sexta-feira, 15 de julho de 2011

Pés no chão novamente

Apenas para registro, e a quem interessar possa, enfim, estabilizado, voltamos às baterias a velhos projetos pessoais. O telescópio vai, enfim, sair do papel, empolgado que estou com o céu mais límpido e a proximidade com São Luiz do Purunã, donde munido de bom telescópio que eu ainda construirei, poderei, enfim, perscrutar os infindáveis mistérios de um lugar que chamamos de Universo. As novas lentes já foram encomendadas e no tempo livre venho me aprimorando em estudos acerca das artes de modelagem tanto em tubos de pvc, como em materiais de análogo jaez.

Os reviews de games para o site de cultura que toco na companhia de amigos, se não de irmãos, enfim ganharão a locução que lhes faltava.

Meu livro de poesias ganha forma no InDesing deste notebook. Já bati o martelo, chamar-se-á o breve compêndio de: "Mecânica Celeste Aplicada".

O disco que produzo com sons do LHC está em stand-by. Preciso de uma catarse para criar alguma coisa que preste no Mixcraft Acoustica.  

Curitiba

Eu escolhi vir para Curitiba atrás de topar com uma vereda. Opções e escolhas, a vida é feita exclusivamente delas, que o resto é armazem de secos e molhados. Você abre mão de algumas coisas, ganha outras. Escolhe e precisa saber viver com isso.

Convivi ao longo dos anos com um encantamento muito natural por Curitiba, que na minha infância vicejava como exemplo último de bom planejamento urbano, dinamismo arquitetônico e cuidado com a vida dos cidadãos, valorizando e muito transporte público rápido, econômico e ágil e limpeza praticamente asséptica de suas ruas e calçadas. Curitiba foi cool durante boa parte dos anos 1990 embalada por esses sucessos que realmente foram seus. Era a capital do estado, a cidade grande, e o fascínio que essas coisas exercem em crianças do interior é natural.

Mas a cidade estagnou. O mesmo grupo político se perpetuou no poder, para não dizer corja, e se especializou em viver embalado no berço esplêndido da competência passada, da manchete de 1993, do aniversário de 300 anos. Curitiba sofre com gargalos, jogou o dinamismo e a competência pra escanteio e vem perdendo o equilíbrio e o charme de outrora.

Mas ainda é Curitiba, um oásis de sossego para quem veio do caos urbano da paulicéia. Conheçi ao longo dos anos com muitas pessoas que votam ódio pela capital paranaense. Seja pelo jeito reservado do curitibano - isso, aqui, é defeito. Em qualquer outra paragem do mundo, "ah, é o charme". A estupidez do parisiense é sinal de cosmopolitismo, a do curitibano, de ignorância. Descontando o fato de que esses estereótipos são para lá de discutíveis, percebe-se o fato de que muita gente se acostumou a detestar a cidade para ser do contra. Durante muito tempo se vangloriou os sucessos e bons resultados da cidade a tal ponto que ser do contra, odiar e criticar a cidade, virou sinal de gente descolada.

Eu concedo que o transporte público curitibano não funciona, que os projetos não revitalizam mais a cidade, que os problemas se acumulam e as soluções que antes assombravam e serviam de escola para Tóquio, Londres, Los Angeles e tantas outras metrópoles simplesmente não aparecem mais.

Mas desconfio que em não muitas cidades do mundo, ao caminhar por uma das praças centrais - que há em profusão por aqui, qualidade que não se verifica em São Paulo, por exemplo - encontra-se um grupo de músicos tocando Ennio Morricone para juntar um punhado de moedas.

Devia ter filmado, ou fotografado, com o celular modernoso que ostenta uma câmera exageradamente maior do que os 25 segundos de vídeo que gravo por ano. Pena. A pressa para chegar no trabalho, considerando os atrasos do transporte público, não mais tão vigoroso como outrora, me fizeram perder a música e a chance.

Curitiba talvez não seja tão impressionante como muita gente pensa. Mas é muito melhor do que aquilo que muita gente que odeia pensa.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Não vale à pena

Amor e anarquismo são duas ideias naturalmente fadadas ao fracasso nas quais a gente continua insistindo, debacle após debacle.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dia do Rock

Elvis Presley, Iron Maiden, AC/DC, Steppenwolf, Raul Seixas, George Thorogood & The Destroyers, Radiohead, Mago de Oz, Mark Lanegan, Mike Johnson, The Bambi Molesters, Bob Dylan, Erasmo Carlos, Joe Cocker, Kenny Rogers, Elbow, Screaming Trees, Kings of Leon, John Schooley, Nirvana, Placebo, Rolling Stones, Rogério Skylab, Stray Cats, Grateful Dead, Tom Waits, Nevilton, Rafael Castro e os Monumentais, Gene Vincent, Chuck Berry e Wander Wildner.

