Na iminência de completar 27 anos, ou cometê-los, sempre questão de ponto de vista, o que mais me aborrece é não ter uma canção para celebrar, se há o quê, mais uma vez questão de ponto de vista, a data e o ano vindouro onde terei de me conformar em dizer que tenho não 25, não 26, mas 27 anos.
E isso tudo sem entrar no mérito do capítulo de realizações deste 1/4 de século mais dois anos. Mas apenas a título de comparação, é interessante constar que Alexandre, O Grande, aos 25, já tinha conquistado todo o mundo conhecido, o que era realmente muita coisa. Não que eu tenha qualquer desejo do tipo de governar o mundo, dou-me por enormemente satisfeito por governar, ser a lei, senhor de 55 metros quadrados onde cabem todo o meu mundo conhecido. Talvez o problema seja esse: falta de ambição para conquistar o mundo.
Deixando esta querela de lado, o que realmente me aborrece é a ausência de canções para rematar a nova idade. Aos 25 anos eu tinha "A Palo Seco" de Belchior para gritar que contava "25 anos de sonho, de sangue e de América do Sul". Me desfiz dos 25 anos e me encontrei com o Tremendão, que diz "26 Anos de Vida Normal".
Diante da inexistência de verso que abarque estes 27 anos, inicio a aproximação final da data sem muita gana de festar e muito preocupado por romper a tradição de uma canção para cada aniversário. Cismo muito com mudanças que sou obrigado a fazer à revelia. Me pelo de medo delas. Aliás, as três coisas que mais temo na vida são: dinossauros, juros e mudanças.
Fazer 27 anos não tem, até aqui, a menor graça.

2 comentários:
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27? kkk Novinho!
Mas com uma cabeça das boas! Tentarei descobrir uma canção pra ti, dê-me tempo...
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