terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Formicida com gelo

E eu vou me embebedar
vou saudar essa semana na esbórnia
vou cair na sarjeta, dormir ao sereno
quero o maior porre
vou beber formicida com gelo
quero me embriagar de veneno
e ver se essa saudade toda morre.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Rádio: Rogério Skylab - Moto-serra

O poeta Skylab. Morro de rir na parte de "Vênus de Milos":


Hai-kai nº 21

Não me levo a sério
um pouco clichê
verso ruim e mistério.

Dizem que o haikai tem certas regras. Uma delas é fugir do "eu". E acabei de quebrá-la. Outra é que, via de regra, os três versos devem formar uma imagem na cabeça do leitor e, embora não necessariamente, devem preferencialmente estar vinculados, portanto, à natureza, coisa que eu dificilmente faço. Me esforço, mesmo, para respeitar a contagem de sílabas nos versos, sempre 7-5-7, ou 5-7-5. De resto, avacalho completamente com o conceito de haikai e mesmo assim os chamo de haikai por pura vontade de se prevalecer dessa nobre arte oriental. E porque os versos, embora lamentáveis, são meus e os chamo como quiser.

Quatro versos e nenhuma novidade

O tempo é tudo
e nada também
O tempo é um velho
e tudo que me convem.

Hai-kai nº 20

Formicida com gelo
porre de vida
vomitei versos e medo.

Hai-kai nº 19 (sem métrica)

Eu quis compor um haikai
sem natureza
outro verso de incerteza.

Rádio: Screaming Trees - Sworn and Broken

A melhor música da melhor banda de Seattle. E ponto.



"... another promise sworn and broken".

domingo, 29 de novembro de 2009

Dos males, o maior

O grande mal de ler poesias é acabar apaixonado por elas.

sábado, 28 de novembro de 2009

Rádio: Placebo - Every You, Every Me

Só para corrigir uma injustiça e postar, enfim, uma música do Placebo:


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Aforismos - Arrependimento

Eu não me arrependo. Eu dou risada do fatídico.

Eu sou foda. Às vezes.

Rádio: Wander Wildner - Amigo Punk

"O meu destino é Woodstock, mas eu chego".


Cicatriz

Quando penso em você, pesa-me no peito
algo que faz com que meus olhos risquem minhas veredas
corram o espaço atrás de outras estrelas,
e voltem a cismar porque nada há que dê jeito
e transforme a incerteza das minhas alamedas
em rumos novos, plenos de certezas,
onde se consumam em pavimento todas as mentiras,
endireitem-se as curvas do destino, e tudo seja perfeito:

Não vivo mais pela beleza. Troco perfeição por verso concreto,
Me renego e me bato por este meu coração abjeto.
Ondeio como seus cabelos lisos ao vento, a ignorar as minhas revoluções
De resto, está tudo dito, esqueço do nosso adeus em seu gesto,
corro com meus olhos pelos meus versos de singeleza,
procuro nas entrelinhas qualquer coisa nova, onde possa expiar toda a minha tristeza.

Ou coisa parecida.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Rádio: New Order - Blue Monday

Não sou fã de muita coisa dos anos 1980. Praticamente detesto quase tudo. Sempre que penso nessa década lembro de coisas desagradáveis, como sintetizadores exagerados sobrepondo a voz, o som propriamente dito, Dragon Ball (desenho infame), A-Ha, Duran Duran, Bauhaus, enfim, você sabe do que estou falando. Aliás, tirando algumas comoções políticas, bons thrillers do Forsythe no período que marcou a derrocada da URSS, uma década excepcional para a Fórmula 1, as trilogias "De Volta Para o Futuro" e "Indiana Jones", "Caverna do Dragão", os anos 1980 foram um pé nos ovos e o melhor que fizeram foi mesmo terem acabado.

