sábado, 3 de maio de 2008

Julgamento da História

A continuar assim, o Brasil conquistando impressionantes progressos de ordem política, economica (sobretudo!) e social, a História fará de FHC um Café Filho, um Carlos Luz perante Lula.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Igualdade, fraternidade e liberdade

O trio de "dades" compõem o ideal da Revolução Francesa. Qualquer colegial sabe disso. Ou ao menos deveria saber, afinal.

Ocorre que lendo aqui, descobri uma reflexão interessante envolvendo o ideário gaulês que mudou o mundo a partir do fim do século XVIII. Ao passo que os Estados Unidos adotou a "liberdade" como tema, foco, diretriz central de sua evolução, de sua história - no que são absolutamente escusados pelo contexto, posto que foi por aqueles dias de sans-cullotes em Paris que Washington, o George, não a cidade, desobedeceu ao jugo britânico. Era questão de comodidade abraçar-se ao recém nascido ideal de liberdade de Rosseau. E à França coube agarrar-se à noção de "igualdade" - também rebenta de altas doses de fosfato consumido por Rousseau - e nós, brasileiros, nos esquecemos de nos ater a um dos proclames.

Nos EUA, a liberdade é o bem primeiro, principal e consubstâncial do cidadão e do próprio país, daí a desculpa sempre clássica em qualquer intervenção de caráter militar "estamos assegurando a liberdade". Na França, a noção de igualdade embala um regime democrático que tende sempre ao equilíbrio legal das diversas classes, de onde se entende a grande questão dos franceses que são as reformas. Sarkozy ou qualquer outro dos próximos mandatários, se não quiser ver um país quebrado, terá de organizar a previdência e as leis trabalhistas - mas como mexer nisso sem esbarrar a "igualdade" que embasa a idéia de democracia do francês?

No Brasil, aproveitando os raramente navegados mares da fortuna e do bom momento economico e social, que por hora visitamos, muito mais importante e decisivo que discutir a morte da Izabella - que a rigor é característico do efeito manada no jornalismo e, no fim das contas, é uma tragédia de foro intímo para a família, e não uma catarse nacional - devíamos é nos preparar para abraçar outra idéia ainda não tão visitada em âmbito nacional da Revolução Francesa: a fraternidade.

Um Brasil fraterno, com, por hora, boas chances de futuro, seria sim um país do, e de, futuro.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

E agora?

A Veja denunciou os cartões coorporativos de altos funcionários do governo federal na onda de criar mais uma crise, na esteira do "caosaereo". Errou na estratégia. Tivesse olhado para as cercanias, teria visto que Serra, no mesmo período, fez mais despesas, hum, voluntariosas. E FHC, quem diria, que tem dois carros cedidos pela União, um Chevrolet Ômega e um Fiat Marea, tendo direito, via cartão coorporativo, a detonar 2 mil reais/mês em gasolina. Como é sabido, o distinto ex-presidente anda muito de carro.

Além disso, o digníssimo ex-presidente tem dois seguranças pagos pelos cofres públicos. E mais, que recebem diárias de 28 a 30 mil reais.

Impeachment neles.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Tropa de Elite - eu não estou sozinho

Não sou o único a dizer do Tropa de Elite, fascismo.


Vê aqui.

Relativizar é preciso

Se eu pudesse enumerar minhas qualidades, admitindo aí que eu as tenha, uma das que não faltariam deste inusitado índex, certamente, seria a de relativizar tudo. Por supuesto. Um exemplo fresco agora, ou factual como gostam os jornalistas, é a eleição, ou ainda, a campanha das prévias norte-americanas. Parece fugir aos olhos de todos os nossos abalizados analistas e nossos críveis meios de comunicação que, o que mais conta e importa é que, vejam só, postulam à honra de disputar às eleições de novembro - da nação mais importante do planeta, frise-se - uma mulher e um negro.

Me pergunto em quantos milênios de civilização teremos de suportar para ver semelhante rompimento de paradigmas.

Mas isso é o que eu pergunto à mim. E sem resposta. A nossa estulta mídia se preocupa em responder é quantos votos pra cá, quantos pra lá. Quem perde, quem vence, quem tem chance.


