humano".
Fica mais uma vez confirmado que a Fórmula 1 perdeu um grande campeão.
Para quem não conhece, isso é GT 5:
às 19:21 0 comentários Marcadores: Fórmula 1, Games
Aforismos - Nostalgias
"Se fosse bom não teria sido uma merda".
Sábias palavras de um não menos sábio amigo, que não satisfeito em lograr esse êxito na arte de aforismos, onde figuram em relevo figuras da dimensão de Oscar Wilde, dentre outros menos votados, ainda rematou: "ainda vou ver essa frase no Facebook sendo creditada ao Gandhi".
Sábio.
às 19:06 0 comentários Marcadores: Aforismos
segunda-feira, 28 de maio de 2012
"Um Dia de Cão" é a quase obra-prima de Sidney Lumet
Sidney Lumet é o tipo de diretor que dá uma cara bem marcante para cada filme seu. Apesar de parecer o contrário, não é algo assim tão comum. Há centenas de diretores de bons filmes que são irreconhecíveis a cada trabalho. Mas há outros que parecem assinar, de maneira intangível, cada trabalho de modo que você os reconheça sem precisar consultar o IMDB.
E com isso não estou me referindo a diretores que transformam estilos em clichês. Exemplo: Quentin Tarantino não "assina" cada filme seu com esse toque especial, ele simplesmente inunda as cenas de sangue e exagera em tudo. Isso é um clichê nos filmes dele e esvazia qualquer análise.
Trailer:
Falo de toques mais suaves, mais especiais. É o caso de "Um Dia de Cão" ("Dog Day Afternoon", de 1975). É um dos filmes mais interessantes dos anos 1970. A história gira em torno de um sujeito, que submetido por pressões diversas, decide roubar um banco. Tudo dá errado, o roubo vira uma tragédia em potencial, o personagem se mostra cada vez mais complexo e o roubo acaba se transformando em um circo da mídia.
Mídia que é, talvez, uma das grandes assinaturas de Lumet neste filme. Outro longa do diretor, infelizmente morto em 2011, é "Network", que é de 1976 e, entretanto, é tão ou mais atual que qualquer seminário de crítica de mídia contemporâneo. A temática e a sensibilidade de se observar as reações das massas e comportamento da mídia são suaves em "Um Dia de Cão" (e centrais em "Network"), mas, ainda assim, ecoam enormemente no filme de um ano depois. Aliás, "Um Dia de Cão" levou Oscar de melhor roteiro original e "Network" chutou o balde com roteiro original, melhor ator, atriz, e atriz coadjuvante.
"Um Dia de Cão" é a quase obra-prima do diretor não por ficar devendo algo, por pecar em algum ponto importante. O filme é a quase obra-prima de Lumet simplesmente porque ele fez filmes ainda melhores, como "Network" - o que não desmerece, em absoluto, "Um Dia de Cão", pelo contrário, apenas demonstra o alto nível e o talento esmagadores de Sidney Lumet em sua obra.
Talvez a grande semelhança entre o filme de 1975 e o de 1976 seja a capacidade de Lumet colocar os personagens em perspectiva e revelar, mesmo naqueles que fazem participações bem curtas, algo de especial, de humano, de crível. Algo que faz você olhar para aquela figura e presumi-la no mundo real, porque você enxerga nela profundidade. Via de regra, espera-se esse trabalho dos atores, mas o que mostra o dedo do diretor nestes dois filmes é a capacidade de conseguir essa expressão de vida em atores menos talentosos e que sumiram com o tempo. É o caso do gerente do banco, solícito, gentil, que deixa escapar que torce pelos bandidos e não se importa tanto com o banco. Mas ainda assim, em dada altura, amaldiçoa o momento em que os bandidos atrapalhados escolheram seu banco.
Talento não é problema para o ator incumbido do personagem principal, concedido a um jovem, e já brilhante, Al Pacino. Em duas horas de filme, nos convencemos a cada instante e intervenção de Sonny, personagem de Al Pacino, que ele é uma vítima das circunstâncias e não um mal sujeito. Torcemos por ele e esperamos que tudo dê certo porque Sonny é como cada um de nós, que um dia bateu a mão na mesa e resolveu sair por aí cortando gargantas e hasteando a bandeira negra. Não é um defeito. Ele é a insurreição que sufocamos a cada dia ruim de trabalho, escrotice do seu superior, má notícia do seu time de futebol, pressões injustas de quem você ama. Sonny é eu e você, só que é eu e você indo onde a gente, normalmente, não ousa ir.