Muito obrigado.

sábado, 2 de julho de 2011

Napalm

Tinha a suspeita, agora confirmo: Napalm é manufaturado à base de gasolina, então deve ter o odor parecido. E era usado para assar os vietcongues e o que tivesse pelo caminho.

Derrocada

E eu nunca mais fiz um verso.

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terça-feira, 28 de junho de 2011

-4,5° - tô gostando, tô gostando

Acordei a emocionantes -4,5º hoje e persisti na incapacidade de promover o bom uso dos 5 megapixels do meu celular e trazer, para a posteridade, as memórias de mais uma manhã de inverno e do doce orvalho que nos agride a pele, esfola as narinas e encolhe, na metade masculina do gênero humano, as extremidades.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sotaque do sul

Faz um frio de todos os diabos. Embora alguma divergência tenha sido constatada nos diferentes serviços metereológicos e nos termometros da casa e do carro, em uma média mais ou menos arbitrária e razoável, pode-se dizer que hoje batemos uma oscilação que compreende todas as temperaturas possíveis na faixa que vai do enrijecedor -1º C e chega aos folgados e tropicais 13,5º C.

Eu sentia saudade do frio. Mais ou menos como tudo na vida, fui sempre exceção nas preferências climáticas: sempre me encantou o céu de chumbo, o frio da noite, o desespero do despertar em meio ao vapor que sai da boca e do nariz. Frio é minha praia porque sou encalorado demais. Frio a ponto de frustrar minha honesta intenção de fotografar a geada de respeito que fez hoje: não quis sair de casa para encarar as artes que o gelo proporcionou no jardim.

E frio se experimenta com gosto aqui, na porção sul do Brasil. Sem querer desqualificar o frio mais incisivo que se acomete tanto quanto mais meridional for o parâmetro, mas frio gostoso é o daqui. Ando meio sulista. É por ter voltado pra casa, onde faz frio, não tem trânsito em qualquer hora do dia e todos os destinos e sonhos estão mais ou menos ao alcance das minhas pernas.

sábado, 18 de junho de 2011

Liberdade de marcha à ré

Hoje acontece em 40 cidades por todo o país a, dizem, Marcha da Liberdade. Liberdade lá com eles, porque enquanto isso, enquanto endireitam-se as filas pelas ruas e avenidas pela legalização guela abaixo do consumo de drogas, no senado e na câmara abrem-se as pernas do país para a organização da Copa e das Olimpíadas.

Mas, claro, protestar contra isso dá preguiça. Precisa pensar, ter argumentos que não sejam calcados no hedonismo de uma geração descompromissada - que apatia é virtude. E no mais, envolvimento político em causas de real interesse público não dá barato.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Alta quilometragem

Nesta semana eu fiz já uns 950 quilômetros entre idas e vindas para Curitiba. E estou adorando. Eu devia ser caminhoneiro ou piloto de endurance.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

De volta

Há uma frase em um dos meus filmes preferidos, Apocalipse Now, do personagem de Marlon Brando, acho, que diz "eu adoro o cheiro de napalm pela manhã".

Eu não senti napalm na manhã de hoje, a do meu regresso. Mas rasguei a estrada de vidro aberto, e em vigorosos haustos, tomei do ar dos Campos Gerais, que se não cheira a napalm, ao menos, me dá a mesma sensação que teria Marlon no filme.

Rapaz, é bom estar de volta. 

terça-feira, 14 de junho de 2011

São Paulo, 2011

Hora de ir embora. Pra voltar um dia, talvez. O fato é que o futuro pega na mão da gente e leva-nos por caminhos onde nem sempre a nossa escolha e a nossa vontade podem diante das circunstâncias. Eu vim, vi e venci. Nos meus parâmetros, claro, porque se vitória fosse o que realizei por aqui é provável que não fosse embora. Mas, de fato, cheguei desempregado e sai editor de um site enorme. É, digam o que disserem, mas foi um retumbante triunfo.