Escrevi tudo isso para me contradizer aqui e postar essa música, uma das poucas do período que eu gosto. E nem lembro porque, acho que foi trilha sonora de um jogo de video-game, e eu gostei. Tenho dessas coisas. E como postar músicas é minha muleta preferida quando ando sem assunto, aí vai, enfim "Blue Monday" do álbum "Power, Corruption & Lies" (em libérrima tradução, "Poder, corrupção e mentiras"), com o "New Order", que era o que hoje chamaríamos de hype, e foi formada pelos ex-integrantes do "Joy Division", banda que se dissolveu em virtude do suicídio de seu vocalista, imbecilmente dividido pelo amor de duas mulheres:


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Rádio: Louis Armstrong - We Have All The Time in The World

Nós temos todo o tempo do mundo, como lembra Louis Armstrong. Ou ao menos até que chegue a morte, ou coisa parecida, e nos arraste moços, sem ter visto a vida, conforme não deixa de nos avisar o sabido Belchior.


Toyota não é de nada

E a Toyota, que vem a ser, assustem-se leigos, a maior montadora de automóveis do mundo, anunciou hoje o maior recall de todos os tempos. Serão convocados 3,8 milhões de veículos (!) nos EUA porque, e aí é reside o absurdo, o pedal do acelerador pode enroscar nos tapetes do veículo, e os gabaritados motoristas norte-americanos são incapazes de lidar com essa assombrosa contingência, podendo, portanto, emborrachar-se ridiculamente nos muros, postes, árvores e outros Toyotas que abundam no país. Situação desagradável, porque os perspicazes motoristas acabariam tendo ganas de processar a fábrica nipônica que, naturalmente, se sentiria desconfortável em arcar com intermináveis indenizações.

Lendo mais sobre a notícia, descobri que a montadora irá retirar do mercado uma picape que pode ter o chassi corroído pelo sal (!!), situação que pode fazer com que o pneu estepe caia, e cause as mais complicadas situações para o cidadão que vem atrás, dirigindo algum SUV esdruxúlo, ou um daqueles sedãs enormes, gastadores e desajeitados, tão caros ao "american way of life". Além disso, os sempre precavidos japoneses conceberam um chip que cortará o motor quando os sempre evoluídos, competentes e astutos motoristas dos EUA pisarem simultaneamente no acelerador e no freio - manobra conhecida como "punta-tacco" e extremamente utilizada, além de importante, no mundo do automobilismo de competição - mas bastante ignóbil e deslocada num veículo comum de rua.

E, sim, pasmem, a Toyota é a maior montadora do mundo.

Eu não queria ser o FHC

Às pessoas com mais discernimento não tem escapado que recentemente Lula tem recebido líderes do Oriente Médio, aquele enorme balaio de confusões étnicas, religiosas, diplomáticas, sociais, culturais e militares. Não vai ser Lula que dará jeito nessas querelas milenares, por certo, mas se ele der um passo que seja de progresso em relação a isso, impondo mais uma vez a diplomacia brasileira no cenário mundial, e a sua figura como estadista, tenho certeza, passará pela cabeça empoada de FHC a ideia de um melancólico haraquiri.

Filmes nos Campos Gerais

Quando me espevito com alguma curiosidade, vou a fundo, perco sono e tempo, mas não descanso até ter descoberto tudo que me interessa. Foi assim com o Programa Apollo uns anos atrás, com a Segunda Guerra Mundial, com a trajetória de Churchill e com a derrocada das aristocracias européias por advento da Revolução Francesa. Sou um sujeito muito curioso. Muito curioso.

E eis que "D'gajão Mata Para Vingar", filme estilo western-spaghetti de José Mojica Marins, bateu-me à porta meio inusitadamente. O filme foi rodado em Porto Amazonas, no interior do Paraná, que é um lugarejo de história muito rica - que me valeu o ensejo de um livro-reportagem - cidade pequena, onde o tempo parece ter se esquecido de passar, e que possui um passado impressionante, presente melancólico e futuro sombrio. E onde eu nasci.