Desde que vi "Um Dia de Cão" pela primeira vez, sempre fiz uma referência mental com "Dia de Fúria", com Michael Douglas. A referência não é tanto pelos filmes, mas pela personalidade sufocada dos personagens principais. Se você tiver curiosidade ver "Um Dia de Cão" fará mais ou menos o mesmo raciocínio e se supreenderá torcendo pelo bandido.
Torcemos por Sonny no filme porque somos humanos. Torcer por um assassino, ou neste caso, um assassino em potencial não deve ser motivo de vergonha, porque não torcemos para ele matar pessoas, torcemos para que ele salve seu pescoço e dos reféns. Torcer por um bandido em um filme, nessas premissas, é algo que não deve abominar o humano em você, mas sim reforçá-lo.
"Um Dia de Cão" é basicamente uma grande paródia que revela um prisma para colocar a vida em perspectiva. A questão das pressões sufocadas que levam um homem comum a roubar um banco, ou neste caso, tentar. O comportamento inconsequente e burro das multidões, o despreparo policial, o vazio da mídia.
O longa coloca todas essas coisas em foco e permite até mesmo rir do vazio em que estas questões caem rotineiramente. Caso da idiotia policial, que chega ao ponto de alimentar bandidos e reféns dentro do banco, em lugar de traçar uma estratégia para encerrar o episódio e resgatar os reféns para a segurança.
Trechos memoráveis:
A própria cordialidade dos bandidos em relação a seus reféns, num contraste com o que se espera de um assalto mal sucedido e com o próprio comportamento da polícia. Boa parte do filme usa essas duas tangentes para construir a impressão de que, mais do que ineficiente, a postura da polícia é inútil, porque os reféns não tem motivo para querer sair dali.
O delicioso roteiro de absurdos de "Um Dia de Cão" guarda, ainda, uma interessante surpresa. O ângulo diferente, que pega o espectador de surpresa: trata-se da esposa de Sonny. Em dada altura, ele exige que a busquem, porque precisa se entender com ela, explicar porque resolveu roubar o banco e tentar a reconciliação para que, na hipótese de sua fuga negociada funcionar, ela escolha seguir em sua companhia.
Tudo muito simples até que a esposa surge. Ela é ele. A esposa, amada de Sonny e motivo primeiro para o assalto, é Leon. Um homem "preso num corpo de mulher", como diz, e que precisava do dinheiro para a cirurgia de mudança de sexo. É incrível como o filme, já inteligente, fica espesso, denso, cheio de mensagens e ângulos para se observar.
Um deles é a reação da multidão que acompanha o desenrolar do episódio. Antes, ela era favorável a Sonny e sua maneira de provocar os policiais, porque isso a divertia. Depois que descobre que Sonny é bissexual - estamos em 1975 e, ainda assim, as coisas não mudaram tanto de lá para cá - ela passa a se comportar de maneira refratária em relação ao personagem. Toda vez que Sonny sai do banco para negociar ou revistar algum policial, zombarias e gritos colorem as cenas, dando aquela marca de "humanidade", de coisa real.
Cabe também registro do ótimo trabalho de Chris Sarandon, que estreou nesse filme com a bucha de viver um transexual em 1975. Seu personagem, Leon, é feminino sem ser caricato, algo raro para a época.
"Um Dia de Cão" é um filme genuinamente brilhante de um sujeito que, um ano depois, ainda emplacou "Network", nas minhas contas um dos maiores filmes do século passado. E o mais fasciante dessa história de absurdo, de exagero, de drama e comédia, esse rascunho das duas faces da vida, dos tons de cinza que pintam a nossa moral é que tudo aconteceu de verdade, em 1972, no Brooklin, em Nova Iorque.
É um filme que merece ser degustado porque desnuda um homem que ama outro homem, um homem que explode pela pressão, que vira alvo da mídia e ganha 15 minutos de fama, um homem que desafia a inépcia das autoridades, que joga com a massa. "Um Dia de Cão" fala sobre nós e nosso contexto de maneira sublime e precisa, sem caricaturas e sem o didatismo bobo e reduntande, que resume 90% dos filmes atuais.
Dane-se o clichê, mas não por acaso, diz-se que o "maior espetáculo para o homem ainda é o próprio homem". Assista! São duas horas do humano, demasiado humano.
às 15:40 0 comentários Marcadores: Cinema, Cultura
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Mil e contando
Esta é a milésima postagem deste blogue. Não é nada, não é nada e... não é nada mesmo.
