Você pode, com todo direito, rir da frivolidade deste post, mas ainda assim, é a mais pura verdade. Impasse sério na vida é ficar entre fazer boxe e musculação todas as noites, ou jogar Red Dead Redemption no recém adquirido videogame, como se não houvesse amanhã.
Sim, já fui mais profundo. Em algum momento destes nem tão bem vividos 27 anos, o que mais me espevitava os nervos era escolher uma profissão, o que fiz bem mal e porcamente, desistir de mais ou menos qualquer coisa em que levava algum jeito, no que fui bem sucedido e ser uma criatura classifica como a) estranha; b) antipática; c) teorema e d) todas as anteriores. Sou, como disse Nietzsche, um desses homens que já nascem póstumos. Só me ocorre agora, mas a frase permite uma interpretação mais sutil: um homem que já nasceu morto. É isso, mais do que não ser compreendido em vida, sou um sujeito que nasceu morto, algo que vem bem a calhar a um bigorrilhas (saudade de usar essa palavra) cuja primeira realização em vida foi mijar nas bandagens do esculápio que performava o parto (episódio pormenorizado aqui) e que vive, macambúzio, a regar as flores mortas do passado.
Ter tido a ventura de nascer morto e póstumo não me impediu de atravessar tempos de bons prognósticos. Nestes tempos de maior efervescência, me ocupava imaginar o mundo, sonhar com o futuro, desejar ser escritor. Pensar nos meus futuros filhos, na hipótese da mulher da minha vida, na vida, enfim. Já conto 27 anos, estraguei tudo no que se refere às profissões, descobri que não tenho estofo para escrever 10 páginas de qualquer coisa que valha a leitura e que, no fim, sou um homem natimorto e póstumo bem meia-boca.
Mas nesta breve primavera da vida, eu vivia entre escolhas extremamente definitivas e dramáticas. Precisava decidir, e para escolher, precisava me iluminar. Me instruí a valer por anos a fio, li, aprendi, descobri. Hoje, vai para meses o último livro lido de cabo à rabo e, confesso, falta-me vontade de encetar qualquer outra leitura, por mais que não faltem bons títulos na estante, que me encara altaneira e indiferente, enquanto explodo terroristas no videogame. Eu era denso e profundo e hoje sou razo e sem episódios.
Hoje eu me divido entre contas, preços para o futuro, boxe e videogame. Hoje eu só quero saber a que horas sai o trem e se por lá vai ter mulher e cerveja.
Em todo caso, admita, eu tenho um tremendo de um bom gosto para videogames. Está aí o Red Dead Redemption e sua trama para confirmar este auto-elogio, praticamente um tributo ao western-spaghetti. Não há nada mais intenso de que embrenhar-se neste universo ao som de Ennio Morricone, enquanto desfio esse rosário de misériazinhas que é a vida, dando risada dos meus defeitos, e lamentando enormemente as poucas virtudes que eu ainda guardo, dessas tão difíceis de se abrir mão.

2 comentários:
Possibilidade 1)
Homem, vc está de TPM?
Heim?! - É bem assim viu...
................................
Possibilidade 2)
Ok, não é TPM. É mais um texto profundo e muito bem escrito.
Acho oportuno dizer, q vc não me parece mais um pseudo, desses tantos q se vê, se acha, não só aqui,na net, mas em muitos lugares. Vc absorveu cultura e consegue multiplicá-la em seus escritos, p q os leigos sobre tantos assuntos, como eu, possam vêr acender a luzinha da compreensão. Aqui dá pra pensar junto, além, muito além da "superfície de Narciso".
Sou avessa a determinados tipos de comentários. Acho chato, bobo e absurdo. Vc sabe muito bem de vc. E definitivamente, não me parece q precise de seção de tadinho.
Bem, vc pode com todo direito rir, mas eu jogo em meu pc pinball 3D, paciência, dama...e no cel forgotten warrior. Pode rir...pra completar minhas 2 gatas estão no cio. Ehh amigão! Pago uma!
Voltei com uma canção q adoro. Babylon, Zeca Baleiro.
Baby!
I'm so alone
Vamos pra Babylon!
Viver a pão-de-ló
E möet chandon
Vamos pra Babylon!
Vamos pra Babylon!...
Gozar!
Sem se preocupar com amanhã
Vamos pra Babylon
Baby! Baby! Babylon!...
Comprar o que houver
Au revoir ralé
Finesse s'il vous plait
Mon dieu je t'aime glamour
Manhattan by night
Passear de iate
Nos mares do pacífico sul...
Baby!
I'm alive like
A Rolling Stone
Vamos pra Babylon
Vida é um souvenir
Made in Hong Kong
Vamos pra Babylon!
Vamos pra Babylon!...
Vem ser feliz
Ao lado deste bon vivant
Vamos pra Babylon
Baby! Baby! Babylon!...
De tudo provar
Champanhe, caviar
Scotch, escargot, rayban
Bye, bye miserê
Kaya now to me
O céu seja aqui
Minha religião é o prazer...
Não tenho dinheiro
Pra pagar a minha yoga
Não tenho dinheiro
Pra bancar a minha droga
Eu não tenho renda
Pra descolar a merenda
Cansei de ser duro
Vou botar minh'alma à venda...
Eu não tenho grana
Pra sair com o meu broto
Eu não compro roupa
Por isso que eu ando roto
Nada vem de graça
Nem o pão, nem a cachaça
Quero ser o caçador
Ando cansado de ser caça...
E
Ai, morena! Viver é bom
Esquece as penas
Vem morar comigo
Em Babylon...
Postar um comentário