sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Vem comigo!

Goulart de Andrade vai sair do ar. Eu li aqui.


É curioso, mas no momento o que conta mesmo no circuito "informativo e objetivo" de Folha, UOL e congêneres é dizer que Glória Maria estará fora do Fantástico em 2008. Comparar Goulart e seu senso de reportagem e capacidade de aproveitar ao máximo pautas interessantes com a pieguisse e o padrão Globo de "relevância" representados pela anciã Glória Maria é uma desmedida crueldade.

Enquanto Glória Maria é pauta da Caras e congêneres, na interminável conjectura de quantos anos ela têm (meu palpite é que passam dos 70), Goulart não figura como uma "celebridade". Seu programa, com qualidade superior a esmagadora maioria das pautas da "revista eletrônica" (!) dominical da Globo, que vivia no ostracismo, agora, encerra as atividades.

Vou sentir falta do Goulart. Lembro de inúmeras reportagens bacanas. Teve uma que ele mostrou, antes da queda, evidentemente, as entranhas do World Trade Center em Nova Iorque. Recordo de quando, no mesmo estilo da visita às torres, ele mostrou a Catedral da Sé em São Paulo, ou ainda uma mais recente, o dia-a-dia a bordo de um submarino da Marinha do Brasil. A mais sensacional, no entanto, foi a dos trabalhadores que consertam quilômetros e quilômetros de linhas de metrô pelas madrugadas à fora em São Paulo.

Numa abordagem digna do refinamento e elegância de um Talese, o registro dos caras cortando trilhos de ferro maciço e substituindo-os madrugada a dentro marcou-me.

Mas nada vai suplantar a importância de saber, afinal, quantos anos terá Glória Maria?


sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Patacoadas jornalísticas

Manchete da Gazeta do Povo, jornal do estado do Paraná, para amanhã:

"Estudo de ciclistas afirma que pedalar é mais barato que andar de ônibus e de táxi"


Séééééério???


E depois me aparece um recalcado pra dizer que editar é ficcionar.


Ainda bem que estou saindo da universidade. Não tenho mais fígado pralgumas coisas.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Pra lembrar FHC

Tá por fora? Clica aqui!

Em resumo, FH foi dizer que Lula faz mal uso do idioma português. O que para alguns, não é meu caso, é preconceito de classe. Até acho que seria preconceito se Lula soubesse de fato usar o idioma. Mas há algumas metáforas e outras frases que doem no ouvido, e só colam porque Lula tem toneladas de carisma a mais que FHC.

Agora, a coisa mais curiosa desta estulta e inapreensível crítica política, extremamente abalizada e contundente é que, ao criticar Lula pela maneira com que este se dá com a língua portuguesa, FHC errou dizendo "melhor preparado" em lugar de "mais bem preparado".

O que hoje vem bem a calhar: o país galga a inédita honra de fazer parte do grupo de nações de alto desenvolvimento humano - é claro, isso são apenas índices estatísticos que, por exemplo, não contam que um estádio caiu domingo, matou gente, que os oligopólios de mídia não atacam a CBF por conta do sinistro. Os índices também não contam que uma juíza e um delegado enjaularam uma menina com duas dezenas de homens. Por isso que estatísticas só estão aí para ser relativizadas, a não ser que você seja um certo professor meu que não enxerga muito mais que elas, as estatísticas.

Mas eu dizia, hoje o Brasil é parte das nações mais privilegiadas do planeta, embora ainda esteja atrás da Argentina. E é aquela coisa, não caiu mais nenhum avião, o Brasil não quebrou e a Venezuela não invadiu o nordeste, encontraram uma cavalar reserva de petróleo por aí. Só resta mesmo a esse povinho sair por aí arrotando preconceito e erudição contra quem não a possui, como se isso fosse crítica num país onde a média de leitura anual é de um livro por cabeça.

Vai criar porco, FH.

sábado, 24 de novembro de 2007

De vento em popa

Maré de sorte inédita, algumas novidades excelentes, uma melancolia pelo que dará saudade amanhã e a saudade enorme daqueles que não estão aqui para ser parte deste auspicioso futuro.

Nada mal para quem sempre achou a vida um troço muito chato.

sábado, 17 de novembro de 2007

Internet Explorer vs Mozilla Firefox

Internet Explorer é um navegador ultrapassado na versão que tenho, a 6.0. E na versão 7.0 é uma má sucedida cópia do Firefox, que é o que uso.

Este post é um comparativo entre os dois. No Internet Explorer este blogue fica feio de doer, além de ser mais lento, no Firefox, ao menos aqui, fica de visual mais leve e abre mais rápido, compare:

INTERNET EXPLORER:
















MOZILLA FIREFOX



quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Hino da alma

Se "Nessun Dorma" (Que Ninguém Durma) de Puccini é um hino da alma, esses caras devem ser os anjos:





Eu vou sentir falta do gorducho bonachão da ponta. Se achar que vale à pena, veja o outro vídeo, só com Pavarotti, e perceba o controle que ele tem das notas só variando a abertura da boca, além de extender ao máximo os últimos momentos dessa aria.