às 12:09 1 comentários Marcadores: Memórias
Feliz Dia da Toalha
"O fato de que vivemos no fundo de um poço profundo de gravidade, na superfície de um planeta coberto de gás que gira em torno de uma bola de fogo nuclear a 150 milhões de quilômetros, e achamos isso normal, é obvimanete uma indicação do quão torta tende a ser nossa perspectiva de normalidade".
Douglas Adams
O mundo seria um lugar melhor se as pessoas lessem os escritos desse cidadão. Feliz Dia da Toalha para quem é.
às 12:00 0 comentários Marcadores: Cultura
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Férias, Porthos e Mousqueton
Venho programando minhas férias nos últimos dias e o processo recorda-me diretamente dois personagens e alguns livros. Antes de explicar quais e por quê, preciso dizer que programar férias é um trabalho delicioso. Melhor ainda quando você tem fundos para cobrir todos os passeios, excentricidades e distrações. O que não é bem o caso, mas isso tudo é problema para o Tertuliano do futuro resolver.
Gastar à crédito é, em resumo, tomar emprestado de você mesmo. Do futuro.
Mas toca a dizer que estimo minhas férias em uma viagem ao pedaço mais setentrional da América do Sul e que, dando tudo certo e me sobrando os dinheiros, divido o percurso em dois pedaços. A primeira jornada leva-me à capital do Uruguai, Montevidéu, não diga, onde pretendo passar 10 dias. Comes, visita ao Centenário, aquisições de idumentárias da Celeste e uma enorme bandeira da República Oriental do Uruguai para irritar os Pachecos em 2014 estão na ordem do dia.
De Montevidéu pulo a ponta de água e piso em Buenos Aires, seis anos depois, unicamente para embarcar no trem que desce para a Patagônia, e me deixa a meio do caminho, em Bariloche - onde, a dar-se fé nas informações, neva, faz frio e vê-se gente. Lá pretendo tiritar ao frio, pisar na neve, engarrafar uma porção dela para trazer aos trópicos, quem sabe tomar um chocolate quente e comprar agasalhos de frio ridiculamente exagerados para o uso no Brasil. Calculo para isso tudo 6 dias. Terminadas as escaramuças em Bariloche, retiro o automóvel alugado previamente, sujeito precavido que sou, e cruzo alguns milhares de quilômetros, não tenho ideia de quantos, mas me alegro enormemente que sejam milhares, sei que de ônibus são 22 horas, até Buenos Aires, onde devolvo o veículo no dia seguinte.
Não tenho ideia de como ou através de que rota volto para a casa. Mais uma vez, deixemos o Tertuliano do porvir resolver-se.
A ideia de dirigir me arrebata por conta das paisagens, a perspectiva de algumas horas no carro num clima frio e numa paisagem diferente e bonita seduzem todas as fibras do meu ser, a ponto de me fazer considerar essa a melhor porção da viagem. Dane-se a atração irresistível da terra de Galeano, às favas os alpes argentinos. Dirigir sempre me foi uma válvula de escape das mais eficientes. De triste mesmo é a perspectiva de fazer todo o passeio sozinho. Verdade seja dita, eu gostaria é de ir de carro todo o caminho. De Curitiba a Bariloche, ida e volta.
Calculo que volto para casa com bons 10 dias para gastar fazendo nada, vendo filmes, bebendo e jogando video-game. Para ser melhor que isso, só tendo o dobro do tempo e dinheiro.
Faltou dizer quais são as personagens e os livros que o projeto de minhas férias remetem. Simples. Mousqueton e Porthos, em Vinte Anos Depois. A bem da verdade é que nesta altura da obra já eram o criado, Mouston, e o Barão de Bracieux, mas aí são detalhes. O fato é que os dois, Porthos e Mousqueton, ocupavam-se de fazer girar um globo terrestre e pará-lo ao colocar o dedo sobre qualquer ponto da esfera. Verificavam onde situava-se o lugar e prometiam os dois, solenemente, que jamais pisariam os pés naquela paragem.
O que faziam por filosófica bazofia, creio, farei eu pela timidez de recursos, propensão natural ao postergamento e pura preguiça. É bem capaz de abortar as viagens por qualquer um, se não mesmo todos, esses motivos.