Mas como eu disse, o futuro vem e pega na mão da gente. Ele tolhe as veredas e quando você vê, caminhou e tudo à sua volta mudou. São Paulo, até segunda ordem, há de ser página virada na minha vida. E agora toca a morar em Curitiba. Em algum momento do passado, lá onde estavam os sonhos e disparates da infância, eu me imaginava morando em Curitiba que, do alto do meu provinciano mundinho, era uma expressão de vida cosmopolita. Hoje, mais que isso, é a realidade do futuro imediato, dos sonhos adiados e da vida preguiçosa que, sem eu perceber, já conta 26 anos.

E o que dói o coração é deixar para trás os amigos, dos bons, que cultivei na Paulicéia. É pena que não caibam todos no bolso ou que simplesmente não tenham o mesmo apreço que eu tenho pela vida pacata na capital paranaense, mas isso é papo para outra lamúria. Adeus, São Paulo. Hasta pronto, camaradas.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Soy Celeste

"O Uruguai teve muitos grandes jogadores em sua história. Muitos craques como Scarone, Rocha e Schiaffino, mas sempre gostei daqueles que mostravam caráter e temperamento. Como Obdulio e tantos outros. Gosto de ser chamado de caudilho. Tem de ser como nos anos 30, quando em dez anos ganhamos 4 finais contra a Argentina, inclusive a primeira Copa. Nós ganhamos 4 finais e eles ganharam 10 amistosos. O que interessa mais? Futebol se joga com caráter. Eu sou assim"(Lugano, Diego - livro Tricolor Celeste)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Clint Eastwood e o sinonimo da macheza contemporânea

São tempos melindrosos para um sujeito usar calças e honrar os bagos. Sim. Vivemos numa era desgraçada, de moral fácil e de politicamente correto. E hoje é aniversário de uma bem acabada antítese de tudo isso, um cidadão que é um símbolo, um tipo de último dos moicanos da macheza perdida.

Clint Eastwood. O homem. Clint faz 81 anos hoje e coleciona sucessos em praticamente tudo que se meteu a fazer na carreira de ator e diretor. Filmes intensos, personagens marcantes. O homem sem nome da minha adorada trilogia do dólar, o fugitivo de Alcatraz, o sorumbático de Gran Torino. Quem viu cada um desses filmes sabe porque Clint merece uns goles e um post em homenagem ao seu 81º aniversário.

É um sinal dos tempos que as mulheres hoje suspirem muito mais por Brad Pitt e George Clooney do que por um tipo como Eastwood. O cinema, e nossa sociedade, não produzem mais tipos adoráveis como Steve McQueen, John Wayne e Humphrey Bogart, são o triunvirato da masculinidade. Há momentos na vida em que você precisa parar e considerar o que o faz diferente desses sujeitos e porque você não pode ser como eles. Se fossem quatro, eu escalaria James Coburn nessa trementa patota. Sean Connery também merece a lista.

Alguns dos filmes de Clint são obrigatórios. Mas se não estiver com disposição de ver todos, se atenha à Trilogia do Dólar, que o fez, nos anos 1960 de jovem desconhecido, a galã e grande nome do cinema.

Eastwood é de uma macheza contundente só por ter aceito fazer filmes de faroeste no período de maior decadência do gênero, com um italiano desconhecido (Sérgio Leone) e no meio da Sicília - nada de desertos e poeira texana num filme sobre o oeste distante dos EUA. Os três filmes, "Por um Punhado de Dólares", "Por uns Dólares a Mais" e "Três Homens e Um Conflito" (também conhecido como "O Mau, o Bom e o Feio") lhe dariam a pecha de durão e marcariam muito o gênero no seu ocaso.

Mas foi vivendo o policial Harry Callahan, ou Dirty Callahan em "Perseguidor Implacável" (e na longa série de filmes que seguiram o sucesso do primeiro), que marcaria sua carreira como o sujeito que passa testosterona no pão mofado com a peixeira enferrujada. As sequências são tão boas como o primeiro, mas eu honestamente acho que poderiam ter parado no terceiro título.

Clint também tornou-se um diretor de extrema qualidade. Do alto de sua macheza conseguiu realizar o filme preferido da mulherada, "As Pontes de Madison" - ele deve ter feito isso só para mostrar quão machão é. E vem emplacando uma série bastante sólida de bons filmes e de sucesso de crítica e bilheteria: Sobre Meninos e Lobos, Menina de Ouro, a dobradinha A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jiwa, Invictus, Gran Torino.