O que, convenhamos, é o básico.


sábado, 9 de fevereiro de 2008

O PARAJORNALISMO DECADENTE DA FOLHA E COMPANHIA ILIMITADA

Do inoxidável Luiz Carlos Azenha, sempre quis chamar alguém assim, e seu viomundo.com.br:

O PARAJORNALISMO DECADENTE DA FOLHA E COMPANHIA ILIMITADA

WASHINGTON - Lá vamos nós, de novo, para a espetacularização da política. Com dinheiro público. Quantas tapiocas vai custar a brincadeira? Será que os partidos não podem se reunir e criar um mecanismo nacional para garantir a transparência de todos os gastos? Aí o dinheiro da CPI pode ser usado para montar o banco de dados com informações não sigilosas de todos os governos. Mas não, vão arrastar a tapioca para dar entrevista. Vão levar a mesa de bilhar reformada para uma perícia no Congresso, com transmissão ao vivo pela Globonews e Record News.

O governo Lula é tão culpado pela situação quanto a mídia partidarizada. Não só pelos eventuais "erros" ou fraudes. Mas por ter se engajado nesse jogo político tosco e, ao fazer isso, ter adotado a tática de dar um passo atrás para depois dar outro passo atrás. E outro. E mais outro. Chegamos a tal ponto que uma reportagem isenta do Jornal Nacional é celebrada com foguetório. Quando a Folha de S. Paulo faz o que nunca deveria ter deixado de fazer, com atraso, ou seja, dar tratamento igual para iguais, é uma festa. O pessoal da Barão de Limeira está furioso: descobriu que está perdendo o monopólio da opinião.

Não caiu a ficha, ainda, de que o Brasil atravessa um período extraordinário numa conjuntura internacional politicamente favorável. E de que projetos de longo prazo dão certo, sim, mesmo quando a maioria dos brasileiros ainda tem complexo de inferioridade. Getúlio Vargas morreu um pouquinho por ter tido coragem de criar a Petrobrás. Posso estar enganado, mas acho que foi o governo Geisel o primeiro a investir na tecnologia de poços profundos. Ou seja, foram mais de 50 anos até que a empresa tivesse capacidade de encontrar - e no futuro extrair - o petróleo do campo de Tupi.

Tirando a Rússia, abarrotada de petróleo, bem armada e com uma população educada, nenhum país tem as oportunidades que o Brasil tem agora. Com os Estados Unidos enterrados no Iraque e no Afeganistão, a América Latina está "sobrando" para a expansão comercial brasileira. Já que precisamos de confirmação externa, vamos ao que dizem a Economist, o Financial Times e o New York Times, grosso modo: terra+água+sol+recursos minerais+alguns setores de ponta na economia+embrapa+petróleo+gás+nenhuma guerra civil (a não ser na internet)+Amazônia. Tudo isso numa conjuntura de escassez de comida, água, energia e recursos naturais.

Como incorporar a Amazônia ao Brasil sem destruí-la? Como evitar que ela seja internacionalizada? Como se preparar para defendê-la? Até onde permitir o avanço da fronteira agrícola? Como criar um polo de biotecnologia? Como aumentar o acesso à internet? O Brasil deve retomar o programa nuclear? Como aumentar os salários dos professores? Qual é a autonomia que se deve dar aos diretores de escolas públicas? Como financiar o SUS, que o Brasil criou em 1988 e os Estados Unidos só vão criar em 2009, se um democrata for eleito?

Esses são os temas que eu gostaria de ver deputados e senadores debatendo, com transmissão ao vivo por emissoras de rádio e televisão. É pedir muito? Eu ajudo a pagar o salário deles e, como brasileiro, concedi através do Estado o direito de explorar o ar à Globo, à Record e à Jovem Pan. Eu até acho que esses debates estão acontecendo, em algum lugar, mas a gente nem fica sabendo.