E depois vem alguém dizer que o Potts é melhor. É o fim da rosca.

(CONTO) O Restaurante dos Velhos, dos Moribundos e dos Sumidos

Era de uma maneira incerta, vacilante, insegura com que progredia a passos nada lestos aquele pobre velho. Caminhava com a dificuldade ordinária dos humanos que já fazem parte da terceira idade e que se deparam com os seus momentos derradeiros de vida, nesse que é, dizem, o outono dela, da vida: o limiar da morte. Diante de tamanho peso nas costas, de todos anos que viveu e que, não diga, são muitos, aquele senhor, que vendo-o pintado por estas letras, nos parece tão carente, frágil e digno de pena, caminha.

Digno de sentimentos nobres, como a ternura que nos inspiram, de formas e intensidades absolutamente diversas, a criança, o ancião e a amante, ele ia avançando contra a impactante indiferença da massa de pessoas que por ele passam. Mas não são más e insensíveis esses que aqui e ali rumam para o caminho oposto. Talvez por não dividirem conosco esse ponto de vista, entendem que aquele velho é só mais um, e aonde vai ele, donde vem, ora, não nos apraz disso fazer caso.

Indiferente dessa situação por ser dela refém e não causador, prosseguia sua caminhada rumo ao fim da esquina. Chegará lá daqui a esbaforidos instantes – e esbaforidos, que se frise, não por sua velocidade, que está bem aquém dos padrões mais ligeiros da caminhada humana, mas sim pelo peso que suporta, aquele já sobredito dos anos. Mas dizíamos, ia à esquina, e está indo porque é um restaurante, restaurante esse freqüentado, assim como as praças da cidade e seus bancos, por uma mui seleta sociedade de outros velhos que lá vão não por não saberem cozinhar, e é bem sabido que os idosos dominam bem as artes da culinária, vão lá para se encontrarem, para que tenham o ensejo de sair de suas casas, andar um pouco e conversar outro tanto.

Vão lá para que se avistem e que digam, uns aos outros, “bem, cá estamos”, “e agora, que se faz por aqui?” “Bem, nada”.“Apenas nos entediamos?” “É. Nos entediamos. Aliás, entediemo-nos, meu caro, entediemo-nos à farta!” Consiste, indubitavelmente, à grande maioria dos velhos o tédio como maior ocupação, não sendo isso precisamente culpa deles, nem nossa, sequer algo digno de reproche aos que no tédio se refestelam, mas apenas e tão somente uma fatalidade do jeito humano de levar a vida.

Entretanto, nosso bravo dirigia-se a um restaurante. Muito embora ficasse ele, o restaurante, não nos arrabaldes, não nas cercanias, mas justamente no centro da cidade, que não é das pequenas, sabe-se lá porque melindre sócio-econômico não é freqüentado de costume por jovens, nem por empresários, nem por crianças, mas pelos velhinhos. É como um bastião inacessível que os idosos vieram levantar nesta terra, um ponto avançado no front, que parece dizer, desafiando a nós outros com nossas poucas idades e vãs pretensões de sabermos viver; “aqui estamos, nós que velhos somos e que vós desdenhais. Aqui estamos nós velhos bem debaixo de suas barbas e daqui não sairemos”.

É natural que restaurantes tenham o vezo de buscar nas mais diferentes culturas motivos para gerarem apelo ao apetite dos comensais – como se pudesse haver apelo maior que a fome – há os que se bordam de verde, branco e vermelho, escolhendo nomes italianos para dizerem veladamente aos nossos estômagos: cá temos a melhor massa. Outros que vestem-se de cores e alusões nipônicas para valorizar o bom preparo que sabem dar a peixes e demais frutos do mar. Não ficam atrás os que se pelam em parecer franceses, mexicanos e outros menos votados valores culturais da culinária.

Contudo, não se sabe se de uma maneira inteligente, ou muito idiota, nosso restaurante resolveu misturar um pouco de tudo que há de elogiável no mundo da culinária. Há bandeirinhas da França, outras da Itália, no cardápio sugere-se como prato do dia na terça-feira sushi – há até a possibilidade de se comer hambúrguer e batatas fritas, desde que apeteça ao freguês esperar por alguns minutos a confecção do lanche, só não encontramos nesse outro Atlas geográfico quaisquer referências a Inglaterra, o que é perfeitamente escusado: como se sabe, a maior capacidade dos ingleses na cozinha ainda é ferver água para o chá. Enfim, não conseguimos descobrir se assim é, o restaurante que tanto agrada aos apetites dos velhos, para tentar buscar novos clientes, agradando o maior número possível de preferências culturais, ou se assim é por desmedida ignorância do proprietário, quer resolveu abarcar tudo que lhe agradasse em matéria de bandeirinhas, cores, bonecos e pratos.

