Há um risco muito grande em toda situação em que você deposita expectativas. Eu aprendi, da pior maneira, a não ter esperanças para nada. Invariavelmente, toda vez em que criei grandes expectativas acabei em grandes decepções, numa jornada interminável de lamentação, dor e loucura.
Nos últimos dias, me vi envolvido numa dessas situações, onde, inevitavelmente, acabei alimentando esperanças enormes pela chance de um bom emprego. Claro que nada deu certo. E, relendo agora o texto antes de clicar em publicar, me vejo profundamente preocupado comigo mesmo e o tremendo mau vezo de vir aqui escrever essas mínimas como se fosse um adolescente. Ou eu não cresci ou, pior ainda, estou regredindo, porque não fosse essa nova desdita, e eu viria aqui escrever, provavelmente, sobre a feliz ocasião do passamento de Margaret Thatcher e por que o episódio deveria ser motivo de gáudio para o mundo livre.
Hoje olho, novamente, para este sujeito que venho (des)construindo e me pergunto: onde foi que errei e por que não há nada que corrija o rumo. Eu nasci para as pequenas coisas e para viver nesse embalo de tristeza, amargura e total, absoluta e irrecorrível falta de direito a sonhar com coisas melhores.
José Saramago me cravou na alma aquela sua máxima que me é tão querida, a que atesta que "a maior tragédia nossa é essa coisa de não saber direito o que fazer com a vida". Eu acredito, mesmo, que ninguém sabe direito o que faz da sua, mas não deixa de me comover a minha propensão natural para o insucesso, o atávico desperdiço de tempo, energia, saúde, humor e cérebro em que se tornou a minha vida.

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