Caminhava pelas sombras com passos incertos e olhava, aturdido, para o que o cercava. Eram letras, palavras, parágrafos. Correndo entre os escolhos que vinham a si feitos de frases, armou-se de um ponto de exclamação ! Uniu na sua extremidade uma interrogação ? Fez uma conjunção dos sinais gráficos, tornou-os um gancho, e assim armado, defendeu-se das torrentes em forma de orações, verbos, substantivos e o que mais for.
Armado, ia colhendo as palavras que vinham a si, como que carregadas pelo sopro de um vento forte. Colocava-as nos bolsos conforme surgiam, elas não pesavam, não tinham dimensão, mas eram. Ainda assim, as palavras logo lotaram suas burras. Transbordaram por todos os lados e sem o menor esforço.
Passou a derrubá-las pelo caminho, deixou-as caídas ao chão e não se importou. Colhia novas palavras a cada novo passo, a cada novo sopro do vento. Começou a colocá-las na mochila que, só agora, dava-se por si de acompanhá-lo. Encheu todos os compartimentos de verbetes. Quando deu por si, carregava nas costas três volumes de Guerra e Paz, um livro de poesias e um pequeno jornal.

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