segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Finitude

Nos últimos dias, mais do que em todo o transcorrer do ano, deu-me, caríssimos, uma sensação estranha no espírito. Em pouco mais de um mês estarei, se for da vontade comum dos professores, formado. Formado numa profissão complicada, num mercado de trabalho "salve-se-quem-puder" e sem quaisquer nesgas de perspectivas imediatas. Irei embora. Perderei contato com amigos queridos.

E tudo isso me fez contemplar uma sensação de finitude. Não é como quando eu saí do ensino médio, rapaz imberbe onde nas fuças ainda erravam espinhas esparsas e as primeiras poeiras que lhe prediziam barbas no futuro, onde o sentido era de recomeço, de novo caminho a trilhar. Agora é de fim, de encerramento, de missão cumprida e nada mais a se fazer. E me confrontar com isso, com o fim e não o começo, com a sensação de nada mais a se fazer, agravada pela ausência de perspectivas no curto prazo, não foi bonito.

Tudo vai sumindo por detrás das nossas costas. Nós nos ocupamos, por vezes, demais em olhar adiante tentando divisar o horizonte da vida e saber o que vem lá. Mas ao fazer isso, inutilmente, aliás, perdemos o que nos reluzia no passado próximo. E normalmente sentimos mais falta do passado do que de adivinhar o futuro coisa que a grossa maioria do gênero humano não consegue fazer. Enfim.

"Foram-se os amigos! Foi-se o futuro! Foi-se tudo! As minhas forças estão quebradas, como se quebrou o feixe da nossa passada amizade. Chega a idade e a velhice, fria e inexorável; envolve seu manto fúnebre em tudo o que outrora me reluzia, tudo o que me perfumava a mocidade, depois atira esse doce fardo ao ombro e leva-o com todo o resto para o abismo sem fundo da morte..."

Foto de Henri Cartier-Bresson.

2 comentários:

Anônimo disse...

Não que seja necessário, já que basta entrar no blog antigo pra achar o caminho deste novo, certo? E, de mais a mais, tem tanto conteúdo lá quanto aqui, e não é a data que faz a diferença, além do que, tá, parei.
Arrumo lá sim, em poucos instantes.
Quanto a essa sua melancolia adiantada por conta do fim dos tempos, ops, das aulas, digo uma coisa: nada é tão ruim que não vá causar saudade um dia. Mas também não é o fim de tudo, nem do mundo nem das amizades. Eu acho. Ou não. Enfim...

Anônimo disse...

è mais uma etapa de várias que vc vai viver.Olhar para frente mas não para um futuro tão longíquo é melhor porque depois, qd vc chegar lá, vai ficar admirado de como conseguiu.