segunda-feira, 8 de abril de 2013

Vaca

Há de se registrar, contudo, que morreu a mãe de todas as vacas loucas do neoliberalismo.

Lamento, apenas, que sua mente tenha se esfacelado há anos, o que a impediu de dar testemunho do desastre, do desbunde, da decadência, do debaclé, da monstruosa e retumbante cagada, enfim, em que redundou seu sistema de estado mínimo, desregulamentação e distanciamento do estado em relação ao cidadão. Sistema que beneficia apenas os de sempre e que acabou conduzindo o mundo a comoções sociais, crises, fome, morte, guerra, desunião.

Aqui, nas tropicais terras de um país que procura se dizer de primeiro mundo via decreto, legamos a herança da perversão neoliberal, e todos os atrasos dela provenientes, aos longos oito anos do tucanato empoado e plutocrata que desmontou o país. Tucanato que vicejou muito bem nutrido no ninho montado por essa nojentíssima senhora.

O saldo do neoliberalismo é que os ricos ficaram abissalmente mais ricos, os pobres mais pobres. Os gregos, por exemplo, passaram a trocar livros e guardados para comer e tem gente na Espanha cogitando seriamente a ideia de residir em conteiners, dada a assustadora putaria em que o mercado imobiliário e o crédito acabou se tornando nos ensolarados oito reinos que compõe os domínios dos últimos Bourbons deste mundo a ostentar coroas sobre as cabeças.

Infelizmente, ao contrário da férrea senhora, a ideia neoliberal, embora absolutamente solapada, resiste nas mãos de interesses e de governantes desleais. Mas dou fé que, como toda escola econômica, a neoliberal encontrará, um dia, seu fim.

Fim que vai permitir que a perversão de Thatcher tenha o mesmo destino que sua grande patrocinadora. A morte, esquecida e desvalida. À Thatcher, a dama de ferro, que de resto, já foi antes, ainda que tarde, só posso dizer: enferruje em paz.

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