A nossa mídia é tão atrasada que nem naqueles cadernos supostamente "especiais", que acompanham os jornais de domingo, os assuntos que mencionei acima aparecem. É mais barato traduzir calhaus que sairam no Le Monde e no New York Times. Assim como é mais barato gastar com comentaristas enfezados do que com reportagem.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O doce ar da marginal

Ele está a minha espera toda manhã quando embarco no trem. Invade minhas narinas ainda entorpecidas pelas poucas horas de sono sem a menor cerimônia. Sua fragrância inconfundível toma de assalto todo o espaço tangível, lembrando que essa é uma conurbação para lá de mal planejada e mal sucedida, e que é bem possível que eu venha a encerrar meus dias no planeta, assim como tudo que hora vejo e conheço vá também embora sem que o doce ar da Marginal Pinheiros tenha se esquecido sequer de uma manhã de vir brindar o novo dia.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Reminiscências sobre literatura em meio ao caos

O que é mais escasso aqui em São Paulo é tempo. Ao menos pra mim e para o batalhão que encontro, todos os dias - carnaval inclusive - a dormitar pelos bancos do metrô, o fio condutor da ininterrupta sucessão dos acontecimentos que nos acostumamos a chamar de "tempo" é algo fugidio. Em São Paulo, àqueles menos abonados e que ainda precisam provar algo, tempo é artigo de luxo.

E nesta escassez abandonei a leitura. Com muito custo logrei ainda concluir a leitura de "Cavalei
ro Inexistente", nos poucos minutos que sobram, do italo-cubano, se é que podemos chamá-lo assim para garantir o trocadilho, Italo Calvino. O bom livro, vim a saber depois, é parte integrante da trilogia batizada "nossos antepassados", ou coisa que o valha. Embora triologia, os livros independem entre si e podem ser lidos separadamente. Compõem também o trio do pequeno compêndio: "O Visconde Partido ao Meio", que narra a história de um visconde que ao receber um canhoaço foi partido e que viu suas duas metades adquirirem personalidades absolutamente distintas e "O Barão nas Árvores", que conta por sua vez a anedota de um barão que resolveu ir viver no cimo de uma árvore. Ambos ainda não lidos.

Mas o que conta é que "Cavaleiro Inexistente" teve um lado positivo: recuperou em mim as melhores disposições de espirito em relação a Calvino que vinham sensívelmente abaladas após a leitura de "Castelo dos Destinos Cruzados". A idéia, enquanto forma, é invejável: construir uma narrativa que se renove e que transcenda o ato de contar uma mesma história, ou ainda, uma vastidão delas num livro. E´, em essência a aplicação máxima daquilo que Calvino chamaria de "múltiplas possibilidades do narrável", contudo com um fim e um alcance muito inferior ao avassalador "Se um viajante numa noite de inverno", da mesma lavra. O "Castelo dos Destinos Cruzados" foi, à mim, uma leitura assaz aborrecida. Para que você conheça, de modo breve, era a idéia do livro histórias contadas pelas personagens mediante cartas de tarô. Estas cartas podiam ter inúmeras conotações e proporcionam intersecções nas histórias alheias.

Voltanto ao romance sobre o cavaleiro que tinha a inescapável faculdade de não existir, só se pode dizer que é a glória narrativa: criatividade, fluência, profundidade e irônia, todas elas, bem dispostas de maneira equilibrada e doce nas pouco mais de cem páginas do volume. Poderia ser melhor, talvez, se fosse mais extenso. Mas para isso teria de resolver, muito provavelmente, algumas das mais deliciosas questões sobre a personalidade de Agiulfo, o cavaleiro que não existia, e talvez ao fazê-lo acabasse por desmontar o encanto da história: a mordacidade de um mistério muito apropriado a uma história sensacional. Como tudo que é bom na vida, "Cavaleiro Inexistente" tem o tamanho certo. Nem mais, nem menos.

"As Benevolentes"

O livro tem um preciosismo insuperável - e invejável: pesquisar a fio e à exaustão a nomenclatura, os momentos, os contextos, as hierarquias para lá de herméticas e há muito esquecidas (fazem já mais de 60 anos!) do exército nazista, por mim, já merecia uns três Nobel. Fosse eu quem escrevesse a obra, faria uso da literatura preguiçosa, driblando todas essas minúcias por puro ócio. Sorte nossa que Jonathan Littell não é este Tertuliano. Fosse eu o francês e teria avacalhado com um promissor clássico: eu faria de "As Benevolentes", comparado já com "Guerra e Paz", mais um thriller a exemplo das centenas de Forsyth, Clancy, Ludlum e congêneres que abundam pelas estantes do mundo todo.

