sábado, 27 de outubro de 2012

Meu ódio, quando explode a vingança, será a herança do Facínora

Eu acabei desenvolvendo uma afeição inexplicável por westerns depois de velho. Bem velho. Diversas coisas me arrebatam nessas produções que, verdade seja dita, já estão longe da ordem do dia quando o assunto é cinema que preste nos tempos que correm.

Uma das coisas mais interessantes sobre esses filmes são os nomes que acabaram recebendo no Brasil. Como o auge desse tipo de produção definhou nos anos 1970, as versões nacionais eram verdadeiras licenças poéticas, quando não simples e libérrimas traduções do inglês:

Exemplos:

"The Wild Bunch" - No Brasil, o excelente bang-bang de Sam Peckinpah - excelente mesmo, considero um dos melhores de todos os universos e tempos - ficou com o para lá de sangrento título de "Meu Ódio Será a Sua Herança". Nada a ver com o filme e, principalmente, com o título, que dá, numa tradução sem qualquer devaneio, "O Bando Rebelde". Muito menos extravagante, sem dúvida, que o escolhido no Brasil.

"The Good, The Bad and The Ugly" - Um dos retumbantes e esmagadores clássicos de Sérgio Leone, meu diretor preferido, é conhecido no mundo todo com esse nome, até mesmo aqui no Brasil: muita gente se refere ao filme, estrelado por Clint Eastwood, como "O Bom, O Mau e O Feio", o que seria, precisamente, a tradução do nome original em italiano e da versão norte-americana. Contudo, por motivos que me escapam totalmente, no Brasil, o filme foi batizado de "Três Homens em Conflito".

"Duck, You Sucker" - Talvez, talvez, seja meu filme preferido. E, como os demais, foi batizado de modo desastrado por algum compatriota. Aqui, no Brasil, o longa ficou com o exuberante título de "Quando Explode a Vingança". Nome pastelão que desconstrói o título original, uma frase feita que sempre sai da boca do personagem de James Coburn, alertando seu comparsa para se abaixar. Na tradução, "pra baixo, idiota".

"The Magnificent Seven" - Uma exceção. No caso do filme que moldou muito do imaginário masculino na metade final do século 20, o nome brasileiro até que não joga contra: "Sete Homens e Um Destino". Para quem não conhece, vale a recomendação: é a maior concentração de testosterona e macheza por frame já encontrada no cinema. No fim das contas, deu origem há décadas de propagandas para a Marlboro.

"True Gritt" - O filme tem duas versões, a original, dos anos 1960, com John Wayne, e a de 2010, com Jeff Bridges. Ambas usaram os mesmos nomes, tanto lá como cá. No Brasil, o filme ficou batizado como "Bravura Indômita", nome meio incomum para as versões nacionais atualmente, mas que casa perfeitamente com o perfil dos filmes de John Wayne. Nesse caso, simpático o gesto de manter o mesmo nome dos anos 1960.

"The Man Who Shot Liberty Valance" - Em resumo, esse longa dos anos 1950 coloca John Wayne na pele de um mocinho que vai lá e mata o tal Valance, que era um tremendo de um escroto e, de repente, merecia mesmo levar uns tirinhos. No Brasil devem ter achado que traduzir o título para algo sem criatividade, como "O Homem que Matou Liberty Valance", esvaziaria os cinemas inapelavelmente. Daí a terem resolvido florear um pouco o título para "O Homem que Matou o Facínora". Notem bem: O Facínora, não foi qualquer um desses facínoras meia-bomba do oeste, FOI O FACÍNORA.

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