Eu lembro, lá pelos já há muito vividos anos de 95, que havia a febre pelos ioiôs da Coca-Cola. Na escola todos tinham alguns e eram mestres nas acrobacias com o pêndulo. Eu inclusive.
E nos horários livres, de antes das aulas e no recreio, havia por toda a extensão do pátio um verdadeiro balé. Múltiplas e mirabolantes evoluções, uns bons, outros medianos e alguns mais, eu incluso, enganadores de platéia.
Aí um dia um menino desentendeu-se com o outro. Provavelmente disse que se o primeiro não lhe reparasse o remoque, embora lhe ultrajasse a idéia, teria de ir arrancar-lhe os olhos em troca da honra ofendida. O menino ofensor não reparou o agravo e ambos foram às vias de fato.
Um deles, já não lembro o qual, fez do brinquedo, o ioiô, arma: deu com o pêndulo, modelo Super da Coca-Cola - ou da Fanta, eram realmente parecidos - na idéia do outro beligerante. Como medida de combate à falta de civilidade das crianças, as freiras que dirigiam a escola não tiveram dúvidas: que se proíba o uso de ioiô nas dependências da escola.
É mais ou menos o que o governador José Serra quer fazer com os celulares. Embora não se tenha sabido de alguém ter levado uma celularzada na idéia, acredita o governador que os índices educacionais do estado só poderão melhorar na medida em que as crianças não tenham celulares para serem encontradas pelos pais num contexto tão perigoso como no que vivem.
Tertuliano mora no Paraná. Tertuliano se preocupa caso a moda pegue, afinal ele pensa:
- Não seria melhor proibir celulares nas cadeias?
sábado, 13 de outubro de 2007
Celular também não pode mais
às 22:44 Marcadores: Atualidades, Política

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