Ainda bem que eu sou eu, afinal. E se for para fazer um remoque à edição brasileira de "As Benevolentes", que seja o de estar muito mal resolvido o glossário e o sistema de notas remissivas para esclarecerem a enxurrada de termos técnicos que compõem a obra.

P.S.:

Não me leiam. Parem. Internet é a confluência das coisas, e um blogue incapaz de trazer fotos - fotos! - é mais um atestado de incompetência. Estou trabalhando nestas dificuldades técnicas nos meus 5 minutos livres nestes dias lépidos de, me parece, apenas 12 horas. Acredito que aqui a circunferência da Terra seja menor, daí os dias serem assim, tão rápidos.



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Amanhã? Que amanhã, meu caro?

Amanhãs existem na medida direta dos vossos sonhos. Sonhe e terás ali o seu amanhã. Contudo, nunca se esqueça, que na hora de fazer dele seu hoje, não será de sonho que precisará. Será da plena certeza de que o que é tangível na diferença do hoje e do amanhã, é o fato que ao surgir da aurora, o que era sonho, morre. E renasce na quimera abatida a pálida e túrgida realidade.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Paixões

Paixões, todas elas, da garota bonita ao escrever, no fundo existem para serem irrealizáveis enquanto isso que são, paixões. E, esta é a dimensão da paixão, sua impraticabilidade. A humana impraticabilidade de tudo que é bom e vale à pena fazer.


Viver é frustrar-se.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Quando Janeiro foi Abril

É muito estranho estar num prédio de 24 andares repleto de jornalistas.


Muito estranho.




P.S.: logo coloco fotos!



terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Férias e tensão

São Paulo, caos, movimento, cansaço, saudade, oportunidades, tensão e crise.


E Curso Abril de Jornalismo no meio disso tudo.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Folha Alerta: Venezuela domina a fronteira com o Brasil

Pare. Pare absolutamente tudo que estiver fazendo nesse momento. Se prepare. Depois do "Fantástico" ter mostrado dia desses como será a invasão militar venezuelana ao Brasil, a Folha, depois de meses de investigação, depois de estudos abalizados e extremamente aprofundados na conjuntura de equilíbrio de forças no continente, depois de consultar os mais gabaritados estrategistas militares deste e do outro tempo, vaticina: perdemos o controle da fronteira com a Venezuela.

A Venezuela, conforme se sabe, é uma das maiores potências militares do momento. Todo cuidado é pouco. Os belicosos vizinhos do norte dispõe da mais avançada tecnologia militar, sendo capazes de construir seu próprio armamento. E além disso, no frigir dos ovos, conforme se sabe, na hora de decidir a batalha, desde as Termópilas, vence aquele que tem mais soldados para empregar na peleja. E a Venezuela, oh meu Deus, estamos fadados a ser uma "colônia bolivariana", possui impressionantes, incríveis, esmagadores 21 milhões de pessoas, todas capazes de pegar em armas, evidentemente. Os 186 milhões que somos, conforme se sabe, jamais conseguiriam se impor a contento perante esses 21 milhões de carniceiros de sedes assíricas que são os venezuelanos.

Ou seja, se tem família, meu caro leitor, busque estar com ela. Estoquem víveres e se puder, peça já de antemão exílio no exterior. De repente na Rússia ou no Paquistão, depositários da tão defendida democracia da Folha e demais porcarias de análogo jaez.

A Folha diz que a presença militar venezuelana é "ostensiva". Ostensiva de 45 soldados para cobrir os 500 quilômetros que o fôlego da reportagem pôde acompanhar - "armados", garante o jornal, e nós, cá perguntamos onde é que já se viu soldado armado perto de fronteira? - mas ao que parece, os 45 soldados, seguramente dispostos a tudo e a encampar a vanguarda da invasão ao Brasil no front, que constituem a ameaça real de menos de um soldado por quilômetro, são o que basta para o jornal publicar a "anedota". Me recuso terminantemente a considerar isso uma reportagem.

