Não há evidência nenhuma de que, no fim das contas, o que há, há por nossa causa e em nosso proveito. É a sensibilidade de todo cético, de todo ateu, que custa a ser aceita, porque traz no bojo um golpe nas vãs ambições e vaidades humanas, antropocentricas a não mais poder, que tendem a procurar em tudo que nos cerca sentido, medida, razão e o reflexo de nós mesmos em um universo que teima em não se mostrar convidadito e disposto a encaixar-se nas nossas necessidades. Ou antes, em nossas limitações. Tendemos a acreditar em coincidências inescapáveis como sentido ordenador do caos da vida, o dedo de um regulador cósmico norteando os nossos rumos, superstições são sempre causa e razão de derrotas e glórias. Tudo vão. Porque é mais fácil culpar o inexplicável do que aceitar o imponderável.
Se há, por um lado, muito mais coisas entre o céu e a terra que pode supor nossa vã filosofia, como disse Einstein, por certo, há muito menos entre nós e cosmos do que presumem nossas vãs superstições, medos e anseios.
E essa é, talvez, a mais profunda verdade a se aceitar na vida.
Carl Sagan diz tudo:
domingo, 11 de julho de 2010
Carl Sagan: Um Universo que não foi feito para nós
às 04:42 Marcadores: Cosmo por ele mesmo, Evangelhos, Memórias

2 comentários:
um filósofo disse certa vez: quanto mais conhecimento eu tenho, mais dor eu sinto!
é mais ou menos isso.
bom ponto.
um ateu, um agnóstico e um escritor de haicais sabem como não enxergar o ser humano como o centro do universo.
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