às 14:27 1 comentários Marcadores: Memórias
terça-feira, 22 de maio de 2012
Rádio: Renato Borghetti - Milonga para as Missões
Reinventando o repertório:
às 19:26 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
"Kelly's Heroes" é o pior filme da carreira de Clint Eastwood como ator
Eu devo ter baixado "Kelly's Heroes" (ou como fora batizado em sua hedionda versão nacional, "Os Guerreiros Pilantras") por conta da participação de Clint Eastwood no longa de 1970. Ele vive o soldado (tenente?) Kelly que batiza o longa e protagoniza, sem dúvida, o pior filme da carreira. De lambuja, faz ainda o seu pior trabalho como ator.
Ponto, parágrafo. É bem possível que o problema de "Kelly's Heroes" tenha sido o fato de que, 42 anos depois, ele está datado. Mas ainda assim, filmes do período e com temática semelhante, e mais antigos, envelheceram muito melhor. "Fugindo do Inferno" e "M*A*S*H*" surgem na mente como base de comparação. Do segundo, inclusive, falarei mais abaixo.
O filme não é nenhum primor em termos de peça bélica e menos ainda de humor, como se entende da premissa do roteiro. A ideia central gira em torno de Kelly, que desencantado com o serviço, descobre que alemães estocam considerável fortuna em barras de ouro (que valem mais do que dinheiro) em Clermont, cidade que naquele instante situava-se bastante encravada no território alemão (se faltou dizer que o filme se passa na Segunda Guerra, fiquem tranquilos, não temos mais este problema, citado está). A ideia era fazer rir, e o filme não o faz. Alterna uns bons momentos em cenas de ação e combate, mas para por aí.
Para buscar as 40 mil barras de ouro, Kelly precisa recrutar outros ineptos e desencantados soldados para ajudá-lo na tarefa. Aí o filme tropeça em si mesmo diversas vezes. Primeiro porque os personagens são escarçamente factíveis, o que caberia numa comédia, que "Kelly Heroes" não é em nenhum momento. Segundo porque esboça traços e caricaturas fracas demais para o contexto. Há, por exemplo, os soldados da infantaria blindada que são hippies. Em 1944...
Na verdade, o filme presume uma única piada em si. É a ideia de que, na busca desenfreada pelo ouro, subvertendo recursos e material do exército, o desencantado grupo de herois de Kelly acabam protagonizando um golpe irrecorrível às defesas nazistas. O problema é que a piada só se faz clara no quarto final do filme de duas horas e vinte minutos e, mais uma vez, é bem pouco para uma comédia. Durante três quartos do longa se cria a impressão de que o grande problema dos ladrões será dividir a fortuna com a enorme força tarefa mobilizada para conquistar o objetivo. Por razões insondáveis, essa perspectiva mais cômica é abortada no transcorrer do filme.
Em termos de filme de guerra é ainda mais desconexo. Em que pese algumas boas cenas de ação e combate, "Kelly's Heroes" calça toda a ação em personagens fracos demais. Além do insosso Kelly de Eastwood, há o sargento Big Joe, de Telly Savalas. É outro caso de um ótimo ator entregue a um personagem pálido e contraditório demais. Em boa parte do começo do filme, Big Joe está preocupado em colocar seus soldados em folga em alguma cidade, para que possam embebedar-se e desfrutar da companhia de solicitas moças francesas. De uma hora para outra, torna-se um defensor do dever e tenta impedir que seus soldados sigam Kelly na busca pelo ouro. E, mais uma vez, sem explicação, torna-se um dos cruzados em busca das 40 mil barras de ouro depositadas em Clermont, que valem mais do que dinheiro.
Para fechar o trio de atores pesados do elenco, temos o personagem Oddball, conduzido por Donald Sutherland. Ele é o comandante de um tanque Sherman e, de longe, a única atuação e personagem que valem o filme. A premissa de hippies em 1944 foge do contexto porque é mal construída em um filme que não é um bom drama bélico e nem uma boa comédia. Mas Donald faz rir com suas intervenções profundamente distraídas e seu discurso otimista e relaxado, e bastante covarde. Não chega a ser um convite para assistir ao filme, mas o ar bonachão e bobalhão de Donald como Oddball é uma das duas únicas coisas que valem o trabalho, e em certos momentos, tortura, de ver "Kelly's Heroes".
O ourtro ponto positivo é a canção tema, que leva a marca de Lalo Schifrin (vivo, o argentino ainda compõe temas para grandes orçamentos e séries), compositor que marcaria diversos, se não todos, os filmes da primeira fase da Malpaso, produtora que lançou Eastwood como diretor ainda nos anos 1970 (conta-se aí todos os filmes do tira durão Dirty Harry e os westerns revisionistas de Eastwood neste período). A canção chama-se Burning Bridges e é gostosa de ouvir. Tem no YouTube.