Parabéns, Clint. Longa vida ao maior depositário vivo da testosterona, do último bastião da macheza cool do cinema.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Rádio: Wander Wildner - Bocomocamaleão

Um dia eu vou ter um bar e ele vai se chamar Soriano. A não ser que ele fique na vizinhança de um cemitério. Neste caso, o nome será Pé na Cova:

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Projetos

Sem saber exatamente por quê, estou montando meu segundo livro e produzindo um disco. Projetos, acho que é isso que significa: coisas às quais você se mete a fazer porque as acha legais e divertidas.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Rádio: Willard Grant Conspiracy - The River in The Pines

Dei-me conta de que este blogue está muito científico ultimamente. Hora de voltar às subjetividades que um dia derrubaram minhas veredas do mundo cartesiano das engenharias e me deixaram à deriva num oceano de palavras, emoções, compreensão e conceitos mais vagos que a frieza dos cálculos.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Custo/benefício

Se for verdade que um deus, qualquer que seja a divindade antropomórfica a qual você vote fidelidade, tenha criado todo este universo podemos concluir que lhe falta maior noção da escala das coisas e que ele não etende porcaria nenhuma de custo/benefício. Isso sim, senhores, é um ser inteligente:

terça-feira, 10 de maio de 2011

Rádio: Roberto Carlos - Outra Vez

Rapaz, como essa música me derrubava nos meus bons e nem tão saudosos tempos de fossa, daquelas de criar bicho e alimentar todas as minhas velhas prevensões contra relacionamentos:

Táquions

Eu, arbitrariamente, escolhi a estrela de neutrons como a coisa mais bizarra do universo, ou ao menos a que mais me fascina e desperta curiosidade. Mas poderia ter escolhido os táquions. Ou, na verdade, não. Não há indícios de que existam, e nem mesmo de que não existam. Até aqui, ao contrário das estrelas de neutrons, táquions são construções ideológicas que fermentaram na vibração das cordas das teorias mais recentes sobre a natureza do universo e suas origens. É um recurso para explicar coisas que não se entende, mais ou menos na mesma proporção que, um dia, calhou se dizer que o trovão era a expressão da irritação de algum deus.

Mas, caso existam, táquions são incrívelmente bizarros. Seriam partículas que viajam com velocidade maior que a da luz. Pois é. Diria alguém que, não pode, nada vai mais rápido que a luz. Na verdade, nada acelera para além da luz. De repente, pode ser, uma partícula viaja mais rápido que a luz porque essa é a sua natureza, porque ela já se formou assim e contra isso nem Einstein pode nada.

Os táquions existiriam, então, num tempo próprio imaginário. Dada a particularidade de fluirem mais velozes que a própria luz, se você encarasse um em sua direção, não o veria. Só depois que ele passasse, você veria duas imagens indo em direções opostas: uma delas o rastro da trajetória percorrida pela partícula, algo como o "rastro de luz deixado pelo caminho", e de outro o rastro deixado pelo avanço inexorável de algo que pode viajar na velocidade do instante. É um Efeito Doppler anabolizado.

Caso existissem, fossem mensuráveis e controláveis, eventualmente, táquions poderiam significar avanços avassaladores na atual tecnologia. Computadores que trabalhariam quanticamente à velocidades superiores à da luz romperiam absolutamente todos os paradigmas científicos construídos em séculos, se não mesmo milênios de humanidade, em questão de horas. A rigor, um computador de táquions poderia processar coisas no passado, mais ou menos no sentido de que você poderia usar os táquions para mandar mensagens para trás na linha do tempo: praticamente, conversando com você mesmo no passado.

O tempo, então, não existe nos táquions. Experimentos da física quântica indicam que os táquions existem (e frise-se que indícios não são evidências). Se existem e carregam informações, era de se esperar que cá conosco tivessemos recados do futuro? Talvez já o tenhamos. Ou, mais provavelmente, os táquions viajam com velocidade maior que a luz, mas não a informação. Ou ainda, anda a informação no mesmo compasso, mas quando por aqui chegam, não aparecem, são indefectíveis, informação e táquions. E talvez, ora, que bom que o sejam. Não há muito proveito em se saber demais do próprio futuro, sobretudo nós, quando o melhor que fazemos é esquecer-nos do passado.

Se táquions existem, viajam assim, correm a todo o canto precedendo causas e efeitos. Cofio os bigodes e, cá comigo, pondero que se existem os táquions nestes termos, ora, pra quê Big Bang?