... não há nada novo. Frase antiga. Verdade invencível que consta, faço uso de meus surrados conhecimentos da organização do Novo Testamento, no livro de Ecesiastes. Não, sequer desconfio o capítulo.
Em agosto passado alguns aproveitadores, outros desocupados, somados ao crescente clima de descontentamento que assaltou Alphaville, Leblon e congêneres, abrindo o perigoso precedente da "Revolução Menchevique do Morumbi", lançou ao vento um movimento "apolítico", disseram, chamado de "Cansei". O "Cansei" foi uma das maiores piadas para nós outros. Para seus criadores uma das maiores vergonhas, mas isto é lá com estes senhores engravatados, tão cientes dos problemas nacionais que vêm a público nos dizer que cansaram. Não estão nem aí para o tamanho da bobagem ou para a bazófia.
Na verdade acredito que subestimamos a importância do "Cansei", que de tamanho fastio, tirou merecidas férias na Europa onde foi descansar suas amolações com a "preocupante situação de crise que se instaura no país". Digo que subestimamos os mencheviques do Morumbi porque, meus caros oito leitores, muito mais que movimento social e "apolítico", foi ou é, o "Cansei" um movimento filosófico. Uma vanguarda filosófica, não há dúvida quanto a isto, que vem buscando responder uma até então irrespondível questão do saber, o que é o nada?. O "Cansei", imbuído nesta busca sumiu. Saiu em busca do nada e jamais foi visto.
"indignado" apresentador Global que, coitado, foi expropriado de seu para lá de cobiçável Roléx (que segundo busquei saber compra-se a módicos R$ 48 mil) e, ciente do direito de se indignar e, por que não, cansar-se em público, escreveu uma impressionista carta que intitulou com o poético, embora rasteiro e torpe título de "Pensamentos quase póstumos", onde expressou toda a sua indignação e a sensação de ter sido praticamente assassinado ao sofrer o assalto que para si, ao que parece foi uma novidade. "Luciano Huck foi assassinado. Manchete no 'Jornal Nacional'", começa a epístola.Embora tenha já dado voltas à questão e torcido que chegue meus fosfatos e sinapses para desvendar porque diabos o relógio do Huck, tão roubado como o vizinho ali na esquina, tenha ganho destaque na Folha - que embora seja um jornaleco, é uma das nossas maiores tiragens, infelizmente - chego a conclusão de que a filosofia em cima desta questão vem a ser desnecessária. Que bom que publicaram a carta do Huck. Que excelente saber que, para Huck, um exausto defensor e panfletário homem público contra a desigualdade social, o certo é chamar a "Tropa de Elite" e seus truculentos métodos.
Huck diz pagar seus impostos religiosamente e não temos porque duvidar - não pagasse, já teria rodado na malha fina que, estranho, tem funcionado bem ultimamente, o que é um dos maiores itens que cansou a turma da OAB-SP em agosto, Daslu e aquela patota toda. O que Huck não diz na sua carta é que tem contrato com a Globo fora das CLT's justamente para não pagar tantas contribuições e, assim, faturar limpo. E nem isso se deve recriminar, não é crime.
Depois de ter perdido seu relógio Huck acha que "chegou a hora de discutirmos de verdade a questão da segurança". Sim, evidente que a hora é agora. Não era hora quando houve chacina na Candelária. Quando o PCC estourou por inépcia governamental ano passado. Quando o Carandiru e Bangu explodiam anos, séculos, de falta de dignidade e decência na administração do futuro desse inusitado Brasil. A hora de discutir segurança pública é agora porque um diretor diz crer que a mídia "só diz a verdade sobre as favelas", fez um filme fascistóide que vende às pessoas a visão pequena, fascista e ignorante de "bandido bom é bandido morto", de que a solução é a multiplicação de "Tropas de Elite" onde estiver instalado o conflito.
Huck compara São Paulo a Bogotá - o que só comprova que a questão da educação é ainda um problema perto do interminável. Ao menos aos olhos deste que escreve este enorme texto que ninguém lerá. Para Huck devemos encontrar a solução, tiro e queda, nas duas seguintes vertentes: ou o capitão Nascimento (personagem central de "Tropa de Elite"), ou no investimento em escolas. O risco era de que o "Cansei" abraçasse mais esta nobre canseira e defendesse, em função de ser rematadamente sabido que os frutos da educação são colhidos apenas no longo prazo, a solução de criarmos um estado de exceção e "Tropas de Elite" para resolver a questão da segurança porque, segundo o narigudo apresentador, "a hora é agora".
Estamos cercados de débeis-mentais.
Complemento:
Um dia após a bombastíca e histórica correspondência de Huck:
Corregedoria investiga policial que diz saber de Rolex de Luciano Huck
Aqui você conhece a "amadurecida" visão de Padilha, diretor de "Tropa de Elite" sobre a pirataria:
Nas ruas, gato por lebre

1 comentários:
Embora não pareça nem tampouco apareça, ha quem leia suas mui bem traçadas linhas, e concorde com seu pensamento, no que difere dos rasantes rapineiros!
Eis que de repente, no meio de tanta obviedade inconclusiva e desprovida de fundamento racional, surge algo a que se pode chamar crítica!
Parabens!
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