Fui mordido pela ânsia da curiosidade, e que tinha um bicho específico, sempre mencionado nos romances de capa e espada de Alexandre Dumas que fiz questão de esquecer, justamente agora que me cabia muito bem citá-lo eu. O fato é que a curiosidade me tocou e que já fiz meus progressos na pesquisa.

A curiosidade, depois de exaustivas e sucessivas googladas, me levou a saber que D'gajão é o terceiro filme de uma triologia, composta de "A Sina do Aventureiro", de 1958 e que ainda não logrei exito em descobrir onde foi rodado, seguida por "O Diabo de Vila Velha", este de 1965, e que filmou-se em Ponta Grossa, aproveitando o cenário oferecido pelas escarpas de arenito do Parque Estadual de Vila Velha. "D'gajão Mata Para Vingar" é o terceiro filme, filmado em 1972, a exemplo do que é "Três Homens em Conflito" para a trilogia do dólar, de Sérgio Leone, que é, aliás, o diretor e filmes, que cunharam o gênero de western-spaghetti, em razão de serem bang-bangs rodados na Sicília italiana durante os anos 1960, ainda que contassem com atores e produção norte-americana. Clint Eastwood apareceu nessa trilogia, que vos recomendo. Ennio Morricone também, aliás (ouça aqui a trilha que marcou "Três Homens em Conflito").

E se eu soubesse disso há uns anos, talvez, fizesse outro livro, com a mesma Porto Amazonas de fundo. Mas em lugar de me debruçar sobre a história da cidade, centraria o foco nessa produção esquecida do cinema nacional.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Aí sim fomos surpreendidos novamente

E eis que eu tropecei em D'gajão mata para vingar. É o nome de um filme rodado por José Mojica Marins, o nosso conhecidíssimo Zé do Caixão, que se diz western - o filme, bem entendido. A glória maior dessa nobre peça da sétima arte reside na ventura que esta tem de ter sido rodada, no distante ano de 1972, em Porto Amazonas, Paraná, localidade onde eu, mais ou menos 12 anos depois, entrava no mundo urinando no obstetra que era, na verdade pediatra - dizem as memórias de gente que testemunhou o ocorrido que fui motivo de gáudio em todo o hospital, por conta de ter nascido roxo, quase sufocado (por mais alguns instantes e eu teria ainda mais graves debilidades mentais), tudo resultado da inépcia de um cidadão que não era obstetra de ofício e estava ali para tapar buraco, provisóriamente, como mais ou menos tudo nessa minha vida. Sendo, enfim, o jato de urina a minha primeira realização no mundo que suportamos todos, prestou-me o mijo como atestado de que eu nascia capaz de uma ou outra mobilidade e que, com um pouco de sorte, capaz de todas, como veio a se verificar mais tarde, mas que não podia se aferir com certeza naquele momento, o que livra por completo tanto a maternidade como o distinto esculápio de complicações legais e sina de profissional de meia pataca.

Mas não tergiversemos. Falemos de D'gajão: de hoje em diante começa aí uma nova cruzada que dará tino a minha existência: encontrar o filme, assisti-lo e dizer se, enfim, além da glória de ter sido rodado nos Campos Gerais, em Ponta Grossa e Porto Amazonas, há na fita algo mais a ser mencionado.

MSN

Então, não sei se faço a viagem com a galera da minha turma depois do fim das aulas.

Acho que você não devia ir, há três anos de faculdade pela frente, de repente você pode curtir mais o passeio padrão da família.

Ah, mas acho que seria legal ir, conhecer um lugar novo com a galera, eu poderia até conhecer o amor da minha vida lá!

Mais um bom motivo para você não ir.

Amanhecendo

Sonhei que um dia eu amanhecia,
que da tarde de que eu fugia
restava só um sabor adocicado,
de cada verso meu que não foi provado
Sonhei que numa noite tudo foi perfeito.
E que pra tudo deu-se um jeito,
houve espaço na sala para uma nova tentativa
e que do coração só ouvi soluços, desses que a gente cativa.