terça-feira, 20 de abril de 2010

Hai-kais e frustração

Hoje eu fui tentar escrever um hai-kai. Hai-kai demanda de observação, porque o gande barato nesse método de poesia está na relação entre o abstrato e o real, o sensível e o imponderável. Hai-kai, portanto, basicamente, é coisa de espíritos mais contemplativos, o que, desconfio, não é bem o meu caso.

Para além disso hai-kai viaja nas sinapses do coração e nos pulsos da mente com a velocidade da luz. Hai-kai não é rápido porque é curto, 3 versos, 5-7-5 ou 7-5-7 sílabas, hai-kai é rápido porque é um pensamento desses que a gente tem todo o tempo, só que eternizado por alguém que o escreveu e embotou em rimas.

Hoje eu fui tentar escrever um hai-kai, e como é mais ou menos uma constante inexorável na minha relação com esse honorável modelo de poesia japonês - talvez a única contribuição do Japão à cultura que realmente é relevante - ocorreu que fracassei miseravelmente, deu até vontade de, dando vazão às modas japonesas tão em voga, de cometer um haraquiri. Hai-kai, a despeito da aparente simplicidade, é um tipo de poesia que se faz à forcéps.

E é melhor eu voltar a trabalhar.

1 comentários:

Nina. disse...

ah...esse texto me agrada mais que um haikai...



*desenhar é só liberdade de sentir...escrever é mais difícil.