Enfim, só que esquece a Folha que a fronteira entre Brasil e Venezuela é uma faixa de terra de 2199 quilômetros. Ao "analisar" apenas 500 quilômetros, a Folha ignora solenemente 88% da área de fronteira entre os dois países, ou em valores absolutos 1699 quilômetros de terra.

Ridículo.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Vem comigo!

Goulart de Andrade vai sair do ar. Eu li aqui.


É curioso, mas no momento o que conta mesmo no circuito "informativo e objetivo" de Folha, UOL e congêneres é dizer que Glória Maria estará fora do Fantástico em 2008. Comparar Goulart e seu senso de reportagem e capacidade de aproveitar ao máximo pautas interessantes com a pieguisse e o padrão Globo de "relevância" representados pela anciã Glória Maria é uma desmedida crueldade.

Enquanto Glória Maria é pauta da Caras e congêneres, na interminável conjectura de quantos anos ela têm (meu palpite é que passam dos 70), Goulart não figura como uma "celebridade". Seu programa, com qualidade superior a esmagadora maioria das pautas da "revista eletrônica" (!) dominical da Globo, que vivia no ostracismo, agora, encerra as atividades.

Vou sentir falta do Goulart. Lembro de inúmeras reportagens bacanas. Teve uma que ele mostrou, antes da queda, evidentemente, as entranhas do World Trade Center em Nova Iorque. Recordo de quando, no mesmo estilo da visita às torres, ele mostrou a Catedral da Sé em São Paulo, ou ainda uma mais recente, o dia-a-dia a bordo de um submarino da Marinha do Brasil. A mais sensacional, no entanto, foi a dos trabalhadores que consertam quilômetros e quilômetros de linhas de metrô pelas madrugadas à fora em São Paulo.

Numa abordagem digna do refinamento e elegância de um Talese, o registro dos caras cortando trilhos de ferro maciço e substituindo-os madrugada a dentro marcou-me.

Mas nada vai suplantar a importância de saber, afinal, quantos anos terá Glória Maria?


sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Patacoadas jornalísticas

Manchete da Gazeta do Povo, jornal do estado do Paraná, para amanhã:

"Estudo de ciclistas afirma que pedalar é mais barato que andar de ônibus e de táxi"


Séééééério???


E depois me aparece um recalcado pra dizer que editar é ficcionar.


Ainda bem que estou saindo da universidade. Não tenho mais fígado pralgumas coisas.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Pra lembrar FHC

Tá por fora? Clica aqui!

Em resumo, FH foi dizer que Lula faz mal uso do idioma português. O que para alguns, não é meu caso, é preconceito de classe. Até acho que seria preconceito se Lula soubesse de fato usar o idioma. Mas há algumas metáforas e outras frases que doem no ouvido, e só colam porque Lula tem toneladas de carisma a mais que FHC.

Agora, a coisa mais curiosa desta estulta e inapreensível crítica política, extremamente abalizada e contundente é que, ao criticar Lula pela maneira com que este se dá com a língua portuguesa, FHC errou dizendo "melhor preparado" em lugar de "mais bem preparado".

O que hoje vem bem a calhar: o país galga a inédita honra de fazer parte do grupo de nações de alto desenvolvimento humano - é claro, isso são apenas índices estatísticos que, por exemplo, não contam que um estádio caiu domingo, matou gente, que os oligopólios de mídia não atacam a CBF por conta do sinistro. Os índices também não contam que uma juíza e um delegado enjaularam uma menina com duas dezenas de homens. Por isso que estatísticas só estão aí para ser relativizadas, a não ser que você seja um certo professor meu que não enxerga muito mais que elas, as estatísticas.

Mas eu dizia, hoje o Brasil é parte das nações mais privilegiadas do planeta, embora ainda esteja atrás da Argentina. E é aquela coisa, não caiu mais nenhum avião, o Brasil não quebrou e a Venezuela não invadiu o nordeste, encontraram uma cavalar reserva de petróleo por aí. Só resta mesmo a esse povinho sair por aí arrotando preconceito e erudição contra quem não a possui, como se isso fosse crítica num país onde a média de leitura anual é de um livro por cabeça.

