quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ode ao saco cheio

Muitas vezes o que a gente precisa é de paz. E de tempo. Eu não tenho paz. Vivo no desassossego, carrego no peito todos os sonhos do mundo, vivo no diapasão das desistências, dos tombos, caio todos os dias, me levanto no amanhã, colho os escolhos do ontem, submerjo no futuro dos impossíveis, me encanto com o presente improvável.

E de tempo, que dizer? Ele passa. Não faz outra coisa. O tempo é dimensão e pode ser entendido como dimensão do espaço. O tempo não se contem, tampouco se conta, o tempo é medido. O tempo é a medida da precariedade de qualquer coisa, de si mesmo até, porque um dia o tempo acaba. Ou não acaba, mas deixa de ser, porque se não houver o que o meça, ele não é.

E de elucubrações pueris, primárias e filosóficas estou farto. Odeio filosofia. Odeio pensar e, ainda assim, pensar. O homem não foi feito para pensar. Diz Hermann Hesse, escritor filósofo, que foi muito longe ao admitir que, no fim das contas, o homem não foi feito para pensar na mesma medida em que não nasceu para nadar. E por exímio que seja na água, um dia morrerá afogado. O mesmo vale para o mais gabaritado dos pensadores, porque o homem, o bicho, isso que somos, essa qualquer coisa de células, sistemas, órgãos, moléculas, impulsos, instintos e emoções não foi criada para pensar, e pensando pode ir muito longe, mas fatalmente, qual o nadador, um dia estará longe demais da terra e morrerá afogado num turbuilhão de pensamentos.

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