Nosso bravo chega e toma lugar a mesa. Estranhamente ele tem a preferência de sentar sempre ao fundo, na última mesa, com os olhos voltados para a porta, como fazem os personagens das novelas de espionagem: sempre atentos para quem possa entrar no lugar. Não que ele seja agente secreto, é demasiado idoso para as peripécias cinematográficas que o cinema nos faz crer que se acometam nas vidas atribuladas desses espiões, não que ele tenha sido espião, o que escusaria o hábito há muito conquistado e, justamente por essa razão, difícil de se esquecer. Senta sempre nessas mesas de fundo por um instinto que não compreende porque jamais tentou entender, a ele consta apenas obedecer-lho. Senta-se lá e percebe o restaurante vazio. Pensar no que vai comer? Ora, é inútil. Conforme verificar-se-á em breve, o velho faz timbre em constar sempre o mesmo pedido ao garçom.

Entretanto, desta vez, para desdizer o troca-letras que conta esta anedota, pediu antes de tudo, para recompor-se da caminhada antes de deitar suas atenções à refeição, “um copo de água, sem gelo, por favor”. Pegou do copo e deitou o líquido de uma só vez garganta abaixo. Satisfeito, pediu, freguês conhecido dos últimos tempos que era, “o de sempre”, que consistia, no seu caso, numa sopa de legumes que, com algum esforço, se poderia encontrar boiando umas côdeas de carne.

Pouco esperou e chegou a sopa fumegante de vapores bem cheirosos à mesa. Comeu com a lentidão que nos caracterizou em parágrafo de antanho sua caminhada. Do tempo que levou comendo, pensou na vida, pensou na morte, raciocínios estes que tinha nos últimos tempos, por mais que se espere que os velhos só pensem nisso, saibam que este, pelo que parece, fugia a regra, havia se esquecido desses amuamentos. Coincidentemente eles haviam surgido desde que descobrira por indicação de amigos o restaurante, e por mais uma vez, e última, teve a conclusão de que apenas morremos um dia de cada vez. Nada mais.

Indicação que veio, e lembra-se perfeitamente, num dia de sol na praça. Qualquer coisa roncava em seu cérebro dizendo (o estômago?) que “estás com fome, seu bisbórrias. Trate de comer”, expondo aos demais o que há pouco lhe conferenciara a mente, ouviu dos colegas de ócio contemplativo que “meu caro, aqui perto há um restaurante ótimo”. “Comida boa que não sacrifica em demasia nossas surradas burras”, disse alguém. “E nem nossos intestinos”, rematou outro. “E mais, parece um exilo, aliás, asilo. Malditas palavras parecidas que por vezes me escapam... enfim, lá só vão velhos como nós, sem algazarra e música barulhenta”. Estranho. Pensando agora e remoendo essas memórias, dá-se que o velho enfim percebe o prodigioso fato de que todos os seus colegas daquele dia e dessas frases acima, abandonados pelas suas famílias e pela nossa sociedade não apareciam e não se sabia deles há tempos. “Sumidos”, murmurou por fim.

O velho nunca mais foi visto pelos seus.

Percebe-se que esse restaurante tinha qualquer coisa de especial, que era inaudito. Não apenas pela sua composição próxima a da ONU, ou naqueles tempos idos, Liga das Nações, com representações dos mais diversos países, não apenas por ser de ordinário freqüentado apenas pelos velhos da cidade e inspirá-los a pensar na existência e conquistar a capacidade de desenvolver aforismos, tampouco é inaudito por dar-me o ensejo desta história. Não, não é nada disso. Ele tinha consigo uma fascinação. Fascinação pelo mistério que encerrava no seu ambiente obscuro e aconchegante. De certa forma, todos, velhos, jovens, crianças, adultos, ricos e pobres, enfim, sabiam o que se passava ali.

Conta-se ainda hoje, e fazem já muitos anos que o restaurante, a exemplo do velho, sumiu, que naqueles pratos que misturavam do churrasco dos pampas ao molho tártaro das Europas, do sushi à mussarela derretida, enfim, tinham a incrível capacidade de fazer sumir os velhos que por lá almoçavam ou jantavam. Sumiam sem deixar rastros. Sumiam sem dor, sem tristeza e sem remorso. Sequer eram eles chorados pelas famílias, reclamados pelos vizinhos. A polícia, que já hoje nos falta por ter tantos bandidos para correr empós, nunca se soube de um caso sequer de sumiço desses velhos e precisamente por jamais conhecer qualquer um desses sumiços, jamais os investigou.

Alguns demoravam para desaparecer coisa de meses. A outros bastava a primeira refeição para que jamais fossem vistos. Dessa história incrível há a teoria de que rejuvenesciam todos, daí a não serem vistos, posto que se, vistos fossem, não seriam reconhecidos – e donos de sua nova cara, novo corpo, iam viver, e viver plenamente, senhores que eram da experiência de anos de labuta, ah, saberiam bem como conduzir o fio da existência sem tropeçar nas mesmas mazelas, fariam, indubitavelmente, por progredir o jeito humano, aquele que mencionei como responsável pelo tédio nauseabundo que envolve a velhice – e talvez conseguissem encerrar com esse vício do tédio aos velhos e outros tantos que ainda nos amolam a vida dos jovens, dos velhos e mesmo delas, pobres, as crianças.