Vai criar porco, FH.

sábado, 24 de novembro de 2007

De vento em popa

Maré de sorte inédita, algumas novidades excelentes, uma melancolia pelo que dará saudade amanhã e a saudade enorme daqueles que não estão aqui para ser parte deste auspicioso futuro.

Nada mal para quem sempre achou a vida um troço muito chato.

sábado, 17 de novembro de 2007

Internet Explorer vs Mozilla Firefox

Internet Explorer é um navegador ultrapassado na versão que tenho, a 6.0. E na versão 7.0 é uma má sucedida cópia do Firefox, que é o que uso.

Este post é um comparativo entre os dois. No Internet Explorer este blogue fica feio de doer, além de ser mais lento, no Firefox, ao menos aqui, fica de visual mais leve e abre mais rápido, compare:

INTERNET EXPLORER:
















MOZILLA FIREFOX



quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Hino da alma

Se "Nessun Dorma" (Que Ninguém Durma) de Puccini é um hino da alma, esses caras devem ser os anjos:





Eu vou sentir falta do gorducho bonachão da ponta. Se achar que vale à pena, veja o outro vídeo, só com Pavarotti, e perceba o controle que ele tem das notas só variando a abertura da boca, além de extender ao máximo os últimos momentos dessa aria.




E depois vem alguém dizer que o Potts é melhor. É o fim da rosca.

(CONTO) O Restaurante dos Velhos, dos Moribundos e dos Sumidos

Era de uma maneira incerta, vacilante, insegura com que progredia a passos nada lestos aquele pobre velho. Caminhava com a dificuldade ordinária dos humanos que já fazem parte da terceira idade e que se deparam com os seus momentos derradeiros de vida, nesse que é, dizem, o outono dela, da vida: o limiar da morte. Diante de tamanho peso nas costas, de todos anos que viveu e que, não diga, são muitos, aquele senhor, que vendo-o pintado por estas letras, nos parece tão carente, frágil e digno de pena, caminha.

Digno de sentimentos nobres, como a ternura que nos inspiram, de formas e intensidades absolutamente diversas, a criança, o ancião e a amante, ele ia avançando contra a impactante indiferença da massa de pessoas que por ele passam. Mas não são más e insensíveis esses que aqui e ali rumam para o caminho oposto. Talvez por não dividirem conosco esse ponto de vista, entendem que aquele velho é só mais um, e aonde vai ele, donde vem, ora, não nos apraz disso fazer caso.

Indiferente dessa situação por ser dela refém e não causador, prosseguia sua caminhada rumo ao fim da esquina. Chegará lá daqui a esbaforidos instantes – e esbaforidos, que se frise, não por sua velocidade, que está bem aquém dos padrões mais ligeiros da caminhada humana, mas sim pelo peso que suporta, aquele já sobredito dos anos. Mas dizíamos, ia à esquina, e está indo porque é um restaurante, restaurante esse freqüentado, assim como as praças da cidade e seus bancos, por uma mui seleta sociedade de outros velhos que lá vão não por não saberem cozinhar, e é bem sabido que os idosos dominam bem as artes da culinária, vão lá para se encontrarem, para que tenham o ensejo de sair de suas casas, andar um pouco e conversar outro tanto.

Vão lá para que se avistem e que digam, uns aos outros, “bem, cá estamos”, “e agora, que se faz por aqui?” “Bem, nada”.“Apenas nos entediamos?” “É. Nos entediamos. Aliás, entediemo-nos, meu caro, entediemo-nos à farta!” Consiste, indubitavelmente, à grande maioria dos velhos o tédio como maior ocupação, não sendo isso precisamente culpa deles, nem nossa, sequer algo digno de reproche aos que no tédio se refestelam, mas apenas e tão somente uma fatalidade do jeito humano de levar a vida.