O trecho final do filme faz uma clara referência à "O Bom, O Mau e O Feio". Num estilo duelo do velho oeste, Oddball, Kelly e Big Joe encaram um Tiger alemão numa praça de Clermont ao som de uma, digamos, infeliz releitura do trabalho de Morricone na trilogia do dólar. É só um detalhe para que você, caso veja o filme acompanhado, possa olhar para o lado e desfiar toda a sua erudição, contando de onde vem a referência e o porquê dela estar ali.
Por conta do ano, 1970, é inevitável comparar "Kelly's Heroes" com dois grandes filmes de guerra do ano: "M*A*S*H*" e "Patton". No primeiro, um humor para lá de refinado em uma das mais comoventes e bem pensadas sátiras e críticas à guerra já filmadas (encontrando, talvez, paralelo de igual importância somente em "A Ponte do Rio Kwai") - contando, curiosamente, com a participação de Donald Sutherland como o impagável Hawkeye. No outro, uma cinebiografia do general mais porra-louca da Segunda Guerra e que redundou num tremendo fracasso de bilheteria. Na comparação, "Kelly's Heroes" consegue ser pior do que os dois porque tenta abraçar os dois gêneros: o épico de guerra e a comédia.
Com direção de Brian G. Hutton, "Kelly's Heroes" é um filme fraco que não recomendaria à muita gente. Vale mais como testemunho do fato de que mesmo Clint Eastwood pode fazer um trabalho mal e porcamente e que um ator como Savalas pode ser bem mal aproveitado. Vale como registro da carreira dos dois e Donald Sutherland e por uns 10 minutos, quando toca a canção tema. De resto, não fará falta na sua vida perder essas duas horas.
às 17:58 0 comentários Marcadores: Cinema, Cultura
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Poema do suicida que ama a vida
Eu quero a morte
tanto quanto quero a vida
eu vivo na sorte
de quem se intimida
e que não é forte
minha vida é porre de formicida
eu quero tanto a morte
quanto eu quero a vida.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Rádio: Mark Lanegan - Pendulum
Tenho certeza absoluta que essa canção já passou por aqui nessa seção "Rádio Blogue", macacos me mordam, como sou criativo. Criei a seção com o intuito de nunca me repetir, o que é impossível, sujeito sem episódios que sou. "Pendulum" é uma das minhas preferidas de um dos meus artistas preferidos. Ainda fala-se artista? Enfim. Não por acaso, já que a letra embala e diz: "lord, my lord, don't you bother me, I am tired as a man can be". Sim, estou com os bagos cheios. E, meu senhor que não existe, não me encha mais.
E no caso de "Pendulum" não ter tocado aqui, ora, isso só vem provar o enorme bigorrilhas que sou.
às 19:54 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Sopro
A vida tem sido meio bandida ultimamente. Não que um dia tenha deixado de ser, é verdade. Mas apesar de todas as idas e vindas, das desgraças homéricas que se abatem, ao menos, comemoro o fato de que está frio. Só mesmo o frio para suspirar um pouco de vida nesse coração de gelo.
às 19:25 0 comentários Marcadores: Memórias
sábado, 12 de maio de 2012
Rádio: Rogério Skylab - Você é Feia
Eis a música que eu mais vezes cantei bêbado em todos esses nem tão bem vividos 27 anos.
às 16:26 1 comentários Marcadores: Rádio blogue
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Rádio: Almir Sater - Tocando em Frente
"Sinto que seguir a vida seja simplesmente conhecer a marcha, ir tocando em frente"...