Mas nem tudo são flores, diz o poeta e a literatura preguiçosa que me proíbe de achar frase melhor, há outra teoria para o caso, teoria dos mais miseráveis, estes misantropos que põe defeito em tudo e não vêem sequer uma bondade na terra, sequer uma magia, diziam estes últimos que acontecia era de os velhos morrerem envenenados, e que o dono do restaurante era de uma modalidade de fascismo a quem ojerizava os velhos e por isso matava-os. E quanto aos corpos, nada mais simples, cozinhava-os. O que explica a multinacionalidade do restaurante, afinal, os velhos eram também das mais variadas origens e esta era uma maneira mórbida de honrá-los. Não sei.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Saudade de Pedra

Aí está. Eu diria que trata-se de um imperdível atentado contra o jornalismo, contra a literatura e, por que não, contra as minhas possibilidades de me formar este ano.

É uma grande reportagem com inúmeras liberalidades no que tange a escrita, relatando o período da navegação fluvial a vapor pelo rio Iguaçu no Paraná, sobretudo na perspectiva da cidade de Porto Amazonas, enfocando no declínio da atividade sob a ótica de seus protagonistas.

Resultado de um ano de pesquisa e escrita, eis aí meu livro:

Clique aqui!


Para efetuar o download você precisa clicar no link que lhe levará ao servidor onde o arquivo em pdf está armazenado - recomendo que você o abra em uma nova janela. Aparecerá o site mediafire.com. Basta esperar e clicar em "Click here to start download" e baixar o arquivo.

Free Image Hosting at www.ImageShack.us

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P.s.: embora ainda não tenha colocado as insígnias nem no livro, nem aqui no blogue, todo o conteúdo está registrado em Creative Commons, ou seja, não há como se apropriarem. A este Tertuliano vocês não sacaneam!

sábado, 10 de novembro de 2007

Idiotices do dia-a-dia

Há uma enorme fauna de reacionários de cabelo em pé com o Chávez, que se arma. Se por um lado a razão história penda sempre para o fato de que, inegavelmente, após uma corrida armamentisa estoura um conflito, por outro lado, não sejam parvos, Chávez não ameaça a soberania brasileira. Queria eu ver ele, com 10 milhões de habitantes, ocupar o Brasil.

Mas o fenômeno tem de ser estudado com cuidado. O governo fala em adquirir um novo porta-aviões - embora a estratégia contemporânea diga que supremacia naval não garante mais ninguém - além da retomada dos investimentos maciços no submarino nuclear.

Estaríamos nós, daqui há poucos anos, em pé de guerra com os vizinhos?

Se for este o futuro, parem. Parem tudo. Desliguemos o mundo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Por que você veio até aqui? (Outubro)

Seguindo a tradição deste blogue, seguem aqui algumas tags (buscas) que renderam visitas no mês de outubro.

  • "Paul Potts" - e correlatos. O inglês rendeu 16 acessos. E isso só atesta o poder midiático. Ele era um fenômeno já passado e, com a recente exposição que ganhou nos comerciais da SomLivre pelo lançamento do cd em plagas brasileiras, voltou à ordem do dia.
  • 2001 ouvir casamento zarathustra - eis aí a mais curiosa. Provavelmente alguém confundiu a peça de Richard Strauss com a Marcha Nupcial de sei lá eu quem.
  • bruxaria para conseguir emprego - o que só comprova a que ponto chegamos com essa crise social que não fustigou o pessoal do Cansei. A falta de emprego assola realmente o país. E a prova disso é que, potencialmente, sou um desempregado.
  • marcos historicos que aconteceram todos os anos desde 1962 ha 2007 - lamento ter frustrado este internauta que buscava algo próximo a uma enciclopédia.

No mais, o tema "reforma ortográfica" rendeu 26 visitas. Muitos também por aqui vieram guiados por curiosidades acerca do tema "queda da URSS", que esmiucei num post de antanho. Em números totais, pelo mês de outubro, o blogue teve 131 acessos mediante buscas em serviços de pesquisa da internet. Destas pesquisas, monopólio absoluto do Google, com 126 buscas. Yahoo em segundo, tendo oferecido 3 pesquisas. Uma foi via MSN.com e a restante pelo serviço de busca de imagens do Google.

sábado, 3 de novembro de 2007

Frases, literatura e um pouco de vida

Remexendo entre meus guardados, econtrei antigas anotações de frases específicas que me chamaram a atenção ao longo de anos e anos de leitura. Algumas ainda excelentes, por conseguirem me dizer algo, outras já de sentido turvo e esquecido, que não mais me fulguram na mente.

À elas:

“Bata em um cão e ele irá ganir, corte uma arvore e ela irá chorar, ofenda um homem, ele irá crescer.”

"... a morte, por si mesma, sozinha, sem qualquer ajuda externa, sempre matou muito menos que o homem."