Entretanto, nosso bravo dirigia-se a um restaurante. Muito embora ficasse ele, o restaurante, não nos arrabaldes, não nas cercanias, mas justamente no centro da cidade, que não é das pequenas, sabe-se lá porque melindre sócio-econômico não é freqüentado de costume por jovens, nem por empresários, nem por crianças, mas pelos velhinhos. É como um bastião inacessível que os idosos vieram levantar nesta terra, um ponto avançado no front, que parece dizer, desafiando a nós outros com nossas poucas idades e vãs pretensões de sabermos viver; “aqui estamos, nós que velhos somos e que vós desdenhais. Aqui estamos nós velhos bem debaixo de suas barbas e daqui não sairemos”.

É natural que restaurantes tenham o vezo de buscar nas mais diferentes culturas motivos para gerarem apelo ao apetite dos comensais – como se pudesse haver apelo maior que a fome – há os que se bordam de verde, branco e vermelho, escolhendo nomes italianos para dizerem veladamente aos nossos estômagos: cá temos a melhor massa. Outros que vestem-se de cores e alusões nipônicas para valorizar o bom preparo que sabem dar a peixes e demais frutos do mar. Não ficam atrás os que se pelam em parecer franceses, mexicanos e outros menos votados valores culturais da culinária.

Contudo, não se sabe se de uma maneira inteligente, ou muito idiota, nosso restaurante resolveu misturar um pouco de tudo que há de elogiável no mundo da culinária. Há bandeirinhas da França, outras da Itália, no cardápio sugere-se como prato do dia na terça-feira sushi – há até a possibilidade de se comer hambúrguer e batatas fritas, desde que apeteça ao freguês esperar por alguns minutos a confecção do lanche, só não encontramos nesse outro Atlas geográfico quaisquer referências a Inglaterra, o que é perfeitamente escusado: como se sabe, a maior capacidade dos ingleses na cozinha ainda é ferver água para o chá. Enfim, não conseguimos descobrir se assim é, o restaurante que tanto agrada aos apetites dos velhos, para tentar buscar novos clientes, agradando o maior número possível de preferências culturais, ou se assim é por desmedida ignorância do proprietário, quer resolveu abarcar tudo que lhe agradasse em matéria de bandeirinhas, cores, bonecos e pratos.

Nosso bravo chega e toma lugar a mesa. Estranhamente ele tem a preferência de sentar sempre ao fundo, na última mesa, com os olhos voltados para a porta, como fazem os personagens das novelas de espionagem: sempre atentos para quem possa entrar no lugar. Não que ele seja agente secreto, é demasiado idoso para as peripécias cinematográficas que o cinema nos faz crer que se acometam nas vidas atribuladas desses espiões, não que ele tenha sido espião, o que escusaria o hábito há muito conquistado e, justamente por essa razão, difícil de se esquecer. Senta sempre nessas mesas de fundo por um instinto que não compreende porque jamais tentou entender, a ele consta apenas obedecer-lho. Senta-se lá e percebe o restaurante vazio. Pensar no que vai comer? Ora, é inútil. Conforme verificar-se-á em breve, o velho faz timbre em constar sempre o mesmo pedido ao garçom.

Entretanto, desta vez, para desdizer o troca-letras que conta esta anedota, pediu antes de tudo, para recompor-se da caminhada antes de deitar suas atenções à refeição, “um copo de água, sem gelo, por favor”. Pegou do copo e deitou o líquido de uma só vez garganta abaixo. Satisfeito, pediu, freguês conhecido dos últimos tempos que era, “o de sempre”, que consistia, no seu caso, numa sopa de legumes que, com algum esforço, se poderia encontrar boiando umas côdeas de carne.

Pouco esperou e chegou a sopa fumegante de vapores bem cheirosos à mesa. Comeu com a lentidão que nos caracterizou em parágrafo de antanho sua caminhada. Do tempo que levou comendo, pensou na vida, pensou na morte, raciocínios estes que tinha nos últimos tempos, por mais que se espere que os velhos só pensem nisso, saibam que este, pelo que parece, fugia a regra, havia se esquecido desses amuamentos. Coincidentemente eles haviam surgido desde que descobrira por indicação de amigos o restaurante, e por mais uma vez, e última, teve a conclusão de que apenas morremos um dia de cada vez. Nada mais.

