A vida vai passando e a gente vai deixando marcas por aí. Eu, por exemplo, obcecado com a ideia de posteridade, criei um blogue. Aqui, venho colecionando nulidades anos à fio com a certeza de que todo o material conta um pouco de mim e convida quem quer que seja a conhecer esse pouco. Me preocupo em poder registrar a passagem do tempo para alimentar a curiosidade dos filhos que não terei.
Ponto, parágrafo. É uma coisa muito minha, como sabem meus oito leitores, o hábito de viver de regar as flores mortas do passado. Ou no caso dos filhos que não terei, de regar os rebentos que não irão nascer. Um tipo de regar as flores mortas do devir que não virá.
Mas, inevitavelmente, a gente deixa, meio sem querer, marcas do que é fora daqui, do blogue. Hoje a Folha de S. Paulo, em mais um claro deslize e visível desprezo pelas boas normas de jornalismo, publicou uma matéria em que eu dou meus palpites. Decididamente, os padrões estão caindo. Comemoro, pois, mais um atentado do jornal ao jornalismo e a novidade de que eu seja protagonista neste ataque. Não disfarço a alegria.
Pobre da Folha. A verdade é que nenhuma empresa jornalística é realmente isenta e ilibada. Nenhuma delas, grandes ou pequenas, pode dizer que é livre de culpas devidamente timbradas nos cartórios dos subúrbios do jornalismo.
De qualquer forma, folgo em observar que fui citado na matéria na companhia de um grande camarada e de um descendente direto de Che Guevara. Já posso morrer.

1 comentários:
Pre visão:
"Terás 3 rebentos de cabelos arrepiados, olhos arregalados, inquietos e observadores do céu.
Um será astronauta, o outro mecânico, o terceiro músico.
9 netos q lhe infernizarão os dias de real maturidade, q lerão este blog, olharão pra vc e perguntarão: "esse aqui era mesmo vc cara?"
beijo e muita esperança pra aquecer esse belíssimo coração.
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