''O que tem religião não é o que crê numa Escritura Sagrada, mas o que não precisa dela e seria, ele próprio capaz de fazê-la.''

"Nem a juventude sabe o que pode nem a velhice pode o que sabe."

"Sabes o nome que te deram, mas não sabes o nome que tens."

"Jesus: ninguém têm tantos pecados na vida que mereça morrer duas vezes." - esta, tenho certeza, é de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de mestre Saramago, na passagem onde Maria Madalena pede ao Cristo que este ressuscite Lázaro, ao que ele responde assim.

"As palavras proferidas pelo coração não têm língua que as articule. Retém-nas um nó na garganta e só nos olhos é que se pode ler."

"Mesmo que a rota da minha vida me leve a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo."

"Como sabeis, o crânio é uma caixa óssea que contém o cérebro, o qual vem a ser, por sua vez, conforme podemos apreciar neste mapa anatômico a cores naturais, nem mais nem menos que a parte superior da espinhal medula. Esta, que ao longo do dorso vinha de apertada, tendo encontrado espaço ali, desabrochou como flor de inteligência."

"Não dormiu bem, sonhou com uma nuvem de palavras que fugiam e se dispersavam enquanto ele as ia perseguindo com uma rede de caçar borboletas e lhes rogava Detenham-se, por favor, não se mexam, esperem aí por mim. Então, de repente, as palavras pararam e juntaram-se, amontoaram-se umas sobre as outras como um enxame de abelhas à espera de uma colmeia onde se deixassem cair, e ele, com uma exclamação de alegria, lançou a rede. Tinha apanhado um jornal."

"Mal informados sobre a natureza profunda da Morte, cujo outro nome é fatalidade, os jornais têm-se excedido em furiosos ataques conta ela, acusando-a de impiedosa, cruel, tirana, malvada, sanguinária, vampira, imperatriz do mal, drácula de saias, inimiga do gênero humano, desleal, assassina, traidora, serial killer, outra vez, e houve até um semanário, dos humorísticos, que, espremendo o mais que pôde o espírito sarcástico dos seus criativos, conseguiu chamar-lhe filha-da-puta."

"Em verdade, em verdade vos digo, não há limites para a malícia das mulheres, sobretudo as mais inocentes."

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Saudade III

Caros oito leitores, aí ao lado a capa do meu primeiro livro.

Saudade II

E o meu cais envelheceu...

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Saudade

"Ah, todo cais é uma saudade de pedra" - Álvaro de Campos.

Caríssimos oito leitores, esta é, na minha opinião, a frase mais linda de todo o idioma português.

sábado, 27 de outubro de 2007

Ainda sobre a idiotice do post anterior, eu que não sou político, penso:

Pra que serve um balão de ensaio desses, se não para fortalecer a oposição?

A política brasileira se compõe de centenas de idiotas. Uns mais, outros menos.

Profundamente enojado

Construir algo nos caóticos tempos que correm não é algo fácil. Construir uma casa, um projeto, uma família, uma vida. Nada costuma cair do céu à enorme maioria das pessoas que compõe o mundo. E isso não é novidade nenhuma.

E tão difícil como construir cada uma das coisas que ilustram o parágrafo anterior é construir uma nação. Um país é uma coisa. Uma nação é algo completamente diferente.

E com a derrocada das ideologias, com o fim das utopias que foram por terra junto com o Muro de Berlim (ainda que a idiotia tenha erguido outro no Oriente Médio), o mundo que vivia na dura luta entre o equilíbrio da ordem bipolar e sem nenhuma certeza, ao menos, ganhou uma.

A de que as nações se controem pelas mãos das pessoas, do povo. E se é pelo povo que elas podem ser eregidas nada mais justo que dar a ele, o povo, os plenos e sagrados direitos de governar suas respectivas nações. A verdade, caros, é que o caminho para a construção de um grande país passa obrigatoriamente pelo respeito e preservação irrestritas dos preceitos da democracia.

Não sou cientista político, jovem demais também para ter vivido sob a ditadura, mas posso imaginar sozinho que deveria ser bem ruim. E isso me faz prezar a liberdade que hoje desfruto e que estimo muito que meus filhos, netos, bisnetos e por aí a fora possam desfrutar.

E é precisamente por este motivo que ler essa matéria da Folha mexeu com todos os meus princípios e vestiu meu coração de indignação.

Há muito que eu não me sentia ultrajado pelas peripécias dos nossos políticos em fazer cagada e vangloriar-se aos quatro ventos de como é gostoso legislar em causa própria arrebentando com o país que um dia será dos seus herdeiros.

Mas ler esse absurdo, sentir mais uma vez a sagrada divisa* que me motiva, todo maldito outubro de escrutínio a ir à urna segredar meu Nulo, só posso manifestar a revolta que me toma.

Não é possível que haja quem tenha a desfaçatez de dizer um absurdo desses.