Indicação que veio, e lembra-se perfeitamente, num dia de sol na praça. Qualquer coisa roncava em seu cérebro dizendo (o estômago?) que “estás com fome, seu bisbórrias. Trate de comer”, expondo aos demais o que há pouco lhe conferenciara a mente, ouviu dos colegas de ócio contemplativo que “meu caro, aqui perto há um restaurante ótimo”. “Comida boa que não sacrifica em demasia nossas surradas burras”, disse alguém. “E nem nossos intestinos”, rematou outro. “E mais, parece um exilo, aliás, asilo. Malditas palavras parecidas que por vezes me escapam... enfim, lá só vão velhos como nós, sem algazarra e música barulhenta”. Estranho. Pensando agora e remoendo essas memórias, dá-se que o velho enfim percebe o prodigioso fato de que todos os seus colegas daquele dia e dessas frases acima, abandonados pelas suas famílias e pela nossa sociedade não apareciam e não se sabia deles há tempos. “Sumidos”, murmurou por fim.

O velho nunca mais foi visto pelos seus.

Percebe-se que esse restaurante tinha qualquer coisa de especial, que era inaudito. Não apenas pela sua composição próxima a da ONU, ou naqueles tempos idos, Liga das Nações, com representações dos mais diversos países, não apenas por ser de ordinário freqüentado apenas pelos velhos da cidade e inspirá-los a pensar na existência e conquistar a capacidade de desenvolver aforismos, tampouco é inaudito por dar-me o ensejo desta história. Não, não é nada disso. Ele tinha consigo uma fascinação. Fascinação pelo mistério que encerrava no seu ambiente obscuro e aconchegante. De certa forma, todos, velhos, jovens, crianças, adultos, ricos e pobres, enfim, sabiam o que se passava ali.

Conta-se ainda hoje, e fazem já muitos anos que o restaurante, a exemplo do velho, sumiu, que naqueles pratos que misturavam do churrasco dos pampas ao molho tártaro das Europas, do sushi à mussarela derretida, enfim, tinham a incrível capacidade de fazer sumir os velhos que por lá almoçavam ou jantavam. Sumiam sem deixar rastros. Sumiam sem dor, sem tristeza e sem remorso. Sequer eram eles chorados pelas famílias, reclamados pelos vizinhos. A polícia, que já hoje nos falta por ter tantos bandidos para correr empós, nunca se soube de um caso sequer de sumiço desses velhos e precisamente por jamais conhecer qualquer um desses sumiços, jamais os investigou.

Alguns demoravam para desaparecer coisa de meses. A outros bastava a primeira refeição para que jamais fossem vistos. Dessa história incrível há a teoria de que rejuvenesciam todos, daí a não serem vistos, posto que se, vistos fossem, não seriam reconhecidos – e donos de sua nova cara, novo corpo, iam viver, e viver plenamente, senhores que eram da experiência de anos de labuta, ah, saberiam bem como conduzir o fio da existência sem tropeçar nas mesmas mazelas, fariam, indubitavelmente, por progredir o jeito humano, aquele que mencionei como responsável pelo tédio nauseabundo que envolve a velhice – e talvez conseguissem encerrar com esse vício do tédio aos velhos e outros tantos que ainda nos amolam a vida dos jovens, dos velhos e mesmo delas, pobres, as crianças.

Mas nem tudo são flores, diz o poeta e a literatura preguiçosa que me proíbe de achar frase melhor, há outra teoria para o caso, teoria dos mais miseráveis, estes misantropos que põe defeito em tudo e não vêem sequer uma bondade na terra, sequer uma magia, diziam estes últimos que acontecia era de os velhos morrerem envenenados, e que o dono do restaurante era de uma modalidade de fascismo a quem ojerizava os velhos e por isso matava-os. E quanto aos corpos, nada mais simples, cozinhava-os. O que explica a multinacionalidade do restaurante, afinal, os velhos eram também das mais variadas origens e esta era uma maneira mórbida de honrá-los. Não sei.