às 17:21 1 comentários Marcadores: Rádio blogue
Finding our true bearings in the cosmos
Quem me cerca e não é cético, ou ao menos, tanto quanto eu, parece extremamente desafiado pela ideia de que eu devote minha vida e lucidez a traçar complicadas linhas de argumentação, que dêem sustentação à minha visão de universo, ou na frase de Carl Sagan de difícil tradução em português: "our true bearings in the cosmos". É esse "bearings" ali que desafia todo o pouco inglês que nunca soube. Um tiro de 12 (shotgun, pois não? Não! Abrasileiremos, o mais que pudermos, que já começamos o post com título em inglês, e isso não há de cair bem na minha campanha contra a terminologia inglesa em todos os nossos diálogos. Digamos, então, no mais brasilzão que pude, "um tiro de 12, dessas espingardas de matar viado na curva". Seria, pois, veado? Palavra que já não sei e tenho urticárias e resistência física à tracejar origens etimológicas, motivo pelo qual, rendo-me, e estabeleço que o dito popular referia-se aos sujeitos nascidos homens mas que, em dada circunstância, abraçam outra orientação sexual, transformando-se naquilo que o humor mais fácil do outro tempo, tão caro a mim que vivo de regar o passado de mortas flores, resolveu chamar de "pula-pocinhas". Não há nada mais viado que chamar quem quer que seja de pula-pocinhas) feita a digressão, voltemos ao texto. A frase do Sagan, pois, dá um belo de um balaço de espingarda de matar viado na curva no meu bem pouco lustrado léxico da língua saxônica que não vai mais, parece, dominar o mundo. O idioma, não o meu léxico, que modesto como tudo que é meu, não vai nunca se meter a besta. Dá para traduzir "bearings" para coordenadas, mas eu acho que perde sentido. Enfim.
Mas eu não sou ateu e racional integralmente e, não, zombar e fazer escárnio com religiosos não é sequer um hobby. Nem mesmo uma distração que justifique o tremendo esforço e paciências, se preparem para a hipérbole, bíblicas exigidas na tarefa.
É só um senso de justiça, um tipo de indignação. Eu, por exemplo, sai da escola com dúvidas bem razoáveis sobre o Big-Bang, sobre a existência do átomo. Sai da escola ponderando que as previsões de Nostradamus poderiam fazer sentido, que ninguém poderia claramente afirmar que astrologia não era real. Sim, eu era uma toupeira.
Toda vez que esgrimo deboche e comentários ácidos à quem dedica tanto tempo e sentimentos a entidades metafísicas inexistentes não estou sendo perverso, ou procurando dar vazão a um hobby, procurando brigas ou demonstrando ansiedade para exibir todo o conhecimento que colhi de livros de divulgação, destinados para leigos, nerds e curiosos em geral.
Pode não ser a melhor política no tema, mas é a minha forma de chocar idiotas e procurar fazê-los enchergar a razão. Descobrir um universo absolutamente fantástico de ciência, causa, efeito, fenômenos e beleza incrivelmente complexa e abandonar as trevas do deus que te castiga por um pecado, da crença de que fé transforma a suas perspectivas, ou do fato de que estrelas explodindo indiferentes a bilhões de anos-luz daqui têm qualquer coisa que ver com sua personalidade, mau humor sazonal, ou o fato de que você teima em comer fritura.
Eu sai da escola, onde deveria ter aprendido algo sobre ciência, tão ilustrado nos mistérios do universo como um monge franciscano. E, anos depois, mais iluminado no que tange aos nossos "true bearings in the cosmos", sinto um tipo de alegria indiferente que gostaria de extender a todos. Gostaria de poder apresentar esse admirável universo novo a todos. É um lugar fantástico.
às 16:19 0 comentários Marcadores: Cosmo por ele mesmo, Memórias
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Meia idade precoce
Certos eventos dão a medida de quão avacalhado é um sujeito. No meu caso, vivo no presente um tipo de crise de meia-idade, colorida pelo fato de que, normalmente, o sujeito que vive uma dessas tem uns 15 a 20 anos mais do que eu. E quanto atravessa uma, ele compra uma Harley, um conversível, dispensa a patroa e arruma uma ninfeta de 20 anos.
Eu penso em começar uma nova faculdade e mudar de emprego.
às 19:11 3 comentários Marcadores: Memórias
Rádio: Mark Lanegan - She done to much
"And It's a bad, bad feeling that you get when you get so lonely"
às 16:40 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
domingo, 6 de maio de 2012
Mais sobre Journey
Falei sobre Journey, game exclusivo do PS3, em uns posts abaixo. Faltou muito para dizer sobre o jogo. Entre as informações principais estão preço e disponibilidade. Bem, ele só pode ser adquirido online, na PlayStation Store. O custo é bem módico, ao menos levando em conta os preços dos jogos console. São apenas 30 dilmas, se você comprar na Store brasileira, ou aproximadamente 15 obamas na gringa.
às 20:13 0 comentários Marcadores: Games
sábado, 5 de maio de 2012
Aforismos - Feminismo
"Feminismo é a ideia de que podemos fazer os sexos mais igualitários ao focarmos apenas os problemas de um deles".
Li por aí.
às 16:13 4 comentários Marcadores: Aforismos