*Não se pode votar em ninguém porque simplesmente, a rigor, não conheço o sujeito e me parece muito irracional delegar meu poder de escolha a alguém que absolutamente não conheço.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Fórmula 1 - vou sentir falta

A repercussão no mundo esportivo foi das melhores. Há muito tempo que o Brasil não organizava um GP tão perfeito como esse. Interlagos revigorado, uma ameaça de paddock surgindo no aperto do ancestral autódromo. E para finalizar, uma corrida sensacional das que serão lembradas anos e anos depois.

Mas o maior barato foi hoje, encontrar essa imagem no banco da agência Sutton:


A curiosidade? Simples, a legenda da foto identifica: fãs de Alonso no GP do Brasil.

Não tenho muita certeza se eram mesmo fãs do asturiano...


sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Elvis é assim

Tem como não curtir um cara assim?





Grande Elvis.



Brasil Revisitado ou Brasil Inexistente?

Essa semana seria de se sair a estourar fogos pelos bons ventos e bons augúrios que, infelizmente, não vemos nos jornais. Correção, não vemos todos. Ou se os vemos, os vemos porcamente interpretados, o que aos mais incautos seria o mesmo que não estar lá uma vírgula sobre, por exemplo, o fato de que Octavio Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco dizer: "O Brasil voltou para o radar".

Os grandes grupos de mídia do Brasil estão a brincar com a população. Só que são anacrônicos demais. Folha, Estadão e o grupo da vênus platinada não estão mais no inalcançável púlpito que a ditadura lhes garantiu - especialmente no caso das Organizações Globo - púlpito este que se antes lhe possibilitava o ar da verdade inconteste e da credibilidade ilibada, hoje já demonstra desgaste e que, afinal, nem o melhor mármore está livre de abrir rachaduras e perder o fulgurante brilho da sua textura conforme passa o tempo.

Poderíamos cá lembrar de dúzias de casos. Apontar centenas de indícios de que a informação hoje não é mais de mão única e não sai apenas da cabeça tortuosa dos editores e dos oligarcas da comunicação deste país. Ao invés disso, o que faremos é listar aqui as boas novas que ensejam foguetórios, conforme dito na abertura deste texto. Imbuído da boa nova de que o dólar, moeda norte-americana que ainda domina o mundo, decaiu perante o real à sua mais baixa cotação desde o ano 2000, faremos um repertório dessas boas novidades da economia. E aí Miriam Leitão, o Brasil não ia quebrar?

Citei o diretor de pesquisas do Bradesco não por acaso. O Bradesco é uma das instituições financeiras que mais lucram no Brasil. É o nosso maior banco privado. E na esteira do Plano Real cresceu. Segundo Joelmir Betting a situação é tão favorável às instituições financeiras que hoje no Brasil nada lucra tanto como um banco mal administrado. Evidente que lucram ainda mais os medianamente e os bem administrados, mas o fato é que aos bancos o céu tem sido de brigadeiro desde os primeiros momentos do real.

E Octavio, pela posição que ocupa e pela instituição que representa, não seria de estranhar que fizesse parte do cansaço coletivo que assaltou o país em agosto. Não sabemos nada sobre suas inclinações políticas e senso de ridículo. Sabemos contudo que ele disse, esta semana em uma palestra no 3º Congresso Nacional de Crédito que:

  • O Brasil está na lista de compra de todos os investidores globais.
  • O apetite para a tomada de risco do setor privado brasileiro é forte – é o que mostra uma pesquisa com 1 mil 200 empresas clientes do Bradesco.
  • Esse apetite para tomar risco tem hoje o seu melhor momento, desde que Barros montou a série, três anos atrás.
  • Se eu (Barros) fosse classificador de risco dava grau de investimento ao Brasil.
  • A crise do sub-prime americano já “deixou o mundo para entrar na História”. (parênteses meu: o que diverge da opinião dos ilibados analistas da grande imprensa)
  • Desde 17 de julho – quando a crise eclodiu – para cá, o valor de mercado dos 50 maiores bancos europeus e dos 50 maiores bancos americanos já voltou aos níveis anteriores a 17 de julho.
  • Os Estados Unidos são 33% do PIB mundial, embora, hoje, a China tenha um impacto maior sobre a economia mundial que os Estados Unidos. A duvida é: os Estados Unidos vão crescer 2% ou 1% em 2008? O mais provável é que cresçam 2% e o mundo inteiro vai ficar feliz.
  • O cenário para as commodities é positivo – especialmente por causa da China.
  • E esse cenário de commodities – por causa da China – vai durar ainda 10/15 anos.
  • Brasil, Argentina, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, África, exportadores de commodities, vão se beneficiar com isso. (O Governo chinês decidiu que toda cidade com mais de três milhões de habitantes tem que ter metrô. A China tem 72 cidades com mais de três milhões de habitantes ...)
  • Nenhum país emergente tem o conjunto fantástico de commodities para vender que o Brasil tem: açúcar, etanol, soja, milho, café, cobre, minério de ferro, frutas, bauxita e que tais.
  • Também nenhum outro país emergente – nem a China – tem uma indústria de transformação apoiada sobre commodities como tem o Brasil (o etanol, a Vale do Rio Doce...)
  • O crescimento do PIB será de 4,9% em 2007.
  • Entre 1999 e 2003, o crescimento da economia foi, na media, de 1,9% ao ano. (Outra vez, eu. Saudades do FHC? alguém?)
  • Entre 2004 e 2007, 4,3%. (Insisto, alguém? Ninguém? O cavalheiro iludido pela Folha e a Globo ali, mais alguém?)
  • Hoje, há 22 trimestres consecutivos há crescimento do PNB: é o maior ciclo de crescimento econômico dos últimos 15 anos.
  • Nos últimos 12 meses, entraram no Brasil US$ 50 bilhões em investimentos estrangeiros diretos.
Respire fundo agora:

  • A dívida externa brasileira é de US$ 30 bilhões. Dentro de alguns meses, o Brasil vai ZERAR a dívida externa!
Pode voltar ao normal:
  • O Brasil se abriu ao comércio exterior: desde 2002 triplicou o volume de importação e exportação.
  • Nenhum país emergente tem uma exportação tão diversificada: o Brasil exporta em percentuais parecidos para os Estrados Unidos, Mercosul, Europa, Ásia - A China nem a Índia têm isso. (Eu novamente: o que nos lembra o contraste das viagens de Lula e as de FHC. Fernando Henrrique viajava para que lhe afagassem o ego no exterior conferindo-lhe comendas ignóbeis. Fernando Henrrique, bajulado e empavoado por natureza, se crê, desde Roosevelt, o maior estadista já nascido. Torno à carga, alguém manifesta saudades do FH?)
  • Os juros vão cair inexoravelmente.
  • Em 2008, a Selic será de um dígito. (Coitados dos "Mencheviques do Morumbi", perderão aqui uma das suas justas reclamações).
  • O percentual do crédito no PIB passou de 22% em dezembro de 2002 para 33%, hoje.
  • O crédito cresceu 30% para a pessoa física nos últimos doze meses.
  • O crédito imobiliário – que está muito forte – é apenas 1,7% do PIB. Isso não é nada. Na Espanha, o crédito hipotecário é 50% do PIB; na Holanda, 90%. E o Brasil tem um déficit de 8 milhões de moradias. Resumindo, caríssimos, há espaço para crescer.
  • Como o mercado de trabalho – emprego – vive a melhor situação dos últimos oito anos, a inadimplência superior a 90 dias é de 7,2% - o que é baixo.
Mais ou menos copiado daqui.

E não acabou. Além desta enxurrada de dados e sinais positivos para o devir, que, frise-se não provém do governo, mas de uma instituição financeira privada - saiu um estudo interessante da Standard and Poors, que diz ter sido a Bovespa o quarto mercado mais lucrativo do mundo desde 9 de outubro de 2002. O ganho médio foi de 74%. Só perdemos para Peru, Ucrânia e Bulgária. 88%, 84% e 77%, respectivamente. A bolsa norte-americana foi apenas a septuagésima colocada e a China ficou em quadragésimo sexto lugar.

Ao longo desse período você deve ter ouvido os gabaritados e sinceros analistas da grande mídia dizendo para investir na China, Rússia e Índia. O Brasil ia quebrar, afinal. Ao passo que aqueles que não deram ouvidos aos avisos destes, se investiram R$ 1000, tiveram retorno de outros R$ 15.000.


Eu fico com pena do FHC. Ele se ocupa a falar mal do Brasil no exterior, ganhando muito para isso - aliás, só tem liquidez para pedir os milhares de dólares que cobra por palestra se falar mal mesmo - enquanto aqui no país que ele governou, com a política econômica que diz ter sido o inventor, colhem-se frutos oriundos de maior equilíbrio administrativo, que o furor neoliberal esqueceu-se não se sabe em que defecada homérica da dupla Tatcher e Reagan. Coitado do FH.


E eu ainda acho que Lula deveria pagar royalties ao FH.

Para pensar:

A filha de Renan Calheiros fora do casamento lhe valeu centenas de aborrecimentos por sustenta-la de forma pouco ortodoxa. Mas e a filha de Fernando Henrique Cardoso fora do casamento? Por que, quando este fora senador e presidente, ninguém veio lhe inquirir como sustentava a mãe, jornalista da Globo, e a filha que mandou "exilar" na Espanha?

Se é relevante saber como Renan sustentou sua aventura extra-conjugal, mais ainda era investigar, em 2000, quando a revista "Caros Amigos" (quando esta ainda prestava para alguma coisa) publicou matéria de capa sobre os arroubos adúlteros de FH. Era o presidente. Ou seja, quem pagou a conta? Quem pagou as pensões de lá pra cá? Quem bancou a vida das duas na Espanha? O contribuinte?

O que faz de FHC intocável pela imprensa? Só o fato de pertencer a grupos políticos poderosos oriundos do paleolítico não me convence. Será por ele falar inglês, espanhol e francês ao passo que o Calheiros, alagoano, deve dominar apenas o idioma luso?

