A paternidade, sonho antigo, me parece cada vez mais distante. Eu não consigo ser otimista quanto a previsão do tempo, a defesa do São Paulo, a democracia e as minhas perspectivas profissionais no curto, médio e longo prazo, de modo que me arriscar a trazer ao mundo alguém a quem fatalmente decepcionarei não me parece uma boa ideia. Venho cotejando a ideia, com o deboche e pessimismos costumeiros, porque, recentemente, uma amiga querida conta os dias para ver nascer a primeira filha.
Mas o futuro dispõe de nós e é por isso que eu, do alto desse velho e carcomido corpo, tenho cá comigo meus planos, que agora vão parar numa das gavetas dos sonhos, talentos e desistências de três décadas de vida. Caso os ponha em prática em algum momento, espero, por exemplo, munido do conhecimento de enciclopédia e de largas proporções de cultura inútil, ser um excelente pai na fase dos porquês. Já carrego comigo, por exemplo, resposta para a pergunta fundamental sobre de onde veio tudo, colhida no Guia:
"No início, o universo foi criado. Isso irritou profundamente muitas pessoas, e no geral, foi encarado como uma péssima ideia".
Douglas Adams.

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