Jornalismo de exceção e anti-ético: você vê por aqui.




quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Debaixo do sol...

... não há nada novo. Frase antiga. Verdade invencível que consta, faço uso de meus surrados conhecimentos da organização do Novo Testamento, no livro de Ecesiastes. Não, sequer desconfio o capítulo.

Em agosto passado alguns aproveitadores, outros desocupados, somados ao crescente clima de descontentamento que assaltou Alphaville, Leblon e congêneres, abrindo o perigoso precedente da "Revolução Menchevique do Morumbi", lançou ao vento um movimento "apolítico", disseram, chamado de "Cansei". O "Cansei" foi uma das maiores piadas para nós outros. Para seus criadores uma das maiores vergonhas, mas isto é lá com estes senhores engravatados, tão cientes dos problemas nacionais que vêm a público nos dizer que cansaram. Não estão nem aí para o tamanho da bobagem ou para a bazófia.


Na verdade acredito que subestimamos a importância do "Cansei", que de tamanho fastio, tirou merecidas férias na Europa onde foi descansar suas amolações com a "preocupante situação de crise que se instaura no país". Digo que subestimamos os mencheviques do Morumbi porque, meus caros oito leitores, muito mais que movimento social e "apolítico", foi ou é, o "Cansei" um movimento filosófico. Uma vanguarda filosófica, não há dúvida quanto a isto, que vem buscando responder uma até então irrespondível questão do saber, o que é o nada?. O "Cansei", imbuído nesta busca sumiu. Saiu em busca do nada e jamais foi visto.

Passaram umas semanas e neste inusitado país chamado Brasil surge um "indignado" apresentador Global que, coitado, foi expropriado de seu para lá de cobiçável Roléx (que segundo busquei saber compra-se a módicos R$ 48 mil) e, ciente do direito de se indignar e, por que não, cansar-se em público, escreveu uma impressionista carta que intitulou com o poético, embora rasteiro e torpe título de "Pensamentos quase póstumos", onde expressou toda a sua indignação e a sensação de ter sido praticamente assassinado ao sofrer o assalto que para si, ao que parece foi uma novidade. "Luciano Huck foi assassinado. Manchete no 'Jornal Nacional'", começa a epístola.

Embora tenha já dado voltas à questão e torcido que chegue meus fosfatos e sinapses para desvendar porque diabos o relógio do Huck, tão roubado como o vizinho ali na esquina, tenha ganho destaque na Folha - que embora seja um jornaleco, é uma das nossas maiores tiragens, infelizmente - chego a conclusão de que a filosofia em cima desta questão vem a ser desnecessária. Que bom que publicaram a carta do Huck. Que excelente saber que, para Huck, um exausto defensor e panfletário homem público contra a desigualdade social, o certo é chamar a "Tropa de Elite" e seus truculentos métodos.

Huck diz pagar seus impostos religiosamente e não temos porque duvidar - não pagasse, já teria rodado na malha fina que, estranho, tem funcionado bem ultimamente, o que é um dos maiores itens que cansou a turma da OAB-SP em agosto, Daslu e aquela patota toda. O que Huck não diz na sua carta é que tem contrato com a Globo fora das CLT's justamente para não pagar tantas contribuições e, assim, faturar limpo. E nem isso se deve recriminar, não é crime.

Depois de ter perdido seu relógio Huck acha que "chegou a hora de discutirmos de verdade a questão da segurança". Sim, evidente que a hora é agora. Não era hora quando houve chacina na Candelária. Quando o PCC estourou por inépcia governamental ano passado. Quando o Carandiru e Bangu explodiam anos, séculos, de falta de dignidade e decência na administração do futuro desse inusitado Brasil. A hora de discutir segurança pública é agora porque um diretor diz crer que a mídia "só diz a verdade sobre as favelas", fez um filme fascistóide que vende às pessoas a visão pequena, fascista e ignorante de "bandido bom é bandido morto", de que a solução é a multiplicação de "Tropas de Elite" onde estiver instalado o conflito.

Huck compara São Paulo a Bogotá - o que só comprova que a questão da educação é ainda um problema perto do interminável. Ao menos aos olhos deste que escreve este enorme texto que ninguém lerá. Para Huck devemos encontrar a solução, tiro e queda, nas duas seguintes vertentes: ou o capitão Nascimento (personagem central de "Tropa de Elite"), ou no investimento em escolas. O risco era de que o "Cansei" abraçasse mais esta nobre canseira e defendesse, em função de ser rematadamente sabido que os frutos da educação são colhidos apenas no longo prazo, a solução de criarmos um estado de exceção e "Tropas de Elite" para resolver a questão da segurança porque, segundo o narigudo apresentador, "a hora é agora".

Estamos cercados de débeis-mentais.

Complemento:

Um dia após a bombastíca e histórica correspondência de Huck:
Corregedoria investiga policial que diz saber de Rolex de Luciano Huck

Aqui você conhece a "amadurecida" visão de Padilha, diretor de "Tropa de Elite" sobre a pirataria:
Nas ruas, gato por lebre